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quinta-feira, 25 de junho de 2020

Bolsonarismo vs. Nazismo. Há algo em comum?

Entre o cabo Hitler e o capitão Bolsonaro - Carta Maior



No fim da Segunda Guerra Mundial, quando a Alemanha estava prestes a cair nas mãos dos aliados, muitos generais e ministros da cúpula do partido Nacional Socialista encabeçado pelo Chanceler Adolf Hitler, começaram a planejar suas fugas. Talvez a tentativa mais desastrada, e por isso, mais emblemática, de buscar um acordo de paz para salvar a Alemanha de uma derrota já evidente, foi quando Rudolf Hess, um dos oficiais mais influentes do governo, voou para Escócia para negociar uma rendição honrosa com os ingleses. Óbvio que nesta tentativa desesperada Hess buscava sobretudo salvar sua própria pele, afinal tinha ciência que todos os crimes cometidos pelos nazistas seriam expostos tão logo fossem derrotados. 

Aqueles que permaneceram ao lado de Hitler até o fim já haviam, ao menos a grande maioria, planejado sua fuga para a América do Sul e EUA. Somente um núcleo bem restrito optou por permanecer ao lado de seu líder supremo até seu suicídio em 1945. Os mais fanáticos doutrinados pelo Fuhrer também tiraram suas próprias vidas, como Goebbels e Himmler e a “primeira dama” Eva Braun.

A questão é: todos sabiam que enfrentariam um tribunal internacional, e as chances de serem condenados eram grandes, levando em conta a gravidade inerente de seus crimes contra a humanidade. E todos, sem exceção, tinham plena ciência disso. Por isso, a principal estratégia de defesa deles foi tentar se desvencilhar da ideologia nazista, dizendo que estavam apenas cumprindo ordens e não eram coniventes com as ideias exóticas de seu líder. Fato é que durante os julgamentos de Nuremberg todos alegaram inocência e que foram vítimas da doutrinação nazista. Alguns conseguiram se livrar da condenação à morte, dentre eles o próprio Rudolf Hess, no entanto, 10 dos carrascos nazistas mais próximos de Hitler foram condenados à forca. 

A história, não tão longínqua, desses criminosos coniventes com o ideário inconsequente de um psicopata megalomaníaco pode nos trazer luz para a situação que vivemos hoje em nosso país. Há uma banalização do discurso de ódio sustentada por uma presumida liberdade de expressão, que, no entanto, burla as diretrizes legais contidas na nossa constituição de 1988.

Um grupo de políticos e apoiadores de um outro psicopata antidemocrático, desenvolveram uma retórica lunática de que estão sendo perseguidos por apoiar um político, e por isso estão vivendo uma ditadura do poder judiciário. Não percebem que estamos prestes a sofrer sanções internacionais devido à falta de compromisso do governo de Jair Bolsonaro com a democracia. Não percebem que, qualquer regime déspota, de relevância, que surgiu na idade contemporânea foram construídos nas periferias de sistemas presumidamente democrático, assim como o nazismo que se tornou exemplo onipresente nesse tipo de análise. 

Apoiar um político que convive sob o jugo da constituição que rege uma determinada república é legitimo, por outro lado, apoiar um político que defende abertamente – e devido a vigência de um sistema democrático –  a legalização de milícias e a prática da tortura, assim como pretende destruir as bases democráticas com as quais não consegue se harmonizar por falta de ética e sensatez, é dar guarida a criminosos sociopatas que ao fim do processo autodestrutivo que eles deram início, serão condenados ao lixo da história e seus seguidores viverão sob o anátema da opinião pública.

Quando vemos ministros fugindo do país, por medo de sofrer as consequências das diretrizes democráticas vigentes, com a ajuda do próprio governo, notamos que há uma briga entre o sistema democrático e o exercício do poder executivo, que vê riscos potenciais à sua continuidade.

O que se coloca agora ao fim dessa análise é que esses mafiosos que governam nosso país não se igualam aos carrascos nazistas citados acima, simplesmente pela falta de qualidade intelectual, afinal, não são capazes de teorizarem sua ideologia como um bloco plausivel de ideias, como foi o caso do próprio Adolf Hitler com o nazismo e Giovanni Gentile com o facismo italiano. Outra distinção histórica entre bolsonarismo e nazismo é o fato de contarmos hoje com uma maior transparência imposta pela tecnologia avançada, algo que não havia na década de 30 e 40. 


Se há algo de positivo nessa loucura toda é o fato de que nossa democracia apesar de machucada, se mostra viva e rígida e ainda é sustentada por uma série de freios e contrapesos que os poderes judiciais e legislativos ainda têm capacidade de exercer. No entanto, se até mesmo a maior democracia do mundo moderno foi abalada recentemente por fanáticos defensores de um déspota que invadiram o Capitólio em busca de deslegitimar um presidente eleito pelo voto popular, não sei se poderemos confiar na vitalidade de nossa jovem e cambaleante democracia por muito tempo. 
O que acham?



André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

terça-feira, 21 de abril de 2020

"Eu sou a constituição" Jair Bolsonaro


"Eu sou a constituição" 
Jair Bolsonaro 


Essa frase, que em breve aparecerá nos livros de História, mostra a total falta de conhecimento do presidente da república sobre o funcionamento do Estado, tampouco consegue entender a distinção entre a pessoa de Jair Bolsonaro e a instituição presidência da república. 

A inépcia deste sujeito pode causar um desalinhamento entre os poderes e uma deficiência na governabilidade. Essa situação é algo essencialmente ruim para o próprio chefe do executivo e, por conseguinte, para os brasileiros como um todo.



André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

sexta-feira, 10 de abril de 2020

A pior pandemia é a de desinformação: Não estávamos preparados para tantos imbecis agindo ao mesmo tempo

A dificuldade de se manter bem informado sobre Economia em tempos ...

Não estávamos preparados para tantos imbecis agindo ao mesmo tempo.

Vivemos uma pandemia real, outra virtual. Embora a pandemia real nos faça temer pela nossa vida ou pela de um ente querido, é a pandemia virtual propagada via memes nas redes sociais que vai nos abrir uma ferida enorme que pode levar à gangrenar as instituições democráticas de nosso país.

A estratégia é clara, espalhar fragmentos de uma notícia, declaração, ou texto de impacto recortando qualquer aresta que possa ser prejudicial a sua causa e viralizar essa informação de forma randômica, porém profissionalmente, através de uma equipe de falsários que já conhecemos popularmente como "Gabinete do ódio".


Quando o próprio presidente da república propaga por exemplo que Tedros Adhanom, Diretor Geral da OMS (Organização Mundial da Saúde) apoia sua solicitação de fim do isolamento social como combate a pandemia de COVID 19, reproduzindo uma frase de um discurso deste.


O que o presidente do Brasil não disse foi que na íntegra da fala de Tedros, não havia uma solicitação para que o isolamento social fosse reduzido, na verdade, ele ressalta a importância de medidas emergenciais dos governos para socorrer as populações mais necessitadas que serão os mais afetados nessa crise pandêmica.


Assim disse o Diretor Geral da OMS. Notamos que o presidente Jair Bolsonaro, ou algum de seus assessores sem escrúpulos retirou da fala de Tedros apenas o que lhe servia e omitiu o verdadeiro sentido da informação. O nome dessa estratégia é "Cherry picking" em inglês, em português também a conhecemos como "evidencia suprimida", não passa de uma falácia que tem como objetivo construir um argumento citando dados reais que parecem confirmar sua opinião ou sua informação, mas que não se sustentam mediante uma simples pesquisa no Google. 


Olhar Unificado: Poderíamos usar Isaías 28:13 como principio de ...
Essa mesma falácia é largamente utilizada por pastores evangélicos e gurus espirituais mundo afora. Veremos abaixo um compilado de trechos bíblicos que justificam o dízimo a ser pago pelos fiéis:


Esses trechos do antigo testamento são geralmente turbinados com outras passagens celebres do nova testamento como:


Por outro lado, temos trechos bíblicos que poderiam ser usados lindamente para justificar a poligamia:


O sacrifício de animais:


O Incesto


Ou seja, olhando para os trechos recortados acima notamos que um livro sagrado é necessariamente uma fonte inesgotável para a prática de “Cherry picking”.


Nas redes sociais vemos uma enxurrada de memes, informações distorcidas por ideologias políticas exacerbadas que se utilizam desta mesma estratégia de desinformação, um grande exemplo dessa viralização é propagada pelo perfil oficial da deputada federal Bia Kicís do PSL (Partido pelo qual Bolsonaro se elegeu presidente).

Um post de 10 de abril de 2020 diz que a UNICAMP, salienta que:



Post - Bia Kicis pagina oficial do Facebook
O trecho indica uma postura cautelosa e cientifica sobre o uso de uma medicamento que ainda não demonstrou resultados comprovadamente benéficos sobre o uso deste medicamento, no entanto, a deputada Bia Kicis no ápice de sua capacidade de supressão de evidências usa essa passagem da nota de uma universidade pública do estado de São Paulo para atacar o governado João Dória, seu maior adversário político no momento.

“Centenas de milhares de vidas sendo salvas pela ministração de Hidroxicloroquina, associada a Azitromicina + Zinco, mas a UNICAMP, que pela aparência é contra o "golpe", uma universidade do Estado de São Paulo, ou seja, "Doriana", diz que não há comprovação da eficácia dessa medicação. Ora bolas! Se o efeito é benéfico nos seres humanos, qual a necessidade de esperarmos pelos testes em camundongos?

Você prefere tomar a medicação que está salvando ou esperar que a "ciência" comprove sua eficácia? Parece que a "ciência" não lê jornais, não assiste a bons telejornais e nem navega nas ondas da internet. Se assim o fizesse, nos pouparia de presenciarmos cenas deploráveis."

Ou seja, é muito claro que a deputada populista posta uma informação verdadeira de uma declaração altamente cientifica, portanto, embasada em evidencias, tudo que se espera de uma instituição laica, para criar um post tendenciosamente politizado.

E se você ler os comentários de seus seguidores nota que a tal pandemia virtual a qual me referi no início deste texto já atinge várias pessoas adultas e demonstra total eficácia. Podemos notar os sinais do contágio quando lemos algo da estatura (baixa) disso:

“Opinião deles...foda se eles..vamos usar..se necessário...” 
(comentário extraído do facebook oficial da deputada Bia Kicis referente ao post acima)

Como se a declaração da universidade fosse baseada na opinião dos pesquisadores e não nos resultados das pesquisas. Além disso, notamos que o apoio ao presidente que de forma “achista” defende o uso de um medicamento ainda na fase de testes é amplificada através de hashtags do tipo “bolsonaraestavacerto” “premionobelparabolsonarro”.

Creio que a internet é uma maravilha tecnológica que nos ajuda a buscar informações precisas e mais replicáveis para que as mesmas informações sejam confrontadas com outras e assim, conseguirmos criar uma cultura de pesquisa e desenvolvimento da ciência que pode nos ajudar a combater graves crises sanitárias e  outras.

No entanto, agora parafraseando Umberto Eco, a constatação que fica é a de que não estávamos preparados para tantos imbecis agindo ao mesmo tempo. É um tipo de sincronia da morte, da morte da verdade, da ciência e do bom senso. Caso não consigamos controlar essa pandemia de desinformação, creio que tempos nublados nos assombrarão novamente.

Como já havia dito antes em outra postagem neste mesmo blog; no final, quem nos socorrerá das epidemias e das mazelas impostas pelo autoritarismo será a ciência através de seus erros e acertos amparada pela prudência e pelo bom senso. Sempre será assim, um eficaz cirurgião nunca é exaltado pelos anos de estudo e apuramento de sua técnica, quando salva a vida de um doente agonizante, no máximo como um instrumento de deus que através das orações alheias curou o doente. E assim caminha nossa pátria, sendo desfigurada pelo ódio que aos olhos de um guru espiritual é "amor", demonstrando a cegueira moral dessa nação controlada por imbecis virais diante das telas de seus computadores de última geração.


Pesquisa:





André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.



terça-feira, 20 de agosto de 2019

Witzel foi quem mais lucrou com o sequestro do ônibus 2520 no Rio.



Sobre o sequestro do ônibus 2520 no Rio de janeiro, tudo que vimos até o momento foi uma excelente ação coordenada da polícia carioca. Primeiro abriu-se uma negociação com o sequestrador e durante esse processo alguns reféns foram libertados sem dano algum aparente. Depois em uma outra etapa da operação o bandido foi abatido por um tiro certeiro de um sniper do BOPE. Levando em conta o risco aparente que as 37 pessoas sequestradas estavam correndo, afinal até então sabia-se que o criminoso estava armado de uma pistola- que depois foi confirmada ser de brinquedo – um taser e ainda portava garrafas com gasolina o que poderia causar um incêndio no ônibus cheio de reféns. Ou seja, a estratégia e precisão das equipes da polícia levou a um desfecho vitorioso levando em conta que o sequestrador foi abatido e os reféns foram libertados sem nenhum ilesos.

Tudo que posso dizer sobre essa operação é que a polícia do Rio está de parabéns pelo excelente trabalho realizado. Mas infelizmente a ação política do governador chegando ao local de helicóptero comemorando a ação como se estivesse em um estádio de futebol foi um ponto negativo neste processo. Uma figura patética e inconsequente tirando uma casquinha da ação bem-sucedida da polícia. A figura patética de Wilson Witzel infelizmente foi quem mais lucrou com essa ação, eleitoralmente ele está sendo retratado como um herói, levando em conta que ele defende o uso de snipers para combater os criminosos no Rio. Ou seja, não seria exagero pensar que Witzel esperava ansiosamente por esse momento, um evento midiático que de alguma forma confirmasse seu discurso, e que fortalece seu argumento do uso da força.
A figura patética comemorando o desfecho da operação policial mostra nitidamente um político que tem um ganho eleitoral avassalador com toda essa situação crítica.

Sobre o sequestro do ônibus 2520 no Rio de janeiro, tudo que vimos até o momento foi uma excelente ação coordenada da polícia carioca. Primeiro abriu-se uma negociação com o sequestrador e durante esse processo alguns reféns foram libertados sem dano algum aparente. Depois em uma outra etapa da operação o bandido foi abatido por um tiro certeiro de um sniper do BOPE. Levando em conta o risco aparente que as 37 pessoas sequestradas estavam correndo, afinal até então sabia-se que o criminoso estava armado de uma pistola- que depois foi confirmada ser de brinquedo – um taser e ainda portava garrafas com gasolina o que poderia causar um incêndio no ônibus cheio de reféns. 

Ou seja, a estratégia e precisão das equipes da polícia levou a um desfecho vitorioso levando em conta que o sequestrador foi abatido e os reféns foram libertados sem nenhum ilesos.

Tudo que posso dizer sobre essa operação é que a polícia do Rio está de parabéns pelo excelente trabalho realizado. Mas infelizmente a ação política do governador chegando ao local de helicóptero comemorando a ação como se estivesse em um estádio de futebol foi um ponto negativo neste processo. Uma figura patética e inconsequente tirando uma casquinha da ação bem-sucedida da polícia. A figura patética de Wilson Witzel infelizmente foi quem mais lucrou com essa ação, eleitoralmente ele está sendo retratado como um herói, levando em conta que ele defende o uso de snipers para combater os criminosos no Rio. Ou seja, não seria exagero pensar que Witzel esperava ansiosamente por esse momento, um evento midiático que de alguma forma confirmasse seu discurso, e que fortalece seu argumento do uso da força.

A figura patética comemorando o desfecho da operação policial mostra nitidamente um político que tem um ganho eleitoral avassalador com toda essa situação crítica.


André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital. 

sábado, 4 de julho de 2015

A mania de perseguição dos cristãos:

O arquetípico martírio cristão e sua ressonância na atual política brasileira e estadunidense.




Os cristãos norte americanos e brasileiros - e talvez de todo o mundo ocidental - parecem estar sofrendo da "Síndrome do Judeu perseguido". O senador republicano Ted Cruz disse, "Não há mais espaço para cristão no partido republicano atual" - não irei abordar a questão nesse momento mas é sabido que esse partido representa a direita conservadora americana formada basicamente por cristãos protestantes e brancos. O ex- governador do estado do Arkansas, Mike Huckabee foi ainda mais longe ao declarar que "estamos nos movendo rapidamente para a criminalização do cristianismo" - é também importante lembrar que Arkansas é um estado localizado no que hoje se convencionou chamar de "Bible Belt" (cinturão da bíblia), pelo fato de haver uma alta concentração de cristãos conservadores nessa região". O apresentador da Fox News Bill O'Reilly, conhecido pelo seu conservadorismo, foi muito mais dramático que seus colegas ao dizer que "se você é cristão ou um homem branco nos Estados Unidos, está aberta a estação da caça contra você."
Quem persegue os cristãos na América?
David McNew/Getty Images
Estamos falando dos Estados Unidos da America, uma nação onde 73% de sua população se declara cristã. A pergunta é: quem está perseguindo os cristãos na America? Agora ultrapassando a linha do equador e chegando aos trópicos vamos notar que um fenômeno semelhante ocorre por essas terras. Pastores evangélicos comprovadamente charlatões e/ou simplesmente ignorantes, se utilizam desse discurso persecutório para incutir nas pessoas o quanto é difícil ser cristão nesse país. E os católicos que contam com mais de 60% da população não ficam atrás. Padres e entidade dessa corrente religiosa estão usando largamente as redes sociais para descreverem o como sofrem por professarem sua crença em público. Mais de 85% da população brasileira se declara cristã. Quem está perseguindo esses 166 milhões de pessoas? Os homossexuais? Segundo pesquisa realizada em 2009 a capital com maior concentração de homossexuais do Brasil é o Rio de Janeiro com cerca de 19% da população, outras fontes indicam que há no Brasil um número estimado de 18 milhões de homossexuais ou seja, menos de 10% da população brasileira se declara homossexual. Seriam os ateus que perseguem os cristãos? Apesar de ter ocorrido um aumento no número de não-religiosos, aqueles que se declaram ateus constituem um número pífio de 615 mil pessoas. Seriam os praticantes de religiões afro brasileira os perseguidores dos cristãos modernos? Apenas 0,34% da população brasileira se declara praticante destes cultos.

Creio que esses poucos dados citados acima podem nos dar uma ideia de quem de fato são as minorias desse país. E não é difícil notar que são minorias como essas que sofrem perseguição, por parte daqueles que defendem a moral e os bons costumes. Óbvio que todas essas estatísticas podem estar erradas. O número de cristãos que realmente professam e seguem a fé cristã deve ser bem menor, enquanto o número de pessoas que não tem religião ou de ateus pode ser bem maior do que mostram os gráficos. No entanto essa constatação é ainda uma forte evidência da perseguição sofrida por essas correntes em meio a uma sociedade tradicionalmente cristã. Quantas vezes um ateu ou um macumbeiro preferiu se declarar cristão para não sofrer nenhum preconceito por parte de seus vizinhos ou até mesmo de seus próprios familiares?
O Mito fundador do cristianismo
A Última Prece dos 
Mártires Cristãos
por Jean-Léon Gérôme, 1883.
Não sei como ser mais explícito ao demonstrar quem são as presas e quem são os caçadores. Mas podemos identificar a origem dessa falácia da perseguição propagada pelos cristãos fundamentalistas do ocidente. Basta considerar a necessidade de uma religião se embasar em um mito fundador. Esse mito que fundamenta toda a razão de ser de uma religião deve ser passado através das gerações inalterável pois é esse o elemento que justifica suas práticas. Os judeus por exemplo se utilizam de um longo histórico de perseguição que vem desde a hollywoodiana fuga do Egito - evento fundador do seu discurso persecutório - até os dias de hoje, e mesmo quando são eles os opressores, suas ações são justificadas por esse mito fundador. A moderna Israel é a terra prometida a eles por deus, mesmo que antes houvesse ali uma sociedade já constituída de palestinos que viviam em relativa paz com seus vizinhos judeus. Não é diferente com a religião de Cristo, um judeu messiânico que pregava o perdão até mesmo às adúlteras e às prostitutas e causou assim um mal estar nas autoridades politicas e religiosas de seu tempo. Mateus concretiza o discurso persecutório dos cristãos quando diz: "E, por causa do meu Nome, sereis odiados de todos. Contudo, aquele que permanecer firme até o fim será salvo"(MATEUS 10:22). 
Cristo foi condenado a morte e martirizado depois que uma multidão preferiu libertar um ladrão em seu lugar. Depois disso sabemos que os romanos temendo uma sublevação contra seu paganismo conveniente, começou a jogar esses cultuadores de Cristo para serem devorados por leões famintos no Coliseu. E o mito fundador do discurso persecutório do cristão foi então concretizado. O cristianismo foi então construído dentro dessa figura arquetípica do cristão perseguido pelas forças opressoras dos maléficos imperadores que tiranicamente e diabolicamente tentavam destruir sua fé. Até mesmo quando o cristianismo se tornou a norma, esse mito fundador serviu como justificativa para seus atos igualmente tiranos - mas não vamos entrar nesse mérito agora.

Os Cristãos e o poder.

Luis Macedo/Câmara dos Deputados
Portanto creio que os cristãos atuais não fazem mais do que permanecerem conectados a essa visão arquetípica do martírio de Cristo, enquanto claramente desfrutam de uma influência massiva na politica e nos meios de comunicação dessas "potencias ocidentais". Basta notar que nos Estados Unidos o atual presidente Barack Obama - que é democrata - tem muita dificuldade de aprovar suas medidas mais inovadoras e liberais, pois os republicanos têm maioria na câmara. Enquanto no Brasil vemos um crescimento sugestivo - e preocupante - da Bancada Evangélica. Essa denominação formada por líderes religiosos se fosse um partido seria o 3º maior partido do Congresso, além de terem a presidência da Câmara - Eduardo Cunha. Esse domínio crescente está influenciando até mesmo os deputados católicos que teoricamente formariam a maioria do congresso nacional. Portanto, caros cristãos vocês ainda estão no poder. Entendo que necessitam parecer uma minoria perseguida como foi o caso de seus antepassados nas arenas romanas, e talvez, até sonhem com o martírio na Índia ou na Líbia, mas aqui nas terras frutiferas do novo mundo vocês ainda são os que perseguem.

Fontes:


André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

sábado, 14 de março de 2015

Impeachment pôr que?

A situação politica está tão polarizada que se você publicamente critica os potenciais manifestantes de amanhã (dia 15 de Março) você automaticamente é tachado de apoiador do governo...acho legal que se faça essa manifestação, afinal devemos sempre quando possível ou for necessário usar nosso direito constitucional para manifestar nosso descontentamento em relação a politica praticada nesse país. Não sou conivente com o governo atual,que mente descaradamente e manipula os índices tentando nos fazer acreditar que o brasil está ileso nesse cenário, e tenta socializar uma crise  que grande parte foi gerada por incompetência e negligencia politica. Mas vocês vão pedir o Impeachment para que o Michel Temer subir ao poder? Ou acham que é o Aécio que recebe a faixa diretamente? Ou talvez estejam tramando um golpe propriamente dito negando a constituição...Impeachment nessa ocasião é uma medida talvez mais incompetente  do que a própria medida do governo de colocar a Presidente da República em rede nacional para dizer a população que eles devem cortar gastos e que o próprio governo nada em uma quantia exorbitante de dinheiro público que não gera retorno ao bem estar social. Saibam que esse país não vai sair dessa crise enquanto tiver o mesmo sistema politico, portanto, creio que  antes de mudar o presidente, o que não seria assim tão difícil, deveríamos mudar esse sistema viciado em que estamos inseridos...se você acredita que a salvação do Brasil é o Aécio Neves, seu raciocínio está comparativamente muito próximo do de uma criança birrenta que perdeu uma partida de vídeo game. Agora se acha que é um regime militar que vai nos salvar, você simplesmente está doente e precisa tratar sua baixa auto estima e sua ignorância política.


André Stanley alcunha de André Luiz Ribeiro é professor e escritor; autor do livro “O Cadáver” (Editora Multifoco – 2013); presidiu o Centro acadêmico do curso de História no UNIFEG em 2007, é membro efetivo da Asso. Dos Historiadores e pesquisadores dos Sertões do Jacuhy desde 2004. Atua hoje como professor e pesquisador de História Cultural. Também leciona língua inglesa, idioma que domina desde a adolescência, Escreve para o Blog do André Stanley, sobre assuntos diversos.

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