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terça-feira, 21 de abril de 2020

O Bolsonaro pode sofrer um Impeachment?



Até a publicação desse artigo, já foram apresentados 17 pedidos de Impeachment de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados, um deles foi arquivado pelo presidente da Câmara Rodrigo Maia. 

Segundo juristas já há base suficiente para um pedido de Impeachment do presidente da República.

O presidente da Câmara no entanto, não parece estar disposto a abrir esse processo, mas com o presidente da republica agindo feito um lactente, não creio que ele terá muita escolha dentro em breve.



Fonte:
Revista Época


André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

sexta-feira, 10 de abril de 2020

A pior pandemia é a de desinformação: Não estávamos preparados para tantos imbecis agindo ao mesmo tempo

A dificuldade de se manter bem informado sobre Economia em tempos ...

Não estávamos preparados para tantos imbecis agindo ao mesmo tempo.

Vivemos uma pandemia real, outra virtual. Embora a pandemia real nos faça temer pela nossa vida ou pela de um ente querido, é a pandemia virtual propagada via memes nas redes sociais que vai nos abrir uma ferida enorme que pode levar à gangrenar as instituições democráticas de nosso país.

A estratégia é clara, espalhar fragmentos de uma notícia, declaração, ou texto de impacto recortando qualquer aresta que possa ser prejudicial a sua causa e viralizar essa informação de forma randômica, porém profissionalmente, através de uma equipe de falsários que já conhecemos popularmente como "Gabinete do ódio".


Quando o próprio presidente da república propaga por exemplo que Tedros Adhanom, Diretor Geral da OMS (Organização Mundial da Saúde) apoia sua solicitação de fim do isolamento social como combate a pandemia de COVID 19, reproduzindo uma frase de um discurso deste.


O que o presidente do Brasil não disse foi que na íntegra da fala de Tedros, não havia uma solicitação para que o isolamento social fosse reduzido, na verdade, ele ressalta a importância de medidas emergenciais dos governos para socorrer as populações mais necessitadas que serão os mais afetados nessa crise pandêmica.


Assim disse o Diretor Geral da OMS. Notamos que o presidente Jair Bolsonaro, ou algum de seus assessores sem escrúpulos retirou da fala de Tedros apenas o que lhe servia e omitiu o verdadeiro sentido da informação. O nome dessa estratégia é "Cherry picking" em inglês, em português também a conhecemos como "evidencia suprimida", não passa de uma falácia que tem como objetivo construir um argumento citando dados reais que parecem confirmar sua opinião ou sua informação, mas que não se sustentam mediante uma simples pesquisa no Google. 


Olhar Unificado: Poderíamos usar Isaías 28:13 como principio de ...
Essa mesma falácia é largamente utilizada por pastores evangélicos e gurus espirituais mundo afora. Veremos abaixo um compilado de trechos bíblicos que justificam o dízimo a ser pago pelos fiéis:


Esses trechos do antigo testamento são geralmente turbinados com outras passagens celebres do nova testamento como:


Por outro lado, temos trechos bíblicos que poderiam ser usados lindamente para justificar a poligamia:


O sacrifício de animais:


O Incesto


Ou seja, olhando para os trechos recortados acima notamos que um livro sagrado é necessariamente uma fonte inesgotável para a prática de “Cherry picking”.


Nas redes sociais vemos uma enxurrada de memes, informações distorcidas por ideologias políticas exacerbadas que se utilizam desta mesma estratégia de desinformação, um grande exemplo dessa viralização é propagada pelo perfil oficial da deputada federal Bia Kicís do PSL (Partido pelo qual Bolsonaro se elegeu presidente).

Um post de 10 de abril de 2020 diz que a UNICAMP, salienta que:



Post - Bia Kicis pagina oficial do Facebook
O trecho indica uma postura cautelosa e cientifica sobre o uso de uma medicamento que ainda não demonstrou resultados comprovadamente benéficos sobre o uso deste medicamento, no entanto, a deputada Bia Kicis no ápice de sua capacidade de supressão de evidências usa essa passagem da nota de uma universidade pública do estado de São Paulo para atacar o governado João Dória, seu maior adversário político no momento.

“Centenas de milhares de vidas sendo salvas pela ministração de Hidroxicloroquina, associada a Azitromicina + Zinco, mas a UNICAMP, que pela aparência é contra o "golpe", uma universidade do Estado de São Paulo, ou seja, "Doriana", diz que não há comprovação da eficácia dessa medicação. Ora bolas! Se o efeito é benéfico nos seres humanos, qual a necessidade de esperarmos pelos testes em camundongos?

Você prefere tomar a medicação que está salvando ou esperar que a "ciência" comprove sua eficácia? Parece que a "ciência" não lê jornais, não assiste a bons telejornais e nem navega nas ondas da internet. Se assim o fizesse, nos pouparia de presenciarmos cenas deploráveis."

Ou seja, é muito claro que a deputada populista posta uma informação verdadeira de uma declaração altamente cientifica, portanto, embasada em evidencias, tudo que se espera de uma instituição laica, para criar um post tendenciosamente politizado.

E se você ler os comentários de seus seguidores nota que a tal pandemia virtual a qual me referi no início deste texto já atinge várias pessoas adultas e demonstra total eficácia. Podemos notar os sinais do contágio quando lemos algo da estatura (baixa) disso:

“Opinião deles...foda se eles..vamos usar..se necessário...” 
(comentário extraído do facebook oficial da deputada Bia Kicis referente ao post acima)

Como se a declaração da universidade fosse baseada na opinião dos pesquisadores e não nos resultados das pesquisas. Além disso, notamos que o apoio ao presidente que de forma “achista” defende o uso de um medicamento ainda na fase de testes é amplificada através de hashtags do tipo “bolsonaraestavacerto” “premionobelparabolsonarro”.

Creio que a internet é uma maravilha tecnológica que nos ajuda a buscar informações precisas e mais replicáveis para que as mesmas informações sejam confrontadas com outras e assim, conseguirmos criar uma cultura de pesquisa e desenvolvimento da ciência que pode nos ajudar a combater graves crises sanitárias e  outras.

No entanto, agora parafraseando Umberto Eco, a constatação que fica é a de que não estávamos preparados para tantos imbecis agindo ao mesmo tempo. É um tipo de sincronia da morte, da morte da verdade, da ciência e do bom senso. Caso não consigamos controlar essa pandemia de desinformação, creio que tempos nublados nos assombrarão novamente.

Como já havia dito antes em outra postagem neste mesmo blog; no final, quem nos socorrerá das epidemias e das mazelas impostas pelo autoritarismo será a ciência através de seus erros e acertos amparada pela prudência e pelo bom senso. Sempre será assim, um eficaz cirurgião nunca é exaltado pelos anos de estudo e apuramento de sua técnica, quando salva a vida de um doente agonizante, no máximo como um instrumento de deus que através das orações alheias curou o doente. E assim caminha nossa pátria, sendo desfigurada pelo ódio que aos olhos de um guru espiritual é "amor", demonstrando a cegueira moral dessa nação controlada por imbecis virais diante das telas de seus computadores de última geração.


Pesquisa:





André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.



domingo, 5 de abril de 2020

Uma pandemia para revelar um Brasil perigosamente fundamentalista.

Coronavírus: Em dia de jejum, evangélicos fazem oração por ...
Imagem: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo





O Brasil está doente. Enfrenta uma epidemia de falácias, insensatez, anticientificismo, desespero diante da realidade objetiva e agora o agravamento de uma pandemia de Coronavírus.

O Brasil chegou a um estado esquizofrênico e irracional que pode, em pleno século XXI, nos levar a ter que enfrentar os mesmos flagelos de uma Idade Média que - julgávamos o período mais sombrio da História da humanidade - como o domínio da Igreja sobre o Estado (ou o chefe de "Estado", reino, etc"), desprezo às descobertas científicas, uso de medidas supersticiosas para combater um vírus mortal - com o agravante de que durante a epidemia da peste bubônica – Século XIV –  não dispúnhamos das mesma tecnologia e conhecimento sobre viroses que temos hoje, nem mesmo sabíamos o que era um vírus.

Ou seja, em um momento da História onde sabemos a causa, a forma de contágio, somos capazes de contabilizar os infectados e os mortos, sabemos até mesmo como evitar a circulação do vírus, ainda assim negamos a eficiência da ciência e jogamos nossas vidas nas mãos de líderes psicopatas.

O grau de insanidade está chegando a níveis alarmantes. É preocupante notar que em um momento tão ímpar como esse as pessoas preguem que o simples pensar positivo, a oração, o sacrifício físico, a abstinência ou o jejum sejam eficientes ao ponto de curar é até mesmo de impedir que a pessoa contraia um vírus novo, que ninguém havia, até então, desenvolvido algum tipo de anticorpo contra.

A interferência da religião na política é muito eficiente. Afinal ninguém irá questionar a idoneidade de seu pastor, seu padre, seu guru espiritual, seu coach quântico. Justamente por isso é perigosa. Desfigura o Estado laico, impõe os interesses - geralmente financeiros - de alguns líderes espirituais como se fosse o interesse de uma categoria. No entanto, o mais nocivo é o negacionismo científico e a desautorização das recomendações daqueles que por obrigação devem permanecer lúcidos em meio à essa guerra de narrativas.

No final, quem nos socorrerá das epidemias e das mazelas impostas pelo autoritarismo será a ciência através de seus erros e acertos amparada pela prudência e pelo bom senso. Sempre será assim, um eficaz cirurgião nunca é exaltado pelos anos de estudo e apuramento de sua técnica, quando salva a vida de um doente agonizante, no máximo como um instrumento de deus que através das orações alheias curou o doente. E assim caminha nossa pátria, sendo desfigurada pelo ódio que aos olhos de um guru espiritual é "amor", demonstrando a cegueira moral em que as religiões - sim todas - estão imersas.

O simples pensar positivo e tapar os olhos para dados reais, não ajudam em nada, além demonstrar serem medidas de extremo egoísmo. Afinal, a oração nada mais é do que um placebo emocional que o permite seguir em frente negando a realidade.  No entanto, tem um efeito colateral destrutivo. Pois negando os fatos você coloca toda sua comunidade em perigo, pois o fato de você crer fielmente na sua oração não fará com que a doença desapareça, assim como sempre houve orações para os famintos na África e os números de mortos pela forme, pela guerra e por doenças diversas nunca pararam de crescer.

O que faz realmente diferença é reconhecer que FUDEU TUDO e partir para guerra com todas as forças,  fazer jejum, macumba, mapa astral ou correntes de whatsapp em momentos de crises reais, ao contrário do que você pensa, é sinal de demência, não de sensatez.


André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

segunda-feira, 16 de março de 2020

O perigo dos líderes religiosos na política brasileira

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A interferência da religião na política é muito eficiente, afinal ninguém irá questionar a idoneidade de seu pastor, seu padre ou seu guru espírita, e justamente por isso é perigosa, desfigura o Estado laico, impõe os interesses de alguns líderes espirituais como se fosse o interesse de uma categoria, no entanto, o mais nocivo é o negacionismo científico, a desautorização das recomendações daqueles que por obrigação devem permanecer lúcidos em meio à essa guerra de narrativas. No final, quem nos socorrerá das epidemias e das mazelas impostas pelo autoritarismo será a ciência através de seus erros e acertos amparada pela prudência e pelo bom senso. Sempre será assim, um eficaz cirurgião nunca é exaltado pelos anos de estudo e apuramento de sua técnica, quando salva a vida de um doente agonizante, no máximo como um instrumento de deus que através das orações alheias curou o doente. E assim caminha nossa pátria, sendo desfigurada pelo ódio que aos olhos de um guru espiritual é "amor", demonstrando a cegueira moral em que as religiões - sim todas - estão imersas.


André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

Como se inicia um processo de Impeachment em 8 manchetes



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Repare que os ingredientes fundamentais para um pedido de Impeachment são uma crise política em sintonia com um crise econômica.

1- Crise política:

Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal foram grandes protagonistas do pedido de Impeachment de Dilma Rousseff, por isso as manchetes abaixo são dignas de serem levadas em consideração.


Estadão - 16/03/2020

O Globo - 16/03/2020

O Tempo - 16/03/2020

Reinaldo Azevedo UOL - 15/03/2020


2- Crise econômica

O Antagonista - 16/03/2020

Folha de São Paulo - 16/03/2020

3- crise de popularidade - As duas manchetes abaixo parecem mostrar que a popularidade de Bolsonaro é grande e ainda o sustenta no cargo, no entanto é preciso ler nas entrelinhas de forma inteligente, as matérias mostram a desespero do presidente por manter seu gado fiel para poder brigar com seus opositores e com o congresso nacional mesmo em meio a uma pandemia mundial.


Folha de São Paulo - 15/03/2020

Correio Braziliense - 15/03/2020

Estejam preparados...


André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

sábado, 14 de março de 2020

A baixeza moral e as mentiras compulsivas do clã Bolsonaro em 4 manchetes


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“Brazil's President Bolsonaro tests positive for Corona virus”
Fox News - 13/03/2020 ( O link foi retirado após a denúncia de fake news)




Para quem não entendeu o degrade de notícias acima, vamos explicar:

Os Bolsonaros (Eduardo Bolsonaro especificamente) chegaram ao cúmulo de plantar uma notícia falsa na "Fox News", dizendo que o presidente Jair Bolsonaro havia testado positivo para o Novo Corona Vírus. O plano era atrair a imprensa brasileira para a armadilha e depois acusá-la de propagar Fake News – afinal esse é o modus operandi desses jumentos.

Quanta imaturidade! A imprensa de uma forma geral obviamente não caiu nessa trama de cinema trash - tirando alguns veículos tendenciosos que se recusam a apurar os fatos e acabam se juntando a horda de imbecis.

Depois dessa atitude inconsequente, Eduardo Bolsonaro acusa a grande mídia de veicular "Fake News" ao divulgar a manchete da Fox News. Entretanto, a própria Fox News emitiu nota revelando que a fonte da sua matéria fora o próprio filho do presidente, Eduardo Bolsonaro.

Óbvio que o “Dudu Surfistinha” negou toda história e disse que nunca conversou com o tal jornalista – John Roberts. Aí eu pergunto: Será que a Fox News mentiu? Vamos pensar um pouco. A Fox News é uma emissora de direita que apoia abertamente os republicanos ostensivamente exaltando o governo de Donald Trump, por que eles mentiriam?


André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Da Folia de Reis ao Halloween.

Foto: Pit Thompson - 62º Encontro Nacional de Folia de Reis de Muqui ES


Hoje em dia muito se fala na coexistência pacífica de várias culturas distintas em uma mesma sociedade, e para isto se cunhou o termo multiculturalismo. O Brasil, devido às suas proporções continentais e aos vários povos distintos que ajudaram a construir sua cultura, seria um exemplo de país multicultural, pois em um mesmo território politicamente constituído, podemos ter o privilégio de ver danças de origem indígena, como a Catira, danças rituais provindas de povos africanos, como a Congada, e ainda rituais da religiosidade popular que foram trazidas pelos portugueses, como a Folia de Reis, sendo todas praticadas em uma atmosfera de relativa paz. Tanto a Catira, como a Congada e a Folia de Reis são manifestações culturais de origens distintas que fazem parte do que se convencionou chamar de “cultura tipicamente brasileira”.

O Brasil possui uma rica e complexa atividade cultural, e podemos notar que estas atividades coexistiram paralelamente durante séculos de colonização, escravidão e imigração. Será que nossa rica cultura será agora nesta era da internet, suplantada por este emaranhado de culturas estrangeiras, que em muitas ocasiões se impõem em detrimento das nossas? 

        Desde o fim da Guerra Fria, quando o capitalismo vem conseguindo status de vencedor, gerando até algumas teses que decretavam o fim da União Soviética como o fim da própria história, o mundo vem passando por uma aceleração do processo de globalização. Processo esse que grosso modo, teve início com a expansão marítima dos países ibéricos no início do século XVI. Foi se intensificando com a Revolução Industrial na Inglaterra do século XVIII. Mas foi somente com o fim da bipolarização entre os “blocos" capitalista e comunista, que esse processo vem se evidenciando de forma realmente global.

A queda do Muro de Berlim pode ser considerado o marco simbólico que ilustra uma ideia de propagação do capitalismo como regime que democratizaria todo o globo. A dominação ideológica do capitalismo foi responsável, dentre outras coisas, por uma visão global de uma cultura dominante, fundamentada sobretudo, no padrão cultural norte-americano. O “American way of life” se espalhou mundo afora como um modelo a ser atingido pelos cidadãos dos países periféricos. 

Neste sentido, manifestações culturais provindas dos Estados Unidos são introduzidas no Brasil como elemento que integra uma noção de cultura superior, por estar vinculada à modernidade. Isto ocorre muitas vezes em detrimento da cultura tradicional local que passa a habitar um campo secundário nas relações culturais em um mundo cada vez mais globalizado. Esta globalização que se intensifica continuamente gera, no entanto, em âmbito nacional, alguns antagonismos provocados, sobretudo pela ação do Estado no intuito de fortalecer a identidade nacional. 

Assim, a introdução de uma manifestação cultural provinda dos Estados Unidos, como o “Halloween”, encontra alguns empecilhos internos, como movimentos de cunho nacionalistas, frentes formadas por políticos – muitas vezes oportunistas – tentando demonstrar algum amor a pátria ou de religiões evangélicas realizando uma verdadeira “Cruzada” contra o paganismo.

No entanto, o “Halloween” praticado no Brasil hoje está isento do significado que esta festa possuía para aqueles que viviam nos países onde ela surgiu, ou que foram colonizados por estes. Nos Estados Unidos, de onde esta prática se espalhou para o mundo, o “Halloween” ganhou status de uma das datas do ano de maior faturamento no comércio, perdendo apenas para o Natal. Além disso, o cinema comercial norte-americano deu a essa festa um certo padrão às suas práticas. É essa noção que veio a se instalar no Brasil nas últimas décadas. As crianças e adolescentes que praticam o “Halloween” no Brasil, não estão com isso, celebrando um festival folclórico, mas sim se integrando ao mundo do entretenimento global.

São os próprios atores sociais dessas manifestações que podem descrever melhor o que estas práticas significam para suas vidas como seres sociais. Neste contexto, o objetivo de um pesquisador da história cultural brasileira passa a ser, contrastar opiniões e analisar os mecanismos que levam uma tradição estrangeira a se impor perante uma cultura que possui seus próprios valores intrínsecos. 

A Folia de Reis faz parte de uma comemoração cristã difundida essencialmente pelo catolicismo popular. Já o “Halloween” de origem pagã, sofre uma dura reprovação por parte das instituições cristãs. Católicos e principalmente protestantes, investem arduamente no intuito de desviar seus fiéis do caminho desta “festa demoníaca”. No entanto, essas performances religiosas e, ou nacionalistas não são capazes de estancar o avanço mundial da cultura global de rede. Fica aqui essa reflexão. O que acontecerá com a cultura popular?


André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

domingo, 4 de dezembro de 2016

3% A primeira série brasileira da Netflix

Rafael Losango, Bianca Comparato, Michel Gomes, Rodolfo Valente and Vaneza Oliveira in “3%.”
Pedro Saad/Netflix
Acabei de assistir os 8 episódios de 3% -primeira série brazuca da Netflix. A produção é muito humilde, devido ao baixo orçamento para uma série futurista. O centro de treinamento onde ocorre a história parece aquelas maquetes de caixa de papelão do Jaspíon. Os efeitos tecnológicos são limitados.




O figurino é ingênuo, parecendo que foi pego na máquina de lavar de uma trupe de teatro de rua. E é justamente essa escassez de recursos materiais que faz desse trabalho genial. A falta de orçamento nitidamente forçou os produtores a investirem pesado no roteiro e na construção dos personagens. Os vilões - pois em um primeiro momento não conseguimos identificar quem são - brigam para serem figuras caricatas e vazias como os melhores exemplos do cinema, mas não conseguem.


Ezequiel por exemplo, parece muito um daqueles personagens sem coração vividos por Gary Oldman em "O profissional" e " O quinto elemento" - Aliás o ator João Miguel lembra muito o velho Gary, no entanto, você consegue se comprazer com seu motivos. Sendo assim, a série é muito boa e desconfio que se a Netflix tivesse disponibilizado mais grana para a produção não seria tão boa. Destaque para a atuação dos jovens atores.




Por trás de uma produção humilde, temos uma excelente história cheia de conflitos humanos e dilemas éticos, e é óbvio a relação estreita com as mazelas sofridas pelo Brasil, onde uma elite privilegiada se julga detentora da construção da moral alheia e se esquece de aplicar suas regras a si próprios. Ótima série.



Trailer Oficial




Fontes:

Rotten Tomatoes
IMDB
Adoro Cinema


André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital. 

sábado, 14 de março de 2015

Impeachment pôr que?

A situação politica está tão polarizada que se você publicamente critica os potenciais manifestantes de amanhã (dia 15 de Março) você automaticamente é tachado de apoiador do governo...acho legal que se faça essa manifestação, afinal devemos sempre quando possível ou for necessário usar nosso direito constitucional para manifestar nosso descontentamento em relação a politica praticada nesse país. Não sou conivente com o governo atual,que mente descaradamente e manipula os índices tentando nos fazer acreditar que o brasil está ileso nesse cenário, e tenta socializar uma crise  que grande parte foi gerada por incompetência e negligencia politica. Mas vocês vão pedir o Impeachment para que o Michel Temer subir ao poder? Ou acham que é o Aécio que recebe a faixa diretamente? Ou talvez estejam tramando um golpe propriamente dito negando a constituição...Impeachment nessa ocasião é uma medida talvez mais incompetente  do que a própria medida do governo de colocar a Presidente da República em rede nacional para dizer a população que eles devem cortar gastos e que o próprio governo nada em uma quantia exorbitante de dinheiro público que não gera retorno ao bem estar social. Saibam que esse país não vai sair dessa crise enquanto tiver o mesmo sistema politico, portanto, creio que  antes de mudar o presidente, o que não seria assim tão difícil, deveríamos mudar esse sistema viciado em que estamos inseridos...se você acredita que a salvação do Brasil é o Aécio Neves, seu raciocínio está comparativamente muito próximo do de uma criança birrenta que perdeu uma partida de vídeo game. Agora se acha que é um regime militar que vai nos salvar, você simplesmente está doente e precisa tratar sua baixa auto estima e sua ignorância política.


André Stanley alcunha de André Luiz Ribeiro é professor e escritor; autor do livro “O Cadáver” (Editora Multifoco – 2013); presidiu o Centro acadêmico do curso de História no UNIFEG em 2007, é membro efetivo da Asso. Dos Historiadores e pesquisadores dos Sertões do Jacuhy desde 2004. Atua hoje como professor e pesquisador de História Cultural. Também leciona língua inglesa, idioma que domina desde a adolescência, Escreve para o Blog do André Stanley, sobre assuntos diversos.

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