sexta-feira, 20 de abril de 2018

Lady Biker drinking beer




André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Filme: Escola da Vida - Um diálogo raso entre abordagens de ensino.



Nome: Escola da Vida
Nome original: School of Life
Direção: William Dear
Ano de produção: 2005
País: Canadá/EUA


A rotina de uma escola muda completamente com a entrada de um novo professor de História. Sr. D, como ficará conhecido, contagiará a todos com sua metodologia de ensino. Com aulas mais dinâmicas e divertidas logo se torna o comentário da escola. Até mesmo seus colegas de trabalho irão se afeiçoar a ele. Apenas um dedicado professor de biologia não o verá com bons olhos.

Warner tem motivos para ver Sr. D com um certo desprezo, pois, ele é filho de uma lenda, um sujeito que ganhou o prêmio de professor do ano por 43 anos seguidos, e em decorrência de sua morte, escolhem um jovem e petulante professor para substitui-lo, Sr.D.

Warner está obstinado e tem pela frente a árdua tarefa de vencer Sr. D na corrida para levar o prêmio de professor do ano. Mas com seu método tradicional de aulas, será facilmente repudiado pelos alunos que o consideram, no mínimo, um chato. Esta disputa ainda se torna mais desfavorável para Warner quando o próprio filho é um fã declarado de Sr. D.

Esta é uma comédia que pega o espectador pela emoção. Há momentos onde as relações familiares se tornam o foco, principalmente na relação pai e filho, onde o pai desesperadamente tenta ser o melhor pai do mundo ao mesmo tempo, que tem como meta primordial, a conquista do prêmio que há 43 anos pertenceu a seu pai. Seu intuito é prejudicado quando não percebe ao ridículo que seu filho é obrigado a se submeter por esta brincadeirinha de seu pai.

A trama vai evoluindo de forma previsível e no decorrer dos acontecimentos, tudo que parecia que iria acontecer, realmente acontece, e no final quando um segredo do Sr. D é revelado todos choram muito e aprendem a lição.

Crítica:

Mais um filme que enfoca a relação professor aluno. Desta vez não está em foco, adolescentes rebeldes que marcaram clássicos como "Ao mestre com carinho" dentre outros. Desta vez o que conduz o filme é a disparidade entre dois métodos de ensino, que são encarnados na disputa entre dois professores.
Um privilegia o método tradicional onde o professor tem seu lugar bem definido na sala de aula, e o aluno tem seu lugar e seu tempo de falar controlados pelo professor. O outro, procura deixar o aluno a vontade e muda totalmente a estrutura física da sala de aula fazendo os alunos se sentarem em círculo deixando-os olhando uns nos olhos dos outros privilegiando também o contato bilateral entre eles. Apesar dos típicos clichês do cinema norte-americanos que acompanha todo o desenrolar da história, este filme é minimamente pertinente ao contestar a rigidez estrutural do sistema de ensino tradicional.

E, incorporado no personagem Mr. D, é exposta uma alternativa com mais dinamismo. Não fosse esta, uma forma eficaz na formação de indivíduos que se enquadram no grupo dos que sabem muito, certamente é muito eficaz na formação de indivíduos que sabem aprender por si próprios. Logicamente que tudo isto no filme é bastante limitado pelo enredo sentimental que foi criado.
O filme passa ileso pelas generalizações explícitas, como: "o cara só é um bom professor porque é jovem". Na verdade Sr. D está substituindo um velho professor que por 43 anos consecutivos foi considerado o melhor da escola. "História é uma matéria envolvente, todo professor de história é legal, os professores de biologia são muito chatos". A professora que substituiu Sr. D quando este estava doente era uma bruxa, já o professor Warner aderiu ao sistema de Sr. D.

O filme, no entanto, como todos os filmes que visam o público adolescente, deixa uma mensagem edificante, que é na verdade uma concepção clonada do filme "Sociedade dos poetas mortos": "Viva cada dia como se fosse o ultimo". Não é um filme contestador no sentido social por mostrar a visão de mundo de uma classe média americana já bem acomodada no seu espaço como cidadãos, sendo assim, é difícil de utilizar esta obra no intuito de se ter uma visão dinâmica da sociedade.

É, entretanto, um bom inicio de diálogo entre métodos de ensino divergentes, e além do mais um bom entretenimento.


André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Melting Butterfly

Melting butterfly

    André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

quinta-feira, 29 de março de 2018

História: 7 Músicas de Heavy Metal que podem ser usadas em uma aula de História.




O site “Loudwire” especializado em Heavy Metal publicou em 2013, uma matéria onde selecionou 10 músicas de Heavy Metal que são uma verdadeira aula de História. Como professor de História, achei-me no dever de eleger minha lista de músicas de Metal que podem ser usadas em uma aula de História e acrescentar umas dicas de como usar as músicas em uma boa aula, onde pelo menos aqueles seus alunos cabeludos que vão todo dia à escola de preto, irão adorar. 

O simples fato de se trabalhar com uma música de Heavy Metal já pode causar um certo furor, pois saímos da rotina e mostramos que estamos interessados em conhecer o mundo de nossos alunos. Vamos às músicas. 

Ok, bem-vindos ao nosso curso de História. Durante esse curso nós vamos cobrir tópicos históricos abrangendo desde a ascensão do império Alexandrino até eventos mais recentes, como a queda do muro de Berlim. No entanto, esta aula será dada de uma forma diferente do padrão do curso de História convencional. 

Esqueçam seus livros didáticos de História por enquanto, pois nessas aulas usaremos como ferramenta pedagógica 7 músicas de Heavy Metal que abordam os temas de nosso interesse, e para aqueles que não curtem Metal, eu tenho um bônus ao final do curso. Vamos as 7 músicas de Metal que nos ajudarão a entender um pouco mais sobre a história da humanidade, incluindo uma pequena inserção da participação do nosso país no maior conflito bélico da História, a Segunda Guerra Mundial

Só um esclarecimento, as músicas não estão em ordem de preferência, mas em ordem cronológica em relação aos eventos que elas descrevem.


1- Alexander the Great - Iron Maiden 

O IRON MAIDEN é uma banda que sempre apostou muito em letras sobre história, afinal o vocalista, BRUCE DICKINSON, além de ser piloto, doutor em música e palestrante de empreendedorismo, é também historiador. Mas creio que nunca foram tão descritivos e detalhista quanto em “Alexander the Great” (Alexandre O Grande). Enquanto a maioria das músicas do Maiden, envolvendo História, oferecem uma reflexão, esta canção especificamente é mais uma breve história de um dos maiores conquistadores da história do mundo. A música oferece insights sobre a vida de Alexandre, filho de Felipe da Macedônia, e detalha uma série de eventos cronológicos. Os locais das batalhas mais importantes e de seus oponentes já são o bastante para qualquer um tirar um “10” em um teste de História. A banda até mesmo menciona a influência que o conquistador teve ao espalhar o Helenismo mundo afora o que pavimentou o caminho para o cristianismo. Considere “Alexander the Great” como um guia para sua aula de história da Grécia. 


Ouça “Alexander the Great” do IRON MAIDEN no Youtube: 
https://www.youtube.com/watch?v=1oTEQf1d9Iw







2- Crusader – Saxon 

Essa canção dos britânicos do SAXON que assim como o IRON MAIDEN são remanescentes da NWOBHM (New Wave of British Heavy Metal), é uma visão a partir dos cavaleiros cristãos que se engajavam para lutar na terra santa, para recuperar Jerusalém tomada pelos Muçulmanos. Esses movimentos militares conhecidos como “cruzadas” se estenderam do século XI ao XIII. Os cavaleiros cristãos chamados de “cruzados” partiam de seus reinos europeus para lutar no oriente em nome de Cristo. É uma canção de caráter militar, inclusive no andamento ritmado, que poderia ser considerada uma marcha de chamada aos verdadeiros cavaleiros de Cristo para a guerra. Óbvio que como bons britânicos descendentes de saxões, a visão do SAXON é monocromática e se baseia na campanha cristã de libertação da Terra Santa. Dizem em um momento da música “Warlords of England, Knights of the Realm spilling their blood in the sand” (Senhores da Guerra da Inglaterra, Cavaleiros do Reino que derramam o sangue deles (inimigos muçulmanos) na areia). Ou seja, uma excelente introdução ao pensamento do cristão europeu médio do século XIII. Como não temos nenhuma banda de Metal alegadamente muçulmana, creio que não teremos uma música para contrapor essa visão de mundo, portanto, cabe ao bom professor de História dar sua contribuição às origens desse conflito. Mãos a obra. 

Ouça "Crusader" do SAXON no Youtube:
https://www.youtube.com/watch?v=JPbSjmToWXY





3- Declaration Day – Iced Earth 

Em uma lista que fala sobre músicas de Heavy Metal baseadas em História, creio que seria impossível não citar nenhuma música do ICED EARTH. Esta banda americana tem vários exemplos de letras com temas históricos. O líder da banda, o guitarrista JON SCHAFFER é um fanático por História, principalmente quando se trata da Guerra Civil Americana. Em 2007 o ICED EARTH lançou o álbum “The Glorious Burden”, que se trata de um trabalho conceitual que explora vários momentos da história dos EUA. A música que extraímos desse álbum é “Declaration Day” que é como uma ode aos americanos que lutaram pela independência em relação ao Império Britânico. O povo americano, que guiado pelo seu ideal de liberdade lutou até a morte para viver em uma nação livre da dominação colonial. É uma típica letra que enfatiza as virtudes dos que lutaram e poderia ser facilmente o hino da independência americana caso, não fosse uma música de Heavy Metal. 

Uma música desse tipo pode servir à uma aula de História como um recurso crítico e reflexivo para provocar no aluno o sentimento de patriotismo e depois é importante que esse sentimento seja confrontado com o sentimento de revolta dos séculos posteriores a independência, algo que podemos trabalhar na próxima canção desta lista. 

Ouça "Declaration day" do ICED EARTH no Youtube:
https://www.youtube.com/watch?v=RVOEoo1oXBs




4- Creek Mary's Blood – Nightwish 

Os finlandeses do NIGHTWISH, criaram uma bela narrativa sobre a colonização da América do Norte pelos europeus. Pelo ponto de vista de um indígena, a letra explica como os povos nativos foram dizimados pela invasão do homem branco. Sua cultura, sua religião e suas terras se transformaram em “uma trilha de lágrimas” como o refrão da música diz. Para dar mais fiabilidade à narrativa essa música foi gravada com a participação de JOHN TWO-HAWKS, um cantor e ativista da causa indígena. Two Hawks participou tocando um instrumento nativo das tribos norte-americanas e é o responsável por recitar o poema que é a parte final da canção na sua língua nativa (há controvérsias sobre a origem indígena de Two Hawks). A música se desenvolve de uma forma nostálgica traçando as lembranças que o protagonista tem de uma terra paradisíaca, antes da chegada dos europeus. Aqui podemos explorar a musicalidade e a linguagem das tribos indígenas americanas. Uma boa oportunidade de estudar de forma crítica a dominação do índio, pelo homem branco naquele país. 

Não há como precisar o número de indígenas que viviam no território americano antes do aparecimento dos europeus, mas há estimativas baseada em estudos etnográficos que afirmam que no início do século XIX, havia mais de 25 milhões de indígenas nos territórios norte-americanos, principalmente no oeste dos EUA, e mais de 2 mil línguas distintas. Após o genocídio indígena levado a cabo pelo governo no decorrer deste século restaram 2 milhões de indígenas espalhados por algumas reservas. 

A música de forma melancólica expõe a aniquilação irreversível dessas várias culturas ao longo do século XIX. A música se finda como um recado de um povo que agora só resta a memória. “Our spirit was here long before you, long before us and long will it be after your pride brings you to your end" (Nosso espírito estava aqui, muito antes de você chegar, e muito antes de nós, e aqui estará depois que seu orgulho trazer o seu fim).

Ouça "Creek Mary's Blood" do NIGHTWISH no Youtube:
https://www.youtube.com/watch?v=FB6nCwoVCYw







5- One – Metallica 

Esse clássico do METALLICA conta a trágica história de um soldado que foi gravemente ferido durante uma batalha. Depois de ter seu corpo praticamente destruído por um morteiro, ou uma mina terrestre, o soldado ainda vive em um leito de hospital. Sem poder usufruir de nenhum de seus sentidos físicos só lhe resta o sofrimento e a reflexão desse sofrimento. Como a letra não menciona qual conflito vitimou esse soldado, que fala em primeira pessoa sobre sua vontade de morrer, é um tema que poderia ser usado para falar explicitamente de todos os combates ocorridos durante o século XIX e XX, onde muitos soldados foram mutilados e tiveram que viver uma vida vegetativa por conta disso. Foi nessa época que foram usadas as primeiras armas de destruição em massa, como foguetes de longo alcance, o lança chamas e o gás mostarda, que deixou muitos homens com sequelas terríveis. No entanto, sabemos que “One” foi inspirada no romance Johnny Got His Gun (Johnny vai à Guerra) de Dalton Trumbo, que se passa durante a Primeira Guerra Mundial. É uma boa descrição do sofrimento exacerbado que muitos homens, em sua maioria, jovens que ainda não haviam constituído família. Muitas vezes, esses jovens soldados chegavam a desesperadora situação de terem ferimentos tão graves que a morte parecia sempre como uma salvação e esse aspecto a música do METALLICA consegue transmitir dentro de uma atmosfera melancólica e trágica, tornando desesperadora a narração do protagonista. 

Ouça "one" do METALLICA no Youtube:
https://www.youtube.com/watch?v=WM8bTdBs-cw






6- Smoking Snakes – Sabaton 

Os suecos do SABATON se orgulham de escrever sobre história militar. São fascinados por temas relacionados a Segunda Guerra Mundial e prestam um serviço grandioso ao estudo da História do Brasil no século XX. O SABATON se refere a participação brasileira na Segunda Grande Guerra na música “Smoking Snakes” (Cobras fumantes) do álbum HEROES de 2014. A letra desta música é uma exaltação a 3 soldados brasileiros que enfrentaram no dia 14 de abril de 1945 durante o ataque a cidade de Montese na Itália, uma das situações mais adversas dos pracinhas brasileiros. 

Creio que nenhuma banda de Metal antes, mesmo bandas brasileiras, se preocupou em homenagear um episódio heroico, desses soldados que saíram do Brasil desacreditados e despreparados para enfrentar um dos maiores exércitos do mundo na Europa. O título da canção é uma alusão à um ditado que se popularizou no Brasil durante a Guerra, pois os mais pessimistas, diziam que “é mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil entrar na guerra.” O fato é que o Brasil foi obrigado a entrar na guerra e o brasão oficial da FEB (Força Expedicionária Brasileira) era uma cobra fumando, justamente uma provocação a crença popular de que o Brasil jamais entraria naquela guerra. 

Ouça "Smoking Snakes" do SABATON







7- Wind of Change – Scorpions 

Esse hit da banda alemã SCORPIONS é talvez uma das mais conhecidas baladas dessa banda, que é especialista em fazer esse tipo de canção. Fala a respeito da queda do muro de Berlim que foi um momento tão emotivo para aqueles que o presenciaram. “Wind of Change” (vento da mudança) descreve o sentimento a respeito do muro que dividiu Berlim ocidental da Berlim Oriental e o que isso significa para o futuro. A queda do muro viu a Alemanha unificada pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Isso significou muito para aqueles que viviam na Berlim Oriental, por causa da grande disparidade de qualidade de vida que eles enfrentavam comparando com seus conterrâneos do lado ocidental. O muro de Berlim era uma lembrança melancólica da guerra que agora os cidadãos poderiam deixar para trás. Em um trecho da música é dito “Let your balalaika sing what my guitar wants to say” (Deixe sua balalaica cantar o que minha guitarra quer dizer). Uma forma genial de dizer para a cultura fechada da Alemanha Oriental simbolizada pela balalaica – instrumento popular da Rússia, que à época controlava esse país – se abrir ao som do ocidente, simbolizado pela guitarra – instrumento símbolo do Rock N’ Roll, música libertária que dominou o mundo. 


Ouça “Wind of Change” do SCORPIONS no Youtube: 






Estes são apenas 7 exemplos escolhidos arbitrariamente levando em conta meu próprio gosto musical, mas é nítido que um número infinito de músicas de Heavy Metal refere-se a temas históricos que tiveram importância para a humanidade. Cabe ao professor estar em sintonia com sua sala para notar a necessidade de usar ou não uma dessas canções em suas aulas de História. Mas por outro lado, muitas outras canções de estilos diversos foram escritas inspiradas em eventos históricos. O segredo é construir um ambiente propício para que os alunos se interessem pela matéria e essas músicas são uma alternativa para chamar a atenção dos alunos e de alguma forma entrar em seus mundos tão particulares. 

É inegável o maior interesse dos músicos e fãs de Heavy Metal por temas históricos, por isso sempre quando ver um headbanger, saiba que pode ter dele o seu melhor se cativá-lo corretamente. No entanto, podemos pensar em músicas alternativas para temas semelhantes. 


Bonus

A famosa banda U2 que tem um estilo mais popular e aceitável entre a juventude tem dois exemplos de músicas que podem ser trabalhados em sala de aula: “Sunday Bloody Sunday” que descreve o massacre de manifestantes irlandeses que protestavam contra a dominação britânica, evento que até hoje gera muita reflexão. Pride (In the name of Love) fala de forma subjetiva do assassinato do grande líder americano Martin Luther king Jr, que lutou bravamente pelos direitos da população negra dos EUA e foi assassinado por isso. 

Ouça "Pride (In the name of love) do U2 no Youtube:
https://www.youtube.com/watch?v=LHcP4MWABGY






Mãos à obra caros professores de História, vamos fazer nossos alunos curtirem nossas aulas... 

Qual música de Metal você gostaria de usar em uma aula de História?

Fonte: 
10 Metal Songs That Make a Great History Lesson
Leia a matéria em inglês do site Loudwire escrita por Joe DiVita, que inspirou esse artigo.




    André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

quarta-feira, 28 de março de 2018

Blonde Lady playing the violin



Sou um instrumento da minha arte, sou meu próprio violino.


André Stanley alcunha de André Luiz Ribeiro é professor e escritor; autor do livro “O Cadáver” (Editora Multifoco – 2013); É membro efetivo da Asso. Dos Historiadores e pesquisadores dos Sertões do Jacuhy desde 2004. Atua hoje como professor e pesquisador de História Cultural. Também leciona língua inglesa, idioma que domina desde a adolescência, Administra e escreve para os blogs: Blog do André Stanley (blogdoandrestanley.blogspot.com) – Sobre História, política, arte, religião, humor e assuntos diversos e Stanley Personal Teacher (stanleypersonalteacher.blogspot.com) onde da dicas de Inglês e posta exercícios para todos os níveis.

segunda-feira, 26 de março de 2018

Como atravessar uma ponte em ruínas?

Imagem the man and the bridge-Stanley Creation


Imagine se temos que atravessar uma ponte de madeira antiga, daquelas que vemos nos filmes de aventura como Indiana Jones ou Tomb Raider. O clichê hollywoodiano estabeleceu um padrão para esse tipo de ponte, são construídas geralmente com duas cordas ou mais em cada extremidade da ponte onde pode servir de corrimão para quem for atravessá-la, e a base da ponte onde podemos caminhar, é construído com peças de madeira. Como essas pontes são geralmente centenárias, as madeiras se desprendem com o tempo e a ponte fica cheia de lacunas que obviamente eleva a adrenalina de quem tenta atravessá-la.

Vamos atravessar nossa ponte velha. Qual a melhor forma de atravessar essa ponte? Claro que o quão longe das extremidades você ficar, melhor para você. Se você permanecer por muito tempo na esquerda ou na direita mais próximo da queda você está. As madeiras que se desprenderam da ponte criaram lacunas no caminho da esquerda e também no caminho da direita, portanto, você terá que usar de sua sabedoria para pisar onde ainda há madeira para você pisar. 

Obviamente que o centro do caminha também teve perda de madeira. Ou seja, em alguns momentos você terá que se desviar pela esquerda ou pela direita, e sua decisão será tomada simplesmente pelo lado onde estiver melhor para você caminhar. 

É preferível caminhar sempre pelo centro da ponte, mas haverá situações onde eu terei que escolher o caminho da esquerda ou da direita caso eu não tenha nenhum apoio solido no centro. Mas mesmo assim isso ocorrerá somente enquanto eu não tiver uma madeira forte o bastante para suportar meu peso. Se em algum momento em estiver muito na extrema esquerda da ponte buscarei sempre voltar para o lado contrário, assim minha travessia será mais segura. E vice-versa, se eu estiver na extrema direita, a esquerda sempre parecerá mais segura, mas somente me sentirei seguro nessa travessia quando estiver caminhando no centro da ponte. 

Notem que essa travessia não é uma questão de defender um lado ou outro, mas sim uma questão de qual lado me proporciona uma melhor solidez para me manter vivo. Em um mundo onde as pontes eram novas e dispunham de todas as madeiras necessárias, você até poderia escolher um lado por maior conforto, comodidade ou simplesmente por preferencia supersticiosa, você encontrava solidez em qualquer ponto da ponte, mas hoje as pontes estão em ruínas e não há um caminho sólido e contínuo, para que você consiga atravessá-la, mesmo que você ande por um tempo pelo centro, deverá eventualmente optar por um dos lados para manter sua caminhada.

Não há uma questão moral em se posicionar mais a esquerda ou mais a direita, é uma questão de tomar a decisão mais sábia na hora de atravessar a ponte em ruínas. 

Claro que podemos concertar as lacunas das pontes para que ela se torne segura para você caminhar sempre ao centro, mas remendos são sempre provisórios e podem causar outros danos imprevistos. A solução seria construir pontes novas e mais seguras, mas se isso for feito a esquerda e direita da ponte ainda estarão próximos da queda, e o centro será ainda o caminho mais sólido. 


    André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

quinta-feira, 22 de março de 2018

(Filme) As Horas: Uma visão cronológica da homossexualidade feminina vista por três gerações.





Nome: As Horas
Nome original: The Hours
Direção: Stephen Daldry
Ano de produção: 2002
País: Reino Unido/EUA
Baseado no livro “As horas” de Michael Cunningham


Esta obra possui uma formula peculiar de apresentar a metamorfose da mentalidade da sociedade no decorrer do século XX até o início do XXI. Focando três personagens de épocas diferentes Stephen Daltry contrasta o conservadorismo da década de 40 em uma Inglaterra ainda sob influência vitoriana, a sociedade de aparências da Los Angeles da década de 50, e a chamada sociedade dos “extremos” que vivemos atualmente.

Clarissa, personagem de Maryl Streep, prepara uma festa para comemorar o prêmio recebido  por seu amigo Richard. Um poeta que vive seu inferno particular em decorrência do estado avançado de sequelas provocadas pela aids. O que liga esta personagem que vive na Nova York do início do século XXI com Virginia Woolf, não é o simples fato de seu nome ser o mesmo que a personagem principal do livro “Mrs. Dalloway”escrito por  Woolf . A Clarissa contemporânea parece reviver a original idealizada por woolf na década de 20, com as proporções da nossa era de “liberdades conquistadas”. 

E o personagem Richard é tido como um simples coadjuvante, mas este esta ligado diretamente a Laura Brown, a outra protagonista do filme. Richard Brown é o único personagem da trama mostrado em dois momentos diferentes. É interessante quando notamos que o Richard, amigo de Clarissa na Nova York do inicio do século XXI, é o mesmo mostrado ainda garoto na Los Angeles dos anos 50 vivendo com a mãe e o pai uma vida que era certamente uma “pintura” bem feita do “American way of life”. Esta trama que intermedia as outras duas mulheres citadas acima tem como protagonista Laura Brown que é interpretada pela ótima atriz Juliane Moore .

    Laura Brown é a típica dona de casa da década de 50. Todos os elementos foram introduzidos nesta personagem, para que sua imagem simbolizasse a submissão feminina, mesmo sendo seu marido indiferente a isto. É uma submissão convencional da sociedade àquela época. E é justamente neste pano de fundo que esta fluindo o drama particular de Laura Brown . A esposa que aos olhos do marido é perfeita, e que diante do filho simula uma ternura incontestavelmente falsa até mesmo pelo pequeno Richard. 

O drama pessoal de Laura se torna evidente ao telespectador na belíssima cena do beijo da protagonista em sua vizinha, que também vem sofrendo sua mazela de não poder engravidar. Este beijo é um dos momento altos do filme. Simboliza a quebra dos valores tradicionais daquela sociedade. É quando a personagem deixa transbordar seu desejo encarcerado por detrás das cortinas do estilo de vida americano.



O diretor se utiliza destas três personagens para traçar a evolução do homossexualismo durante o século XX, Virginia Woolf representa o início do século, com seu casamento infeliz apesar do empenho do marido. E uma depressão que ira desencadear uma forte vontade de acabar com sua própria vida, o que ocorre na vida real em 1941. Laura Brown encarna a infeliz dona de casa que tem que manter seu segredo guardado de uma sociedade que via na manutenção da boa aparência  a maior busca da vida. Compartilhava da mesma  infelicidade de sua antecessora. 

Também tinha pensamentos suicidas, mas sua educação para o servir, em detrimento do viver, sempre foi mais forte que seu desejo mórbido, preferiu entretanto abandonar seu marido e filho em busca de se libertar de tamanha hipocrisia. 

Clarissa é uma lésbica do século XXI, que usufrui de todas as liberdades conquistadas no decorrer deste século. Clarissa entretanto não esta isenta de sofrimentos. O amigo homossexual que definha vitima da aids, é seu maior pesar.

O fio condutor que liga as três histórias, é em um primeiro momento um tanto obscuro. O que  pode dificultar o entendimento do espectador é o fato de as três histórias surgirem na tela de forma caótica traçando um  paralelo entre as protagonistas da trama. A base utilizada é o romance “Mrs Dalloway” escrito por Virgínia Woolf que é interpretada no filme por Nicole Kidman. O conflito interior Desta personagem - que é a única personagem histórica do filme - é   a inspiração para o desenrolar da história. Casada com Leonard Woolf, Virgínia vê sua conturbada vida se afunilando rumo ao desespero. Sua criatividade parece se esvair a cada dia. O apego de Leonard tentando de tudo pela sua recuperação a machuca profundamente. E o seu desejo incessante de voltar a Londres alimenta seu profundo sentimento de cárcere. Mas o que culmina em seu ato suicida certamente será melhor esclarecido, analisando as outras duas personagens e sua ligação com esta.





    André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

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