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sábado, 23 de abril de 2016

(Documentário) A História do Brasil por Bóris Fausto



Série narrada pelo historiador Bóris Fausto e que, por meio de documentos e imagens de arquivo, traça um panorama político, social e econômico do País, desde os tempos coloniais até os dias atuais. A série é composta, ainda, de entrevistas com algumas personalidades que ajudaram a escrever essa história.



Sinopse


A história do Brasil é esmiuçada na análise do historiador Bóris Fausto nessa série de sete episódios. Através de documentos e imagens de arquivo, Bóris tenta demonstrar de que forma o processo histórico brasileiro ajudou a definir a nação que temos hoje. Em um panorama político, social e econômico do Brasil, dos tempos coloniais, passando pela Era Vargas e também pelo regime militar, Bóris também é ajudado pelos seus entrevistados: personalidades que ajudaram a fazer essa história.


Fonte:



Assista aqui:



André Stanley alcunha de André Luiz Ribeiro é professor e escritor; autor do livro “O Cadáver” (Editora Multifoco – 2013); É membro efetivo da Asso. Dos Historiadores e pesquisadores dos Sertões do Jacuhy desde 2004. Atua hoje como professor e pesquisador de História Cultural. Também leciona língua inglesa, idioma que domina desde a adolescência, Administra e escreve para os blogs: Blog do André Stanley (blogdoandrestanley.blogspot.com) – Sobre História, política, arte, religião, humor e assuntos diversos e Stanley Personal Teacher (stanleypersonalteacher.blogspot.com) onde da dicas de Inglês e posta exercícios para todos os níveis.

sábado, 9 de janeiro de 2016

Making a Murderer: É possível criar um assassino?



Série documentário da Netflix sobre Homem supostamente condenado a prisão perpétua por manipulação policial gera controvérsias. 

O Canal da internet Netflix vem causando controvérsias com seu mais novo documentário, que foi ao ar no final de 2015. 

A série de documentários divididos em 10 episódios conta a história do julgamento de Steven Avery que foi condenado a prisão perpétua por estupro e assassinato de uma fotógrafa na cidade de Manitowoc no estado do Wisconsin (EUA). 

Na verdade, o documentário tem início quando Steven Avery foi solto em 2003 após passar 18 anos na prisão por um estupro ocorrido em 1985. Avery foi considerado inocente após as provas que foram alegadas contra ele serem consideradas insustentáveis quando o DNA do verdadeiro autor do crime foi descoberto. 

O Documentário mostra sua volta para casa após cumprir 18 anos de uma sentença por um crime que não cometeu. Seus familiares o recebem com festa e o próprio Steven Avery dá uma série de entrevista celebrando sua liberdade e fazendo planos para o futuro, como um homem renovado e disposto a viver em paz com sua família trabalhando no ferro velho do pai e cumprir com suas obrigações de cidadão. 

Teresa Halback - a vítima
Mas alguns anos após sua soltura, em 2005, um outro crime abala sua cidade. O desaparecimento da fotógrafa Teresa Holbach toma conta dos noticiários e por uma incrível coincidência a última pessoa a ter contato com a vítima é nada menos que Steven Avery. Depois de alguns dias partes da ossada da fotografa é encontrada em meio as cinzas do que seria uma fogueira no quintal da casa de Steven Avery. 

A história é a seguinte: Halback era uma fotógrafa freelance que prestava serviço para uma revista local de anúncio de vendas de automóveis. Como Avery era proprietário de um ferro velho, sempre requisitava os serviços da fotógrafa para anunciar seus carros que estavam à venda. No dia do seu desaparecimento – 31 de outubro de 2005 – Halback havia sido contratada por Steven para fotografar uma van que ele desejava vender. O serviço foi feito e após isso a fotógrafa não foi vista com vida novamente. 

Interrogatório de Brendan Dassey - sobrinho do acusado
Diante de todas as evidencias a polícia prende Steven Avery como principal suspeito. Para piorar sua situação, alguns dias depois seu sobrinho Brendan Dassey foi preso depois de passar por um interrogatório – sem a presença de um advogado – onde confessa ter ajudado o tio a prender, estuprar e matar Teresa Halback. O documentário mostra partes desse interrogatório onde Dassey confessa a cumplicidade do crime, e evidencia que os policiais coagiram Dassey a confessar. 

As evidências contra Steven ficavam cada vez mais fortes, o que dificultava sua defesa, que alegava que os policiais plantaram parte dessas evidências na cena do crime. Além de parte da ossada da vítima ter sido encontrada no quintal de Avery, e da confissão – coagida ou não – de seu sobrinho, o carro da vítima foi encontrado no meio dos outros veículos do ferro velho de Avery e uma amostra de sangue retirada do automóvel pertencia a Steven Avery, a chave do veículo foi encontrada no quarto de Avery alguns dias depois e continha o DNA do réu, o que fez seus advogados alegarem que essas evidências foram plantadas pelos policiais que investigavam o crime, no intuito de incriminar Avery. 

Os familiares de Steven são mostrados o tempo todo no documentário em situações cotidianas, onde sua mãe aparece cozinhando e seu pai aprece trabalhando no ferro velho. Ou seja, os produtores do documentário nitidamente tentam humanizar o acusado, e deixa claro que Avery está sendo vítima de mais uma injustiça. 

Avery no tribunal
Podemos fazer um paralelo dessa postura seletiva dos documentaristas com a série de documentários produzidos pela HBO entre 1996 e 2011, sobre o julgamento de West Memphis, onde Damien Echols e dois amigos foram acusados de assassinarem três crianças na cidade de West Memphis no estado do Arkansas. Depois de passar 18 anos na prisão os acusados foram soltos por conta de um estranho acordo feito com o estado do Arkansas onde eles poderiam alegar que eram inocentes, mas o estado por sua vez exigiu que confessassem o crime e desde em então são considerados réus confessos. O Próprio Damien Echols escreveu um artigo, onde se mostra solidário a Steven Avery e diz que casos como esses parecem não ter fim. “Um raio pode cair duas vezes no mesmo lugar e muitas outras vezes.” Publiquei uma matéria sobre o caso de Damien Echols alguns meses atrás nesse blog [leia]. Os documentários produzidos pela HBO tiveram papel fundamental na mobilização da opinião pública que criaram grupos de apoio onde até celebridades se engajaram pela causa dos três acusados o que pressionou o estado pela liberação dos acusados. 

Parece nítido que os produtores desse documentário da Netflix pretendem criar o mesmo clima de engajamento popular em favor de Avery, e estão conseguindo certa mobilização social. Uma petição feita pela internet já arrecadou mais de 300 mil assinaturas pedindo a soltura de Avery. E a organização não governamental Innocence Project – que cuida de casos de pessoas injustamente condenadas – assumiu o caso de Avery após sua condenação. 

O documentário vem recebendo também muitas críticas por parte daqueles que acreditam nas evidências encontradas contra Avery. Ken Kratz o promotor que representou o estado do Winsconsi contra Avery escreveu uma nota onde disse que o documentário da Netflix deixou de apresentar evidências concretas que incriminariam ainda mais Steven Avery. Como o fato de que Steven havia exigido da empresa "Auto Trader" - na qual Teresa prestava serviços – que queria contratar especificamente Teresa Halback para o serviço, e a bala onde foi encontrado o DNA da vítima saiu da arma que pertencia a Steven Avery dentre outras evidências. [Leia matéria em inglês sobre a as alegações de Kratz] O xerife da cidade de Menitowoc disse recentemente que o documentário da Netflix “é um filme, não um documentário. ” “Um documentário coloca as coisas em ordem cronológica e conta a história como realmente é ... eles pegaram coisas fora de contextos e as colocaram fora de ordem o que pode levar a pessoa a tomar conclusões equivocadas. ” 



Não podemos negar o caráter tendencioso do documentário que pretende inocentar um homem condenado, construindo uma imagem quase heroica do acusado. Mas uma coisa não pode ser negada nem pelos apoiadores e nem pelos que acreditam na culpa de Steven Avery. O interrogatório levado a cabo pelos investigadores realmente foram coercivos, impondo ao interrogado uma única opção que no caso era a confissão. Essa mesma metodologia foi usada no caso já citado dos três acusados de West Memphis onde um dos acusados – o menos capaz intelectualmente – Jessie Miskelley confessou o crime depois de 12 horas ininterruptas de interrogatório sem a presença de um representante legal. 

Outro aspecto que parece nítido é o empreendimento dos policiais, que nitidamente acreditavam na culpa de Avery, e tudo indica que foram levados por essa crença a plantar provas na cena do crime, no intuito de fortalecer as evidências contra os acusados. Isso ficou evidente quando os policiais não souberam explicar o porquê a chave do carro da vítima só foi encontrada dias depois sendo que no início das investigações nenhum policial envolvido nas buscas a havia visto no local onde fora encontrada posteriormente. Devemos lembrar que o acusado não era nenhum membro exemplar da comunidade, já havia sido condenado antes por outros crimes e era conhecido por seu passado delinquente, mas isso não deve ser usado como fator de condenação, mas pelo contrário, como fator relevante para que não se cometa uma injustiça, que nesse caso seria um erro reincidente. A polícia é uma entidade independente que tem como objetivo investigar e levantar evidências para apresentar a justiça, um policial não pode permitir que sua crença pessoal interfira na sua investigação. Nesse trabalho é preciso saber e não acreditar. 

Nesse sentido acho que o nome do documentário – Making a Murderer (Criando um assassino) – parece pertinente, pois trata-se nitidamente de alguém tentando fabricar um assassino, mesmo que esse assassino seja realmente o assassino. 

Assista ao Trailer oficial:



Fontes: 


André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.




domingo, 28 de junho de 2015

(Documentário) A Janela da Alma – Uma reflexão sobre a arte de não enxergar.






Ficha técnica:

Gênero: Documentário
Direção: João Jardim, Walter Carvalho
Roteiro: João Jardim, Walter Carvalho
Elenco: Arnaldo Godoy, Evgen Bavcar,
Hermeto Paschoal, José Saramago,
Marieta Severo, Oliver Sacks, Wim Wenders
Produção: Flávio R. Tambellini
Fotografia: Walter Carvalho
Trilha Sonora: José Miguel Wisnik
Duração: 73 min.
Ano: 2001
País: Brasil
Cor: Colorido
Estúdio: Ravina Filmes
Informação complementar: Depoimentos de
Evgen Bavcar, Arnaldo Godoy, HermetoPaschoal,
Oliver Sacks, José Saramago, 
Marieta Severo, Wim Wenders.


Esse documentário dirigido pelos brasileiros João Jardim e Walter Carvalho, foi lançado em 2001 e procura mostrar as dificuldades recorrentes dos problemas visuais, que submete as pessoas a desenvolverem formas criativas de superar essas adversidades. A obra conta com depoimentos de pessoas comuns, e algumas célebres representantes do mundo das artes que sofrem, em determinado grau, de algum problema de visão. Dentre essas personalidades, encontram-se o escritor português José Saramago, o cineasta alemão Wim Wenders, o músico brasileiro Hermeto Pascoal só para citar alguns desse seleto grupo de autoridades em seus respectivos ofícios.
O filme não é mostrado de forma retilínea, um depoimento após o outro. O estilo de edição utilizado aqui mostra as entrevistas de forma fragmentada onde o contraste visual entre cada um dos entrevistados é nítido. Alguns sendo entrevistados em um canto escuro de sua casa, outros na sala de estar e outros nas ruas. O que mantém a unidade da obra é justamente o tema, "falta de visão". Em uma das entrevistas, o vereador mineiro Arnaldo Godoy guia a equipe de filmagens pelas ruas de Belo Horizonte usando referenciais como subidas, descidas e sinais sonoros, pois Godoy perdeu a visão quando tinha 17 anos de idade. Habilidades como esta desenvolvida por Godoy, que é totalmente cego, parece ser a tônica do filme. É justamente sobre esse poder criador exigido por uma deficiência visual que os diretores fundamentaram sua obra.
O esloveno Evgen Bavcar perdeu a visão ainda na juventude por conta de dois acidentes. No entanto, seguiu uma carreira artística que jamais poderia ser imaginada sendo praticada por um cego. Evgen se torna um fotografo conhecido mundo afora, com exposições de sua obra sendo organizadas em vários países. Esse paradoxo, cegos que atuam justamente naquilo onde a imagem é soberana, parece ter sido outra diretriz seguida pelos autores desse documentário. Essa mesma questão temática já foi explorada pelo neurocientista britânico Oliver Sacks. Em seu livro Olhar da Alma ele estuda os casos de um pianista que perdeu a capacidade de ler e reconhecer partituras, um escritor que não consegue mais ler, dentre outros casos da mesma complexidade. Não é coincidência que anos antes de lançar essa obra, Sacks tenha sido também um dos entrevistados desse documentário. Pois também sofre com problemas visuais desde que um melanoma no olho o fez sofrer uma cirurgia, o que tornou sua visão embaçada.
 Wim Wenders, um dos grandes cineastas da atualidade, diretor dos clássicos oitentistas Paris Texas e Asas do Desejo, diz que tentou usar lentes quando tinha seus 30 anos de idade, mas dessa forma via demais. Descobriu então que o fato de usar óculos o ajuda a limitar sua visão a quadros o que facilita seu trabalho. Ele não queria ver demais. A atriz Marieta Severo – cuja participação nesse filme parece no mínimo questionável – por outro lado, diz que necessita do olhar do outro com o qual está contracenando, por isso quando perde as lentes em um espetáculo, tem sua atuação completamente prejudicada. Portanto não se trata de um documentário esclarecedor que pretenda encerrar o tema, mas, sobretudo, uma amostra das diferentes experiências vividas por pessoas influentes que tiveram que superar as adversidades da falta de visão.
Os depoimentos tratam também de fatores cotidianos, como os sonhos eróticos de alguns dos entrevistados, a vaidade pelo fato de usar óculos, a aceitação do problema e como uma adversidade que pode ser considerada uma catástrofe se torna a salvação para quem consegue se expressar com seu eu interior. Questionamentos que nos conduz a uma analogia com uma obra famosa de Machado de Assis. Em O espelho, conto publicado pela primeira vez em 1882, o personagem Jacobina se encontra dentro de um conflito subjetivo entre sua "alma interior" e sua "alma exterior". Jacobina que tinha uma carreira respeitável como alferes da guarda nacional, em certo momento do conto só consegue acalentar sua “alma interior” quando vestia sua farda e ficava olhando para o espelho em seu quarto. Assim, Jacobina conseguia se ver da mesma forma como os outros o viam. É assim que ele conseguia vencer a solidão.
Podemos dizer que Machado de Assis usa a analogia do espelho para mostrar o quanto nossa "alma externa" domina nossa "alma interna" sendo necessário que nos enganemos usando de subterfúgios alegóricos como uma farda, para nos sentirmos nós mesmos. A cineasta finlandesa radicada em Londres Marjut Rimminen diz que sua mãe sempre a olhava com uma feição melancólica e deprimida, como se tivesse muita pena dela por ter uma visão comprometida. Isso a afetou profundamente. Ela achava que era um fracasso, porque sua mãe a olhava daquela maneira. Diz ela em seu depoimento: “Eu estava decidida a não ser um fracasso, a lutar, e a fazer o que pudesse, a escolher uma profissão na qual eu escolhesse o que eu quero, e ninguém mais fizesse isso por mim” (Marjut Rimminen). Ou seja, Rimminen diferentemente do Jacobina de Machado de Assis, não se acomodou com a visão dos outros sobre si e procurou superar isso criando seus filmes.
Essas pessoas, que o documentário, Janela da Alma nos apresenta, como em uma conversa formal, têm esse espelho embaçado e por isso sua "alma externa" foi em certo grau comprometida.  Buscam então dentro de si, dentro de sua subjetividade, a sua mais verdadeira expressão. Como diz o poeta Manoel de Barros, um dos entrevistados no documentário. "Eu não acho que seja pelo olho que entram as coisas minhas, elas não entram, elas vêm, elas aparecem de dentro, de dentro de mim” (Manoel de Barros). Podemos considerar que, o que faz de uma pessoa um grande artista não está no fato de ele ou ela enxergar o mundo externo e infinito, mas sim no fato de conseguir entrar em contato com sua subjetividade e dentro de seus limites, ser capaz de se expressar. O próprio Manuel de Barros completa dizendo que é a imaginação que tem relevância para o artista, ou seja, a arte está dentro do próprio artista, “a imaginação que traz ver, que transfigura o mundo, que faz outro mundo” (Manoel de Barros). Oliver Sacks também arrisca uma reflexão sobre isso:

Se dizemos que os olhos são a janela da alma…sugerimos, de certa forma, que os olhos são passivos e que as coisas apenas entram. Mas a alma e a imaginação também saem. O que vemos é constantemente modificado por nosso conhecimento, nossos anseios, nossos desejos, nossas emoções, pela cultura, pelas teorias científicas mais recentes…
Se alguma vez vimos raspas de ferro sobre um ímã e qual o comportamento de um campo magnético acredito que isso entra no imaginário, de certa maneira e posso ver os campos invisíveis do ímã. Posso vê-lo, sem o ver. Posso vê-lo com os olhos da mente. (Oliver Sacks)


Parece que esse filme pretende deixar claro que a visão, da mesma forma que no conto de Machado de Assis, nos condiciona a nos ver nos olhos dos outros, nunca nos nossos próprios.
Quando vemos demais podemos estar perdendo a oportunidade de ver o que é estritamente necessário. Sabemos o quanto é difícil para quem não enxerga, viver em um mundo cheio de obstáculos. Mas ao vermos esse filme descobriremos que talvez seja mais difícil para quem enxerga perfeitamente conseguir ver o essencial. Como em uma dinâmica de grupo onde botamos uma venda nos olhos para simular uma cegueira severa, e somos guiados por alguém para tentar sentir na pele o que é perder a visão, esse filme nos faz refletir sobre nossas capacidades inerentes, que de alguma forma permanecem em estado cataléptico até que algo as desperte.
O filme muitas vezes parece ser uma colcha de retalhos nos remetendo a obras totalmente abstratas do mesmo gênero. Esse aspecto é reforçado pelas imagens hora bem focadas hora desfocadas, onde não podemos distinguir nada do que aparece na tela, mas os diretores conseguem habilmente sempre retomar ao tema central. Não se trata de um filme didático que defende uma tese, como ocorre em Pro Dia Nascer Feliz, outro documentário de João Jardim, mas sim de uma visão um tanto subjetiva de seus próprios criadores. Tanto João Jardim quanto Walter Carvalho sofrem de problemas de visão e tinham em mente justamente criar essa reflexão entre a criação artística e disfunção visual.
Janela da Alma foi o documentário mais visto no ano de 2002 e venceu vários prêmios no Brasil e no exterior, dentre eles, o Grande Prêmio Cinema Brasil de Melhor Documentário, o prêmio de Melhor Documentário no Festival do Rio 2001 e também o prêmio de Melhor Filme no Festival de Cinema Brasileiro de Paris. Um filme reflexivo, sem um compromisso estreito com o entretenimento puro, apesar de ter passagens bem humoradas no decorrer dos depoimentos. O filme possui uma linguagem coloquial, e em alguns momentos é pura poesia. Em um filme sobre o falta do sentido da visão é necessário destacar a importância da trilha sonora, que ficou a cargo de José Miguel Wisnik. Melodias suaves ao piano emolduram o tom reflexivo da obra. Às vezes podendo apelar para o puramente emocional.
A cena do parto no final do filme, que parece quebrar um pouco a estrutura da obra, demonstra o sentimento de quem o assiste e entende que apesar de dolorosa a cegueira pode ser o nascimento de uma nova perspectiva, de um novo ser reflexivo. Afinal estamos de certa forma presos pelos nossos olhos como diz Wim Wenders:

A atual superabundância de imagens significa basicamente que somos incapazes de prestar atenção. Somos incapazes de nos emocionarmos com as imagens. Atualmente, as histórias têm que ser extraordinárias para nos comoverem. As histórias simples, não conseguimos mais vê-las. (Wim Wenders)


Quando vemos o olhar da mãe para seu filho que acaba de vir ao mundo e conseguimos notar a emoção em seus olhos compreendemos que perdemos muitas oportunidades de nos emocionarmos com o simples.







Fontes:


· ADORO CINEMA, Janela da Alma. Disponível em: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-50435/. Acesso em 17 de Jun. 2015
· ADORO CINEMA, Wim Wenders. Disponível em: http://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-37/filmografia/. Acesso em: 17 de Jun. 2015
· ASSIS, Machado de. Obra Completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar 1994. v. II.
· CAMELO, Tiago, Entender e responder. Disponível em: http://cienciahoje.uol.com.br/resenhas/entender-e-responder. Acesso em: 16 de Jun. 2015.
· JANELA da Alma. Direção: João Jardim e Walter Carvalho. Brasil: Produção: Flávio R. Tambellini, 2001. 73 min. Colorido.
· LA SALLE NOIR, Análise de “Janela da Alma”. Disponível em: http://www.virose.pt/blog/noir/?p=282. Acesso em 18 de Jun. 2015.
· MATTOS, Francine, Evgen Bavcar, o fotógrafo do (in)visível. Disponível em: http://fotografeumaideia.com.br/site/fotografos/inspiracoes/352-evgen-bavcar-o-fotografo-do-in-visivel. Acesso em; 17 de Jun 2015.
· WIKIPEDIA, Janela da Alma, disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Janela_da_Alma. Acesso em: 17 de Jun.20015
· WIKIPEDIA, João Jardim. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Jardim. Acesso em 18 de Jun.2015.
· WIKIPEDIA, José Miguel Wisnik. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Miguel_Wisnik. Acesso em: 18 de Jun. 2015.


André Stanley alcunha de André Luiz Ribeiro é professor e escritor; autor do livro “O Cadáver” (Editora Multifoco – 2013); É membro efetivo da Asso. Dos Historiadores e pesquisadores dos Sertões do Jacuhy desde 2004. Atua hoje como professor e pesquisador de História Cultural. Também leciona língua inglesa, idioma que domina desde a adolescência, Administra e escreve para os blogs: Blog do André Stanley (blogdoandrestanley.blogspot.com) – Sobre História, política, arte, religião, humor e assuntos diversos e Stanley Personal Teacher (stanleypersonalteacher.blogspot.com) onde da dicas de Inglês e posta exercícios para todos os níveis.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

(Documentário)Paradise Lost - A trilogia que tirou um homem do corredor da morte.









Essa sequencia de três documentários envolve anos de trabalho seguindo a série de acontecimentos que deu inicio com o assassinato brutal de três crianças em West Memphis no estado do Arkansas. Para se instruírem a respeito do caso leiam artigo publicado nesse blog descrevendo como se deu os acontecimentos (clique aqui). Esses documentários foram tão importantes para o caso que muitos o consideram de fundamental importância para reverter a decisão judicial que condenou três adolescentes por assassinato sem evidencias suficientes e ainda deixou um deles a beira da morte por injeção letal. 


*Infelizmente até o fechamento desses artigos ainda não havia versões dubladas ou legendadas em português, e meu tempo anda curto para fazer esse trabalho, mas para quem tem um minimo de fluência em inglês creio que é uma ótima maneira de assistir três grandes documentários e treinar suas habilidades linguísticas.

Paradise Lost - Part 1 (Assassinatos de criança em Hobin Hood Hills)




Musica: Metallica
Distribuído por: Home Box Office (HBO)
Data de Lançamento: 10 de junho de 1996
Tempo: 150 minutos
País: EUA
Língua:  Inglês

Esse é o primeiro documentário dessa série. Mostra cenas fortes das crianças mortas sendo retiradas do pântano onde foram submersas. Mostra também a prisão dos três suspeitos até suas condenações. A comoção dentro do meio artístico foi tamanha que a banda de Heavy Metal Metallica cedeu os direitos de uma música como apoio para ser usada na trilha sonora dessa produção. 









Paradise Lost - Part 2 ( Revelações)





Musica: Metallica
Distribuído por: Home Box Office (HBO)
Data de Lançamento: 22 de junho de 2000
Tempo: 130 minutos
País: EUA
Língua:  Inglês



Nessa sequencia lançada em 2000, as cenas de julgamento são dominantes, e mostra evidencias que causam uma desconfiança por parte do público e da imprensa no envolvimento de  John Mark Byers , padrasto de uma das crianças no crime. Byers se mostra uma figura constante desde o primeiro documentário de 1996, com uma atuação performática sempre exaltando sua dor e seu desejo de vingança apoiado pela citação de elementos religiosos e textos bíblicos. A equipe de filmagens mostra as diversas manifestações de apoio aos condenados e revisita os familiares.










Paradise Lost - parte 3 (Purgatório) 





Direção de:Joe Berlinger and Bruce Sinofsky


Musica:Metallica

Distribuído por:Home Box Office (HBO)
Data de Lançamento: 11 de setembro de 2011
País: United States
Língua: Inglês


Nessa última sequencia já se passaram 18 anos da prisão dos três condenados pela morte das crianças de West Memphis. Depois de muito apelo da defesa, geralmente negados pelo Juiz, o julgamento é aceito pela suprema corte do estado do Arkansas, e ameaça ir para a suprema corte dos EUA. Desta vez a equipe de filmagem acompanha  a repercussão do caso entre os familiares que pela primeira vez declaram não acreditar na culpa dos três condenados. Evidencias físicas são encontradas nesse ínterim, que colocam Terry Hobbs na cena do crime. Os responsáveis pela investigação policial e pelo julgamento continuam firmes declarando que acreditam na culpabilidade dos suspeitos, mas agora com declarações mais ponderadas. 


Assista ao trailer:







Como vemos esses documentários acompanhou de perto toda a trajetória desse caso que chocou o país e revelou incríveis falhas nas investigações policiais e que colocou em cheque a decisão judicial que em primeira instancia sentenciou Damien Echols a morte. O caso ainda não foi resolvido já que os suspeitos se declararam culpados para se livrarem da prisão em um acordo surreal com o estado do Arkansas, e nenhuma ação contra Terry Hobbs foi acionada até os dias atuais já que para o estado os três suspeitos são realmente os culpados. Esses três documentários, e outros, tiveram importância crucial na divulgação do caso à opinião pública o que certamente influenciou nas decisões tomadas pela corte de West Memphis. Não seria exagero dizer que as exposição das informações desses documentários salvou a vida de um homem que vivia no corredor da morte. Assista em ordem cronológica pois é impressionante as reviravoltas que notamos na opinião dos envolvidos. 



André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

(Documentário)A síndrome do punk- Banda finlandesa com síndrome de down resgata a essência punk







Dirigido por: Jukka Kärkkäinen, J-P Passi
Produzido por:  Sami Jahnukainen/Mouka Filmi
Escrito por: Jukka Kärkkäinen, J-P Passi, Sami Jahnukainen
Estrelado por: Pertti Kurikka, Kari Aalto, Sami Helle,Toni Välitalo
Data de lançamento: 21 April 2012
Tempo:  85 minutos
País de origem: Finland
Lingua: finlandês
Legenda: Português( por: Andre Abi-Ramia)


As descrições se referindo ao comportamento das bandas punks tradicionais sempre seguiram certo padrão: Uns três ou quatro caras loucos que não sabem tocar mais que uns dois ou três acordes. Creio que os iniciadores dessa tendência musical na década de 1970 tinham em mente exatamente isso, um ataque contra a musica certinha e toda comportada que o rock vinha se tornando por conta das bandas de rock progressivo que misturavam elementos de outros gêneros - como musica clássica. O Punk surgiu para nos lembrar que o rock não saiu de um conservatório musical, foi sim uma fusão de estilos tocada de forma suja e malcriada. Essa banda finlandesa resgata talvez como nenhuma outra na atualidade, essa possibilidade. Os quatro caras dessa banda sofrem de algum tipo de síndrome ou desabilidade mental. Mas não pensem que não sabem tocar, fazem mais que o necessário para resgatar a essência do universo original do verdadeiro punk. A banda foi formada em 2009 e conta com Kari Aalto no vocal, Sami Helle no baixo, Toni Välitalo na bateria, e Pertti Kurikka na guitarra. Até então lançaram os seguintes álbuns: Kuus kuppia kahvia ja yks kokis e Päättäjä on pettäjä.
Esse ano vão participar do Eurovision, um conhecido concurso musical que ocorre desde 1956 na Europa, e prometem ser atração de destaque no evento.

Esse premiado documentário produzido em 2012 na Finlândia mostra o dia-a-dia dos caras, os problemas sociais causados por suas deficiências, a forma como compõem suas canções, suas expectativas, seus comportamentos excêntricos e tudo mais. Foi legendado para o português por Andre Abi-Ramia, confira essa viagem muito louca pelo mundo dos mais genuínos representantes do punk finlandês.


Fontes:




André Stanley alcunha de André Luiz Ribeiro é professor e escritor; autor do livro “O Cadáver” (Editora Multifoco – 2013); presidiu o Centro acadêmico do curso de História no UNIFEG em 2007, é membro efetivo da Asso. Dos Historiadores e pesquisadores dos Sertões do Jacuhy desde 2004. Atua hoje como professor e pesquisador de História Cultural. Também leciona língua inglesa, idioma que domina desde a adolescência, Escreve para o Blog do André Stanley, sobre assuntos diversos.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

(Documentário)O Deus Que não estava lá - Jesus realmente existiu?




Dirigido por: Brian Flemming
Produzido por: Brian Flemming, Amanda Jackson
Escrito por: Brian Flemming
Estrevistados: Brian Flemming (narration), Sam HarrisRichard CarrierAlan DundesBarbara MikkelsonDavid P. MikkelsonRobert M. PriceScott ButcherRonald Sipus
Distribuído por: Beyond Belief MediaMicrocinema International
Lançado em: 21 de Maio, 2005
Tempo: 62 mins
Língua:Inglês
Legendas:Português

Este documentário se trata de uma produção de Brian Flemming, um diretor americano que entre outros possui produções como: Hang Your Dog in the Wind e Nothing So Strange. Este "The God Who Wasn't There" (O deus que não estava lá) é seu documentário mais combativo em prol do ateísmo. Devido a esse ateísmo hiper- militante de Brian devemos assistir esse documentário com certo grau de prudencia e o senso crítico muito aguçado. Ele entrevista grandes nomes como o historiador Richard Carrier, o Neurocientista Sam Harris, dois grandes defensores do chamado neo-ateísmo, e do lado dos apologéticos religiosos Brian entrevista: Scott Butcher um cristão que stá totalmente engajado na causa dos que serão "arrebatados", e Dr. Ronald Sipus. Ou seja não é muito justo com os cristãos confrontando as ideias desses dois religiosos sem nenhuma credibilidade cientifica com grandes ícones da ciência moderna. Mas não creio que Brian tinha o objetivo de tornar seu documentário uma obra de pesquisa cientifica, afinal ele usa de muito sarcasmo para construir sua prerrogativa. A pergunta principal que o documentário aborta é: Jesus realmente existiu? Não pense que esse é o trabalho fundamental para responder essa pergunta mas levanta tópicos importantes sobre essa discussão, como por exemplo o fato de os evangelhos cristãos terem sido escritos décadas depois dos acontecimentos que eles apregoam terem ocorrido, e o fato de o documento mais antigo que evoca a presença de Cristo escrito por Paulo de Tarso sempre retratar Cristo como uma figura sobrenatural e nunca se referir a ele como um ser tangível. Vale a pena assistir como exercício argumentativo:



André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.



quarta-feira, 5 de março de 2014

(Documentário) "Dream Deceivers" - O dia em que o Judas Priest foi a julgamento.

*Dream Deceivers: A história por trás do julgamento de James Vance contra Judas Priest.








Em 1992 um documentário produzido pelo canal de TV pública dos EUA, KNPB, e dirigido por David Van Taylor, contava a história envolvendo os bastidores do julgamento levado a cabo pelos familiares de James Vance contra a banda de Heavy Metal britânica JUDAS PRIEST. A história já bem conhecida teve seu estopim no dia 23 de dezembro de 1985 e foi manchete mundial.

James Vance de 20 anos e seu amigo Raymond Belknap de 18 anos, depois de horas bebendo e fumando maconha – segundo a imprensa local – estavam alegadamente ouvindo Judas Priests no playground de uma igreja da cidade de Sparks, onde moravam. Estavam de posse de uma arma calibre 12 – popular escopeta. Os dois garotos fizeram um pacto de morte e ambos atiraram contra suas próprias cabeças.

Raymond Belknap morreu na hora. Pedaços de seu cérebro se espalharam por vários metros. James Vance sobreviveu ao tiro, porem teve que passar por várias cirurgias de reconstrução facial que devido ao grande estrago perpetuado pelo disparo não foram capazes de tirar de Vance uma séria deformação em seu rosto.

A família de Vance decidiu processar a banda JUDAS PRIEST alegando que a música que os dois garotos – que eram fãs assumidos da banda – ouviam, continha uma mensagem subliminar que levou os dois jovens a praticar a trágica ação.

O documentário – que está em inglês – mostra entrevistas com os pais de James Vance e com o próprio Vance, que foi internado em um hospital psiquiátrico com sintomas de depressão e que três anos após a tentativa de tirar sua vida estourando seus miolos, enfim cometeu suicídio nessa instituição.

O documentário mostra também as primeiras imagens feitas pela polícia dos dois garotos estirados no chão do playground e o áudio da polícia recebendo a denúncia do ocorrido.

Mas talvez, o grande trunfo do filme é mostrar o julgamento da banda. Os integrantes do Judas Priest se apresentaram à corte da cidade de Reno, onde ocorreu o julgamento, vestidos de ternos e foram questionados sobre a possível mensagem subliminar contida na música “Better by you better than me” (É melhor para você e melhor para mim – tradução livre) do clássico álbum da banda “
Stained Class”.

Os advogados de Vance alegaram que a música continha uma mensagem “satânica subliminar” com um simples dizer “Do it” (faça). A música em questão não é de autoria do JUDAS PRIEST mas uma regravação de outra banda inglesa, “SPOOKY TOOTH.” A música foi reproduzida durante o julgamento para provar que havia uma mensagem subliminar, e o vocalista ROB HALFORD teve que cantar a música a capela diante do juiz.

Devemos levar em conta que o julgamento ocorreu em um período onde a presidência dos EUA era ocupada por Ronald Reagan, um dos mais conservadores presidentes americanos, onde a direita cristã extremista dos EUA executava uma cruzada contra a influência da música pesada na juventude americana. Por isso a alegação de uma mensagem satânica que hoje parece ridícula tinha uma certa aceitação como ainda há entre os fundamentalistas cristãos.

Várias vezes o filme mostra o grande apoio recebido pela banda em frente ao palácio de justiça de Reno, com fãs segurando cartazes apoiando o grupo Britânico e gritando mensagens de apoio. Muitos fás aproveitaram a ocasião para pedir autógrafos e tirar fotos com a banda. 

O documentário de cerca de uma hora de duração tem trilha sonora do próprio JUDAS PRIEST e é um documento histórico de um dos eventos mais trágicos envolvendo uma banda de Heavy Metal.



*O nome do documentário é um trocadilho com o título de uma música do Judas chamada Dreamer Deciever (Enganador sonhador), do disco “
Sad Wings of Destiny,” Dream Deceivers significa algo como: enganadores de sonhos.

Assista o documentário Dream Deceivers na íntegra.


IMDB:


Assista o documentário na integra em inglês:








Caso não consiga abrir o vídeo tente esse link: https://www.youtube.com/watch?v=G6x9RKvWYmk



André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.


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