Mostrando postagens com marcador Damien Echols. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Damien Echols. Mostrar todas as postagens

sábado, 9 de janeiro de 2016

Making a Murderer: É possível criar um assassino?



Série documentário da Netflix sobre Homem supostamente condenado a prisão perpétua por manipulação policial gera controvérsias. 

O Canal da internet Netflix vem causando controvérsias com seu mais novo documentário, que foi ao ar no final de 2015. 

A série de documentários divididos em 10 episódios conta a história do julgamento de Steven Avery que foi condenado a prisão perpétua por estupro e assassinato de uma fotógrafa na cidade de Manitowoc no estado do Wisconsin (EUA). 

Na verdade, o documentário tem início quando Steven Avery foi solto em 2003 após passar 18 anos na prisão por um estupro ocorrido em 1985. Avery foi considerado inocente após as provas que foram alegadas contra ele serem consideradas insustentáveis quando o DNA do verdadeiro autor do crime foi descoberto. 

O Documentário mostra sua volta para casa após cumprir 18 anos de uma sentença por um crime que não cometeu. Seus familiares o recebem com festa e o próprio Steven Avery dá uma série de entrevista celebrando sua liberdade e fazendo planos para o futuro, como um homem renovado e disposto a viver em paz com sua família trabalhando no ferro velho do pai e cumprir com suas obrigações de cidadão. 

Teresa Halback - a vítima
Mas alguns anos após sua soltura, em 2005, um outro crime abala sua cidade. O desaparecimento da fotógrafa Teresa Holbach toma conta dos noticiários e por uma incrível coincidência a última pessoa a ter contato com a vítima é nada menos que Steven Avery. Depois de alguns dias partes da ossada da fotografa é encontrada em meio as cinzas do que seria uma fogueira no quintal da casa de Steven Avery. 

A história é a seguinte: Halback era uma fotógrafa freelance que prestava serviço para uma revista local de anúncio de vendas de automóveis. Como Avery era proprietário de um ferro velho, sempre requisitava os serviços da fotógrafa para anunciar seus carros que estavam à venda. No dia do seu desaparecimento – 31 de outubro de 2005 – Halback havia sido contratada por Steven para fotografar uma van que ele desejava vender. O serviço foi feito e após isso a fotógrafa não foi vista com vida novamente. 

Interrogatório de Brendan Dassey - sobrinho do acusado
Diante de todas as evidencias a polícia prende Steven Avery como principal suspeito. Para piorar sua situação, alguns dias depois seu sobrinho Brendan Dassey foi preso depois de passar por um interrogatório – sem a presença de um advogado – onde confessa ter ajudado o tio a prender, estuprar e matar Teresa Halback. O documentário mostra partes desse interrogatório onde Dassey confessa a cumplicidade do crime, e evidencia que os policiais coagiram Dassey a confessar. 

As evidências contra Steven ficavam cada vez mais fortes, o que dificultava sua defesa, que alegava que os policiais plantaram parte dessas evidências na cena do crime. Além de parte da ossada da vítima ter sido encontrada no quintal de Avery, e da confissão – coagida ou não – de seu sobrinho, o carro da vítima foi encontrado no meio dos outros veículos do ferro velho de Avery e uma amostra de sangue retirada do automóvel pertencia a Steven Avery, a chave do veículo foi encontrada no quarto de Avery alguns dias depois e continha o DNA do réu, o que fez seus advogados alegarem que essas evidências foram plantadas pelos policiais que investigavam o crime, no intuito de incriminar Avery. 

Os familiares de Steven são mostrados o tempo todo no documentário em situações cotidianas, onde sua mãe aparece cozinhando e seu pai aprece trabalhando no ferro velho. Ou seja, os produtores do documentário nitidamente tentam humanizar o acusado, e deixa claro que Avery está sendo vítima de mais uma injustiça. 

Avery no tribunal
Podemos fazer um paralelo dessa postura seletiva dos documentaristas com a série de documentários produzidos pela HBO entre 1996 e 2011, sobre o julgamento de West Memphis, onde Damien Echols e dois amigos foram acusados de assassinarem três crianças na cidade de West Memphis no estado do Arkansas. Depois de passar 18 anos na prisão os acusados foram soltos por conta de um estranho acordo feito com o estado do Arkansas onde eles poderiam alegar que eram inocentes, mas o estado por sua vez exigiu que confessassem o crime e desde em então são considerados réus confessos. O Próprio Damien Echols escreveu um artigo, onde se mostra solidário a Steven Avery e diz que casos como esses parecem não ter fim. “Um raio pode cair duas vezes no mesmo lugar e muitas outras vezes.” Publiquei uma matéria sobre o caso de Damien Echols alguns meses atrás nesse blog [leia]. Os documentários produzidos pela HBO tiveram papel fundamental na mobilização da opinião pública que criaram grupos de apoio onde até celebridades se engajaram pela causa dos três acusados o que pressionou o estado pela liberação dos acusados. 

Parece nítido que os produtores desse documentário da Netflix pretendem criar o mesmo clima de engajamento popular em favor de Avery, e estão conseguindo certa mobilização social. Uma petição feita pela internet já arrecadou mais de 300 mil assinaturas pedindo a soltura de Avery. E a organização não governamental Innocence Project – que cuida de casos de pessoas injustamente condenadas – assumiu o caso de Avery após sua condenação. 

O documentário vem recebendo também muitas críticas por parte daqueles que acreditam nas evidências encontradas contra Avery. Ken Kratz o promotor que representou o estado do Winsconsi contra Avery escreveu uma nota onde disse que o documentário da Netflix deixou de apresentar evidências concretas que incriminariam ainda mais Steven Avery. Como o fato de que Steven havia exigido da empresa "Auto Trader" - na qual Teresa prestava serviços – que queria contratar especificamente Teresa Halback para o serviço, e a bala onde foi encontrado o DNA da vítima saiu da arma que pertencia a Steven Avery dentre outras evidências. [Leia matéria em inglês sobre a as alegações de Kratz] O xerife da cidade de Menitowoc disse recentemente que o documentário da Netflix “é um filme, não um documentário. ” “Um documentário coloca as coisas em ordem cronológica e conta a história como realmente é ... eles pegaram coisas fora de contextos e as colocaram fora de ordem o que pode levar a pessoa a tomar conclusões equivocadas. ” 



Não podemos negar o caráter tendencioso do documentário que pretende inocentar um homem condenado, construindo uma imagem quase heroica do acusado. Mas uma coisa não pode ser negada nem pelos apoiadores e nem pelos que acreditam na culpa de Steven Avery. O interrogatório levado a cabo pelos investigadores realmente foram coercivos, impondo ao interrogado uma única opção que no caso era a confissão. Essa mesma metodologia foi usada no caso já citado dos três acusados de West Memphis onde um dos acusados – o menos capaz intelectualmente – Jessie Miskelley confessou o crime depois de 12 horas ininterruptas de interrogatório sem a presença de um representante legal. 

Outro aspecto que parece nítido é o empreendimento dos policiais, que nitidamente acreditavam na culpa de Avery, e tudo indica que foram levados por essa crença a plantar provas na cena do crime, no intuito de fortalecer as evidências contra os acusados. Isso ficou evidente quando os policiais não souberam explicar o porquê a chave do carro da vítima só foi encontrada dias depois sendo que no início das investigações nenhum policial envolvido nas buscas a havia visto no local onde fora encontrada posteriormente. Devemos lembrar que o acusado não era nenhum membro exemplar da comunidade, já havia sido condenado antes por outros crimes e era conhecido por seu passado delinquente, mas isso não deve ser usado como fator de condenação, mas pelo contrário, como fator relevante para que não se cometa uma injustiça, que nesse caso seria um erro reincidente. A polícia é uma entidade independente que tem como objetivo investigar e levantar evidências para apresentar a justiça, um policial não pode permitir que sua crença pessoal interfira na sua investigação. Nesse trabalho é preciso saber e não acreditar. 

Nesse sentido acho que o nome do documentário – Making a Murderer (Criando um assassino) – parece pertinente, pois trata-se nitidamente de alguém tentando fabricar um assassino, mesmo que esse assassino seja realmente o assassino. 

Assista ao Trailer oficial:



Fontes: 


André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.




terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

(Documentário)Paradise Lost - A trilogia que tirou um homem do corredor da morte.









Essa sequencia de três documentários envolve anos de trabalho seguindo a série de acontecimentos que deu inicio com o assassinato brutal de três crianças em West Memphis no estado do Arkansas. Para se instruírem a respeito do caso leiam artigo publicado nesse blog descrevendo como se deu os acontecimentos (clique aqui). Esses documentários foram tão importantes para o caso que muitos o consideram de fundamental importância para reverter a decisão judicial que condenou três adolescentes por assassinato sem evidencias suficientes e ainda deixou um deles a beira da morte por injeção letal. 


*Infelizmente até o fechamento desses artigos ainda não havia versões dubladas ou legendadas em português, e meu tempo anda curto para fazer esse trabalho, mas para quem tem um minimo de fluência em inglês creio que é uma ótima maneira de assistir três grandes documentários e treinar suas habilidades linguísticas.

Paradise Lost - Part 1 (Assassinatos de criança em Hobin Hood Hills)




Musica: Metallica
Distribuído por: Home Box Office (HBO)
Data de Lançamento: 10 de junho de 1996
Tempo: 150 minutos
País: EUA
Língua:  Inglês

Esse é o primeiro documentário dessa série. Mostra cenas fortes das crianças mortas sendo retiradas do pântano onde foram submersas. Mostra também a prisão dos três suspeitos até suas condenações. A comoção dentro do meio artístico foi tamanha que a banda de Heavy Metal Metallica cedeu os direitos de uma música como apoio para ser usada na trilha sonora dessa produção. 









Paradise Lost - Part 2 ( Revelações)





Musica: Metallica
Distribuído por: Home Box Office (HBO)
Data de Lançamento: 22 de junho de 2000
Tempo: 130 minutos
País: EUA
Língua:  Inglês



Nessa sequencia lançada em 2000, as cenas de julgamento são dominantes, e mostra evidencias que causam uma desconfiança por parte do público e da imprensa no envolvimento de  John Mark Byers , padrasto de uma das crianças no crime. Byers se mostra uma figura constante desde o primeiro documentário de 1996, com uma atuação performática sempre exaltando sua dor e seu desejo de vingança apoiado pela citação de elementos religiosos e textos bíblicos. A equipe de filmagens mostra as diversas manifestações de apoio aos condenados e revisita os familiares.










Paradise Lost - parte 3 (Purgatório) 





Direção de:Joe Berlinger and Bruce Sinofsky


Musica:Metallica

Distribuído por:Home Box Office (HBO)
Data de Lançamento: 11 de setembro de 2011
País: United States
Língua: Inglês


Nessa última sequencia já se passaram 18 anos da prisão dos três condenados pela morte das crianças de West Memphis. Depois de muito apelo da defesa, geralmente negados pelo Juiz, o julgamento é aceito pela suprema corte do estado do Arkansas, e ameaça ir para a suprema corte dos EUA. Desta vez a equipe de filmagem acompanha  a repercussão do caso entre os familiares que pela primeira vez declaram não acreditar na culpa dos três condenados. Evidencias físicas são encontradas nesse ínterim, que colocam Terry Hobbs na cena do crime. Os responsáveis pela investigação policial e pelo julgamento continuam firmes declarando que acreditam na culpabilidade dos suspeitos, mas agora com declarações mais ponderadas. 


Assista ao trailer:







Como vemos esses documentários acompanhou de perto toda a trajetória desse caso que chocou o país e revelou incríveis falhas nas investigações policiais e que colocou em cheque a decisão judicial que em primeira instancia sentenciou Damien Echols a morte. O caso ainda não foi resolvido já que os suspeitos se declararam culpados para se livrarem da prisão em um acordo surreal com o estado do Arkansas, e nenhuma ação contra Terry Hobbs foi acionada até os dias atuais já que para o estado os três suspeitos são realmente os culpados. Esses três documentários, e outros, tiveram importância crucial na divulgação do caso à opinião pública o que certamente influenciou nas decisões tomadas pela corte de West Memphis. Não seria exagero dizer que as exposição das informações desses documentários salvou a vida de um homem que vivia no corredor da morte. Assista em ordem cronológica pois é impressionante as reviravoltas que notamos na opinião dos envolvidos. 



André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Os Assassinatos de West Memphis e a caça as bruxas.



Há exatos 25 anos, um crime brutal teria revelado a face mais rude do conservadorismo religioso americano, devorando 18 anos de vida de três adolescentes headbangers de famílias pobres e ainda quase ceifou a vida de um desses jovens com uma injeção letal. Apesar de terem se declarado culpado em um acordo frente a justiça, os acusados alegam inocência.

Tudo começou com uma hedionda ocorrência que colocou a pacata cidade americana de West Memphis no mapa da criminalidade. Três crianças de 8 anos de idade foram assassinadas com requintes de crueldade quando foram andar de bicicleta perto de um pântano em sua vizinhança. Os três meninos sumiram na tarde do dia 5 de maio de 1993.
Vizinhos e familiares dos garotos conduziram uma busca pela região, mas não encontraram nada. Somente na manhã seguinte a polícia fez uma varredura mais detalhada do lugar chamado “Robin Hood Hills”, lá havia um córrego lamacento onde por volta da 13:45 o policial Steve Jones viu um sapato preto de criança no meio da lama, e uma busca posterior da área revelou os corpos dos três garotos.


Steve Edward Branch, Christopher Mark Byers e James Michael Moore foram encontrados submersos na água lamacenta, estavam todos nus e seus pés estavam amarrados a seus punhos pelos cadarços de seus respectivos sapatos. Essa característica ritualística, logo criou uma atmosfera que ligou os assassinatos com a prática de cultos satânicos que segundo os moradores ocorriam naquela região. A polícia imediatamente começou a interrogar possíveis suspeitos que tinham alguma ligação com a prática de cultos satânicos inspirados por bandas de Heavy Metal.


Os três garotos assassinados



Jessie Misskelley Jr. de 17 anos, Jason Baldwin de 16 anos e Damien Echols de 18 anos eram garotos problema que viviam em uma vizinhança pobre de West Memphis e logo foram relacionados ao crime. Jason e Damien eram grandes amigos e andavam pelas ruas vestidos de preto com camisetas de bandas, como METALLICA e SLAYER e justamente por isso, sempre foram vistos com maus olhos pelos vizinhos e colegas de escola que os acusavam de bruxaria e satanismo. Jessie Misskelley foi submetido a um interrogatório que durou 12 horas quase ininterruptas sem a presença de um representante legal. Misskelley confessa ter estado com os outros dois acusados na cena do crime e ter presenciado Damien e Jason assassinarem aquelas crianças brutalmente e sem piedade.


Com a confissão de Misskelley os três suspeitos foram a julgamento. Misskelley por se recusar a depor contra os outros dois, foi julgado separadamente, enquanto Jason e Damien foram julgados juntos. Depois de uma batalha judicial onde muitas falhas na investigação policial foram apontadas e onde nenhuma evidência foi encontrada para colocar qualquer um dos três adolescentes na cena do crime e mesmo com os três se declarando inocentes, pois Misskelley voltou atrás e disse que foi persuadido pelos policiais e que sua confissão foi forçada, os três foram condenados pelo crime de assassinato, sendo que Damien recebera a sentença de morte ainda vigente no estado do Arkansas por ter sido considerado o idealizador do massacre satânico.


Com o passar dos anos os advogados dos três condenados, que agora eram chamados pela imprensa de “West Memphis Three” – O trio de West Memphis – fizeram vários apelos a justiça pedindo novo julgamento, devido a várias evidências encontradas por investigadores particulares, como o teste de DNA feito no cadarço que amarrava uma das vítimas, onde não foi encontrado o DNA de nenhum dos acusados. O DNA encontrado, no entanto, era o de Terry Hobbs o padrasto de Steve Edward Branch uma das vítimas. O evento ganhou notoriedade nacional e logo internacional quando grupos de apoio aos condenados começaram a pedir que um novo julgamento fosse aberto para que essas novas evidências pudessem comprovar a inocência dos acusados.

Várias celebridades entraram na onda e conseguiram chamar a atenção para o caso, dentre eles Eddie Vedder (PEARL JAM), Flea (RED HOT CHILI PEPPERS) Johnny Depp, HENRY ROLLINS – que encabeçou um projeto musical que contava com LEMMY KILMISTER, TOM ARAYA, IGGY POP, dentre outros, par arrecadar dinheiro para ajudar nas investigações. Tamanha comoção fez com que o caso fosse levado à suprema corte do estado do Arkansas em 2011 – 18 anos depois de estarem atrás das grades - onde os acusados receberam a oportunidade de saírem da prisão, contanto que se declarassem culpados do crime. 




A história desse crime brutal e da condenação imprecisa dos acusados foi largamente difundida pela imprensa americana, livros foram lançados, como "Devil's Knot"(O nó do diabo) da jornalista investigativa Mara Leveritt. Uma série de três documentários produzidos pelo canal HBO batizada de "Paradise Lost" (Paraíso perdido) conta toda essa jornada cheia de reviravoltas, má conduta policial, má vontade do juiz local e mobilização nacional em prol de três condenados, incluindo um deles condenado à morte por injeção letal. O METALLICA liberou os direitos autorais de uma de suas músicas para ser a trilha sonora destes documentários, em solidariedade aos acusados

Em 2012 um outro documentário chamado "West of Memphis" dirigido por Amy J. Berg e com a produção de Peter Jackson (Senhor dos Anéis) foi lançado abrangendo todo o caso e ainda toda a repercussão da libertação dos suspeitos depois de se declararem culpados.

Em 2013 o filme "Devil's knot" (no Brasil - Sem Evidências) do diretor Atom Egoyan com Colin Firth, Reese Witherspoon foi lançado tendo como base o livro de mesmo nome de Laveritt.



Há muitas evidencias de que 

esse caso é o que podemos chamar 
de uma verdadeira caça as bruxas




Damien Echols - 2012
Os acusados ainda lutam até hoje para limpar seus nomes da acusação de assassinato e paralelamente descobrir quem é o verdadeiro responsável pelo brutal assassinado dos garotos, a maioria dos pais das vítimas já declararam que não acreditam mais que Jason, Jessie e Damien sejam culpados do crime que ceifou a vida de seus filhos e que as novas evidências deveriam ser avaliadas.

Aqueles que acreditam na inocência dos headbangers, apontam algumas considerações sobre o caso, que fortalecem a tese de que tudo foi uma verdadeira “caça às bruxas.” West Memphis está localizada em Arkansas, estado que fica no coração do que se convencionou chamar de "Bible Belt" - cinturão bíblico, devido à grande concentração de fundamentalistas religiosos cristãos nessa região.

Ou seja, pessoas que costumam enxergar tudo ao seu redor como uma luta entre o divino, e as forças do mal. Onde um garoto com uma camisa de Heavy Metal representa uma ameaça aos bons costumes e se um crime dessas proporções ocorre, certamente não será obra de um devoto temente a Deus, mas obviamente de um delinquente que se veste de preto e adora músicas “do diabo.” Esse caso seria um clássico exemplo de como mentes conservadoras e religiosas tendem a julgar tudo dentro dos limites estreitos de suas crenças e mesmo com todas as evidências físicas, permanecem negando a inocência dos condenados. Baldwing declarou em uma entrevista à revista Rolling Stone que “o estado usou nosso gosto musical para nos destruir... e no fim muitos desses mesmíssimos artistas nos ajudaram a ganhar a liberdade.”

Ainda há muito mistério envolvendo esse caso, muitas perguntas sem respostas, provas negligenciadas e confissões plantadas. Os três suspeitos ainda são considerados culpados pelo estado e o caso permanece encerrado. Há muita controversa e um emaranhado de opiniões divergentes a serem pesadas. Ainda há muitos que acreditam na culpa dos três. O grande problema é que lançam evidências muitas vezes embasadas em pesquisadores, no mínimo, levianos como o escritor William Ramsey que escreveu um livro descrevendo que os três acusados assassinaram as três crianças como parte de um ritual satânico inspirado pelas bandas que ouviam. Dale W. Griffis um autoproclamado especialista em mortes por ritual satânico foi usado como testemunha de acusação. Ou seja, se ainda almejam alguma esperança de colocar Jason, Jessie e Damien de volta atrás das grades, acho que deveriam primeiro encontrar evidências físicas dentro do mundo real. Como aliás foram encontradas na cena do crime e apontavam para a presença do padrasto de um dos meninos, mas nunca foram consideradas ou avaliadas.


Fontes:


André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

Postagens Populares