Mostrando postagens com marcador Halloween. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Halloween. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 18 de março de 2020

Seven Keys: O Heavy Metal mineiro bem representado


Seven Keys surgiu em 1998 na pequena cidade de Guaxupé, interior de Minas Gerais, quando um grupo de amigos com um gosto musical em comum se juntaram para tocar Heavy Metal, contrariando todos os manuais de bom comportamento local. Depois de algumas mudanças de formação, hoje a banda se consolidou como um power trio formado pelos irmãos Carlos e Anderson Stampone - baixo/vocal e guitarra respectivamente - e o baterista William Ferreira.


Trata-se de uma banda de músicos habilidosos e de gosto refinado. Suas principais referências giram em torno de grandes nomes do estilo, como, Ronie James DioBlack Sabbath, King Diamond e Helloween.

Ou seja, os caras têm muita bagagem sonora. Depois de mais de 20 anos de estrada e de um EP lançado em 2008 - "Seven Bullets" - os caras lançaram em 2015 "Visions of Time", seu primeiro álbum completo. Para a confecção desse artefato de puro metal contaram com a participação mais que especial de Fabio Laguna (Ex Angra, Atual Hangar) nos teclados, além de participações especiais.

O CD contém 10 faixas de autoria própria que mostram que os anos de estrada serviram para construir a maturidade do grupo e consolidar seu estilo. A bela capa do CD ficou a cargo de João Duarte, que tem em seu portfólio trabalhos feitos para Hangar, Angra, Circle II Circle, Metal Church dentre outros.

Os destaques ficam para a faixa "Seven Bullets" que conta o trágico desfecho ocorrido com o mineiro Jean Charles, morto pela polícia londrina com sete tiros à queima-roupa na cabeça, depois de ser confundido com um terrorista islâmico.

"Banshee" resgata uma lenda do folclore celta que sobrevive até hoje na Irlanda, e tem uma levada bem MERCIFUL FATE om uma atmosfera de filme de terror criada pelo teclado de Fabio Laguna.
"No More games" também é uma excelente faixa que apresenta um refrão cativante lembrando alguns clássicos dos anos setenta e oitenta.
Como eu disse, o trabalho conta com 10 faixas de puro Metal e agora, além da forma física, o CD está disponível em todas as plataformas de Streaming.
Ou seja, um belo trabalho feito por gente que entende do assunto, que vai agradar aos fãs mais exigentes do estilo.

Lista de faixas
1 Teotihuacan
2 No More Games
3 Blood Suckers
4 Banshee
5 Living For Tonight
6 Blood On The Hands
7 Seven Bullets
8 Premonition
9 Shadows Of Another Life
10 Crickets In Mind


Line up - Seven Keys
Carlos Stampone - Bass/ Lead Vocals
Anderson Stampone - Guitar/ Vocals
William Ferreira - Drums

Página oficial da banda no Facebook
https://www.facebook.com/sevenkeysoficial/

Assista abaixo o vídeo clipe de No More Games lançado em 2017 com a participação especial de Fabio Laguna nos teclados.




André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

Portrait One: Álbum Time é lançado pela banda paulistana


A banda paulistana PORTRAIT ONE lançou nas plataformas digitais, no final de 2019, seu mais novo trabalho intitulado "Time". Uma obra que, já de cara, impressiona pela qualidade dos músicos; afinal estamos falando de uma banda que vem atuando desde 1989 e já tem três demos na bagagem, todas lançadas na década de 90. Período em que foram escolhidos, mais de uma vez, para ser a banda de abertura de medalhões consagrados do Heavy Metal como, PAUL DI' ANNO, GAMMA RAY e BLIND GUARDIAN.

O lançamento de "Time" marca o ressurgimento da banda após alguns anos de hiato e com renovações importantes, por exemplo, a entrada do excelente vocalista Ricardo Cassal e uma pequena adição ao nome da banda, já que os direitos de uso do nome "Portrait" é de propriedade de uma grande empresa do ramo fonográfico. A partir de então a banda passou a se chamar PORTRAIT ONE, sem, no entanto, alterar de forma significativa seu clássico logotipo. (A título de curiosidade, há uma banda sueca, surgida em 2006, que também se chama Portrait", creio que também terão problemas com isso.)

Para quem gosta de se orientar por meio de rótulos, esta é uma obra de Heavy Metal Melódico, sendo que em vários momentos se aventuram em uma pegada mais progressiva, criando boas passagens intrincadas que vão agradar fãs de Prog Metal. Neste quesito, eu destacaria a faixa "Voices", "Shadows and Doubts" e "Mask".

O uso de teclado é intenso, mas bem dosado, cria uma atmosfera interessante que oscila entre sonorizações "psicodélicas" e sinfônicas. Creio que os fãs de Hard Rock clássico apreciarão as melodias cativantes dos refrãos, como em "Prision" e "I Believe" - que aliás conta com um lyric vídeo que você pode conferir aqui.

Em "Déjà Vu" temos um andamento mais cadenciado, quebrando um pouco a pegada Power Metal das primeiras músicas. A música conta com um coral marcante no refrão. Destacaria também a bela balada "Liberty (Mirror of Dreams)" que mostra a versatilidade de cada músico.

Em suma, não é novidade dizer que o Metal brasileiro sempre lutou para assumir seu lugar ao sol na indústria da música. E desde sempre tivemos excelentes bandas que representam essa resistência no mundo underground. O PORTRAIT ONE é uma destas que permanece na luta, compondo material autoral de qualidade a despeito das dificuldades.

"Time" é um trabalho digno de respeito e certamente merece destaque dentre os lançamentos nacionais de 2020. Você pode ouvi-lo em qualquer plataforma de streaming. O disco físico foi lançado pela Die Hard Records e pode ser adquirido no site oficial da loja.
Portrait One - I Believe (Lyric video)





Tracklist Time - Portrait One
1.Lord Of Time
2.Great Maker
3.I Believe
4.Prision
5.Déjà Vu
6.Thorns On The Way
7.Liberty (Mirror Of Dreams)
8.Voices
9.Pharisee
10.Shadows And Doubts
11.Mask


Line Up - Portrait One
Rinaldo Zupelli (Guitar)
Emerson Barcos (Bass)
Ricardo Cassal (Vocals)
Marcelo Rocha (Drums)
Théo Lima (Guitar)
Alexandre Lofiego (Keyboards).


André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Da Folia de Reis ao Halloween.

Foto: Pit Thompson - 62º Encontro Nacional de Folia de Reis de Muqui ES


Hoje em dia muito se fala na coexistência pacífica de várias culturas distintas em uma mesma sociedade, e para isto se cunhou o termo multiculturalismo. O Brasil, devido às suas proporções continentais e aos vários povos distintos que ajudaram a construir sua cultura, seria um exemplo de país multicultural, pois em um mesmo território politicamente constituído, podemos ter o privilégio de ver danças de origem indígena, como a Catira, danças rituais provindas de povos africanos, como a Congada, e ainda rituais da religiosidade popular que foram trazidas pelos portugueses, como a Folia de Reis, sendo todas praticadas em uma atmosfera de relativa paz. Tanto a Catira, como a Congada e a Folia de Reis são manifestações culturais de origens distintas que fazem parte do que se convencionou chamar de “cultura tipicamente brasileira”.

O Brasil possui uma rica e complexa atividade cultural, e podemos notar que estas atividades coexistiram paralelamente durante séculos de colonização, escravidão e imigração. Será que nossa rica cultura será agora nesta era da internet, suplantada por este emaranhado de culturas estrangeiras, que em muitas ocasiões se impõem em detrimento das nossas? 

        Desde o fim da Guerra Fria, quando o capitalismo vem conseguindo status de vencedor, gerando até algumas teses que decretavam o fim da União Soviética como o fim da própria história, o mundo vem passando por uma aceleração do processo de globalização. Processo esse que grosso modo, teve início com a expansão marítima dos países ibéricos no início do século XVI. Foi se intensificando com a Revolução Industrial na Inglaterra do século XVIII. Mas foi somente com o fim da bipolarização entre os “blocos" capitalista e comunista, que esse processo vem se evidenciando de forma realmente global.

A queda do Muro de Berlim pode ser considerado o marco simbólico que ilustra uma ideia de propagação do capitalismo como regime que democratizaria todo o globo. A dominação ideológica do capitalismo foi responsável, dentre outras coisas, por uma visão global de uma cultura dominante, fundamentada sobretudo, no padrão cultural norte-americano. O “American way of life” se espalhou mundo afora como um modelo a ser atingido pelos cidadãos dos países periféricos. 

Neste sentido, manifestações culturais provindas dos Estados Unidos são introduzidas no Brasil como elemento que integra uma noção de cultura superior, por estar vinculada à modernidade. Isto ocorre muitas vezes em detrimento da cultura tradicional local que passa a habitar um campo secundário nas relações culturais em um mundo cada vez mais globalizado. Esta globalização que se intensifica continuamente gera, no entanto, em âmbito nacional, alguns antagonismos provocados, sobretudo pela ação do Estado no intuito de fortalecer a identidade nacional. 

Assim, a introdução de uma manifestação cultural provinda dos Estados Unidos, como o “Halloween”, encontra alguns empecilhos internos, como movimentos de cunho nacionalistas, frentes formadas por políticos – muitas vezes oportunistas – tentando demonstrar algum amor a pátria ou de religiões evangélicas realizando uma verdadeira “Cruzada” contra o paganismo.

No entanto, o “Halloween” praticado no Brasil hoje está isento do significado que esta festa possuía para aqueles que viviam nos países onde ela surgiu, ou que foram colonizados por estes. Nos Estados Unidos, de onde esta prática se espalhou para o mundo, o “Halloween” ganhou status de uma das datas do ano de maior faturamento no comércio, perdendo apenas para o Natal. Além disso, o cinema comercial norte-americano deu a essa festa um certo padrão às suas práticas. É essa noção que veio a se instalar no Brasil nas últimas décadas. As crianças e adolescentes que praticam o “Halloween” no Brasil, não estão com isso, celebrando um festival folclórico, mas sim se integrando ao mundo do entretenimento global.

São os próprios atores sociais dessas manifestações que podem descrever melhor o que estas práticas significam para suas vidas como seres sociais. Neste contexto, o objetivo de um pesquisador da história cultural brasileira passa a ser, contrastar opiniões e analisar os mecanismos que levam uma tradição estrangeira a se impor perante uma cultura que possui seus próprios valores intrínsecos. 

A Folia de Reis faz parte de uma comemoração cristã difundida essencialmente pelo catolicismo popular. Já o “Halloween” de origem pagã, sofre uma dura reprovação por parte das instituições cristãs. Católicos e principalmente protestantes, investem arduamente no intuito de desviar seus fiéis do caminho desta “festa demoníaca”. No entanto, essas performances religiosas e, ou nacionalistas não são capazes de estancar o avanço mundial da cultura global de rede. Fica aqui essa reflexão. O que acontecerá com a cultura popular?


André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Como encarar a prática do Halloween.

Alunos de escola de inglês fazendo atividade relacionada ao Halloween.

Publicado Originalmente no Jornal Correio Sudoeste de Guaxupé no dia 26 de Setembro de 2013. 


De uma festa pagã comemorada basicamente nas ilhas britânicas, em especial na Irlanda, o “Halloween” se tornou no século XX uma festa comum em todo o mundo, ou pelo menos nos países que se abriram para o que se chama comumente de “ocidentalização” da cultura.

Os Europeus mais românticos podem atribuir as comemorações de “Halloween” como sendo proveniente de suas origens pagãs, e até certo ponto assim o é, para os camponeses nas vilas mais remotas da Europa que ainda acendem uma vela no dia 31 de outubro para espantar os maus espíritos. No entanto, o “Halloween” praticado nos grandes centros urbanos europeus hoje possui os mesmos elementos que se originaram na América do Norte, como as brincadeiras infantis de “Trick or Treat”( gostosuras ou travessuras) e as abóboras sorridentes. 

Não se sabe porquê em Portugal não é utilizado o termo “Halloween” sendo esta festa conhecida, assim como fora no Brasil, por Dia das Bruxas. No entanto, o termo Halloween já hoje em dia largamente utilizado Brasil afora. 


Como podemos notar a indústria cultural norte-americana criou um padrão comum para as comemorações do “Halloween” em âmbito mundial. 

A prática do “Halloween” no Brasil está vinculada diretamente à iniciativa dos cursos de língua inglesa em familiarizar os alunos brasileiros com a cultura e as tradições que envolvem o idioma em estudo. Portanto, o “Halloween” foi introduzido no país como atividade pedagógica complementar nesses tipos de escola. Uma espécie de imersão cultural.


De forma geral, esta prática só é evidente nas escolas particulares de idiomas, mas pode ser observada com uma frequência cada vez maior também no ensino público através da iniciativa de professores de inglês. 

Por outro lado, o “Halloween” sofre grande pressão de tendências nacionalistas dos alunos que já buscam criar uma opinião própria ou simplesmente queiram tumultuar a aula. No entanto, a maior incidência de casos de resistência ao “Halloween” ocorre por parte de pais evangélicos. Há casos de pais protestantes que proíbem os filhos de participarem das comemorações de “Halloween” organizados pelos professores.

A comemoração do “Halloween” em uma cidade como Guaxupé por exemplo, no interior de Minas Gerais, é parte de um processo que envolve uma série de indagações que nos leva a ter que analisar uma série de terminologias que estão muito em voga na nossa sociedade atual, como globalização, imperialismo, multiculturalismo, dentre outras. Que tipo de evidências as manifestações relatadas acima nos traz? Octavio Ianni nos mostra que: 

“Na maioria dos países da América Latina, o conteúdo dos meios de comunicação em massa, isto é da indústria cultural, é amplamente produzido nos Estados Unidos ou influenciados pelos programas, agências e empresas de origem norte-americana”

Ou seja, as nações imperialistas, se utilizam de meios diversos para expandir sua cultura nos países periféricos, e foram estes meios que nos trouxeram a comemoração do “Halloween” que de alguma forma nos dá uma sensação de modernidade enquanto nossas culturas populares cada vez mais assumem um papel secundário. Será essa uma evidência da “sociedade global” que se constrói a nosso redor? 

O que parece um tanto desfocado e até mesmo um tanto anacrônico é a cruzada “Anti-Halloween” levada a cabo por políticos nacionalistas. Aldo Rebelo do PC do B propôs em 2004 a instituição do “Dia do Saci” no Brasil, a ser comemorada no dia 31 de outubro (dia do Halloween – justamente como contraponto à essa comemoração). Atitude que se analisada dentro do âmbito do processo de globalização em que o mundo chegou hoje, chega ser no mínimo ingênua.


Não creio que podemos combater uma prática cultural globalizada através de um simples decreto. Tentar barrar a globalização é como tentar tapar a nascente de um rio com as mãos. 

Manifestações como estas abordadas acima quase sempre de cunho nacionalista ou regionalista, muitas vezes pecam pela falta de critérios críticos na abordagem do “Halloween” como prática cultural. O “Halloween” é tido pelos adeptos de um nacionalismo exacerbado, como sendo uma imposição do imperialismo norte-americano, o que a meu ver parece uma afirmação inegável.



O que me parece um tanto forçado, no entanto, é demonizar uma manifestação cultural milenar taxando-a como protagonista da destruição das culturas regionais, o que para tal é necessário que se esqueça de todo o processo histórico que a formou, deixando como fundamento crítico apenas os aspectos desta manifestação que surgiram já em um mundo globalizado. 

Como se o “Halloween” tivesse surgido em nossos tempos. Não vejo problema em ver nossas crianças comemorarem o “Halloween”. O que me preocupa é a falta de uma abordagem crítica do processo que tornou essa prática tão popular por aqui.


André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

Postagens Populares