domingo, 14 de fevereiro de 2016

Professor – A arte de ser eternamente frustrado.



Você preparou sua aula detalhadamente. Sua folha de preparação de aula parece uma receita de bolo, mostrando o passo-a-passo e que ingrediente usar a cada momento especifico. Você fez tudo certinho, cada pingo no “I” foi previamente calculado para que na hora da execução tudo ocorresse bem. Uma boa preparação de aula te dá segurança, e você entra na sala de aula como um detetive que desvendou um caso e tem toda sua ação documentada. Na sala de aula, diante da primeira adversidade encontrada, geralmente em decorrência de uma indisciplina de algum aluno, você se perde pois tudo que havia planejado já não parece aplicável.

Professores jovens podem passar por essa experiência em seu primeiro dia de aula, mas também experientes doutores se frustram diante de situações decepcionantes que encontram em uma sala de aula. A profissão de professor é sem dúvida a mais frustrante que você pode escolher.

Mas se você é um jovem professor e está se preparando para enfrentar uma sala de aula no ensino privado ou público, não desanime, pois, uma frustração é na verdade uma forma de fazer você fixar um pouco mais os pés no chão. É óbvio que o que nos move a escolher o magistério é geralmente uma questão muito subjetiva que na maioria das vezes nem mesmo nós sabemos como nos tornamos assim tão entusiastas da educação. Muitas vezes é uma incapacidade nata de não aceitar o mundo de injustiças em que vivemos e queremos proporcionar uma boa educação às gerações futuras para que eles não cometam os mesmos erros que nós cometemos ao formar a sociedade atual. Outras vezes é a necessidade inerente e narcísica de cada um de nós de expor ao mundo nossas diretrizes ideológicas através de uma educação direcionada. 

Ou seja, somos levados por motivos diferentes à mesma peleja almejando um mundo melhor através da educação. Quando somos enviados ao campo de batalhas – quase sempre sem uma preparação efetiva – somos obrigados a encarar nossos piores demônios.

Portanto a frustração é e sempre será a consequência mais óbvia do processo de ensino-aprendizagem. Mas depois de algum tempo você pode transformar sua frustração em causa e não mais efeito.

O professor deve ser sempre – se quiser tirar proveito de sua frustração – um profissional reflexivo. A cada acerto ele deve fazer uma avaliação subjetiva de como tudo ocorreu e adicionar isso em seu repertório de sucessos – sempre lembrando que cada aluno, cada escola, e cada sala tem características próprias onde uma mesma postura pode ter efeitos diferentes.

Como disse o historiador Leandro Karnal em seu mais novo livro (Conversas com um jovem professor). “Uma aula brilhante ou uma aula fracassada devem ser analisadas. Há motivos para isso. Quanto mais você conseguir (e você poderia até pedir ajuda nesse processo aos alunos) avaliar, mais terá consciência. Saber que uma coisa não deu certo num ano não é rejeitá-la. Não existem fórmulas...”  Ou seja, quando seu plano não dá certo, deve da mesma forma avaliar tudo que deu errado e tratar sempre a situação como uma forma de aprender. Utilizar cada derrota como uma forma de atualizar e fortalecer sua técnica é a virtude mais importante de todo lutador.  Portanto a frustração só pode gerar no professor competente o desejo de aprimorar ainda mais sua abordagem.

O processo de formação dos professores geralmente não dá a atenção necessária às adversidades com as quais os professores lidarão enquanto estiverem em sala de aula. Por isso nosso maior trunfo é saber lidar com as frustrações da profissão e tê-las como nossas maiores fontes de aprendizagem.

Algo deve ficar bem claro quando analisamos nossas atuações. O ser humano é corruptível e o mundo em que vivemos hoje foi o melhor que nossas sociedades conseguiram construir. Somos os seres mais instáveis que existem, portanto não cabe a você querer construir uma sociedade ideal com a matéria-prima que temos, devemos progressivamente trabalhar para fortalecer essa matéria-prima. Nesse sentido sim, a educação tem papel fundamental.

Ouça o áudio no



Fontes:





André Stanley alcunha de André Luiz Ribeiro é professor e escritor; autor do livro “O Cadáver” (Editora Multifoco – 2013); É membro efetivo da Asso. Dos Historiadores e pesquisadores dos Sertões do Jacuhy desde 2004. Atua hoje como professor e pesquisador de História Cultural. Também leciona língua inglesa, idioma que domina desde a adolescência, Administra e escreve para os blogs: Blog do André Stanley (blogdoandrestanley.blogspot.com) – Sobre História, política, arte, religião, humor e assuntos diversos e Stanley Personal Teacher (stanleypersonalteacher.blogspot.com) onde da dicas de Inglês e posta exercícios para todos os níveis.



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