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sábado, 9 de maio de 2020

Little Richard – O gay evangélico que deu forma ao Rock n’ roll






Little Richard, que nos deixou aos 87 anos, vítima de um câncer ósseo, foi um daqueles gays que ao encontrar Jesus busca diluir sua pulsão sexual em uma retórica evangélica onde o homossexualismo é visto como aberração antinatural e passível de ser punido com o eterno fogo do inferno.  No caso, de Little Richard, ele não precisou ir muito longe para encontrar Jesus. O pequeno Richard foi o terceiro filho, de um total de 12, de um traficante de bebidas que também era um diácono da igreja batista que sempre o influenciou a seguir o evangelho.

Richard passou toda sua carreira oscilando seu discurso entre a aceitação e a negação de sua homossexualidade – na verdade, nunca negou que era homossexual, mas houve momentos em que não aceitou ser – muitas vezes levado a uma postura radicalmente evangélica, que segundo o próprio, foi o que o curou de seus vícios. Richard teve problemas sérios com drogas pesadas e com seu comportamento promíscuo enquanto vivia seus dias de celebridade, como um dos pioneiros do recém-nascido Rock n' Roll. 

Apesar de sua postura ortodoxa, adotada ainda no final da década de 1950, Richard já havia construído uma base sólida o bastante como um dos arquitetos do Rock, o que o impossibilitou de se despir de sua postura subversiva e sensual que o havia levado ao estrelato. Ele até tentou levar adiante sua carreira como um cantor de música gospel, mas foram os impulsos onomatopeicos de seus rocks que o fez permanecer no baixo inferno da música popular. Afinal, Little Richard, por vezes tentou renegar seu passado como um dos fundadores de um estilo que até hoje é associado a algo satânico, mas diante da impossibilidade mediante a força de suas obras, nunca pode se desvencilhar de suas melodias repetitivas e maliciosas.

Em suma, a genialidade desse músico só se concretizou pela sua capacidade de transgredir, de esticar limites e se transfigurar em cima de um palco, quebrando as etiquetas que já eram convencionais até mesmo para o novo estilo que surgia. Little Richard era um músico negro em uma indústria impregnada com a imagem de um belo cantor branco chamado Elvis Presley, era pianista em um gênero que tinha a guitarra como instrumento símbolo. Se trasvestia de formas espalhafatosas, como uma Drag Queen hiperativa cantando refrãos repetitivos, isso já no início da década de 1950. 

E foi justamente essa fase maluca e transgressora de Richard que ajudou a dar forma à um gênero musical que tomou o mundo. Será, portanto, essa faceta do pequeno Richard, cheia de malícia e sensualidade que se solidificará na história da música mundial como ingredientes essenciais para a formação do que hoje conhecemos como Rock n’ roll.


André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

quarta-feira, 18 de março de 2020

Gotthard – Banda suíça lança “#13” seu décimo terceiro álbum.

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Em um país conhecido pela sua estabilidade financeira e alta qualidade de vida não poderia passar sem nenhum representante do bom e velho Rock N’ Roll. Para quem não sabe, é da Suíça a lendária banda de hard Rock KROKUS.

Mas hoje são os seus conterrâneos do GOTTHARD que merecem destaque. A banda foi formada em 1989 na cidade de Lugano, pelo vocalista Steve Lee e o guitarrista Leo Leoni. Uma tragédia ocorreu no dia 05 de outubro de 2010 em Nevada nos EUA, quando um caminhão desgovernado atinge uma série de motocicletas estacionadas e uma delas atinge o vocalista Steve Lee que morre no local.

Apesar da tragédia a banda continuou sua carreira recrutando Nic Maeder para o posto de frontman da banda. Desde então vêm lançando bons álbuns, como “Firebirth”(2012) e “Silver”(2017). Eles acabaram de lançar seu mais novo trabalho intitulado simplesmente de “#13” – afinal é o décimo terceiro álbum de inéditas do grupo.

O álbum segue a linha de sempre, um Hard Rock bem feito com riffs de guitarra bem interessantes, ótimos refrãos que lembram clássicos do estilo. A faixa que abre o disco é “Bad News”, uma ode oitentista, cadenciada e pesada com vocais bem encorpados. “Every time I die” mantem a mesma pegada, a letra parece falar de reencarnação, mas no fim notamos que é só uma paixão não correspondida – aliás as temáticas das letras, como todas as bandas de Hard Rock dos anos 80, giram em torno do mesmo assunto, mulheres, amores antigos e relacionamentos conturbados.

A terceira música é um pouco mais ousada, usa uns elementos percussivos menos comuns ao Hard Rock, vocalizações femininas muito sutis, e tem um refrão muito pegajoso. Assista o videoclipe no final dessa matéria.

Fizeram uma excelente versão para a clássica “S.O.S” do ABBA que se tronou uma bela balada Hard Rock.  “I Can’t say I’m sorry” também é uma daquelas músicas boas para tocar nas FMs.  As outras canções não destoam muito destas, talvez com um destaque para a “Rescue me” que tem uma levada mais exótica com o uso de violão e de percussão. São 15 faixas de puro Hard Rock que irá agradar os fãs tradicionais do estilo.




Tracklist #13 - Gotthard

1- Bad News
2- Every Time I Die
3- Missteria
4- 10.000 Faces
5- S.O.S
6- Another Last Time
7- Better Than Love
8- Save The Date
9- Marry You
10-Man On A Mission
11-No Time To Cry
12-I Can Say I´m Sorry
13-Rescue Me
14-No Time To Cry (Demo Version) (Bonus)
15-I Can Say I´m Sorry (Piano Version) (Bonus)



Line up – Gotthard

Leo Leoni – Guitar
Freddy Scherer – Guitar
Marc Lynn – Bass
Hena Habegger – Drums
Nic Maeder – Vocals



Assista o videoclipe da música Missteria do novo álbum do Gothard “#13:





Fontes:
Spotify - #13 - Gotthard

Site oficial do GOTTHARD

Nuclear Blast



André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

Portrait One: Álbum Time é lançado pela banda paulistana


A banda paulistana PORTRAIT ONE lançou nas plataformas digitais, no final de 2019, seu mais novo trabalho intitulado "Time". Uma obra que, já de cara, impressiona pela qualidade dos músicos; afinal estamos falando de uma banda que vem atuando desde 1989 e já tem três demos na bagagem, todas lançadas na década de 90. Período em que foram escolhidos, mais de uma vez, para ser a banda de abertura de medalhões consagrados do Heavy Metal como, PAUL DI' ANNO, GAMMA RAY e BLIND GUARDIAN.

O lançamento de "Time" marca o ressurgimento da banda após alguns anos de hiato e com renovações importantes, por exemplo, a entrada do excelente vocalista Ricardo Cassal e uma pequena adição ao nome da banda, já que os direitos de uso do nome "Portrait" é de propriedade de uma grande empresa do ramo fonográfico. A partir de então a banda passou a se chamar PORTRAIT ONE, sem, no entanto, alterar de forma significativa seu clássico logotipo. (A título de curiosidade, há uma banda sueca, surgida em 2006, que também se chama Portrait", creio que também terão problemas com isso.)

Para quem gosta de se orientar por meio de rótulos, esta é uma obra de Heavy Metal Melódico, sendo que em vários momentos se aventuram em uma pegada mais progressiva, criando boas passagens intrincadas que vão agradar fãs de Prog Metal. Neste quesito, eu destacaria a faixa "Voices", "Shadows and Doubts" e "Mask".

O uso de teclado é intenso, mas bem dosado, cria uma atmosfera interessante que oscila entre sonorizações "psicodélicas" e sinfônicas. Creio que os fãs de Hard Rock clássico apreciarão as melodias cativantes dos refrãos, como em "Prision" e "I Believe" - que aliás conta com um lyric vídeo que você pode conferir aqui.

Em "Déjà Vu" temos um andamento mais cadenciado, quebrando um pouco a pegada Power Metal das primeiras músicas. A música conta com um coral marcante no refrão. Destacaria também a bela balada "Liberty (Mirror of Dreams)" que mostra a versatilidade de cada músico.

Em suma, não é novidade dizer que o Metal brasileiro sempre lutou para assumir seu lugar ao sol na indústria da música. E desde sempre tivemos excelentes bandas que representam essa resistência no mundo underground. O PORTRAIT ONE é uma destas que permanece na luta, compondo material autoral de qualidade a despeito das dificuldades.

"Time" é um trabalho digno de respeito e certamente merece destaque dentre os lançamentos nacionais de 2020. Você pode ouvi-lo em qualquer plataforma de streaming. O disco físico foi lançado pela Die Hard Records e pode ser adquirido no site oficial da loja.
Portrait One - I Believe (Lyric video)





Tracklist Time - Portrait One
1.Lord Of Time
2.Great Maker
3.I Believe
4.Prision
5.Déjà Vu
6.Thorns On The Way
7.Liberty (Mirror Of Dreams)
8.Voices
9.Pharisee
10.Shadows And Doubts
11.Mask


Line Up - Portrait One
Rinaldo Zupelli (Guitar)
Emerson Barcos (Bass)
Ricardo Cassal (Vocals)
Marcelo Rocha (Drums)
Théo Lima (Guitar)
Alexandre Lofiego (Keyboards).


André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

TOTO – Um cover impressionante feito por músicos italianos.


Imagem: Italian Artists- Denis Potenza Youtube channel


Um grupo de músicos italianos, denominados simplesmente como ITALIAN ARTISTS, liderados pelo guitarrista e produtor musical Denis Potenza, disponibilizou em seu canal do Youtube em 2019 uma produção grandiloquente da clássica canção “Africa” da banda americana TOTO.

O arranjo foge bastante da canção original que é uma típica música pop de apelo comercial que, no entanto, nunca deixou de ter sua qualidade reconhecida no mundo do Rock. A versão conta com a participação de vários cantores italianos. Alguns com certa relevância em seu país, como a morena de exótica beleza Mara Bosisio, Federico Rankin, ex vocalista da banda YIKON e Samuele Noè cantor e pianista – que se parece muito com Jon Snow de Game of Thrones – dentre outros.

Os arranjos exploram bastante as diferentes vozes dos cantores além de trazer um instrumental intrincado e muito bem produzido. Contam com um quarteto de cordas, um piano bem presente e uma precursão que resgata o mesmo espírito tribal da música original, com um efeito mais cinematográfico. O vídeo também merece destaque, afinal é de uma produção digna de cinema, com todos os músicos reunidos em um tipo de galpão – ou um apartamento antigo sem mobília – estrategicamente posicionados como em um jogo de xadrez, e a câmera passeia entre eles mostrando o protagonismo de cada um, algo muito bonito visualmente.

A canção começa bem melancólica e reflexiva e vai ganhando peso e vigor no decorrer das estrofes. O segundo refrão já conta com um arranjo muito bom com todas as vozes trabalhando suas partes de forma harmônica.
Denis Potenza – que parece ser o idealizador do projeto – faz um solo de guitarra muito cativante e criativo, que se encaixa perfeitamente ao arranjo, substituindo o solo de teclado da canção original, levando a música para um andamento mais grandiloquente que tem seu desfecho em uma série repetitiva de refrãos que mantêm o entusiasmo dos músicos, e dos ouvintes, até o final.


O vídeo já ultrapassou um milhão de visualizações e continua chamando a atenção pela qualidade. O sucesso foi tanto que o grupo já produziu um outro trabalho semelhante, desta vez com a música “Iris” sucesso da banda GOO GOO DOLLS, trilha sonora do filme “Cidade dos anjos” (com Nicholas Cage). A nova produção foi disponibilizada no último dia 16 de fevereiro e já começa a ganhar atenção, mas creio que não supera o primeiro trabalho.

Assista o vídeo:





Fontes:
Yikon - Dead Crow Machine (official video HD):https://www.youtube.com/watch?v=PIpMaP7Kwxw


André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Ex fan vende toda sua coleção de vinil do Pink Floyd...



Roger Waters - caricatura by André Stanley (Stanley Creation)

Ex fan vende toda sua coleção de vinil do Pink Floyd, disse que vai investir agora em Ultraje a Rigor e Lobão.

Ele não quis comentar sobre o motivo que o levou a tomar decisão tão peculiar. Disse apenas que depois de tantos anos ouvindo as músicas da banda descobriu que não entendia as letras.


André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

FOLLOW THE CIPHER: A nova grande promessa do Metal sueco.



Já não é mais surpresa anunciar ótimas bandas de Metal oriundas da Suécia. A nova promessa dessas terras gélidas se chama FOLLOW THE CIPHER. Esta banda de Metal Melódico segue à risca a escola que a formou, mas ainda assim, consegue estabelecer sua identidade. Seu fundador, o guitarrista Ken Kängström, já é conhecido da cena, pois ele é o coautor de várias músicas do SABATON, além de ter participado das gravações das guitarras nos três últimos álbuns desta banda.

Em 2014, Ken decidiu se tornar protagonista e criar sua própria banda, começou a trabalhar duro compondo material inédito e buscando os integrantes certos. Foi nesse interim que conheceu a vocalista Linda Toni Grahn, com quem firmou uma parceria muito frutífera. Nascia então o FOLLOW THE CIPHER. Começaram a recrutar novos músicos e depois de experimentar algumas formações, se estabilizaram com 5 membros. Na bateria temos Karl Löfgren, na guitarra Viktor Carlsson e Jonas Asplind é o baixista. Agora com o time completo acabaram de lançar seu álbum de estreia (2018) autointitulado. É notório o uso de teclados e sintetizadores nas canções, mas a banda não conta com um tecladista fixo, portanto, ao vivo eles se utilizam de samplers pré-gravados, o que é largamente utilizado por bandas de Metal Sinfônico.

Sei que o Metal Melódico enfrenta uma fase de saturação, onde muitos clichês vêm sendo reproduzidos ao longo dos anos e que já nos acostumamos a não esperar nada de inovador nesse estilo, no entanto, apesar desta banda recorrer a vários moldes consagrados, como refrãos grandiloquentes, solos rápidos e vocais melódicos, há algo de peculiar nessa banda.

Estou falando da atmosfera criada pelas canções, que se encaixa perfeitamente à temática proposta pela banda. Eles criaram um mundo – explícito nas artes gráficas, figurino dos músicos e nas letras das canções – onde um grupo de rebeldes, conhecidos como “The Cipher,” lutam contra uma nova ordem mundial pós apocalíptica. Apesar de ser um enredo também explorado em demasia por séries e filmes hoje em dia, FOLLOW THE CIPHER é uma experiencia auditiva única.

Vestidos a caráter, os próprios membros da banda encarnam as personagens dessa trama, inclusive em suas apresentações ao vivo, mas é inegável que a vocalista Linda Toni rouba cena com seu cabelo rosa e sua voz robusta – e apenas como curiosidade, ela parece ser uma profissional da maquiagem, já que você pode encontrar alguns vídeos dela fazendo tutoriais de maquiagem no youtube.

Comparações com outras bandas do estilo serão feitas, como sempre. Há algumas músicas que lembram um pouco NIGHTWISH na época de Anete Olson. Há algumas intervenções de vocais masculinos que podem levar alguns a compararem com seus conterrâneos do AMARANTHE, mas a verdade é que os caras conseguiram criar uma identidade própria, mesmo com o mercado saturado.

Esse álbum é altamente recomendável para quem gosta de vocais femininos de alta qualidade, refrãos melódicos e de sociedades distópicas.

Assistam o clipe de Valkyria, do primeiro álbum de FOLLOW THE CIPHER.




Tracklist Follow The Cipher – Follow The Cipher




1.           Enter The Cipher
2.           Valkyria
3.           My Soldier
4.           Winterfall
5.           Titan’s Call
6.           The Rising
7.           A Mind’s Escape
8.           Play With Fire
9.           I Revive
10.       Starlight
11.       Carolus Rex
Line Up – Follow The Cipher
§     Linda Toni Grahn (Vocals)
§     Ken Kängström (Gitarre)
§     Karl Löfgren (Schlagzeug)
§     Viktor Carlsson (Gitarre, Vocals)
§     Jonas Asplind (Bass)


Fontes:



André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

sexta-feira, 9 de março de 2018

Mulheres no Metal: A revolução feminina no Metal.

Imagem- Stanley Creation



Hoje em dia parece até comum ver uma banda de Heavy metal com vocal feminino, na verdade, de uma certa forma já até virou moda. Por outro lado, acho que demorou muito para que a as mulheres adentrassem à cena.

Para os detratores –  velhos e atuais – dos vocais femininos no Heavy Metal, as mulheres nunca passaram de simples adornos de palco. Veja as bandas clássicas dos anos 80, um Blackie Lawless fazendo uma performance bizarra com uma mulher nua no palco, os caras do KISS tirando uma casquinha de umas boazudas durante o show, sem contar as letras de algumas músicas dessas bandas que deixariam alguns fanqueiros com inveja.
Creio que o movimento chamado de “Glam Rock” que tinha como representantes mais ilustres, o MOTLEY CRUE e o próprio KISS, ilustra bem a utilização das mulheres como forma de atiçar os hormônios da garotada nos anos 80s. No entanto, mesmo nessa época já podíamos ouvir uma voz feminina ou outra que berrava em meio a enxurrada de trogloditas cabeludos.

DORO PESH, por exemplo, capitaneava a banda alemã WARLOCK nos idos dos anos 80s, nessa época pode-se dizer que era um grande feito, no entanto, a voz da vovó Dorothee (Este é o nome verdadeiro dela) mesmo quando desfrutava de sua juventude, nunca soou suave e doce como se espera geralmente da voz de uma mulher, mas sim como a de um brutamonte afeminado. Alguns poderiam até não identificar se Doro era uma mulher tentando ser um homem ou um homem que parecia uma mulher. – Eu mesmo me recordo de quando peguei um disco do WARLOCK em minhas mãos – em minha juventude – e ao olhar apara a foto da banda, nem mesmo me atentei para o fato de que a vocalista era uma mulher, pois todos os integrantes se vestiam como tal.

Aliás, como curiosidade, todos os caras do “Glam Rock” tinham uma postura e um comportamento afeminado. Às vezes, pareciam drag queens drogadas demais para notarem que usavam uma lingerie rasgada por cima de uma calça de látex.
Durante toda década de 1980, outras vozes femininas pululavam aqui e ali, JOAN JET, se sobressaia como guitarrista e líder do THE RUNNUWAYS, até que com o fim da banda seguiu sua carreira também como cantora. A outra guitarrista desta banda, LITA FORD, também decidiu continuar em carreira solo e, gravou um álbum de Hard Rock de relativo sucesso. Na Inglaterra, a banda feminina GIRLSCHOOL vinha ganhando reconhecimento com a ajuda do pessoal do MOTORHEAD.

Mas foi somente no final dos anos 90s, grosso modo, que as mulheres começaram a se mostrar como mulheres de verdade, muitas vezes, usando sua voz suave e serena em um estilo que apregoava o peso e a agressividade. Para os críticos desta nova leva de mulheres cantoras, eu só tenho a dizer que, elas demoraram, mas chegaram. E chegaram, não para tirar o peso e a agressividade do Metal, mas para enriquecer e dar mais contraste a este estilo que sempre se pautou pela quebra de barreiras.
Um dos maiores críticos das mulheres rockeiras certamente é Paul Stanley, aquele afeminado guitarrista e vocalista do KISS, que certa vez disse. “Nunca pensei que alguém que não tenha saco pudesse fazer Rock n’Roll.” Não sabemos se o Sr. Stanley está se rendendo ao boom das mulheres no Rock de uma forma irônica, ou está fazendo uma dura crítica a esse fenômeno.

Se considerarmos o espaço que as mulheres têm hoje dentro da cena, e o fato de o número de mulheres atuando como protagonistas em suas bandas, escrevendo e criando coisas novas, é notório que elas chegaram para conquistar seu lugar de direito dentro da cena e dar um basta no machismo crônico que sempre dominou esse estilo.



    André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Versão inusitada de "Crazy Nights" do Kiss no comercial da Smirnoff.



Crazy Night - Big Foote ft. Sun For Moon (Cover do Kiss)



Esta música foi lançada pela primeira vez em 1987 no disco homônimo - Crazy Nights - da banda americana Kiss. A versão original da música é tipicamente uma canção melódica com refrão pegajoso feito para tocar nas FMs para os adolescentes da época – pais de muitos leitores - escutarem a toda altura no rádio do carro. Devemos lembrar que essa era a época do Glam Rock e várias bandas se renderam a esses clichês. Com o Kiss não foi diferente. 

No entanto, a versão que temos aqui é no mínimo ousada, quebra todos os paradigmas da gravação original. O piano em ritmo lento e o vocal feminino quase gótico desfiguram a proposta original de festividade e grandiloquência que a música induz. 

Mas é justamente isso que a faz magnifica. Penso que se eu tivesse ouvido essa música sem ter primeiro tido contato com a original - afinal de contas eu fui um grande fã de Kiss na minha adolescência - teria certamente gostado da música. Essa versão ficou conhecida alguns anos atrás, como a música do comercial internacional da Smirnoff. Talvez você se lembre.

Foi produzida pela empresa Big Foote Music + Sound, que produz músicas para comerciais de TV e em 2012 até ganhou um prêmio publicitário em Nova York por essa versão de Crazy Nights. 

Charlene Ava
A dona da triste e bela voz é Charlene Ava, que participa do projeto com o pseudônimo "Sun for Moon," que parece ter sido um projeto musical dessa cantora. Ava é uma cantora profissional que trabalha na indústria da publicidade há tempos. Essa Crazy Nights é daquelas versões que se tornam muito diferente da original e por isso pode causar calafrios nos fãs mais radicais do estilo que a consagrou, no entanto, se você como musico ou apreciador de boa música, se desvencilhar desse preconceito, pode curtir a canção como se fosse a primeira vez que ouviu essa melodia, notará que ficou muito boa. 

Compare abaixo a versão com a voz de Charlene Ava, e em seguida ouça a canção original do Kiss.










Fontes:

No Youtube você pode comparar as duas versões.
·         Vídeo de Crazy Night feita para a propaganda da Smirnoff

·         Vídeo clipe da canção original do Kiss



·                     Site da “Sound Better: onde Charlene Ava disponibiliza seu portfólio como cantora profissional: https://soundbetter.com/profiles/18652-charlene-ava.
·                     Site “Really Good Vocals”: Website da própria Charlene Ava: http://www.reallygoodvocals.com/#about.
·                     Site Radiorama que disponibiliza músicas de comerciais: http://radiorama.com.br/?/musica/crazy-crazy-nights/smirnoff/.
·                     Site da produtora Big Foote Music + sound: http://www.bigfoote.com/.
·                     Site da Sonicscoop que noticiou a premiação da música Crazy Night em 2012: http://www.sonicscoop.com/2012/06/13/big-foote-nyc-wins-aicp-award-for-smirnoffs-crazy-nights-spot/.





    André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.


domingo, 8 de maio de 2016

Axl Rose no AC/DC - Não ficou tão ruim assim.




Vou dar meu pitaco sobre a apresentação do AC/DC com Axl Rose nos vocais. Como fã do AC/DC desde que eu era moleque, eu simplesmente fiquei abismado com tal escolha. Cara, o que que tem a ver Axl Rose no AC/DC? A primeira coisa que fiz quando li essa noticia em algum lugar foi procurar ver se era mais uma sacanagem do site SENSACIONALISTA, mas não era. Acho que a reação, principalmente dos fãs do AC/DC, foi a mesma. Como Assim? Simplesmente não dava nem para imaginar como ficariam as musicas do AC/DC cantada por Axl Rose. E ainda um Axl Rose velho e sem condições de uso, como ele vinha demonstrando nos anos anteriores quando ainda teimava em levar a banda Guns n' Roses adiante com músicos que encontrava por ai. Eis que então aparece a primeira gravação do show do AC/DC em Lisboa. A primeira que ouvi foi Back in Black. Como já era esperado, Não gostei do que ouvi. Achei que as melodias não estavam sendo respeitadas, mas como disse, isso era esperado de um fã incondicional do AC/DC, como eu. Mas depois apareceu pipocando pelo Facebook, Shoot to thrill. Já comecei a brigar comigo mesmo para dar mais uma chance pro cara. A musica ficou no mínimo bem cantada. 

Obvio que assistir uma apresentação do AC/DC sem o Brian Johnson já era difícil, e ainda ver um cara que até alguns meses atrás estava no ostracismo total, cantando no seu lugar foi muito barra pesada, mas ouvi novamente Shoot to Thrill. Dessa vez eu gostei um pouco mais, quando ouvi a música nova Rock or Bust, consegui curtir normalmente, ou seja, não vi tanta discrepância. A voz já parecia encaixar melhor e o timbre estava mais harmonizado.  

Ainda acho que o Axl não é a melhor escolha para os vocais do AC/DC, mas ele está fazendo um bom trabalho. Acho que o Rck n' Roll e o Heavy Metal é o estilo mais radical que existe, as vezes, os fãs se comportam mais como torcidas organizadas de futebol do que apreciadores de música. Por isso sempre vamos torcer o nariz para um integrante novo que entra na banda. Ainda mais quando esse é o vocalista. Acho que é difícil para um torcedor/fã do AC/DC deixar o preconceito de lado e ter um olhar crítico sobre o acontecimento. Mas é possível. Axl está cumprindo seu papel muito bem e me arrisco até a dizer, agora após a apresentação, que Axl se superou artisticamente.



Sobre as opiniões radicais destiladas pelos fãs da banda, creio que é muito compreensível pois, eu também achava a incompatibilidade entre AC/DC e Axl muito evidente. Creio que poderemos ficar tranquilos. Não acho que a banda dos irmãos Young vão mantê-lo na banda por mais tempo além dessa turnê. Parece que a escolha de Axl foi sim uma jogada de marketing. Afinal de contas é melhor substituir a voz de uma banda grandiosa como é o AC/DC por alguém que já tem também seu nome inscrito na história do Rock do que colocar um desconhecido, cujo único atributo é cantar bem. Imagine a decepção dos fãs que já haviam comprado os ingressos? Por mais que você odeie Axl Rose, ele faz parte dessa história e foi responsável por composições e interpretações magníficas em sua época áurea.


André Stanley alcunha de André Luiz Ribeiro é professor e escritor; autor do livro “O Cadáver” (Editora Multifoco – 2013); É membro efetivo da Asso. Dos Historiadores e pesquisadores dos Sertões do Jacuhy desde 2004. Atua hoje como professor e pesquisador de História Cultural. Também leciona língua inglesa, idioma que domina desde a adolescência, Administra e escreve para os blogs: Blog do André Stanley (blogdoandrestanley.blogspot.com) – Sobre História, política, arte, religião, humor e assuntos diversos e Stanley Personal Teacher (stanleypersonalteacher.blogspot.com) onde da dicas de Inglês e posta exercícios para todos os níveis.

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