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sexta-feira, 10 de abril de 2020

A pior pandemia é a de desinformação: Não estávamos preparados para tantos imbecis agindo ao mesmo tempo

A dificuldade de se manter bem informado sobre Economia em tempos ...

Não estávamos preparados para tantos imbecis agindo ao mesmo tempo.

Vivemos uma pandemia real, outra virtual. Embora a pandemia real nos faça temer pela nossa vida ou pela de um ente querido, é a pandemia virtual propagada via memes nas redes sociais que vai nos abrir uma ferida enorme que pode levar à gangrenar as instituições democráticas de nosso país.

A estratégia é clara, espalhar fragmentos de uma notícia, declaração, ou texto de impacto recortando qualquer aresta que possa ser prejudicial a sua causa e viralizar essa informação de forma randômica, porém profissionalmente, através de uma equipe de falsários que já conhecemos popularmente como "Gabinete do ódio".


Quando o próprio presidente da república propaga por exemplo que Tedros Adhanom, Diretor Geral da OMS (Organização Mundial da Saúde) apoia sua solicitação de fim do isolamento social como combate a pandemia de COVID 19, reproduzindo uma frase de um discurso deste.


O que o presidente do Brasil não disse foi que na íntegra da fala de Tedros, não havia uma solicitação para que o isolamento social fosse reduzido, na verdade, ele ressalta a importância de medidas emergenciais dos governos para socorrer as populações mais necessitadas que serão os mais afetados nessa crise pandêmica.


Assim disse o Diretor Geral da OMS. Notamos que o presidente Jair Bolsonaro, ou algum de seus assessores sem escrúpulos retirou da fala de Tedros apenas o que lhe servia e omitiu o verdadeiro sentido da informação. O nome dessa estratégia é "Cherry picking" em inglês, em português também a conhecemos como "evidencia suprimida", não passa de uma falácia que tem como objetivo construir um argumento citando dados reais que parecem confirmar sua opinião ou sua informação, mas que não se sustentam mediante uma simples pesquisa no Google. 


Olhar Unificado: Poderíamos usar Isaías 28:13 como principio de ...
Essa mesma falácia é largamente utilizada por pastores evangélicos e gurus espirituais mundo afora. Veremos abaixo um compilado de trechos bíblicos que justificam o dízimo a ser pago pelos fiéis:


Esses trechos do antigo testamento são geralmente turbinados com outras passagens celebres do nova testamento como:


Por outro lado, temos trechos bíblicos que poderiam ser usados lindamente para justificar a poligamia:


O sacrifício de animais:


O Incesto


Ou seja, olhando para os trechos recortados acima notamos que um livro sagrado é necessariamente uma fonte inesgotável para a prática de “Cherry picking”.


Nas redes sociais vemos uma enxurrada de memes, informações distorcidas por ideologias políticas exacerbadas que se utilizam desta mesma estratégia de desinformação, um grande exemplo dessa viralização é propagada pelo perfil oficial da deputada federal Bia Kicís do PSL (Partido pelo qual Bolsonaro se elegeu presidente).

Um post de 10 de abril de 2020 diz que a UNICAMP, salienta que:



Post - Bia Kicis pagina oficial do Facebook
O trecho indica uma postura cautelosa e cientifica sobre o uso de uma medicamento que ainda não demonstrou resultados comprovadamente benéficos sobre o uso deste medicamento, no entanto, a deputada Bia Kicis no ápice de sua capacidade de supressão de evidências usa essa passagem da nota de uma universidade pública do estado de São Paulo para atacar o governado João Dória, seu maior adversário político no momento.

“Centenas de milhares de vidas sendo salvas pela ministração de Hidroxicloroquina, associada a Azitromicina + Zinco, mas a UNICAMP, que pela aparência é contra o "golpe", uma universidade do Estado de São Paulo, ou seja, "Doriana", diz que não há comprovação da eficácia dessa medicação. Ora bolas! Se o efeito é benéfico nos seres humanos, qual a necessidade de esperarmos pelos testes em camundongos?

Você prefere tomar a medicação que está salvando ou esperar que a "ciência" comprove sua eficácia? Parece que a "ciência" não lê jornais, não assiste a bons telejornais e nem navega nas ondas da internet. Se assim o fizesse, nos pouparia de presenciarmos cenas deploráveis."

Ou seja, é muito claro que a deputada populista posta uma informação verdadeira de uma declaração altamente cientifica, portanto, embasada em evidencias, tudo que se espera de uma instituição laica, para criar um post tendenciosamente politizado.

E se você ler os comentários de seus seguidores nota que a tal pandemia virtual a qual me referi no início deste texto já atinge várias pessoas adultas e demonstra total eficácia. Podemos notar os sinais do contágio quando lemos algo da estatura (baixa) disso:

“Opinião deles...foda se eles..vamos usar..se necessário...” 
(comentário extraído do facebook oficial da deputada Bia Kicis referente ao post acima)

Como se a declaração da universidade fosse baseada na opinião dos pesquisadores e não nos resultados das pesquisas. Além disso, notamos que o apoio ao presidente que de forma “achista” defende o uso de um medicamento ainda na fase de testes é amplificada através de hashtags do tipo “bolsonaraestavacerto” “premionobelparabolsonarro”.

Creio que a internet é uma maravilha tecnológica que nos ajuda a buscar informações precisas e mais replicáveis para que as mesmas informações sejam confrontadas com outras e assim, conseguirmos criar uma cultura de pesquisa e desenvolvimento da ciência que pode nos ajudar a combater graves crises sanitárias e  outras.

No entanto, agora parafraseando Umberto Eco, a constatação que fica é a de que não estávamos preparados para tantos imbecis agindo ao mesmo tempo. É um tipo de sincronia da morte, da morte da verdade, da ciência e do bom senso. Caso não consigamos controlar essa pandemia de desinformação, creio que tempos nublados nos assombrarão novamente.

Como já havia dito antes em outra postagem neste mesmo blog; no final, quem nos socorrerá das epidemias e das mazelas impostas pelo autoritarismo será a ciência através de seus erros e acertos amparada pela prudência e pelo bom senso. Sempre será assim, um eficaz cirurgião nunca é exaltado pelos anos de estudo e apuramento de sua técnica, quando salva a vida de um doente agonizante, no máximo como um instrumento de deus que através das orações alheias curou o doente. E assim caminha nossa pátria, sendo desfigurada pelo ódio que aos olhos de um guru espiritual é "amor", demonstrando a cegueira moral dessa nação controlada por imbecis virais diante das telas de seus computadores de última geração.


Pesquisa:





André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.



domingo, 5 de abril de 2020

Uma pandemia para revelar um Brasil perigosamente fundamentalista.

Coronavírus: Em dia de jejum, evangélicos fazem oração por ...
Imagem: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo





O Brasil está doente. Enfrenta uma epidemia de falácias, insensatez, anticientificismo, desespero diante da realidade objetiva e agora o agravamento de uma pandemia de Coronavírus.

O Brasil chegou a um estado esquizofrênico e irracional que pode, em pleno século XXI, nos levar a ter que enfrentar os mesmos flagelos de uma Idade Média que - julgávamos o período mais sombrio da História da humanidade - como o domínio da Igreja sobre o Estado (ou o chefe de "Estado", reino, etc"), desprezo às descobertas científicas, uso de medidas supersticiosas para combater um vírus mortal - com o agravante de que durante a epidemia da peste bubônica – Século XIV –  não dispúnhamos das mesma tecnologia e conhecimento sobre viroses que temos hoje, nem mesmo sabíamos o que era um vírus.

Ou seja, em um momento da História onde sabemos a causa, a forma de contágio, somos capazes de contabilizar os infectados e os mortos, sabemos até mesmo como evitar a circulação do vírus, ainda assim negamos a eficiência da ciência e jogamos nossas vidas nas mãos de líderes psicopatas.

O grau de insanidade está chegando a níveis alarmantes. É preocupante notar que em um momento tão ímpar como esse as pessoas preguem que o simples pensar positivo, a oração, o sacrifício físico, a abstinência ou o jejum sejam eficientes ao ponto de curar é até mesmo de impedir que a pessoa contraia um vírus novo, que ninguém havia, até então, desenvolvido algum tipo de anticorpo contra.

A interferência da religião na política é muito eficiente. Afinal ninguém irá questionar a idoneidade de seu pastor, seu padre, seu guru espiritual, seu coach quântico. Justamente por isso é perigosa. Desfigura o Estado laico, impõe os interesses - geralmente financeiros - de alguns líderes espirituais como se fosse o interesse de uma categoria. No entanto, o mais nocivo é o negacionismo científico e a desautorização das recomendações daqueles que por obrigação devem permanecer lúcidos em meio à essa guerra de narrativas.

No final, quem nos socorrerá das epidemias e das mazelas impostas pelo autoritarismo será a ciência através de seus erros e acertos amparada pela prudência e pelo bom senso. Sempre será assim, um eficaz cirurgião nunca é exaltado pelos anos de estudo e apuramento de sua técnica, quando salva a vida de um doente agonizante, no máximo como um instrumento de deus que através das orações alheias curou o doente. E assim caminha nossa pátria, sendo desfigurada pelo ódio que aos olhos de um guru espiritual é "amor", demonstrando a cegueira moral em que as religiões - sim todas - estão imersas.

O simples pensar positivo e tapar os olhos para dados reais, não ajudam em nada, além demonstrar serem medidas de extremo egoísmo. Afinal, a oração nada mais é do que um placebo emocional que o permite seguir em frente negando a realidade.  No entanto, tem um efeito colateral destrutivo. Pois negando os fatos você coloca toda sua comunidade em perigo, pois o fato de você crer fielmente na sua oração não fará com que a doença desapareça, assim como sempre houve orações para os famintos na África e os números de mortos pela forme, pela guerra e por doenças diversas nunca pararam de crescer.

O que faz realmente diferença é reconhecer que FUDEU TUDO e partir para guerra com todas as forças,  fazer jejum, macumba, mapa astral ou correntes de whatsapp em momentos de crises reais, ao contrário do que você pensa, é sinal de demência, não de sensatez.


André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

domingo, 25 de agosto de 2013

Crianças Assassinas – Dois casos de psicopatia infantil







Casos de crianças assassinas são raros e por isso quando nos deparamos com um no noticiário, isso parece muito mais absurdo do que realmente é. A polícia paulista está convicta que um garoto de 13 anos foi o responsável por uma chacina familiar de proporções únicas. Mas o caso Pesseghini pode reabrir a discutição da possibilidade da psicopatia infantil. Eu, desde o primeiro momento, sempre achei improvável que um garoto de 13 anos pudesse ser o protagonista de tal feito, matar pai e mãe e ainda duas tias avós. No entanto, apesar de improvável não pode ser tido como impossível. Casos de crianças homicidas ocorrem vez por outra em todos os cantos do mundo. Creio que a psicopatia é uma condição difícil de detectar, ainda mais quando o indivíduo é jovem demais para que possamos descartar qualquer eventual rebeldia adolescente que possa estar em vigor no psiquismo de uma pessoa.Vamos estudar dois casos emblemáticos de crianças psicopatas que podem nos dar uma ideia sobre como funciona o psiquismo de uma criança.

O Caso Beth Thomas




Lembro que um dia, pelas minhas navegadas na internet, me deparei com um documentário americano que sem dúvida pode perfeitamente ilustrar essa ideia de que uma criança pode sim, desenvolver uma psicopatia em sua mais sublime infância. “Crianças são seres inocentes sem preconceitos”, esse jargão foi por muito tempo utilizado por vários profissionais pedagogos ou psicólogos de diversos ramos do saber até que se tornou um lugar comum na cultura popular. Mas, a criança assim como o adulto é produto de sua condição neuropsíquica somada ao meio em que vive e se desenvolve.

O documentário em questão conta a trajetória de uma bela garotinha de olhos azuis chamada Beth Thomas. Para uma pessoa que não domina o inglês e assiste o documentário sem legendas, soaria como um vídeo caseiro de uma doce criancinha americana dizendo coisas banais. O diferencial está exatamente no vocabulário aguçado da menina e na série de perguntas feitas pelo homem que a entrevista. O documentário foi feito com vídeos gravados pelo terapeuta Ken Magid.

Magid questiona a pobre garotinha sobre uma faca que havia sumido. “– uma grande e pontuda?” – diz a menina.

- o que você ia fazer com a faca, Beth? – pergunta então o terapeuta sem demonstrar qualquer tipo de alteração de humor.


"Matar o John – seu irmãozinho ainda um bebê – mamãe e papai. Diz a garota também fria e detalhista. Quando o documentário foi exibido na televisão americana em 1989, muitos profissionais que trabalhavam com crianças vítimas de abusos criticaram a HBO – produtora do documentário – por estar fazendo sensacionalismo com o assunto.


O documentário mostra ainda um resumo dos fatos envolvendo a criança. Beth Thomas perdeu sua mãe quando era bebê.  Foi deixada sob os cuidados de uma instituição para adoção juntamente com seu irmão mais novo. Ambos foram adotados por um casal que não podia ter filhos. As duas crianças aparentemente saudáveis receberam todo carinho necessário para proporcionar um relacionamento normal entre pais e filhos, mas o que o casal não esperava era enfrentar situações impensáveis que chegaram ao extremo de estarem sob risco de vida por conta do comportamento da filha adotiva.


Diariamente Beth era pega manipulando sua genitália.
E as masturbações ocorriam até mesmo em locais
públicos o que causava grandes transtornos aos pais.



Segundo a mãe adotiva, Beth tinha um comportamento muito incomum para uma criança de 6 anos. Diariamente Beth era pega manipulando sua genitália. E as masturbações ocorriam até mesmo em locais públicos o que causava grandes transtornos aos pais. Beth molestava seu irmão sexualmente, beliscando seu pênis e uma vez foi pega pela mãe, que segundo a própria filha havia puxado o pênis do irmão e enfiado o dedo em seu anus. O pai adotivo de Beth conta a respeito de um sonho ruim onde ela relatava que um homem caia nela e a machucava com uma parte dele próprio. O terapeuta pede a Beth que desenhe para ele o sonho que tinha com seu pari verdadeiro. Beth fez desenhos aterradores onde seu pai a violentava até que ela sangrasse. Dois meses depois da adoção descobriram que a mãe de Beth morrerá quando ela tinha 1 ano de idade e que o pai biológico havia abusado sexualmente de ambos os bebes. Isso com certeza havia causado danos emocionais severos nas crianças.




Agora vivia feliz e respeitava
todos seus familiares

e também seus animais de

estimação que

outrora eram visto por ela

como brinquedos

cujo objetivo eram ser mortos

em suas mãozinhas de criança.



Procuraram ajuda da terapeuta Connell Watkins, que diagnosticou a garota como tendo RAD – sigla em inglês para Desordem de Apego Reativa. É um transtorno mental onde o individuo é incapaz de formar juízo de valores. RAD, portanto é um termo técnico utilizado para não rotular uma criança dcomo psicopata, no entanto, nada mais é do que uma psicopatia infantil. A Situação era tão desesperadora que a terapeuta tirou Beth da casa dos pais e a levou para sua própria casa para tratá-la. Atkins tinha em seu currículo alguns casos de sucesso na reversão do comportamento inadequado de crianças. Incluindo crianças de 9 anos de idade que cometeram assassinato. O documentário mostra a recuperação de Beth, que passou a se comportar como qualquer criança de sua idade. Começa a frequentar a igreja de sua comunidade, e até mesmo a cantar no coral. Agora vivia feliz e respeitava todos seus familiares e também seus animais de estimação que outrora eram visto por ela como brinquedos cujo objetivo eram ser mortos em suas mãozinhas de criança.


O documentário que foi ao ar pela HBO em 1990 termina mostrando o progresso de Beth. E parece que a terapia pela qual foi submetida realmente foi bem sucedida, pois Beth Thomas acabou se tornando uma mulher emocionalmente sociável e fazendo uma pesquisa rápida pela internet foi possível descobrir que ela se formou em enfermagem e atua na área de saúde desde então. Beth foi adotada uma segunda vez por uma terapeuta que atuava na clinica de Atkins. Beth e sua mãe adotiva Nancy Thomas abriram uma clinica para cuidar de crianças que sofriam com distúrbios iguais aos de Beth, que lançou o livro Dandelion on My Pillow, Butcher Knife Beneath (Dente de leão no travesseiro, Faca de açougueiro debaixo).






Um desfecho trágico ainda ligado à algumas personagens dessa história viria a acontecer em 2000 quando uma garota de 10 anos foi morta durante um procedimento terapêutico aplicado na clinica de Connell Atkins chamado “Rebirthing” – renascimento – que consistia em enrolar uma criança em um cobertor para que ela pudesse reviver um novo nascimento e o cobertor representava o útero materno. Apesar dos pedidos desesperados da garoa pare que parecem com aquilo, pois não conseguia respirar, os terapeutas continuaram o procedimento. Candace Newmaker de 10 anos morreu no dia seguinte no hospital. Connel Atkins foi condenada por homicídio assim como as terapeutas que trabalhavam nesse procedimento e os pais adotivos da garota Candice Newmaker que segundo a autópsia morreu sufocada. O caso Newmaker gerou comoção nacional e foi responsável pela criação da “Candace Law” – lei Candice – contra as terapias com crianças supostamente com distúrbios de apego.


O caso Mary Bel

Mary Bell - A homicida mais jovem da história

Outro caso pode ajudar a ilustras melhor o perfil psicológico de uma criança abusada sexualmente. Em 1968 dois garotos foram mortos de forma brutal em New Castle na Inglaterra. Houve uma diferença de dois meses entre a ocorrência de cada um dos homicídios, levando a crer que se tratava do mesmo assassino. Na verdade, foi descoberto para espanto de todos, que se tratava de uma assassina. Mary Bell uma garota de 11 anos que morava em um bairro pobre de New Castle, próximo de onde os assassinatos ocorreram.


Norma Bell - amiga e co-autora
do assassinato de Brian Howe
Mary Bell foi em sua época a mais jovem homicida da história. Ela ainda não havia completado 11 anos de idade quando estrangulou Martin Brown até a morte. Ele era um garoto de 4 anos de sua vizinhança. Dois meses depois com ajuda de sua amiga Norma Bell – que apesar do nome não tinha nenhum parentesco – levaram um garoto de 3 anos de nome Brian Howe para um terreno baldio e também o estrangulou até a morte, além disso ainda usou uma tesoura para marcar as pernas do garoto e fazer uma letra “M” em seu abdome. Não foi difícil para a policia chegar a Mary Bell. Filha de Betty McCrickett, uma prostituta que tinha reputação de praticar sadomasoquismo com seus clientes, e deixava Mary na rua enquanto os atendia em casa. Isso quando não se utilizava da própria filha para prática de seus joguinhos eróticos. Segundo consta Mary foi sexualmente abusada com uma certa freqüência dos 4 aos 8 anos.

Martin Brown de 4 anos - primeira vítima de Bell

O comportamento da garota Mary Bell já era conhecido. Antes dos assassinatos houveram vários casos de crianças que relataram ter sido atacadas por Mary que tentara estrangulá-las. Mary tinha personalidade forte e dominadora. No dia de seu aniversário de 11 anos um dia depois que havia assassinado o garoto Martin Brown, tentou estrangular uma amiga de escola, que se não fosse a intervenção do pai da garota atacada, que a tirou as bofetadas algo pior teria acontecido.


Brian Howe de 3 anos assassinado
por Mary Bell com ajuda de sua amiga Norma Bell


Mary havia desenvolvido um comportamento bem sádico e segundo consta, foi até a casa de Martin Brown dias depois de tê-lo matado e pediu a sua mãe para vê-lo. A mãe de Martin disse que o menino estava morto e Mary disse: “Eu seu que ele está morto, só queria ver ele no caixão”.

Mary e sua amiga Norma cometeram atos de vandalismo em uma creche deixando recados anotados em folhas de cadernos que diziam:



“I murder so THAT I may come back” 
"Eu mato para que eu possa voltar."


“fuck off we murder watch out Fanny and Faggot” 

“Foda-se nós matamos cuidado fanny e Faggot”

“we did murder Martain brown Fuck of you Bastard” 

“Nós realmente matamos Martin Brown foda-se seus bastardos”






Uma das mensagens recolhidas
pela policia


Esses dizeres revelam a personalidade conflitante de uma criança perturbada. Mary foi condenada em 17 de dezembro de 1968 depois de dias de julgamento. Devido a exclusividade do caso, ele teve comoção mundial e especificamente na Inglaterra foi um divisor de águas na legislação do país. Nunca tiveram que condenar alguém tão jovem por duplo infanticídio. Mary cumpriu 12 anos de sua sentença e passou por várias terapias e avaliações psicológicas. Em 1977 Mary Bell fugiu do presídio e, segundo ela, perdeu sua virgindade. Foi recapturada logo em seguida. Em 1980 ela foi liberada. Tinha então 23 anos e um novo nome, pois tinha a proteção da lei para ficar no anonimato e manter sua integridade. Os familiares das vitimas vem lutando desde então para que a justiça revogue essa decisão. Tal lei batizada de “Ordem Mary Bell” por conta da própria da proteção e anonimato a todas a crianças envolvidas em procedimentos legais.


Mary Bell foi entrevistada em 2007 pela jornalista Gitta Sereny que resultou no livro “Gritos no vazio”. Sabe-se que o dinheiro rendeu um bom dinheiro para Bell o que gera muita controvérsia na sociedade britânica, principalmente entre os familiares das vítimas.


Bell logo após ser recapturada pela policia
1977
Esses dois casos ilustram algo que sempre vem sendo razão de discussão entre psicólogos de todos os setores. Será a psicopatia uma predisposição genética? Ou ela surge no contexto familiar e social do individuo? Temos aqui dois casos de psicopatia na infância que até o presente momento parece ter sido revertidas com sucesso na vida adulta dos individuos que as portava. Tanto Beth Thomas quanto Mary Bell – segundo consta – se tornaram adultos emocionalmente saudáveis depois da intervenção terapêutica. A questão é, essas duas mulheres estão vivendo suas vidas tendo que domar seus instintos assassinos todo santo dia, ou elas realmente desenvolveram valores éticos e morais que as tornam seres sociáveis? Todos os psicopatas se tratados na infância podem reverter sua psicopatia? Acho que terminei os artigos com muito mais perguntas do que respostas, mas creio que são as perguntas certas que nos levam a algum lugar.





Assista documentário sobre o caso Mary Bell: https://www.youtube.com/watch?v=moFhGzE_xRI
Assista o documentário sobre Beth Thomas: https://www.youtube.com/watch?v=g2-Re_Fl_L4


Fontes:


André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Médicos dos EUA avaliam sistema de saúde cubano

Um Modelo Diferente – Atenção Médica em Cuba. Dois médicos norte-americanos avaliam o sistema de saúde de Cuba




Edward W. Campion, M.D., and Stephen Morrissey, Ph.D.

Para um visitante dos Estados Unidos, Cuba desorienta. Automóveis norte-americanos estão em todo lugar, mas todos datam dos anos 50. Nossos cartões bancários, cartões de crédito e telefones inteligentes não funcionam. O acesso à internet é praticamente inexistente. E o sistema de saúde também parece irreal. Há médicos demais.

Todo mundo tem um médico da família. Tudo é de graça, totalmente de graça — e não precisa de aprovação prévia ou de algum tipo de pagamento. Todo o sistema parece de cabeça para baixo. É tudo muito organizado e a prioridade absoluta é a prevenção. Embora Cuba tenha recursos econômicos limitados, seu sistema de saúde resolveu alguns problemas que o nosso [dos Estados Unidos] ainda nem enfrentou.

Médicos de família, junto com enfermeiras e outros profissionais de saúde, são os responsáveis por dar atendimento primário e serviços preventivos para seu grupo de pacientes — cerca de mil pacientes por médico em áreas urbanas.

Todo o cuidado é organizado no plano local e os pacientes e seus profissionais de saúde geralmente vivem na mesma comunidade. Os dados médicos em fichas de papel são simples e escritos à mão, parecidos com os que eram usados nos Estados Unidos 50 anos atrás. Mas o sistema é surpreendentemente rico em informação e focado na saúde da população.

Todos os pacientes são categorizados de acordo com o nível de risco de saúde, de I a IV. Fumantes, por exemplo, estão na categoria de risco II, e pacientes com doença pulmonar crônica, mas estável, ficam na categoria III.

As clínicas comunitárias informam regularmente ao distrito sobre quantos pacientes tem em cada categoria de risco e sobre o número de pacientes com doenças como a hipertensão (bem controlada ou não), diabetes, asma, assim como sobre o status de imunização, data do último teste de Papanicolau e casos de gravidez/cuidado pré-natal.

Todo paciente é visitado em casa uma vez por ano 
e aqueles com doenças crônicas 
recebem visitas mais frequentes. 




Todo paciente é visitado em casa uma vez por ano e aqueles com doenças crônicas recebem visitas mais frequentes. Quando necessário, os pacientes podem ser direcionados a policlínicas distritais para avaliação de especialistas, mas eles retornam para as equipes comunitárias para acompanhamento. Por exemplo, a equipe local é responsável por garantir que o paciente com tuberculose siga as recomendações sobre o regime antimicrobial e que faça os exames.

Visitas em casa e conversas com familiares são táticas comuns para fazer com que os pacientes sigam as recomendações médicas, não abandonem o tratamento e mesmo para evitar gravidez indesejada. Numa tentativa de evitar infecções como a dengue, a equipe de saúde local visita as casas para fazer inspeções e ensinar as pessoas sobre como se livrar da água parada.

Este sistema altamente estruturado, orientado para a prevenção, produziu resultados positivos. As taxas de vacinação de Cuba estão entre as mais altas do mundo.

A expectativa de vida de 78 anos de idade é virtualmente idêntica à dos Estados Unidos. A taxa de mortalidade infantil em Cuba caiu de 80 por mil nos anos 50 para menos de 5 por mil — menor que nos Estados Unidos, embora a taxa de mortalidade materna esteja bem acima daquela dos países desenvolvidos e na média para os países do Caribe.

Sem dúvida, os resultados são consequência de melhorias em nutrição e educação, determinantes sociais básicos para a saúde pública. A taxa de alfabetização de Cuba é de 99% e o ensino sobre saúde é parte do currículo obrigatório das escolas. Um recente programa nacional para promover a aceitação de homens que fazem sexo com homens foi desenhado para reduzir as taxas de doenças sexualmente transmissíveis e aumentar a aceitação e adesão aos tratamentos.

Os cigarros já não são oferecidos na cesta básica mensal e o número de fumantes decresceu, embora as equipes médicas locais digam que continua difícil convencer fumantes a deixar o vício. Os contraceptivos são gratuitos e fortemente encorajados. O aborto é legal, mas considerado um fracasso do trabalho de prevenção.

Não existe sistema de saúde privado 
pago como alternativa. 
Os médicos recebem benefícios 
do governo como 
moradia e alimentação, 
mas o salário é de 
apenas 20 dólares por mês.




Não se deve romantizar o sistema de saúde cubano. O sistema não é desenhado para escolha do consumidor ou iniciativas individuais. Não existe sistema de saúde privado pago como alternativa. Os médicos recebem benefícios do governo como moradia e alimentação, mas o salário é de apenas 20 dólares por mês. A educação é gratuita e eles são respeitados, mas é improvável que obtenham riqueza pessoal.

Cuba é um país em que 80% dos cidadãos trabalham para o governo e o governo é quem gerencia orçamentos. Nas clínicas de saúde comunitárias, placas informam aos pacientes quanto o sistema custa ao Estado, mas não há forças de mercado para promover eficiência.

Os recursos são limitados, como descobrimos ao ter contato com médicos e profissionais de saúde cubanos como parte de um grupo de editores-visitantes dos Estados Unidos. Um nefrologista de Cienfuegos, a 240 quilômetros de Havana, tem uma lista de 77 pacientes em diálise na província, o que em termos de população dá 40% da taxa dos Estados Unidos — similar ao que era nos Estados Unidos em 1985.

Um neurologista nos informou que seu hospital só recebeu um CT scanner doze anos atrás. Estudantes norte-americanos de universidades médicas cubanas dizem que o trabalho nas salas de cirurgia é rápido e eficiente, mas com pouca tecnologia. Acesso à informação via internet é mínimo. Um estudante informou que tem 30 minutos por semana de acesso discado.

Esta limitação, como muitas outras dificuldades de recursos que afetam o progresso, é atribuída ao embargo econômico dos Estados Unidos [imposto em 1960], mas podem existir outras forças no governo central trabalhando contra a comunicação fácil e rápida entre cubanos e os Estados Unidos.

Como resultado do estrito embargo econômico, Cuba desenvolveu sua própria indústria farmacêutica e agora fabrica a maior parte das drogas de sua farmacopeia básica, mas também alimenta uma indústria de exportação. Recursos foram investidos no desenvolvimento de expertise em biotecnologia, em busca de tornar Cuba competitiva no setor com os países avançados.

Existem jornais médicos acadêmicos em todas as especialidades e a liderança médica encoraja fortemente a pesquisa, a publicação e o fortalecimento de relações com outros países latino-americanos. As universidades médicas de Cuba, agora 22, continuam focadas em atendimento primário, com medicina familiar exigida como primeira residência de todos os formandos, embora Cuba já tenha hoje o dobro dos médicos per capita que os Estados Unidos.

Muitos dos médicos cubanos trabalham fora do país, como voluntários num programa de dois anos ou mais, pelo qual recebem compensação especial. Em 2008, havia 37 mil profissionais de saúde cubanos trabalhando em 70 paises do mundo. A maioria trabalha em áreas carentes, como parte da ajuda externa de Cuba, mas alguns estão em áreas mais desenvolvidas e seu trabalho traz benefício financeiro para o governo cubano (por exemplo, subsídios de petróleo da Venezuela).

Todo visitante pode ver que Cuba continua distante de ser um país desenvolvido em infraestrutura básica, como estradas, moradias e saneamento. Ainda assim, os cubanos começam a enfrentar os mesmos problemas de saúde de países desenvolvidos, com taxas crescentes de doenças coronárias, obesidade e uma população que envelhece (11,7% dos cubanos tem 65 anos de idade ou mais).

O seu incomum sistema de saúde enfrenta estes problemas com estratégias que evoluiram da peculiar história política e econômica de Cuba, um sistema que — com médicos para todos, foco em prevenção e atenção à saúde comunitária — pode informar progresso também para outros países.




Publicado em originalmente em: The New England Jornal of Medicine

Publicado em português pelo site Pragmatismo Politico 




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