domingo, 3 de agosto de 2014

Um Método Perigoso - filme retrata as relações de amor e ódio dos criadores da psicanálise.


Título: A Dangerous Method (Original)
Ano produção 2011
Dirigido por: David Cronenberg
Estreia: 30 de Março de 2012 ( Brasil )
Duração: 99 minutos
Classificação:  14 - Não recomendado para menores de 14 anos
Gênero: Drama Thriller
Países de Origem: Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte


No final do século IX e inicio do XX houve uma efervescência na história da psicologia moderna. Freud criava sua técnica de cura pela conversa, que chamou de psicanálise, e juntamente com seu fundador um grupo de médicos e pensadores se juntaram para estudar os processos do comportamento humano. O que muitos negligenciam é que Freud foi cristalizando sua psicanálise de forma progressiva e não teria sido tão solida se não tivesse a ajuda de seus seguidores mais ilustres, que muitas vezes são deixados de fora do panteão criador desse novo procedimento analítico. 








O filme do diretor canadense David Cronenberg, “Um Método Perigoso” tenta resgatar em uma trama bem compacta a importância desses personagens que hoje fazem parte da história das formas contemporâneas de se pensar a psicologia. O filme já começa de uma forma frenética com a internação de uma mulher em estado extremamente histérico. Trata-se de uma personagem chave, não só para a história do filme, mas também para a história da psicanálise; a russa Sabina Spielrein – interpretada por Keira Knightley – antes de se tornar uma das primeiras mulheres a praticar a psicanálise e a freqüentar o meio Freudiano, sofrera de sérios distúrbios psicóticos que a levaram a ser internada em um hospital psiquiátrico sob os cuidados do então jovem médico Carl Gustav Jung. O filme nos conduz a considerar a efetiva participação de pacientes e analistas na construção do pensamento que geralmente é visto como sendo de total responsabilidade de Freud, que no filme é muito bem interpretado pelo ator Virggo Mortensen. A autoridade e inflexibilidade de Freud é posta em cheque por Jung um de seus mais proeminentes seguidores até então. A participação de Spielrein é fundamental para que Freud e Jung se encontrem e discutam suas idéias que começam a se contrapor com o tempo. O filme mostra essa deterioração do afeto entre os dois por conta de diferenças estruturais na forma de pensar a psicanalise. Jung nunca negou a visão freudiana de colocar o sexo no centro das atenções ao se tratar do comportamento humano, tanto que o tratamento que usou para curar Sabine Spielrein fora totalmente embasado nessa teoria já que Spielrein tinha sérios distúrbios relacionados ao sexo e fortes tendências masoquista; no entanto, Jung julgava que havia outras vertentes a serem estudadas como, por exemplo, a noção de espiritualidade que, Freud considerou uma afronta ao modo cientifico de pensar a psicanálise. 



Mas um personagem que passaria despercebido em qualquer biografia de Jung ou Freud teve uma rápida e importante incursão no filme de Cronenberg. Otto Gross - interpretado por Vincent Cassel - era membro do grupo de estudos da psicanálise e por muitas ocasiões foi um dos preferidos de Freud para continuar seu legado. Otto era um psiquiatra muito atuante e também tido como grande pensador, que se envolveu em uma série de escândalos relacionado ao seu método de psicanálise onde procurava desenvolver em seus pacientes uma erotização que segundo seu pensamento estava adormecia no individuo e causava todas as psicoses que se conhecia na época. Nada muito alem do que Freud acreditava. Otto Gross pode ser também considerado um defensor da libertação sexual não só do homem, mas de forma mais efetiva da liberdade sexual feminina em uma época onde ela estava confinada ao rigor da moral cristã. Gross no entanto, radicalizava sua teoria ao se oferecer como agente ativo para tratar suas pacientes. 




Em alguns casos foi relatado que Otto ajudou alguns pacientes a cometer eutanásia. Otto se envolveu com o uso de drogas como ópio e cocaína e na primeira década do século XX foi retirado dos círculos de estudos de Freud devido aos seus repetitivos escândalos. A relevância desse personagem é demonstrada no filme pela sua influencia no pensamento e na vida pessoal daquele que seria depois da morte de Freud, o responsável por prosseguir com os estudos psicanalíticos. A curta estadia de Otto como paciente deu impulso que Jung necessitava em sua jornada como psicanalista, e conseqüentemente como amante. Seu modo de pensar a vida nunca mais foi o mesmo desde então. Jung pela primeira vez não se opôs a seus desejos eróticos reprimidos e, ele próprio se lançou em um caso extraconjugal muito ativo com a sua paciente Sabina Spielrein. Caso esse que teve grande impacto em sua carreira devido ao escândalo que causou. No entanto, esse seria apenas o primeiro caso de Jung com uma paciente. Um filme que vale apena assistir, mais pelo seu conteúdo histórico do que pelo estético em si.
Assista ao trailer:


Fontes: 


André Stanley alcunha de André Luiz Ribeiro é professor e escritor; autor do livro “O Cadáver” (Editora Multifoco – 2013); É membro efetivo da Asso. Dos Historiadores e pesquisadores dos Sertões do Jacuhy desde 2004. Atua hoje como professor e pesquisador de História Cultural. Também leciona língua inglesa, idioma que domina desde a adolescência, Administra e escreve para os blogs: Blog do André Stanley (blogdoandrestanley.blogspot.com) – Sobre História, política, arte, religião, humor e assuntos diversos e Stanley Personal Teacher (stanleypersonalteacher.blogspot.com) onde da dicas de Inglês e posta atividades para todos os níveis.


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