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terça-feira, 5 de novembro de 2013

Como encarar a prática do Halloween.

Alunos de escola de inglês fazendo atividade relacionada ao Halloween.

Publicado Originalmente no Jornal Correio Sudoeste de Guaxupé no dia 26 de Setembro de 2013. 


De uma festa pagã comemorada basicamente nas ilhas britânicas, em especial na Irlanda, o “Halloween” se tornou no século XX uma festa comum em todo o mundo, ou pelo menos nos países que se abriram para o que se chama comumente de “ocidentalização” da cultura.

Os Europeus mais românticos podem atribuir as comemorações de “Halloween” como sendo proveniente de suas origens pagãs, e até certo ponto assim o é, para os camponeses nas vilas mais remotas da Europa que ainda acendem uma vela no dia 31 de outubro para espantar os maus espíritos. No entanto, o “Halloween” praticado nos grandes centros urbanos europeus hoje possui os mesmos elementos que se originaram na América do Norte, como as brincadeiras infantis de “Trick or Treat”( gostosuras ou travessuras) e as abóboras sorridentes. 

Não se sabe porquê em Portugal não é utilizado o termo “Halloween” sendo esta festa conhecida, assim como fora no Brasil, por Dia das Bruxas. No entanto, o termo Halloween já hoje em dia largamente utilizado Brasil afora. 


Como podemos notar a indústria cultural norte-americana criou um padrão comum para as comemorações do “Halloween” em âmbito mundial. 

A prática do “Halloween” no Brasil está vinculada diretamente à iniciativa dos cursos de língua inglesa em familiarizar os alunos brasileiros com a cultura e as tradições que envolvem o idioma em estudo. Portanto, o “Halloween” foi introduzido no país como atividade pedagógica complementar nesses tipos de escola. Uma espécie de imersão cultural.


De forma geral, esta prática só é evidente nas escolas particulares de idiomas, mas pode ser observada com uma frequência cada vez maior também no ensino público através da iniciativa de professores de inglês. 

Por outro lado, o “Halloween” sofre grande pressão de tendências nacionalistas dos alunos que já buscam criar uma opinião própria ou simplesmente queiram tumultuar a aula. No entanto, a maior incidência de casos de resistência ao “Halloween” ocorre por parte de pais evangélicos. Há casos de pais protestantes que proíbem os filhos de participarem das comemorações de “Halloween” organizados pelos professores.

A comemoração do “Halloween” em uma cidade como Guaxupé por exemplo, no interior de Minas Gerais, é parte de um processo que envolve uma série de indagações que nos leva a ter que analisar uma série de terminologias que estão muito em voga na nossa sociedade atual, como globalização, imperialismo, multiculturalismo, dentre outras. Que tipo de evidências as manifestações relatadas acima nos traz? Octavio Ianni nos mostra que: 

“Na maioria dos países da América Latina, o conteúdo dos meios de comunicação em massa, isto é da indústria cultural, é amplamente produzido nos Estados Unidos ou influenciados pelos programas, agências e empresas de origem norte-americana”

Ou seja, as nações imperialistas, se utilizam de meios diversos para expandir sua cultura nos países periféricos, e foram estes meios que nos trouxeram a comemoração do “Halloween” que de alguma forma nos dá uma sensação de modernidade enquanto nossas culturas populares cada vez mais assumem um papel secundário. Será essa uma evidência da “sociedade global” que se constrói a nosso redor? 

O que parece um tanto desfocado e até mesmo um tanto anacrônico é a cruzada “Anti-Halloween” levada a cabo por políticos nacionalistas. Aldo Rebelo do PC do B propôs em 2004 a instituição do “Dia do Saci” no Brasil, a ser comemorada no dia 31 de outubro (dia do Halloween – justamente como contraponto à essa comemoração). Atitude que se analisada dentro do âmbito do processo de globalização em que o mundo chegou hoje, chega ser no mínimo ingênua.


Não creio que podemos combater uma prática cultural globalizada através de um simples decreto. Tentar barrar a globalização é como tentar tapar a nascente de um rio com as mãos. 

Manifestações como estas abordadas acima quase sempre de cunho nacionalista ou regionalista, muitas vezes pecam pela falta de critérios críticos na abordagem do “Halloween” como prática cultural. O “Halloween” é tido pelos adeptos de um nacionalismo exacerbado, como sendo uma imposição do imperialismo norte-americano, o que a meu ver parece uma afirmação inegável.



O que me parece um tanto forçado, no entanto, é demonizar uma manifestação cultural milenar taxando-a como protagonista da destruição das culturas regionais, o que para tal é necessário que se esqueça de todo o processo histórico que a formou, deixando como fundamento crítico apenas os aspectos desta manifestação que surgiram já em um mundo globalizado. 

Como se o “Halloween” tivesse surgido em nossos tempos. Não vejo problema em ver nossas crianças comemorarem o “Halloween”. O que me preocupa é a falta de uma abordagem crítica do processo que tornou essa prática tão popular por aqui.


André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

domingo, 25 de agosto de 2013

Crianças Assassinas – Dois casos de psicopatia infantil







Casos de crianças assassinas são raros e por isso quando nos deparamos com um no noticiário, isso parece muito mais absurdo do que realmente é. A polícia paulista está convicta que um garoto de 13 anos foi o responsável por uma chacina familiar de proporções únicas. Mas o caso Pesseghini pode reabrir a discutição da possibilidade da psicopatia infantil. Eu, desde o primeiro momento, sempre achei improvável que um garoto de 13 anos pudesse ser o protagonista de tal feito, matar pai e mãe e ainda duas tias avós. No entanto, apesar de improvável não pode ser tido como impossível. Casos de crianças homicidas ocorrem vez por outra em todos os cantos do mundo. Creio que a psicopatia é uma condição difícil de detectar, ainda mais quando o indivíduo é jovem demais para que possamos descartar qualquer eventual rebeldia adolescente que possa estar em vigor no psiquismo de uma pessoa.Vamos estudar dois casos emblemáticos de crianças psicopatas que podem nos dar uma ideia sobre como funciona o psiquismo de uma criança.

O Caso Beth Thomas




Lembro que um dia, pelas minhas navegadas na internet, me deparei com um documentário americano que sem dúvida pode perfeitamente ilustrar essa ideia de que uma criança pode sim, desenvolver uma psicopatia em sua mais sublime infância. “Crianças são seres inocentes sem preconceitos”, esse jargão foi por muito tempo utilizado por vários profissionais pedagogos ou psicólogos de diversos ramos do saber até que se tornou um lugar comum na cultura popular. Mas, a criança assim como o adulto é produto de sua condição neuropsíquica somada ao meio em que vive e se desenvolve.

O documentário em questão conta a trajetória de uma bela garotinha de olhos azuis chamada Beth Thomas. Para uma pessoa que não domina o inglês e assiste o documentário sem legendas, soaria como um vídeo caseiro de uma doce criancinha americana dizendo coisas banais. O diferencial está exatamente no vocabulário aguçado da menina e na série de perguntas feitas pelo homem que a entrevista. O documentário foi feito com vídeos gravados pelo terapeuta Ken Magid.

Magid questiona a pobre garotinha sobre uma faca que havia sumido. “– uma grande e pontuda?” – diz a menina.

- o que você ia fazer com a faca, Beth? – pergunta então o terapeuta sem demonstrar qualquer tipo de alteração de humor.


"Matar o John – seu irmãozinho ainda um bebê – mamãe e papai. Diz a garota também fria e detalhista. Quando o documentário foi exibido na televisão americana em 1989, muitos profissionais que trabalhavam com crianças vítimas de abusos criticaram a HBO – produtora do documentário – por estar fazendo sensacionalismo com o assunto.


O documentário mostra ainda um resumo dos fatos envolvendo a criança. Beth Thomas perdeu sua mãe quando era bebê.  Foi deixada sob os cuidados de uma instituição para adoção juntamente com seu irmão mais novo. Ambos foram adotados por um casal que não podia ter filhos. As duas crianças aparentemente saudáveis receberam todo carinho necessário para proporcionar um relacionamento normal entre pais e filhos, mas o que o casal não esperava era enfrentar situações impensáveis que chegaram ao extremo de estarem sob risco de vida por conta do comportamento da filha adotiva.


Diariamente Beth era pega manipulando sua genitália.
E as masturbações ocorriam até mesmo em locais
públicos o que causava grandes transtornos aos pais.



Segundo a mãe adotiva, Beth tinha um comportamento muito incomum para uma criança de 6 anos. Diariamente Beth era pega manipulando sua genitália. E as masturbações ocorriam até mesmo em locais públicos o que causava grandes transtornos aos pais. Beth molestava seu irmão sexualmente, beliscando seu pênis e uma vez foi pega pela mãe, que segundo a própria filha havia puxado o pênis do irmão e enfiado o dedo em seu anus. O pai adotivo de Beth conta a respeito de um sonho ruim onde ela relatava que um homem caia nela e a machucava com uma parte dele próprio. O terapeuta pede a Beth que desenhe para ele o sonho que tinha com seu pari verdadeiro. Beth fez desenhos aterradores onde seu pai a violentava até que ela sangrasse. Dois meses depois da adoção descobriram que a mãe de Beth morrerá quando ela tinha 1 ano de idade e que o pai biológico havia abusado sexualmente de ambos os bebes. Isso com certeza havia causado danos emocionais severos nas crianças.




Agora vivia feliz e respeitava
todos seus familiares

e também seus animais de

estimação que

outrora eram visto por ela

como brinquedos

cujo objetivo eram ser mortos

em suas mãozinhas de criança.



Procuraram ajuda da terapeuta Connell Watkins, que diagnosticou a garota como tendo RAD – sigla em inglês para Desordem de Apego Reativa. É um transtorno mental onde o individuo é incapaz de formar juízo de valores. RAD, portanto é um termo técnico utilizado para não rotular uma criança dcomo psicopata, no entanto, nada mais é do que uma psicopatia infantil. A Situação era tão desesperadora que a terapeuta tirou Beth da casa dos pais e a levou para sua própria casa para tratá-la. Atkins tinha em seu currículo alguns casos de sucesso na reversão do comportamento inadequado de crianças. Incluindo crianças de 9 anos de idade que cometeram assassinato. O documentário mostra a recuperação de Beth, que passou a se comportar como qualquer criança de sua idade. Começa a frequentar a igreja de sua comunidade, e até mesmo a cantar no coral. Agora vivia feliz e respeitava todos seus familiares e também seus animais de estimação que outrora eram visto por ela como brinquedos cujo objetivo eram ser mortos em suas mãozinhas de criança.


O documentário que foi ao ar pela HBO em 1990 termina mostrando o progresso de Beth. E parece que a terapia pela qual foi submetida realmente foi bem sucedida, pois Beth Thomas acabou se tornando uma mulher emocionalmente sociável e fazendo uma pesquisa rápida pela internet foi possível descobrir que ela se formou em enfermagem e atua na área de saúde desde então. Beth foi adotada uma segunda vez por uma terapeuta que atuava na clinica de Atkins. Beth e sua mãe adotiva Nancy Thomas abriram uma clinica para cuidar de crianças que sofriam com distúrbios iguais aos de Beth, que lançou o livro Dandelion on My Pillow, Butcher Knife Beneath (Dente de leão no travesseiro, Faca de açougueiro debaixo).






Um desfecho trágico ainda ligado à algumas personagens dessa história viria a acontecer em 2000 quando uma garota de 10 anos foi morta durante um procedimento terapêutico aplicado na clinica de Connell Atkins chamado “Rebirthing” – renascimento – que consistia em enrolar uma criança em um cobertor para que ela pudesse reviver um novo nascimento e o cobertor representava o útero materno. Apesar dos pedidos desesperados da garoa pare que parecem com aquilo, pois não conseguia respirar, os terapeutas continuaram o procedimento. Candace Newmaker de 10 anos morreu no dia seguinte no hospital. Connel Atkins foi condenada por homicídio assim como as terapeutas que trabalhavam nesse procedimento e os pais adotivos da garota Candice Newmaker que segundo a autópsia morreu sufocada. O caso Newmaker gerou comoção nacional e foi responsável pela criação da “Candace Law” – lei Candice – contra as terapias com crianças supostamente com distúrbios de apego.


O caso Mary Bel

Mary Bell - A homicida mais jovem da história

Outro caso pode ajudar a ilustras melhor o perfil psicológico de uma criança abusada sexualmente. Em 1968 dois garotos foram mortos de forma brutal em New Castle na Inglaterra. Houve uma diferença de dois meses entre a ocorrência de cada um dos homicídios, levando a crer que se tratava do mesmo assassino. Na verdade, foi descoberto para espanto de todos, que se tratava de uma assassina. Mary Bell uma garota de 11 anos que morava em um bairro pobre de New Castle, próximo de onde os assassinatos ocorreram.


Norma Bell - amiga e co-autora
do assassinato de Brian Howe
Mary Bell foi em sua época a mais jovem homicida da história. Ela ainda não havia completado 11 anos de idade quando estrangulou Martin Brown até a morte. Ele era um garoto de 4 anos de sua vizinhança. Dois meses depois com ajuda de sua amiga Norma Bell – que apesar do nome não tinha nenhum parentesco – levaram um garoto de 3 anos de nome Brian Howe para um terreno baldio e também o estrangulou até a morte, além disso ainda usou uma tesoura para marcar as pernas do garoto e fazer uma letra “M” em seu abdome. Não foi difícil para a policia chegar a Mary Bell. Filha de Betty McCrickett, uma prostituta que tinha reputação de praticar sadomasoquismo com seus clientes, e deixava Mary na rua enquanto os atendia em casa. Isso quando não se utilizava da própria filha para prática de seus joguinhos eróticos. Segundo consta Mary foi sexualmente abusada com uma certa freqüência dos 4 aos 8 anos.

Martin Brown de 4 anos - primeira vítima de Bell

O comportamento da garota Mary Bell já era conhecido. Antes dos assassinatos houveram vários casos de crianças que relataram ter sido atacadas por Mary que tentara estrangulá-las. Mary tinha personalidade forte e dominadora. No dia de seu aniversário de 11 anos um dia depois que havia assassinado o garoto Martin Brown, tentou estrangular uma amiga de escola, que se não fosse a intervenção do pai da garota atacada, que a tirou as bofetadas algo pior teria acontecido.


Brian Howe de 3 anos assassinado
por Mary Bell com ajuda de sua amiga Norma Bell


Mary havia desenvolvido um comportamento bem sádico e segundo consta, foi até a casa de Martin Brown dias depois de tê-lo matado e pediu a sua mãe para vê-lo. A mãe de Martin disse que o menino estava morto e Mary disse: “Eu seu que ele está morto, só queria ver ele no caixão”.

Mary e sua amiga Norma cometeram atos de vandalismo em uma creche deixando recados anotados em folhas de cadernos que diziam:



“I murder so THAT I may come back” 
"Eu mato para que eu possa voltar."


“fuck off we murder watch out Fanny and Faggot” 

“Foda-se nós matamos cuidado fanny e Faggot”

“we did murder Martain brown Fuck of you Bastard” 

“Nós realmente matamos Martin Brown foda-se seus bastardos”






Uma das mensagens recolhidas
pela policia


Esses dizeres revelam a personalidade conflitante de uma criança perturbada. Mary foi condenada em 17 de dezembro de 1968 depois de dias de julgamento. Devido a exclusividade do caso, ele teve comoção mundial e especificamente na Inglaterra foi um divisor de águas na legislação do país. Nunca tiveram que condenar alguém tão jovem por duplo infanticídio. Mary cumpriu 12 anos de sua sentença e passou por várias terapias e avaliações psicológicas. Em 1977 Mary Bell fugiu do presídio e, segundo ela, perdeu sua virgindade. Foi recapturada logo em seguida. Em 1980 ela foi liberada. Tinha então 23 anos e um novo nome, pois tinha a proteção da lei para ficar no anonimato e manter sua integridade. Os familiares das vitimas vem lutando desde então para que a justiça revogue essa decisão. Tal lei batizada de “Ordem Mary Bell” por conta da própria da proteção e anonimato a todas a crianças envolvidas em procedimentos legais.


Mary Bell foi entrevistada em 2007 pela jornalista Gitta Sereny que resultou no livro “Gritos no vazio”. Sabe-se que o dinheiro rendeu um bom dinheiro para Bell o que gera muita controvérsia na sociedade britânica, principalmente entre os familiares das vítimas.


Bell logo após ser recapturada pela policia
1977
Esses dois casos ilustram algo que sempre vem sendo razão de discussão entre psicólogos de todos os setores. Será a psicopatia uma predisposição genética? Ou ela surge no contexto familiar e social do individuo? Temos aqui dois casos de psicopatia na infância que até o presente momento parece ter sido revertidas com sucesso na vida adulta dos individuos que as portava. Tanto Beth Thomas quanto Mary Bell – segundo consta – se tornaram adultos emocionalmente saudáveis depois da intervenção terapêutica. A questão é, essas duas mulheres estão vivendo suas vidas tendo que domar seus instintos assassinos todo santo dia, ou elas realmente desenvolveram valores éticos e morais que as tornam seres sociáveis? Todos os psicopatas se tratados na infância podem reverter sua psicopatia? Acho que terminei os artigos com muito mais perguntas do que respostas, mas creio que são as perguntas certas que nos levam a algum lugar.





Assista documentário sobre o caso Mary Bell: https://www.youtube.com/watch?v=moFhGzE_xRI
Assista o documentário sobre Beth Thomas: https://www.youtube.com/watch?v=g2-Re_Fl_L4


Fontes:


André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

A nova idade da pedra: Por Bill Maher

Incentivo econômico para legalizar a maconha e a falha na guerra contra as drogas produziu um mar de mudanças na America que veio para ficar.


Este é um novo mundo maconheiro. Até bem recentemente, mesmo um ano atrás, eu não teria adivinhado que estaríamos onde estamos agora – com 18 estados legalizando a maconha para fins medicinais, de acordo com uma pesquisa recente, uma porcentagem crescente de 85 por cento de pessoas apoiam o uso medicinal da planta. Para todo nosso rancor político, isto se é fato, algo que ultimamente nos une é o baseado. A maconha é uma das poucas coisa que tanto os caipiras quanto os hippies gostam. Rapers fumam maconha, e artistas do interior também fumam. Tem tanta maconha no ônibus da turnê do Willie Nelson quanto no ônibus do Snoop Dogg. A maconha está unindo a divisão do azul e do vermelho e transformando em roxo. 

Para aqueles que temem que nos tornemos uma nação que senta no sofá comendo Cheetos o dia todo, relaxa. Fumar maconha não é o mesmo que preguiça. A maconha era algo que eu sempre pude justificar porque ela excita o meu cérebro. Algumas pessoas a usam para dormir, outras ela deixa paranoico. Alguns ela deixa criativo, e nós somos os sortudos, porque se ela fez algum dano em nós, ao menos temos a receita. Eu tenho um monte de boas idéias por conta da maconha. Incluindo fumar mais maconha.

Legalização é um daqueles assuntos, como o casamento gay, que deixa o pessoal do “saquinho de chá” - possível referencia ao "Tea Party" - doidos. Aquela imagem em preto e branco do seriado de TV “Leave It the Beaver” que Mitt Romney se encaixa tão bem está saindo de cena. Bill Clinton disse certa vez “Se você olhar para trás, no anos 60 e achar que tinha mais coisas legais do que danosas, você é provavelmente um democrata. Se você achar que tinha mais danos do que coisas boas, você é provavelmente um republicano.” Bem, para aquelas pessoas que adoram os anos 50, o baseado desempenhou um papel muito importante na revolução cultural que eles detestam.

Os republicanos sempre foram uma aliança complicada de um estranho Jesus, aficionados por armas, moradores de subúrbios obesos e super ricos, mas o que os cega é essa ideia de que a vida era perfeita na Appleton de 1958. Tão logo o presidente Obama foi eleito, esse visual do cara negro que gostava de fumar maconha caminhando pela casa branca era demais. Sempre que você ouve eles dizer: “Eu quero meu país de volta” – de quem ou do que? Por acaso fomos invadidos pelos negronianos? Eles podem querer ele de volta, mas aquela America já se foi para sempre.

Claro que há um grande incentivo econômico para legalizar a maconha. Mais de uma década atrás, havia um condado na Georgia onde as pessoas demitiram seu xerife porque ele estava destruindo os plantadores de maconha. A safra era sua alma, então eles se livravam dos valentões e elogiaram outro xerife que se comprometera em atender suas necessidades. Esse é o tipo de mudança que está acontecendo na America nesse momento. Se 40 anos de falhas na guerra contra as drogas nos ensinaram algo, é que a clientela é muito vasta forte e leal. Como em tudo nesse mundo, o dinheiro fala mais alto. E dinheiro está ai para ser ganho. Não há volta. Atingimos o ponto mais agudo da questão, a marijuana legalizada veio para ficar - é apenas uma questão de quão rápido isso irá acontecer por todo o país. 



Este artigo é da edição da revista Rolling Stone de 20 de junho de 2013, traduzido por André Stanley.

June 10, 2013 6:00 AM ET


Read in English: HERE

domingo, 28 de julho de 2013

Duetos com Fidel.





Uma adolescente, que acabava de inaugurar seu primeiro tampax, 13 anos recém completados mas com corpinho de 18. Classe média alta, nariz empinado e um short jeans por demais curto. Em sua blusa extremamente cavada, nota-se a estampa de um imponente homem barbado de boina militar. Lorraine igualmente loira e adolescente de borbulhantes hormônios passa pela garota, gosta da camiseta e diz a si mesma: “Não sei, mas parece que já vi aquela figura em algum lugar... se eu achar uma dessas na cor vinho eu compro, parece ser de uma boa grife.” 

Lorraine, num domingo qualquer vai ao estádio com o namorado assistir Cruzeiro e Atlético – clássico do futebol mineiro – É atleticana roxa, afinal se não fosse não teria namorado. Este é apaixonado desde criancinha pelo time alvinegro. Na torcida adversária a garota nota que uma bandeira enorme estampa o rosto de um cara barbado de boina militar: “Parece que já vi aquela imagem em algum lugar” – diz a garota para si própria. Continua assistindo ao jogo, ao lado do namorado que berra como uma seriema com prisão de ventre. Quando o Cruzeiro marca 1 a 0. Tristeza total. “Meu Deus, tomara que o galo ao menos empate, ou então não vou aguentar a choradeira do meu amor” – pensa consigo a preocupada Lorraine. 

“Já sei! Aquela bandeira tem a mesma figura que vi estampada na blusa daquela menina... a vadia era cruzeirense, como pude achar aquilo bonito, é a figura mais feia que já vi” – julga -se  em pensamento.

Lorraine chega um dia à escola e vê um professor de história com uma camiseta com a mesma imagem do cara barbudo de boina militar, professor que aliás, será seu professor de história no próximo ano. 

“Professor Ricardo, eu nunca pensei que ele fosse cruzeirense, por que usa aquela camisa?” Pensa a decepcionada Lorraine. Dias depois sentada na cantina com as amigas, Lorraine repara no decote da bela blusinha verde limão da companheira de lanche e sua colega de sala, se conheceram no inicio daquele ano letivo. “Belo decote Mercedes, aparece quase metade dos seios, em mim ficaria um arraso afinal meus seios são muito maiores” – Pensa uma prepotente Lorraine de seios fartos. 

Mas enquanto apreciava e invejava o decote da amiga, algo de súbito lhe tira a concentração. Um colar simples - na verdade um cordão desses que os estudantes de humanas costumam vender na feira livre - e um pingente bem discreto com um rosto que lhe parece familiar, um cara barbudo com boina de soldado. Lá das profundezas de sua garganta suas cordas vocais quase instantaneamente, talvez antes mesmo de perceber atentamente a figura, desfere em um só golpe tal pergunta adormecida em mente juvenil: 

- Mercedes! Onde comprou esse colar? Não sabia que era cruzeirense! 

- Cruzeirense... eu? Respondeu sua amiga intrigada. 

- De maneira alguma, nem de futebol eu gosto, mas se quer saber onde arranjei esse colar, você não vai acreditar. O Roberto deu pra mim – respondeu Mercedes. 

-Vocês não tão ficando, estão? – pergunta Lorraine em tom de reprovação. 

- Ah... a gente ficou umas duas vezes – responde a amiga, meio sem graça. 

- Mas por que diabos esse cara te deu um colar do Cruzeiro? Pergunta uma irritada Lorraine.

- Não é do Cruzeiro, esse cara aqui é um cantor cubano chamado Che Guevara... nunca ouviu falar? Pergunta Mercedes meio que sem entender de onde a amiga havia tirado aquela ideia de que o cordão que usava era do Cruzeiro.

- Ah... você só pode estar brincando? - Diz Lorraine sem esconder o espanto, mas ao mesmo tempo, não querendo revelar o fato de ter associado a imagem que viu na bandeira do Cruzeiro com o cantor cubano pendurado no pescoço da amiga, "...afinal esse cantor deve ser cruzeirense, ou deve ter composto alguma música que fale do Cruzeiro, por isso os torcedores cruzeirenses usam aquela bandeira. Mas ela falou que o cara é cubano, como poderia conhecer um time de futebol brasileiro..." A menina ficou ainda mais desnorteada. No entanto, já sabia agora o nome do cara barbudo com boina de soldado. "Che Guevara!"

Um belo dia sua professora de história faltou, pois havia contraído uma virose. Como desejava que aquela virose se prolongasse até o final do ano. Mas o fato é que o professor substituto era Ricardo, o professor do próximo ano. "Esse sim era um gato, não vejo a hora de tê-lo como professor ano que vem." – pensou a garota quando Ricardo adentrava a sala. No decorrer da aula não se conteve e quis demonstrar um afeto desmedido pelo professor: 

- Professor, seja bem vindo, vamos ser seus alunos ano que vem, então pega leve com a gente – o comentário tirou apenas alguns sorrisos automáticos dos colegas de sala, mas sempre que surgia uma oportunidade punha o professor em maus lençóis com seus comentários de adolescente no cio. Ao dar o sinal do intervalo, a menina, feito uma cadelinha amestrada, fica de papo com o professor para demonstrar intimidade, e mostrar aos colegas e principalmente às colegas o quanto era preferida do professor mais bonitão da escola. Mas de repente se lembra que um dia vira Ricardo com uma camisa, aquela do cara barbado com boina "...como era mesmo o nome dele?...Che Guevara! É esse o nome do cara, É um cantor cubano..." agora lembrava nitidamente, um conhecimento e tanto para demonstrar ao professor. Logo formulou uma compilação de pensamentos em relação ao cantor cubano e disparou sem medo: 

- Professor sei que gosta de música cubana. 

- E como é que sabe, que gosto de música cubana? Perguntou o professor calmamente, pois conhecia tanto de música cubana quanto de culinária acriana. 

 - Só de olhar para o senhor eu percebi que é um fã de Che Guevara - Disse a garota demonstrando confiança em sua feição de retrato renascentista.

 - Fã de Che Guevara? Como assim? Perguntou perplexo o professor. 

- Calma teacher, o senhor não é o único que gosta, eu ouço muito o “Gueva”. – disse a menina tentando soar íntima do eminente artista cubano que uns tempos antes era um símbolo cruzeirense. 

- Ah... você ouve muito o “Gueva”. Posso perceber que é bem intima dele, encontrou até uma forma carinhosa de chamá-lo, creio que sua mãe o chamava assim.Disse Ricardo cinicamente, já antevendo uma satírica intervenção. 

- O Senhor não teria um CD dele pra me emprestar?... eu tenho somente algumas músicas gravadas, que não estão em bom estado. Perguntou a garota já tentando vislumbrar uma intimidade maior com o mestre. Esse no entanto já se entregara inteiramente à magnifica gafe da menina, e desferiu. 

- Claro, tenho todos os CDs do “Gueva”, qual você quer primeiro? Perguntou o professor escondendo sua perplexidade diante da inocência da garota, e ao mesmo tempo aproveitando da grandiloquente oportunidade de escarnio.

- Qual a Senhor considera melhor? Perguntou a menina, querendo ser simpática com o gosto de Ricardo, esse por sua vez desfere; 

- Duetos com Fidel! Esse é certamente o melhor de todos...



 



André Stanley alcunha de André Luiz Ribeiro é professor e escritor; autor do livro “O Cadáver” (Editora Multifoco – 2013); É membro efetivo da Asso. Dos Historiadores e pesquisadores dos Sertões do Jacuhy desde 2004. Atua hoje como professor e pesquisador de História Cultural. Também leciona língua inglesa, idioma que domina desde a adolescência, Administra e escreve para os blogs: Blog do André Stanley (blogdoandrestanley.blogspot.com) – Sobre História, política, arte, religião, humor e assuntos diversos e Stanley Personal Teacher (stanleypersonalteacher.blogspot.com) onde da dicas de Inglês e posta exercícios para todos os níveis.






*O autor permite a reprodução desse artigo contanto que lhe seja creditada a devida autoria.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Médicos dos EUA avaliam sistema de saúde cubano

Um Modelo Diferente – Atenção Médica em Cuba. Dois médicos norte-americanos avaliam o sistema de saúde de Cuba




Edward W. Campion, M.D., and Stephen Morrissey, Ph.D.

Para um visitante dos Estados Unidos, Cuba desorienta. Automóveis norte-americanos estão em todo lugar, mas todos datam dos anos 50. Nossos cartões bancários, cartões de crédito e telefones inteligentes não funcionam. O acesso à internet é praticamente inexistente. E o sistema de saúde também parece irreal. Há médicos demais.

Todo mundo tem um médico da família. Tudo é de graça, totalmente de graça — e não precisa de aprovação prévia ou de algum tipo de pagamento. Todo o sistema parece de cabeça para baixo. É tudo muito organizado e a prioridade absoluta é a prevenção. Embora Cuba tenha recursos econômicos limitados, seu sistema de saúde resolveu alguns problemas que o nosso [dos Estados Unidos] ainda nem enfrentou.

Médicos de família, junto com enfermeiras e outros profissionais de saúde, são os responsáveis por dar atendimento primário e serviços preventivos para seu grupo de pacientes — cerca de mil pacientes por médico em áreas urbanas.

Todo o cuidado é organizado no plano local e os pacientes e seus profissionais de saúde geralmente vivem na mesma comunidade. Os dados médicos em fichas de papel são simples e escritos à mão, parecidos com os que eram usados nos Estados Unidos 50 anos atrás. Mas o sistema é surpreendentemente rico em informação e focado na saúde da população.

Todos os pacientes são categorizados de acordo com o nível de risco de saúde, de I a IV. Fumantes, por exemplo, estão na categoria de risco II, e pacientes com doença pulmonar crônica, mas estável, ficam na categoria III.

As clínicas comunitárias informam regularmente ao distrito sobre quantos pacientes tem em cada categoria de risco e sobre o número de pacientes com doenças como a hipertensão (bem controlada ou não), diabetes, asma, assim como sobre o status de imunização, data do último teste de Papanicolau e casos de gravidez/cuidado pré-natal.

Todo paciente é visitado em casa uma vez por ano 
e aqueles com doenças crônicas 
recebem visitas mais frequentes. 




Todo paciente é visitado em casa uma vez por ano e aqueles com doenças crônicas recebem visitas mais frequentes. Quando necessário, os pacientes podem ser direcionados a policlínicas distritais para avaliação de especialistas, mas eles retornam para as equipes comunitárias para acompanhamento. Por exemplo, a equipe local é responsável por garantir que o paciente com tuberculose siga as recomendações sobre o regime antimicrobial e que faça os exames.

Visitas em casa e conversas com familiares são táticas comuns para fazer com que os pacientes sigam as recomendações médicas, não abandonem o tratamento e mesmo para evitar gravidez indesejada. Numa tentativa de evitar infecções como a dengue, a equipe de saúde local visita as casas para fazer inspeções e ensinar as pessoas sobre como se livrar da água parada.

Este sistema altamente estruturado, orientado para a prevenção, produziu resultados positivos. As taxas de vacinação de Cuba estão entre as mais altas do mundo.

A expectativa de vida de 78 anos de idade é virtualmente idêntica à dos Estados Unidos. A taxa de mortalidade infantil em Cuba caiu de 80 por mil nos anos 50 para menos de 5 por mil — menor que nos Estados Unidos, embora a taxa de mortalidade materna esteja bem acima daquela dos países desenvolvidos e na média para os países do Caribe.

Sem dúvida, os resultados são consequência de melhorias em nutrição e educação, determinantes sociais básicos para a saúde pública. A taxa de alfabetização de Cuba é de 99% e o ensino sobre saúde é parte do currículo obrigatório das escolas. Um recente programa nacional para promover a aceitação de homens que fazem sexo com homens foi desenhado para reduzir as taxas de doenças sexualmente transmissíveis e aumentar a aceitação e adesão aos tratamentos.

Os cigarros já não são oferecidos na cesta básica mensal e o número de fumantes decresceu, embora as equipes médicas locais digam que continua difícil convencer fumantes a deixar o vício. Os contraceptivos são gratuitos e fortemente encorajados. O aborto é legal, mas considerado um fracasso do trabalho de prevenção.

Não existe sistema de saúde privado 
pago como alternativa. 
Os médicos recebem benefícios 
do governo como 
moradia e alimentação, 
mas o salário é de 
apenas 20 dólares por mês.




Não se deve romantizar o sistema de saúde cubano. O sistema não é desenhado para escolha do consumidor ou iniciativas individuais. Não existe sistema de saúde privado pago como alternativa. Os médicos recebem benefícios do governo como moradia e alimentação, mas o salário é de apenas 20 dólares por mês. A educação é gratuita e eles são respeitados, mas é improvável que obtenham riqueza pessoal.

Cuba é um país em que 80% dos cidadãos trabalham para o governo e o governo é quem gerencia orçamentos. Nas clínicas de saúde comunitárias, placas informam aos pacientes quanto o sistema custa ao Estado, mas não há forças de mercado para promover eficiência.

Os recursos são limitados, como descobrimos ao ter contato com médicos e profissionais de saúde cubanos como parte de um grupo de editores-visitantes dos Estados Unidos. Um nefrologista de Cienfuegos, a 240 quilômetros de Havana, tem uma lista de 77 pacientes em diálise na província, o que em termos de população dá 40% da taxa dos Estados Unidos — similar ao que era nos Estados Unidos em 1985.

Um neurologista nos informou que seu hospital só recebeu um CT scanner doze anos atrás. Estudantes norte-americanos de universidades médicas cubanas dizem que o trabalho nas salas de cirurgia é rápido e eficiente, mas com pouca tecnologia. Acesso à informação via internet é mínimo. Um estudante informou que tem 30 minutos por semana de acesso discado.

Esta limitação, como muitas outras dificuldades de recursos que afetam o progresso, é atribuída ao embargo econômico dos Estados Unidos [imposto em 1960], mas podem existir outras forças no governo central trabalhando contra a comunicação fácil e rápida entre cubanos e os Estados Unidos.

Como resultado do estrito embargo econômico, Cuba desenvolveu sua própria indústria farmacêutica e agora fabrica a maior parte das drogas de sua farmacopeia básica, mas também alimenta uma indústria de exportação. Recursos foram investidos no desenvolvimento de expertise em biotecnologia, em busca de tornar Cuba competitiva no setor com os países avançados.

Existem jornais médicos acadêmicos em todas as especialidades e a liderança médica encoraja fortemente a pesquisa, a publicação e o fortalecimento de relações com outros países latino-americanos. As universidades médicas de Cuba, agora 22, continuam focadas em atendimento primário, com medicina familiar exigida como primeira residência de todos os formandos, embora Cuba já tenha hoje o dobro dos médicos per capita que os Estados Unidos.

Muitos dos médicos cubanos trabalham fora do país, como voluntários num programa de dois anos ou mais, pelo qual recebem compensação especial. Em 2008, havia 37 mil profissionais de saúde cubanos trabalhando em 70 paises do mundo. A maioria trabalha em áreas carentes, como parte da ajuda externa de Cuba, mas alguns estão em áreas mais desenvolvidas e seu trabalho traz benefício financeiro para o governo cubano (por exemplo, subsídios de petróleo da Venezuela).

Todo visitante pode ver que Cuba continua distante de ser um país desenvolvido em infraestrutura básica, como estradas, moradias e saneamento. Ainda assim, os cubanos começam a enfrentar os mesmos problemas de saúde de países desenvolvidos, com taxas crescentes de doenças coronárias, obesidade e uma população que envelhece (11,7% dos cubanos tem 65 anos de idade ou mais).

O seu incomum sistema de saúde enfrenta estes problemas com estratégias que evoluiram da peculiar história política e econômica de Cuba, um sistema que — com médicos para todos, foco em prevenção e atenção à saúde comunitária — pode informar progresso também para outros países.




Publicado em originalmente em: The New England Jornal of Medicine

Publicado em português pelo site Pragmatismo Politico 




domingo, 26 de maio de 2013

UNICEF da Suécia cria aviso dizendo que os "LIKES" no Facebook não salvam a vida de ninguém.






Hoje em dia virou moda fazer companha nas redes sociais. Uma pessoa sentado na poltrona de sua casa assistindo pornografia na internet, ou alguém sentado em um escritório fazendo uma horinha enquanto o email que espera não chega, podem se tornar ativistas de direitos humanos com um simples clic do mouse. Seria fenomenal e uma nova forma de ativismo, caso fosse verdade.


Aquelas imagens de crianças com câncer que aparecem vez ou outra pedindo um LIKE para que 10 centavos sejam depositados pelo Facebook em seu benefícios é uma pura bobagem. Mas,como moramos em um país solidário onde todos se ajudam mutualmente e temos um coração enorme, dificilmente alguém deixa de dar um LIKE desses. Isso deixa a pessoa mais leve, mais suave mais inocente pois acabou de fazer uma boa ação.

Bullshit!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

O UNICEF, na Suécia que já polemizou por mostra um vídeo onde Maria  devolve aos  "Três Reis Magos"os presentes que esses levaram para seu filho Jesus. Segundo os idealizadores da companha esse vídeo veiculado na internet visa chamar a atenção dos locais para presentear as crianças carentes com o que elas realmente precisam, como vacinas, remédios, cobertores e outros itens de necessidade primária.
Leia a matéria no site: BRAIMSTORM9





Agora usando da mesa ousadia os publicitários do UNICEF fazem campanha no Facebook para acabar com os LIKES inúteis. E ainda lançaram um vídeo onde um garoto carente com seu irmão doente diz:

"Meu nome é Haim, tenho 10 anos, moro aqui com meu irmão mais novo. As vezes tenho medo de ficar doente como minha mão ficou.Dessa forma quem iria cuidar do meu irmãozinho?Mas, acho que tudo ficará bem, hoje o Facebook da Suécia tem 177.000 curtidas. Talvez alcançaram 200.000 até o verão. Então deveremos ficar bem.




O post da campanha acima diz exatamente o seguinte:

"Nos curta no Facebook e vacinaremos zero crianças contra a pólio.
Não temos nada contra curtir, mas vacina custa dinheiro,por favor compre uma vacina contra polio em: unicef.se, custará a você apenas 4 EUROS mas, salvará a vida de 12 crianças.


Leia matéria no blog BRAIMSTORM9



André Stanley alcunha de André Luiz Ribeiro é professor e escritor; autor do livro “O Cadáver” (Editora Multifoco – 2013); É membro efetivo da Asso. Dos Historiadores e pesquisadores dos Sertões do Jacuhy desde 2004. Atua hoje como professor e pesquisador de História Cultural. Também leciona língua inglesa, idioma que domina desde a adolescência, Administra e escreve para os blogs: Blog do André Stanley (blogdoandrestanley.blogspot.com) – Sobre História, política, arte, religião, humor e assuntos diversos e Stanley Personal Teacher (stanleypersonalteacher.blogspot.com) onde da dicas de Inglês e posta exercícios para todos os níveis.

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