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sábado, 14 de janeiro de 2017

(Livro) Meus Tempos de Ansiedade - Por que eu sou ansioso?



Imagem André Stanley


Os distúrbios de ansiedade estão hoje entre os problemas mais tratados pela psiquiatria e pela psicologia. Estamos passando por uma era onde a exposição desses distúrbios mentais ganharam status de problemas médicos sérios que devem ser tratados. Se por um lado isso derrubou o tabu de que pessoas deprimidas ou com uma ansiedade acima do normal eram vistas como pessoas mentalmente fracas e incapazes, por outro isso fez com que o uso de medicamentos para doenças relacionadas a transtornos de ansiedade crescesse assustadoramente nos últimos anos. O fenômeno também pode ser percebido no mercado editorial onde autores de autoajuda se proliferam e lucram de uma forma avassaladora, pois oferecem segredos mágicos de como se livrar das suas mazelas psicológicas sem precisar recorrer a médicos ou psicólogos, muitas vezes os próprios médicos e psicólogos aproveitam a onda e se tornam autores de autoajuda.

Transtornos como síndrome do pânico, transtorno bipolar, TOC e alguns outros – que estão hoje enquadrados dentro do termo genérico de “Transtornos de ansiedade” – nunca foram tão estudados e avaliados e também nunca foram tão supervalorizados como hoje. Muitos exacerbam o comentário dizendo que estamos passando por uma epidemia de distúrbios de ansiedade no mundo ocidental.

A verdade é que mesmo em um mundo tão pequeno e superlotado de informações, ainda não temos uma noção exata sobre a causa desses transtornos. Muitos seguem uma corrente mais freudiana que diz que é tudo proveniente de situações reprimidas pelo seu inconsciente e que você deve resolver essas pelejas internas - geralmente relacionadas com impulsos sexuais reprimidos – para se livrar de sua ansiedade, outros já acham que a ansiedade é um problema neurológico e genético. Dessa forma você deve se tratar com medicamentos que regulam a sua produção de neurotransmissores que são responsáveis diretos pelo seu estado mental. Ou seja, ainda não temos uma resposta inteiramente honesta e significativa sobre como lidar com esses problemas.


Para entender mais detalhadamente sobre todas essas incoerências indico aqui o livro do jornalista e editor americano Scott Stossel. Seu livro “My Age of Anxiety-Fear, Hope, Dread and Search for peace of mind.” (Meus tempos de ansiedade-Companhia das letras). Nesse livro o autor faz uma vasta pesquisa sobre o que é ansiedade e como esse termo vem sendo usado desde tempos imemoriáveis. Conta como os antigos lidavam com esse problema e toda a trajetória desse distúrbio através dos tempos até ser catalogado no DSM -Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. Que é o manual de transtornos mentais que é publicado pelo APN (Associação Americana de Psiquiatria). Os tratamentos utilizados para combater esse transtorno também é detalhadamente dissecado pelo autor, mostrando os encontros e desencontros dos especialistas sobre como tratar o problema. 

O mais interessante do livro fica por parte da abordagem do autor que usa seu próprio sofrimento para construir a narrativa. É como se você literalmente conversasse com Scott, que é um ansioso crônico e já se submeteu a quase todo tipo de tratamento existente para amenizar suas crises de ansiedade desde que era uma criança tímida e antissocial. Ou seja, se você é ansioso e curte fazer leituras de gurus da autoajuda para se sentir melhor, esse não é um livro indicado para você, ou é, dependendo da abordagem que você queira dar a sua doença. 

O livro está longe de ser um manual de “como lidar com a ansiedade em 10 passos” como todo ansioso espera. É uma ambiciosa compilação de informações coletadas por um ansioso que se tornou um estudioso do assunto. Algo que eu nunca vi antes em nenhum trabalho do gênero. O Próprio Scott diz que escreveu o livro como uma forma de lidar com sua própria ansiedade e apesar da falta de ambição em se livrar de uma vez por todas desse problema ele até se arrisca a fazer uma autoanalise no capítulo final. Grande livro para quem quer desvendar os bastidores dessa doença que acomete milhões de pessoas ao redor do mundo incluindo esse que vos escreve.

Fonte:

Stossel, Scott. My Age of Anxiety - Fear, Hope, Dread and Search for Peace of Mind. 





    André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.


domingo, 22 de junho de 2014

A emocionante história da mulher autista que criou uma "máquina do abraço" para ajudar a lidar com ansiedade.






Temple Grandin foi diagnosticada, ainda na infância, com autismo grave, o que fez com que seus pais procurassem medidas alternativas para ajudar a pequena Temple a se comunicar melhor. O autismo é uma doença neurológica que causa sérios problemas no desenvolvimento cognitivo de uma criança. Um autista vê o mundo ao seu redor de  forma muito diferente.

"Eu penso com figuras. Eu não penso com palavras"
(Temple Grandin)

Grandin foi levada pelos pais para passar uma temporada em uma fazenda, onde ela tinha contato com cavalos e vacas. Foi ai que Temple começou a perceber que pensava diferente, ela se interessou pelos animais e observando as vacas no processo de vacinação, Temple notou que elas ficavam mais calmas quando eram colocadas em uma máquina que as apertava e as mantinham imóveis para serem vacinadas. Temple que por conta do autismo sofria com muita ansiedade teve a ideia de construir uma maquina similar para poder apertar a si própria e ficar calma como as vacas na hora da vacina.
Grandin construiu sozinha sua primeira máquina do abraço onde ela mesma era capaz de acionar.

"Eu controlava a pressão da máquina e ficava ali uns vinte minutos, uma vez por semana e saía relaxada..."
(Temple Grandin)


É sabido que as pessoas que sofrem de autismo tem muita dificuldade de de lidar com afeto e carinho, até mesmo os pais tem dificuldade de ter a atenção de seus filhos autistas o que causa grande frustração, e aqueles que ignoram a doença taxam as crianças autistas de insensíveis e sem emoção. Na verdade um simples carinho causa muito medo nos autistas.

"Eu tenho emoções, mas elas são simples. Eu fico com raiva, fico triste, fico alegre e tenho medo"
(Temple Grandin)

Com ajuda da família que desde sua infância procurou ajuda profissional para garantir a inclusão de Temple em uma vida social mais próxima da normalidade possível, de seus terapeutas que acreditaram nela e de sua força de vontade e persistência Temple Grandin venceu o autismo e se  tornou uma mulher de respeito em seu meio. Temple possui pós-doutorado em veterinária é especialista em neurociência e é uma palestrante muito requisitada para falar sobre trato com os animais e eventualmente devido a sua experiencia sobre autismo. 


Em 2010 foi produzido um filme para a TV americana contando sua história. O filme estrelava Craire Danes no papel de Grandin e ganhou sete prêmios Emmy

Fontes:
Wikipedia
Globo Repórter
Temple Grandin(Filme) IMDB


Assista o trailer do filme Temple Grandin feito´para TV americana:




André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital. 

domingo, 12 de janeiro de 2014

Mary Del Priore fala a respeito da crença dos alienistas do século XIX sobre desejo sexual feminino como histeria.

Historiadora e escritora, Mary del Priore.



Publicado originalmente no site História Hoje com o título: O medo da mulher insaciável


O domínio da sexualidade feminina era sempre da “outra”, da “mulher bonita”, da cortesã ou… da louca, da histérica. Os estudos sobre a doença mental, monopólio dos alienistas e a criação da cadeira de Clínica psiquiátrica nos cursos da faculdade de Medicina, desde 1879, acabaram por consagrar a ética do bom e do mau comportamento sexual. Estes eram tempos em que médicos importantes como Dr. Vicente Maia, examinavam mulheres cujas infidelidades ou amores múltiplos se distanciavam da ordem e da higiene desejada pela ordem burguesa que se instalara nos centros urbanos. Os médicos começavam a delinear o perfil do que chamavam a “mulher histérica”, tendo se tornado moda entre as de elite, “ataques” quando da saída de um enterro ou da chegada de notícia ruim.

A mulher tinha que ser naturalmente frágil, bonita, sedutora, boa mãe, submissa e doce, etc. As que revelassem atributos opostos seriam consideradas seres antinaturais. Partia-se do princípio que, graças à natureza feminina, o instinto materno anulava o instinto sexual e consequentemente, aquela que sentisse desejo ou prazer sexual seria inevitavelmente, anormal. “Aquilo que os homens sentiam”, no entender do Dr. William Acton, defensor da anestesia sexual feminina, só raras vezes atingiria as mulheres, transformando-as em ninfomaníacas. Ou, na opinião do renomado Esquirol que tanto influenciou nossos doutores: “Toda a mulher é feita para sentir, e sentir, é quase histeria”. O destino de tais aberrações? O hospício.

Entre alienistas brasileiros associava-se diretamente a sexualidade e a afetividade. O médico Dr. Rodrigo José Maurício Júnior, na primeira tese sobre o tema, apresentada na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1838, não hesitava em afirmar: “As mulheres nas quais predominar uma superabundância vital, um sistema sanguíneo, ou nervoso muito pronunciado, uma cor escura ou vermelha, olhos vivos e negros, lábios de um vermelho escarlate, boca grande, dentes alvos, abundância de pelos e de cor negra, desenvolvimento das partes sexuais, estão também sujeitas a sofrer desta neurose”. E ele não estava só.

Muitos mais pensavam que a histeria era decorrente do fato de que o cérebro feminino podia ser dominado pelo útero. Júlio Ribeiro, em seu romance naturalista A carne, de 1888, põe na boca de um dos protagonistas, Barbosa, a certeza de que fora deixado por sua amante, Lenita, pois esta, possuidora de um cérebro fraco e escravizado pela carne tornara-se histérica. Na versão de outro médico, o Dr. Henrique Roxo, a excessiva voluptuosidade da mulher era facilmente detectável por um sintoma óbvio: “eram péssimas donas de casa”.

Das teses de medicina, ao romance e destes para as realidades nuas e cruas do Hospício Nacional dos Alienados, a verdade era uma só: a sexualidade feminina era terreno perigosíssimo e era de bom tom, não confundi-la com sentimentos honestos. A iniciação a práticas sexuais seguidas do abandono do amante levava à degeneração. Acreditava-se que, uma vez conhecedora de atividades sexuais, as mulheres não podiam deixar de exercê-la, como vemos no romance de Aluísio de Azevedo, Casa de Pensão: viúva, Nini, passa a ter sintomas de histeria. A não satisfação do desejo sexual cobrava um preço alto. A paixão por outros homens que não o marido, ou seja, o adultério, também aparecia aos olhos dos médicos como manifestação histérica.

Perseguiam-se as histéricas e ninfômanas. Debruçados sobre a sexualidade alheia, examinando-a em detalhes, os médicos, por sua vez, acabam por transformar seus tratados sobre a matéria, no melhor da literatura pornográfica do período.

- Mary del Priore
Historiadora e escritora, com mais de 36 livros publicados e diversos prêmios nacionais e internacionais.

Walter White no divã - Uma analise psicológica do protagonista de Breaking Bad (Sem spoilers)

Como um insignificante e desmotivado professor de química do ensino médio se torna um criminoso frio e calculista?

O espetacular sucesso da série americana Breaking Bad  produzida pelo canal AMC, não é uma pura artimanha de marketing como muitas vezes ocorre. A série ainda dará muito o que falar. Ela poderá se tornar um objeto de analise de vários cientistas sociais. Procurei fazer aqui no entanto, uma analise psicológica bem subjetiva do protagonista da série, Walter White. 




Walter White simboliza de uma forma simplista a psique humana. Precisamos de um estimulo para querer mudar nossas atitudes. No caso do pacato professor de Química do ensino médio Walter White, tal estimulo foi a descoberta de um câncer no pulmão. Walter White na iminência da morte e pressionado pela situação financeira nem um pouco agradável – tendo que se submeter a um subemprego em um lava jato para tentar de alguma forma ajudar nas despesas de uma típica família de classe média americana – encontra finalmente um subterfúgio poderoso para iniciar uma vida ilícita.

O câncer foi apenas um gatilho que impulsionou o apático White dando-lhe uma espécie de sobrevida. Pois um elemento que não se pode negligenciar estava adormecido há tempos nas entranhas da mente desse personagem surpreendente. O fato de ter criado uma empresa com dois outros amigos onde o incrédulo White foi o único que não prosperou na vida. White não acredita no sucesso da empresa que criou e vende sua parte aos seus sócios, a empresa, no entanto, se torna uma gigante, enriquecendo seus antigos amigos de faculdade e agora ex-sócios. Este é o elemento mais poderoso que ficou adormecido todos esses anos acumulando culpa, remorso, inveja e ódio. Como em uma reação química onde elementos diversos ao se misturar pode causar reações inesperadas, a noticia do tumor causa uma metamorfose impensada no ordinário professor de química Walter White. 

O fato de saber que a morte caminha ao seu lado o faz motivado. Sua motivação consciente: deixar um legado a sua família. White recusa ajuda financeira de seu antigo sócio por puro orgulho. Mas analisando friamente a figura em que White estava se tornando o elemento orgulho foi preponderante para sua sobrevivência. Mas o que White escondia nas profundezas de sua mente de si mesmo, e que foi revelado em algum momento do seriado, era o fato de que seu talento para fabricar a metanfetamina mais pura do mercado o tornou uma referencia, algo que nunca obteve antes mesmo com toda sua inteligência e genialidade. Isso foi o alimento perfeito para o seu ego. Esse narcisismo cristalizou a figura do criminoso frio e maquiavélico interpretado magnificamente pelo ator Bryan Cranston.




André Stanley alcunha de André Luiz Ribeiro é professor e escritor; autor do livro “O Cadáver” (Editora Multifoco – 2013); presidiu o Centro acadêmico do curso de História no UNIFEG em 2007, é membro efetivo da Ass. Dos Historiadores e pesquisadores dos Sertões do Jacuhy desde 2004. Atua hoje como professor e pesquisador de História Cultural. Também leciona língua inglesa, idioma que domina desde a adolescência


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Bicho de sete cabeças, uma critica à psiquiatria, ou uma crítica "histórica" à sociedade que construímos?

Ficha Técnica

Gênero: Drama
Direção: Laís Bodanzky
Roteiro: Luiz Bolognesi
Elenco: Caco Ciocler, Cássia Kiss, Gero Camilo, Jairo Mattos, Luis Miranda, Marcos Cesana, Othon Bastos,Rodrigo Santoro, Valéria Alencar
Produção: Fabiano Gullane, Maria Ionescu
Fotografia: Hugo Kovensky
Trilha Sonora: André Abujamra, Arnaldo Antunes


Que sociedade construímos?

Parece que toda a estrutura psicológica do homem vem sendo moldada, através dos séculos pelo processo histórico que de alguma forma limita a ação desse homem em seu meio, ou em alguns casos derruba velhos limites, como por exemplo, os acontecimentos históricos que marcaram o século XVI. Sabemos que foi neste século que surgiram as primeiras contestações racionais a respeito das escrituras sagradas. A reforma protestante marcou uma ruptura interna, abalando toda a base dogmática da Igreja cristã. A teoria geocêntrica de Ptolomeu que era atestada pela Igreja católica, não mais se enquadra nos cálculos dos astrônomos daquela época. Copérnico através de novos cálculos chega à uma nova estrutura planetária onde a Terra passa a ser um simples astro que gira em torno do Sol, e não o contrário, como se pensava. Já no alvorecer do século XVII, Galileu consegue confirmar a teoria Copernicana com o auxílio do telescópio. E por esta atitude é condenado pela santa inquisição tendo que se retratar. Ou seja, muitos dogmas religiosos que determinavam a vida do homem até aquele momento estavam sendo questionados por cientistas. Surge o embate entre a Igreja e a ciência que se torna determinante na vida do homem a partir de então. Neste processo o homem passa a ser responsável por seus próprios atos.



A partir deste momento o homem passou a temer por seu destino, pois este não era mais uma vontade divina. De certa forma o homem fica um tanto desamparado sem aquela figura divina que o conduzia . Surge então os conflitos internos ( ou seja os conflitos que eram travados dentro da própria mente do homem) que viriam a se intensificar no decorrer dos séculos seguintes até os dias de hoje. Vários pensadores vieram a desenvolver teorias a respeito destes conflitos da mente humana. Somente no século XX surgem as primeiras teorias no intuito de resolver tais conflitos, dentre essas, a psicanálise desenvolvida por Sigmund Freud.

Bicho de sete cabeças


Com o advento da psiquiatria no intuito de tratar as doenças da mente, surge também o preconceito em relação ao paciente que se submete a tal tratamento. No filme "Bicho de sete cabeças" de Laís Bodansky vemos um rapaz que sofre preconceito após deixar um hospital psiquiátrico, onde estava internado, por desejo dos pais. 

O circulo social que antes aceitava este jovem como uma membro comum, depois da internação passa a rejeita-lo, por se tratar de um "lunático". É nítido a linha anti-psiquiátrica que o filme adota fazendo uma crítica mordaz a esse tipo de instituição. No hospital psiquiátrico este jovem é submetido a um tratamento um tanto ortodoxo, que chegara ao extremo de de ser submetido à uma sessão de eletro-choque. 

Para muitos analistas da sociedade moderna este filme parece anacrônico, pois era geralmente na idade média que tratamentos que implicavam em dor para o doente mental eram praticados. Em pleno final do século XX ( período em que se passa o filme ) não existiria tal procedimento. Porém o grande mérito deste filme é mostrar que em pleno século XXI ainda nos encontramos perdidos em meio à tantas convenções humanas que influenciam nossa conduta social. Por exemplo: até que ponto é ilícito fumar maconha e não é ilícito fumar cigarro. O que sempre determinou isto foi uma simples questão legislativa do Estado. Tal lei proíbe o uso de tal produto que causa tanto mal quanto um produto similar que não há nenhuma proibição.

Vemos que o rapaz - interpretado por Rodrigo Santoro - foi internado à força depois que o pai achou um cigarro de maconha na roupa deste, no entanto a própria mãe do rapaz é uma fumante compulsiva. Um personagem que retrata melhor a crítica de Bodansky é o médico que dirige o hospital, pois este é dependente de medicamentos que usa em conjunto com álcool. Talvez Bodansky tenha extremado o enredo desta obra, mas tinha, a meu ver, um fim nobre, que era denunciar a nossa hipocrisia em relação a todo o comportamento dos indivíduos que nos rodeiam. Se não temos parâmetros racionais para definir o que é uma droga que implica em prejuízos para a saúde do indivíduo e o que é um remédio ou um simples controlador de euforia como são muitas vezes considerados o álcool e o cigarro, também não temos tais parâmetros para dizer quem é louco e quem é normal

Esse artigo foi originalmente publicado no blog "Analisando o Cinema" em 22 de dezembro de 2006.



Assista o Trailer: 




André Stanley alcunha de André Luiz Ribeiro é professor e escritor; autor do livro “O Cadáver” (Editora Multifoco – 2013); É membro efetivo da Asso. Dos Historiadores e pesquisadores dos Sertões do Jacuhy desde 2004. Atua hoje como professor e pesquisador de História Cultural. Também leciona língua inglesa, idioma que domina desde a adolescência, Administra e escreve para os blogs: Blog do André Stanley (blogdoandrestanley.blogspot.com) Sobre História, política, arte, religião, humor e assuntos diversos e Stanley Personal Teacher (stanleypersonalteacher.blogspot.com) onde da dicas de Inglês e posta atividades para todos os níveis.

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