terça-feira, 1 de julho de 2014

Efeito Sheherazade - Professor de História foi confundido com ladrão e teve que dar aula sobre Revolução Francesa para se livrar de seus agressores.


André Luiz Ribeiro - professor de história que teve
que dar uma aula sobre a Revolução Francesa
para se ver livre de linchadores



O Brasil que sempre foi considerado o país do futebol, título esse que vem sendo questionado hoje em dia em plena Copa do Mundo, que por ironia está sendo disputado no Brasil. No entanto, outro rotulo seria muito bem aplicado a esse país. O Brasil hoje pode sim, sem sombra de dúvida, ser considerado o país dos linchamentos. Somente nesse pequeno blog falei nesse tema repetidas vezes. (leia aqui)

Justiceiros conservadores que vem atuando Brasil afora de forma análoga a atuação dos recrutas da tropa de choque do partido nazistas antes desse subir ao poder na Alemanha em 1932 - considerada as devidas proporções culturais e temporais. Esses conservadores já elegeram seus lideres (leia matéria relacionada). Uma jornalista cristã de nome Rachel Sheherazade é de longe a grande representante e propagadora desse movimento, já que tem a seu favor um veiculo de repercussão nacional e a simpatia de uma classe média adoentada e mal educada em ascensão. Não vou repetir sobre o papel fundamental dessa mentalidade conservadora 
cristã representada em certa medida por essa jornalista, muitos analistas já o fizeram e eu em minha baixeza intelectual também já o fiz nesse blog. (Leia aqui)

A nova vítima dessa mentalidade "pré-histórica" foi um representante da classe menos valorizada e no entanto mais necessária para esse país, caso ainda pretendamos construir uma sociedade razoavelmente habitável por etnias diversas. André Luiz Ribeiro, um professor de História - acho que a coincidência me deixou ainda mais indignado, pois esse cidadão não bastasse ter a mesma profissão que eu, possui também exatamente o mesmo nome e sobrenome - foi espancado como um animal na periferia de São Paulo, exatamente no bairro de Balneário São José, por uma multidão de populares que o viu ser acusado de roubo pelo dono de um bar nessa região. André fazia cooper e foi parado pelo dono do bar e seu filho e acorrentado, os moradores se aglomeraram e começaram a espancá-lo.


“Perguntei o que estava acontecendo. Eles sequer conversaram comigo. Já foram me batendo. O filho dele me deu um mata-leão, fiquei sem ar. Aí me derrubaram no chão e foi bicuda pra todo lado. Tomei bicuda no corpo inteiro. Apanhei muito.”


O professor conta que, mesmo destruído, ainda estava acorrentado e deitado no chão. “Foi quando um dos bombeiros falou para mim "Então dá uma aula de revolução francesa aí já que você é professor mesmo'. Eu tinha tomado tanta pancada na cabeça... Mesmo assim, falei que a revolução francesa era simples: a França era o lugar onde o antigo regime tinha maior força. A burguesia tornou-se guia da população para tomar o poder da monarquia. Ao mesmo tempo, houve apenas uma mudança de ordem social, até porque as desigualdades permaneceram. Enquanto eu não dei a aula, continuei deitado no chão. Só depois da aula que eles me levantaram e me colocaram sentado na calçada.”


André um mulato de 27 anos foi levado levado à delegacia pelos bombeiros depois de ser linchado. e ficou preso por 2 dias. Agora vai responder em liberdade pelo crime de roubo, já que o dono do bar confirmou em seu depoimento que André era o ladrão. 

Fontes:
História do Mundo

Proponho ao leitor que seja professor de história ou alguma outra ciência social para trabalhar os seguintes temas relacionados ao acontecimento:

Primeiramente peça para os alunos anotarem suas reflexões sobre as seguintes afirmações sobre o protagonista dessa história:

  • André é mulato.
  • André não é rico.
  • André vive no país do lincamento
  • André é professor em um país onde educação não é levada sério
  • André vive em um país onde cristão conservadores estão se utilizando largamente de meios de comunicação em massa.

Perguntas para serem feitas aos alunos:

  1. Você acha que a justiça com as próprias mão deve prevalecer sobre a ação do Estado?Por quê?
  2. O que justificaria o linchamento publico?
  3. Relacione a falta de segurança com os linchamentos públicos que vem acontecendo?
  4. Qual o papel da mídia na propagação dos linchamentos?
  5. Relacione os séculos de escravidão negra no Brasil e o artigo acima? Justifique sua resposta?
  6. Relacione a histórica educação precária brasileira com a criminalidade atual?
  7. Conservadores justificam seu justiçamento com a falta de segurança pública que temos hoje. Partindo desse pressuposto, você acredita que o restabelecimento da ordem por meio de uma intervenção militar seria uma alternativa? Justifique.





André Stanley alcunha de André Luiz Ribeiro é professor e escritor; autor do livro “O Cadáver” (Editora Multifoco – 2013); presidiu o Centro acadêmico do curso de História no UNIFEG em 2007, é membro efetivo da Ass. Dos Historiadores e pesquisadores dos Sertões do Jacuhy desde 2004. Atua hoje como professor e pesquisador de História Cultural. Também leciona língua inglesa, idioma que domina desde a adolescência

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