domingo, 22 de dezembro de 2013

Como surgiu o Natal? Tudo que precisa saber sobre a origem do Natal



No dia 25 de Dezembro de um ano qualquer do primeiro século nascia na cidade de Belém um personagem que iria mudar toda a história da humanidade. Devido a tamanha importância a história passou a ser divida em duas eras, antes e depois de Cristo. Depois desse grande vulto passar pela Terra todos os anos após sua morte ocorrida no ano 33 da nossa era, comemora-se o Natal em uma referencia direta ao dia do nascimento de Jesus cristo. Pois a palavra Natal vem do verbo latino “Natalis” que significa exatamente nascer.

Essa seria a explicação mais simplista do porquê comemoramos o Natal. No entanto, uma pessoa com um mínimo de senso crítico e que tenha estudado um pouco de história sabe que acreditar em uma explicação tão simplista assim indica o quão alienada essa pessoa está. Em história, da mesma forma que em uma investigação policial, trabalhamos com evidências. Por isso vamos falar primeiramente da falta de evidências nas afirmações do primeiro parágrafo desse texto.

Não há evidencias consideráveis de que Jesus nasceu no dia 25 de dezembro, ou mesmo de que teria nascido no ano zero da nossa era tendo morrido com 33 anos, ou seja no ano 33 d.C. Não há evidencias consideráveis de que tenha nascido em Belém, pois era conhecido como Jesus de Nazaré, uma cidade insignificante para época. Não há evidencias de que a palavra Natal tenha sido implantada devido ao nascimento de Cristo. Para alguns historiadores não há nem mesmo evidencias fortes o bastante para dizer que Cristo tenha sequer nascido. Muitos acham que é um personagem mítico, e se levarmos em conta as pesquisas recentes do pesquisador americano Joseph Atwill, 64 anos, Jesus foi um personagem fictício criado pelo próprio império Romano para controlar as massas. “É muito claro para mim que os romanos criaram o cristianismo como uma religião de Estado, uma estrutura de autoridade do topo para baixo.” Mais uma teoria conspiratória que pode dar milhões ao autor, ou uma evidencia crível?

Mas então, quem inventou tudo isso? E como as pessoas vêm sendo enganadas esse tempo todo?

Na verdade tudo se trata de tradição. Se você é católico e celebra o Natal tradicional deve estar ciente de alguns pontos cruciais. Foi somente no ano 522 que a Igreja instituiu o dia 25 de dezembro como a celebração do Nascimento de Cristo. Mas o feriado já era comemorado antes pelos cristãos Romanos. Já no ano de 334 o Natal já figurava entre os feriados Romanos. Mas o motivo da instituição dessa data como a comemoração do nascimento de Cristo é incerta, mas é notório que o clero da Igreja romana estava provavelmente se aproveitando de algum festival que já praticavam nessa data. 


Uma corrente historiográfica bem antiga defende que é derivado da comemoração Romana em honra ao deus do Sol (Sol Invictus). No entanto apesar de ter sido considerada uma evidencia forte por séculos, defendida até mesmo por historiadores cristãos que investigaram essa possibilidade, vem perdendo força entre os pesquisadores contemporâneos. Há muitas contas mirabolantes que procura entender a instituição dessa data, uma delas diz que na antiga tradição cristã cristo teria sido morto no dia 25 de março, e como sua passagem pela terra deveria ser representada por um numero exato, Cristo teria sido concebido também no dia 25 de Março. Nove meses depois dessa data é exatamente 25 de dezembro, ou seja, o nascimento de Jesus. 

Representação de Mitra




Entretanto, evidencias mais fortes dão conta de que o Deus Mitra de origem persa, que futuramente foi assimilado pelos gregos e depois pelos romanos nasceu segundo uma antiga tradição no dia 25 de dezembro. Portanto a magnífica estratégia de Roma para acabar com o paganismo após sua conversão ao cristianismo era justamente transformar os antigos festivais de adoração aos deuses pagãos em feriados em comemoração a personagens cristãos. Levando em consideração a importância do Deus Mitra para os romanos, não é de se estranhar que ao mais importante personagem do cristianismo fosse dado o mesmo grau de importância e com isso o que era o dia de Mitra passou a ser o dia de Cristo. 

Muitos outros feriados pagãos estão disseminados hoje em dia em comemorações do calendário cristão. Mas devemos lembrar que o quanto mais regredimos cronologicamente na história desses festivais vamos notando que surgiram de comemorações totalmente ligadas a terra; ao plantio e a colheita e as mudanças das estações do ano. Os povos antigos antes mesmo do surgimento das religiões de estado criavam seu calendário baseados no que conheciam dos fenômenos naturais para que não passassem dificuldades em uma época onde uma boa colheita determinaria a vida dessas pessoas pelos próximos meses. 

Hoje todas essas comemorações perderam seus significados essenciais. E a cada era, novas praticas são incorporadas. No atual cenário do consumismo globalizado o Natal é só uma oportunidade para o comercio de mercadorias. No entanto, é admirável a força dispensada por religiosos ou não em dar um significado majestoso a esse feriado. 






André Stanley alcunha de André Luiz Ribeiro é professor e escritor; autor do livro “O Cadáver” (Editora Multifoco – 2013); É membro efetivo da Asso. Dos Historiadores e pesquisadores dos Sertões do Jacuhy desde 2004. Atua hoje como professor e pesquisador de História Cultural. Também leciona língua inglesa, idioma que domina desde a adolescência, Administra e escreve para os blogs: Blog do André Stanley (blogdoandrestanley.blogspot.com) – Sobre História, política, arte, religião, humor e assuntos diversos e Stanley Personal Teacher (stanleypersonalteacher.blogspot.com) onde da dicas de Inglês e posta exercícios para todos os níveis.

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