segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

(Filme) A casa de Areia e de Névoa - O "bom selvagem" na "gaiola de ferro". (Resumo)




Versão resumida


Vemos uma jovem que por negligência não paga seus impostos patrimoniais e perde sua casa , enquanto outro homem se aproveita de sua displicência para comprar a casa por um preço bem abaixo do que ela realmente vale, para faturar no repasse. A garota fica judicialmente de mãos atadas, mesmo quando a prefeitura assume que errou na venda do imóvel. A trama se desenvolve neste clima de batalha judicial onde vamos nos identificando com cada um dos personagens que vão interagindo com os protagonistas. Não encontramos os vilões típicos de filmes americanos e por outro lado não vemos os mocinhos que surgem sempre como santos isentos de culpa. São personagens sobretudo humanos, como nós, que estamos do outro lado da tela. Daí me permiti uma outra analogia com o filosofo Jean Jacques Rousseau quando fala a respeito do “bom selvagem”. “ o ser humano é bom por natureza, é a sociedade que o corrompe”.



De um lado Behrane, que simboliza o indivíduo moldado pela cultura árabe, que busca uma aproximação com o capitalismo ocidental, entretanto sem se despir de seus conceitos religiosos. Do outro lado uma jovem inserida no mundo capitalista com todas as características pertinentes ao seu status. Divorciada, ex-alcoolatra, negligente com a burocracia de seu país. Ou seja um tipo de hedonismo tolerado pela democracia ocidental. Esta é a jovem Katty interpretada pela bela atriz Jennifer Connelly. Katty recebe uma ordem de despejo, já que esta não havia pago os impostos referentes à casa que herdara de seu pai. Como Katty nunca abria as correspondências que lhe eram entregues pelos correios, perdeu a oportunidade de recorrer contra esta decisão da justiça. A burocracia do município onde Katty mora se torna um instrumento legal para transformar-la em uma “sem teto”, da noite para o dia. Como na “gaiola de ferro” de Max Weber, Katty se vê impotente diante da máquina burocrática que rege sua vida.

Retire de Katty esta ânsia de se manter honrada. Retire de Behrane este mesmo elemento capitalista de ser um vencedor dentro do centro do capitalismo mundial, e não haveria razões para este trágico desfecho. O ser humano é o que é, segundo a sociedade que o molda. Esta máxima rousseauniana é o elemento chave desta obra.

A casa não passava de um simbolismo para a vaidade pessoal de cada um. Quando Katty encontra seu oponente morto ao lado de sua esposa depois de cometer suicídio ao saber da morte do filho, ela percebe a futilidade daquela casa que tanto desejava. Parece um final daqueles que nos querem deixar uma mensagem edificadora, mas é mais do que isto. É um filme que nos permite dialogar a respeito de nossa conduta social.



André Stanley alcunha de André Luiz Ribeiro é professor e escritor; autor do livro “O Cadáver” (Editora Multifoco – 2013); É membro efetivo da Asso. Dos Historiadores e pesquisadores dos Sertões do Jacuhy desde 2004. Atua hoje como professor e pesquisador de História Cultural. Também leciona língua inglesa, idioma que domina desde a adolescência, Administra e escreve para os blogs: Blog do André Stanley (blogdoandrestanley.blogspot.com) – Sobre História, política, arte, religião, humor e assuntos diversos e Stanley Personal Teacher (stanleypersonalteacher.blogspot.com) onde da dicas de Inglês e posta exercícios para todos os níveis.


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