Parece que o espírito natalino
e o clima de renovação de fim de ano não trouxeram boas vibrações para a banda ARCH
ENEMY. Os suecos, por meio de sua manager – e ex-vocalista – Angela Gossow, vêm
sendo protagonistas de uma treta monumental nas últimas semanas. E tudo por
causa de uma discussão, aparentemente banal, sobre direito de uso de imagens.
O fotógrafo de J. Salmeron que
cobre eventos para o site “Metal Blast” compartilhou uma foto de sua autoria da
vocalista Alissa White-Gluz em um festival na Holanda. Até aí tudo bem, mas
parece que hoje você não pode dar um click sem gerar uma rede de danos a sua
imagem.
A loja “Thunderball Clothing” especializada
em roupas para o público, e principalmente para artistas, de Heavy Metal,
compartilhou a foto de Salmeron em seu perfil no Instagram anunciando e
agradecendo Alissa White-Gluz por usar suas roupas e assessórios feitos
especialmente para ela. Aí começa a treta. O fotógrafo se sentiu lesado ao ver
que sua imagem estava sendo usada comercialmente sem sua permissão por uma loja
de roupas.
J. Salmeron, que também é
advogado, decidiu entrar em contato com a loja para cobrar seus direitos, e
disse até mesmo que não estava interessado em mover uma ação contra a banda ou
contra a loja, apesar de ter esse direito, e que estava até mesmo disposto a
liberar o uso da imagem mediante a doação de € 100 (cem Euros – cerca de 447 Reais)
para a Dutch Cancer Foundation (Fundação do Câncer da Holanda). Uma instituição
de caridade que cuida de doentes com câncer. O problema, no entanto, não acabou
por aí.
Angela Gossow, ex-vocalista da
banda e atual manager, emitiu uma nota repudiando a cobrança e decidiu banir o
fotógrafo dos shows da banda, dizendo que ele não é mais bem-vindo aos shows do
ARCH ENEMY. E que outras bandas certamente não gostariam de ver um fotógrafo
por perto tentando capturar imagens que depois seriam cobradas.
Essa saga ainda não termina
aqui, pois há ainda capítulos dramáticos a seguir. O fotógrafo, agora
convertido em “Arqui-inimigo” (não podia deixar de usar esse trocadilho) da
banda e de sua legião de fãs apaixonados decide ir para guerra. Ele usou sua influência
jornalística e até gravou um vídeo intitulado “How I got Banned from Photographing Arch Enemy” (Como fui proibido
de fotografar o Arch Enemy) que foi publicado no site da “Metal Blast” onde ele
explica sua versão dos fatos para os leitores (pode ser visto no Youtube).
Um outro capítulo dessa novela
mexicana veio à tona essa semana quando Marta Gabriel, proprietária da loja Thunderball
Clothinng, anunciou em seu site oficial que estava fechando as portas de seu
negócio devido as várias manifestações de ódio que vinha recebendo via
comentários por conta do episódio ocorrido entre a banda ARCH ENEMY e o fotógrafo
J. Salmeron.
Ufa, creio que até o momento
isso é tudo, mas acho que teremos outros capítulos desta saga em breve. A
questão é que uma simples discussão por direito de uso comercial de uma imagem
se tornou uma briga de egos. Quem está certo nesta história?
Não há dúvidas que juridicamente
o fotógrafo está bem amparado. Ele é o dono dos direitos autorais da “famigerada”
foto e, portanto, ninguém poderá usá-la com o intuito de ganhar dinheiro direta
ou indiretamente sem o seu consentimento. Casos assim nos leva a refletir sobre
como estão os direitos de usos de imagens hoje em dia. Tudo deve ser feito por
meio de contratos assinados por ambas as partes, e mesmo assim, ainda temos
casos de pessoas de má-fé que usam seus conhecimentos jurídicos para lucrar.
Não foi o caso do fotógrafo J.
Salmeron, que estava disposto a liberar o uso de sua foto por meio de uma
doação que iria para uma instituição de caridade. Não temos condições de julgar
se esse ato é realmente uma prova de altruísmo do fotógrafo ou simplesmente
vaidade pessoal, mas, o que não consigo concordar – e olha que quem vos escreve
é um grande fã do ARCH ENEMY – com a recusa da banda em aceitar a proposta do
cara. Afinal com € 100 tudo estaria resolvido.
Esta briga de narrativas está
oxigenando os bastidores da cena nos últimos dias e de certa forma, mostrou que
a internet realmente deu voz aos idiotas – como diria Umberto Eco. O efeito mais
crítico dessa briga de Egos sãos as ameaças feitas pelos fãs mais ardorosos do ARCH
ENEMY ao fotógrafo que vem sofrendo até ameaças de morte, segundo o próprio e, por
outro lado, a avalanche de comentários de ódio recebidos pela proprietária da
loja Thunderball Clothing que foi o motivo alegado por ela para encerrar seu negócio.
Ainda acho que a loja
Thunderball Clothing volte a ativa novamente após a poeira baixar, com todo
aparato necessário para que a empresa desfrute de sua popularidade após estes
eventos e tenha um crescimento considerável em suas vendas, e não me custa acreditar
que tudo isso não passe de uma bela de uma jogada de marketing. Afinal não é
muito comum empresas que praticam grande parte de seus negócios na internet
fechem, por uma simples onda de comentários negativos recebidos mediante um
fato isolado. Mas para sabermos mais a respeito deveremos esperar pelos próximos
capítulos. Até lá.
André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.
Sempre fui um grande entusiasta da voz feminina e quando ela foi introduzida no Heavy Metal descobri que a voz feminina doce e suave ganha grande relevância em meio as guitarras distorcidas e a agressividade que esse estilo impõe.
Eis aqui uma lista com as 7 melhores vozes femininas do Heavy Metal segundo a humilde opinião desse que vos escreve. Primeiramente gostaria de explicar as diretrizes que utilizei para ranquear essas cantoras. Trata-se de um ranque de mulheres que obviamente podem ser muito lindas e gostosas, mas os critérios que utilizei não leva em conta sua beleza física propriamente dita, mas sim suas vozes, suas performances e mais importante sua relevância dentro da cena. Se eu fosse classificar as mais belas do Metal certamente engrossaria minha lista com a belíssima vocalista italiana Cristina Scabia, do Lacuna Coil ou até mesmo a vocalista do Arch Enemy, a canadense Alissa G. White, e por que não a brasileira Dani Nolden vocalista do Shadowside.
Quando digo que essas vocalistas possuem relevância dentro da cena metálica estou dizendo que sem elas o Metal moderno não seria o mesmo. A importância dessas sete mulheres que vou lhes revelar diz respeito à sua coragem de inovar em um mundo muito pouco aberto a mudanças e muito conhecido pelo machismo crônico, também levei em conta a construção de uma técnica vocal que se adeque ao peso e a agressividade do Heavy Metal.
Obviamente que optando por escolher um numero tão limitado de vocalistas deixei muitas boas vocalistas de fora. Por exemplo, é inegável que Liv Kristine teve grande importância dentro do Gothic Metal assim como a já citada Cristina Scabbia, mas creio que nesse caso levei em consideração os estilos de vocal e também estilos musicais e de alguma forma elas não chegaram entre as finalistas. Novas beldades surgiram também nos últimos anos como a já citada Alissa White Gluss que ficou famosa no The Agosnist e atualmente no Arch Enemy e a grande cantora sueca Elize Ryd do Amaranthe. Fiquei também muito triste de não ter conseguido incluir a dona de uma das vozes mais lindas da cena atual de Metal sinfônico, estou falando de Manuela kraller que integrou a banda alemã Haggard e depois foi anunciada como a vocalista da banda alemã Xandria. Sua capacidade para o vocal lírico era simplesmente maravilhosa, o que fez com que o único álbum lançado pelo Xandria com seus vocais (Neverworld's End) fosse o mais aclamado da banda até então. Não posso deixar de acrescentar que sua voz lembra muito Tarja Turunen no inicio do Nightwish.
Mas depois de muito avaliar defini minhas 7 divas fundamentais do Heavy Metal. Confira abaixo.
7- Angela Gossow – (ex- Arch Enemy)
Essa alemã é a única dessa lista que não alcançou seu estrelato na cena metálica se utilizando de sua feminilidade. Angela Gossow possui uma voz gutural nos remetendo aos grandes vocalistas de Death Metal mais monstruosos. Gossow foi a vocalista da banda sueca Arch Enemy desde o ano 2000. Seu estilo agressivo serviu de influencia para varias vocalistas guturais da nova geração de bandas de Metal, como a canadense Alissa White, que a substituiu como vocalista do Arch Enemy.
Suas principais influências são Jeff Walker do Carcass, David Vincent do Morbid Angel, Chuck Billy do Testament, John Tardy de Obituary, Chuck Schuldiner da Death, Dave Mustaine do Megadeth e Rob Halford do Judas Priest. Em 2002 Angela foi diagnosticada com nódulos na garganta, mas com alguma terapia conseguiu se recuperar e continuar sua carreira mas como dito acima, em Março de 2014 Angela anunciou que iria encerrar sua participação como vocalista do Arch Enemy (dando lugar à Alissa White-Gluz) mas que vai continuar trabalhando na banda exclusivamente cuidando dos negócios como empresária. Angela é uma militante do veganismo e se considera politicamente uma anarquista.
Assista o clipe da banda Arch Enemy com Angela Grassow nos vocais:
6 - Sandra Schleret (Dreams of sanity/Siegfried/ Elis)
Essa vocalista austríaca apareceu primeiramente para o mundo do Metal como a frontwoman da banda Dreams of Sanity. Lançaram quatro álbuns fenomenais de 1994 ao ano 2000, mas as ambições de Sandra eram muito maiores que a sua banda e ela deixou seus companheiros, para fazer os vocais femininos da banda de Folk Metal alemã Siegfried. Depois foi a escolhida para ser a nova vocalista da banda Elis, já que sua vocalista, Sabine Dünser havia falecido vitima de um derrame em 09 de julho de 2006.
Sandra possui lindos graves e sua voz se destaca muito em todas as bandas pelas quais passou. Sua capacidade de migrar do grave ao agudo e vice versa a transforma em uma vocalista completa.
No dia 10/05/2011 Sandra anuncia que estava deixando o Elis para seguir outra direção em sua carreira, desde então Sandra fez participações especiais em bandas como Samael e Serenity, mas não se encontra em nenhuma banda até a publicação desse post.
Assista uma performance de Sandra ainda no Deams of sanity em 1999 no México:
5 – Floor Jansen (After Forever/Revamp/Nightwish)
A holandesa Floor Jansen iniciou sua carreira como a vocalista da banda After Forever. Já nessa época costumava abrir shows do Nightwish, mas nunca imaginaria que seria a nova musa dessa grande banda alguns anos depois. Jansen também possui atualmente outro projeto autoral paralelo ao Nightwish, o Revamp.
Floor tinha dezesseis anos quando se juntou ao Apocalypse (nome da banda After Forever no começo da carreira) em 1997. Três anos depois, a banda lançou seu primeiro álbum, Prison of Desire. Sua capacidade de cantar tanto música clássica quanto rock a tornou razoavelmente popular na cena do metal. Ela tornou-se responsável pelas letras e melodias vocais desde a saída de Mark Jansen (nenhuma relação) em 2002. Antes disso, até o álbum Decipher (2001), os dois escreviam juntos.
Assista o clipe do After Forever de 2007 com Floor Jansen nos voais:
4- Sharon Den Adel (Within Temptation)
Essa outra holandesa possui uma voz que poderia ser considerada muito aguda e infantil para o Heavy Metal, mas o que vemos é na verdade uma sinergia brilhante com o restante da banda. Oriunda de tradição coral - foi coralista em um grupo coral holandês durante um bom tempo -, em 1996, Sharon Den Adel, ao lado de seu marido (o guitarrista Robert Westerholt, com quem é casada até hoje), fundou a banda de symphonic metal* Within Temptation. Sharon vem mantendo até hoje uma carreira muito regular e coleciona memoráveis performances ao vivo e o Within Temptation é hoje uma das grandes bandas da Holanda.
Assista ao clipe do Within Temptation com Sharon Den Adel, The whole world is watching:
3- Simone Simons – (Epica)
Esta é terceira holandesa dessa lista e é por muitos aclamada como a mais bela cantora do mundo do Metal. Essa ruiva de olhos azuis na verdade é uma grande mezzo-soprano e tem uma potencia vocal muito elogiada mundo afora. Simone J. Maria Simons iniciou em seus estudos musicais ainda na infância, aos dez anos de idade, quando passou a ter aulas regulares de flauta,instrumento musical que pratica até os dias de hoje. Algum tempo após, passou a frequentar aulas também de canto popular, estudando o repertório vocal jazzístico.
Em 2000, aos quinze, ouviu pela primeira vez a banda Nightwish, mais especificamente o álbum Oceanborn, e se apaixonou pela voz lírica de Tarja Turunen. Desde então, a fim de se aprimorar ainda mais como intérprete, começou a se dedicar ao estudo do canto lírico. A tradição coral também foi mito importante para formação musical de Simone.
Ela hoje é uma das frontwoman* mais aclamadas do Metal sinfônico*. Entrou para o Epica em 2002 como uma total desconhecida, seu único elemento a favor era o fato de ser namorada do fundador da banda Mark Jansen que havia deixado recentemente o After Forever alegando divergências no direcionamento musical que a banda estava tomando. Desde então seu relacionamento com Jansen terminou mas ela permaneceu na banda sendo o elemento mais poderoso do Epica até hoje.
Assista o clipe da musica StormThe Sorrow do Epica com Simone Simons:
2- Doro Pesh (Worlock)
Temos aqui a única representante da velha guarda do Metal. Essa alemã foi a clássica vocalista da banda Warlock nos idos dos anos 80, e em uma época em que o vocal feminino não era muito apreciado na cena, ela teve que lutar muito para ter seu lugar ao sol, e sua voz permanece até hoje destilando seu Heavy Metal tradicional nos ouvidos dos metalheads* de pelo menos três gerações.
Podemos dizer que Doro foi uma das poucas vocalistas femininas de Metal que sobreviveu ao machismo do Metal oitentista e chegou até hoje atuando na cena e recebendo o devido reconhecimento que às mulheres sempre foi negado nas décadas iniciais desse movimento musical .
Assista o clipe da musica Raise your fist in the air de Doro Pesh:
1- Tarja Turunen (ex-Nightwish)
Eis a diva fundamental do Heavy Metal. Tarja surgiu na cena como mais uma esquisitice nórdica. O primeiro álbum do Nightwish lançado no Brasil Oceanborn teve no início uma aceitação desconfiada, mas era muito fácil reconhecer a técnica vocal dessa soprano cantando alto em meio a acordes de um metal melódico perfeitamente executado. Tarja encabeça essa lista por ter sido responsável por uma divisão bem nítida dentro do Metal. Antes do Nightwish nenhuma banda ousara arriscar contra anos de tradicionalismo dentro do Metal usando um vocal 100% lírico em um estilo que sempre teve fobia do novo. Tarja como a voz do Nightwish revolucionou o Metal moderno e deu mais perspectivas a esse estilo. Não demorou muito para Tarja cair nas graças da nova geração de headbangers* e até mesmo metaleiros tradicionais se renderam a sua voz poderosa e magistral. Hoje em carreira solo ainda não conseguiu atingir o mesmo reconhecimento que obtivera enquanto era frontwoman do Nightwish. Mas ninguém tira dela sua coroa de diva do Metal.
Na Finlândia Tarja nunca perderá sua majestade, até mesmo a presidente do país, a sua xará Tarja Halonen a proclamou: “A voz da Finlândia”. Ela é sempre chamada para participar de especiais de fim de ano na TV ou para julgar concursos de canto.
A bela Tarja Soile Susanna Turunen desde muito cedo demonstrou interesse pela musica, sua mãe notou isso e decidiu colocá-la em um coral da paróquia que pertenciam. Depois disso ela nunca mais parou de cantar.
Tarja nunca foi uma headbanger* o que fez com que muitos tradicionais fãs de metal a vissem com maus olhos, mas seu destino com a musica pesada já estava traçado e não havia como voltar atrás. Hoje Tarja faz um Heavy Metal de gente grande ao lado de grandes músicos que fazem parte da história desse estilo, como por exemplo, o grande baterista Mike Terrana que fez parte de sua banda. Tarja é um exemplo de musicista formada na tradição erudita que escolheu o Metal para se expressar.
*Frontwoman: Dentro do Heavy Metal é largamente utilizado o termo Frontman para se referir ao vocalista da banda, ou seja aquele que toma a frente do palco e se torna o protagonista do espetáculo, literalmente o "homem de frente". Frontwoman é então somente o feminino de frontman que depois que as mulheres começaram a sair dos backsatges e se tornarem verdadeiras protagonistas se tornou um termo muito difundido na imprensa especializada.
*Headbanger/Metalhead: Estes dois termos se referem aos fãs ou músicos de Heavy Metal. Headbanger literalmente significa Batedor de cabeça. Escrevi um artigo nesse blog falando da minha insatisfação com esse termo. "Metaleiro ou Headvbanger?"
*Symphonic metal: Metal Sinfônico. Termo que se refere ao sub estilo surgido dentro do Heavy Metal que utiliza elementos de musica clássica como orquestrações e corais e instrumental típico do Heavy Metal tradicional.
André Stanley alcunha de André Luiz Ribeiro é professor e escritor; autor do livro “O Cadáver” (Editora Multifoco – 2013); É membro efetivo da Asso. Dos Historiadores e pesquisadores dos Sertões do Jacuhy desde 2004. Atua hoje como professor e pesquisador de História Cultural. Também leciona língua inglesa, idioma que domina desde a adolescência, Administra e escreve para os blogs: Blog do André Stanley (blogdoandrestanley.blogspot.com) – Sobre História, política, arte, religião, humor e assuntos diversos e Stanley Personal Teacher (stanleypersonalteacher.blogspot.com) onde da dicas de Inglês e posta exercícios para todos os níveis.