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quarta-feira, 18 de março de 2020

Gotthard – Banda suíça lança “#13” seu décimo terceiro álbum.

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Em um país conhecido pela sua estabilidade financeira e alta qualidade de vida não poderia passar sem nenhum representante do bom e velho Rock N’ Roll. Para quem não sabe, é da Suíça a lendária banda de hard Rock KROKUS.

Mas hoje são os seus conterrâneos do GOTTHARD que merecem destaque. A banda foi formada em 1989 na cidade de Lugano, pelo vocalista Steve Lee e o guitarrista Leo Leoni. Uma tragédia ocorreu no dia 05 de outubro de 2010 em Nevada nos EUA, quando um caminhão desgovernado atinge uma série de motocicletas estacionadas e uma delas atinge o vocalista Steve Lee que morre no local.

Apesar da tragédia a banda continuou sua carreira recrutando Nic Maeder para o posto de frontman da banda. Desde então vêm lançando bons álbuns, como “Firebirth”(2012) e “Silver”(2017). Eles acabaram de lançar seu mais novo trabalho intitulado simplesmente de “#13” – afinal é o décimo terceiro álbum de inéditas do grupo.

O álbum segue a linha de sempre, um Hard Rock bem feito com riffs de guitarra bem interessantes, ótimos refrãos que lembram clássicos do estilo. A faixa que abre o disco é “Bad News”, uma ode oitentista, cadenciada e pesada com vocais bem encorpados. “Every time I die” mantem a mesma pegada, a letra parece falar de reencarnação, mas no fim notamos que é só uma paixão não correspondida – aliás as temáticas das letras, como todas as bandas de Hard Rock dos anos 80, giram em torno do mesmo assunto, mulheres, amores antigos e relacionamentos conturbados.

A terceira música é um pouco mais ousada, usa uns elementos percussivos menos comuns ao Hard Rock, vocalizações femininas muito sutis, e tem um refrão muito pegajoso. Assista o videoclipe no final dessa matéria.

Fizeram uma excelente versão para a clássica “S.O.S” do ABBA que se tronou uma bela balada Hard Rock.  “I Can’t say I’m sorry” também é uma daquelas músicas boas para tocar nas FMs.  As outras canções não destoam muito destas, talvez com um destaque para a “Rescue me” que tem uma levada mais exótica com o uso de violão e de percussão. São 15 faixas de puro Hard Rock que irá agradar os fãs tradicionais do estilo.




Tracklist #13 - Gotthard

1- Bad News
2- Every Time I Die
3- Missteria
4- 10.000 Faces
5- S.O.S
6- Another Last Time
7- Better Than Love
8- Save The Date
9- Marry You
10-Man On A Mission
11-No Time To Cry
12-I Can Say I´m Sorry
13-Rescue Me
14-No Time To Cry (Demo Version) (Bonus)
15-I Can Say I´m Sorry (Piano Version) (Bonus)



Line up – Gotthard

Leo Leoni – Guitar
Freddy Scherer – Guitar
Marc Lynn – Bass
Hena Habegger – Drums
Nic Maeder – Vocals



Assista o videoclipe da música Missteria do novo álbum do Gothard “#13:





Fontes:
Spotify - #13 - Gotthard

Site oficial do GOTTHARD

Nuclear Blast



André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

Seven Keys: O Heavy Metal mineiro bem representado


Seven Keys surgiu em 1998 na pequena cidade de Guaxupé, interior de Minas Gerais, quando um grupo de amigos com um gosto musical em comum se juntaram para tocar Heavy Metal, contrariando todos os manuais de bom comportamento local. Depois de algumas mudanças de formação, hoje a banda se consolidou como um power trio formado pelos irmãos Carlos e Anderson Stampone - baixo/vocal e guitarra respectivamente - e o baterista William Ferreira.


Trata-se de uma banda de músicos habilidosos e de gosto refinado. Suas principais referências giram em torno de grandes nomes do estilo, como, Ronie James DioBlack Sabbath, King Diamond e Helloween.

Ou seja, os caras têm muita bagagem sonora. Depois de mais de 20 anos de estrada e de um EP lançado em 2008 - "Seven Bullets" - os caras lançaram em 2015 "Visions of Time", seu primeiro álbum completo. Para a confecção desse artefato de puro metal contaram com a participação mais que especial de Fabio Laguna (Ex Angra, Atual Hangar) nos teclados, além de participações especiais.

O CD contém 10 faixas de autoria própria que mostram que os anos de estrada serviram para construir a maturidade do grupo e consolidar seu estilo. A bela capa do CD ficou a cargo de João Duarte, que tem em seu portfólio trabalhos feitos para Hangar, Angra, Circle II Circle, Metal Church dentre outros.

Os destaques ficam para a faixa "Seven Bullets" que conta o trágico desfecho ocorrido com o mineiro Jean Charles, morto pela polícia londrina com sete tiros à queima-roupa na cabeça, depois de ser confundido com um terrorista islâmico.

"Banshee" resgata uma lenda do folclore celta que sobrevive até hoje na Irlanda, e tem uma levada bem MERCIFUL FATE om uma atmosfera de filme de terror criada pelo teclado de Fabio Laguna.
"No More games" também é uma excelente faixa que apresenta um refrão cativante lembrando alguns clássicos dos anos setenta e oitenta.
Como eu disse, o trabalho conta com 10 faixas de puro Metal e agora, além da forma física, o CD está disponível em todas as plataformas de Streaming.
Ou seja, um belo trabalho feito por gente que entende do assunto, que vai agradar aos fãs mais exigentes do estilo.

Lista de faixas
1 Teotihuacan
2 No More Games
3 Blood Suckers
4 Banshee
5 Living For Tonight
6 Blood On The Hands
7 Seven Bullets
8 Premonition
9 Shadows Of Another Life
10 Crickets In Mind


Line up - Seven Keys
Carlos Stampone - Bass/ Lead Vocals
Anderson Stampone - Guitar/ Vocals
William Ferreira - Drums

Página oficial da banda no Facebook
https://www.facebook.com/sevenkeysoficial/

Assista abaixo o vídeo clipe de No More Games lançado em 2017 com a participação especial de Fabio Laguna nos teclados.




André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

quinta-feira, 29 de março de 2018

História: 7 Músicas de Heavy Metal que podem ser usadas em uma aula de História.




O site “Loudwire” especializado em Heavy Metal publicou em 2013, uma matéria onde selecionou 10 músicas de Heavy Metal que são uma verdadeira aula de História. Como professor de História, achei-me no dever de eleger minha lista de músicas de Metal que podem ser usadas em uma aula de História e acrescentar umas dicas de como usar as músicas em uma boa aula, onde pelo menos aqueles seus alunos cabeludos que vão todo dia à escola de preto, irão adorar. 

O simples fato de se trabalhar com uma música de Heavy Metal já pode causar um certo furor, pois saímos da rotina e mostramos que estamos interessados em conhecer o mundo de nossos alunos. Vamos às músicas. 

Ok, bem-vindos ao nosso curso de História. Durante esse curso nós vamos cobrir tópicos históricos abrangendo desde a ascensão do império Alexandrino até eventos mais recentes, como a queda do muro de Berlim. No entanto, esta aula será dada de uma forma diferente do padrão do curso de História convencional. 

Esqueçam seus livros didáticos de História por enquanto, pois nessas aulas usaremos como ferramenta pedagógica 7 músicas de Heavy Metal que abordam os temas de nosso interesse, e para aqueles que não curtem Metal, eu tenho um bônus ao final do curso. Vamos as 7 músicas de Metal que nos ajudarão a entender um pouco mais sobre a história da humanidade, incluindo uma pequena inserção da participação do nosso país no maior conflito bélico da História, a Segunda Guerra Mundial

Só um esclarecimento, as músicas não estão em ordem de preferência, mas em ordem cronológica em relação aos eventos que elas descrevem.


1- Alexander the Great - Iron Maiden 

O IRON MAIDEN é uma banda que sempre apostou muito em letras sobre história, afinal o vocalista, BRUCE DICKINSON, além de ser piloto, doutor em música e palestrante de empreendedorismo, é também historiador. Mas creio que nunca foram tão descritivos e detalhista quanto em “Alexander the Great” (Alexandre O Grande). Enquanto a maioria das músicas do Maiden, envolvendo História, oferecem uma reflexão, esta canção especificamente é mais uma breve história de um dos maiores conquistadores da história do mundo. A música oferece insights sobre a vida de Alexandre, filho de Felipe da Macedônia, e detalha uma série de eventos cronológicos. Os locais das batalhas mais importantes e de seus oponentes já são o bastante para qualquer um tirar um “10” em um teste de História. A banda até mesmo menciona a influência que o conquistador teve ao espalhar o Helenismo mundo afora o que pavimentou o caminho para o cristianismo. Considere “Alexander the Great” como um guia para sua aula de história da Grécia. 


Ouça “Alexander the Great” do IRON MAIDEN no Youtube: 
https://www.youtube.com/watch?v=1oTEQf1d9Iw







2- Crusader – Saxon 

Essa canção dos britânicos do SAXON que assim como o IRON MAIDEN são remanescentes da NWOBHM (New Wave of British Heavy Metal), é uma visão a partir dos cavaleiros cristãos que se engajavam para lutar na terra santa, para recuperar Jerusalém tomada pelos Muçulmanos. Esses movimentos militares conhecidos como “cruzadas” se estenderam do século XI ao XIII. Os cavaleiros cristãos chamados de “cruzados” partiam de seus reinos europeus para lutar no oriente em nome de Cristo. É uma canção de caráter militar, inclusive no andamento ritmado, que poderia ser considerada uma marcha de chamada aos verdadeiros cavaleiros de Cristo para a guerra. Óbvio que como bons britânicos descendentes de saxões, a visão do SAXON é monocromática e se baseia na campanha cristã de libertação da Terra Santa. Dizem em um momento da música “Warlords of England, Knights of the Realm spilling their blood in the sand” (Senhores da Guerra da Inglaterra, Cavaleiros do Reino que derramam o sangue deles (inimigos muçulmanos) na areia). Ou seja, uma excelente introdução ao pensamento do cristão europeu médio do século XIII. Como não temos nenhuma banda de Metal alegadamente muçulmana, creio que não teremos uma música para contrapor essa visão de mundo, portanto, cabe ao bom professor de História dar sua contribuição às origens desse conflito. Mãos a obra. 

Ouça "Crusader" do SAXON no Youtube:
https://www.youtube.com/watch?v=JPbSjmToWXY





3- Declaration Day – Iced Earth 

Em uma lista que fala sobre músicas de Heavy Metal baseadas em História, creio que seria impossível não citar nenhuma música do ICED EARTH. Esta banda americana tem vários exemplos de letras com temas históricos. O líder da banda, o guitarrista JON SCHAFFER é um fanático por História, principalmente quando se trata da Guerra Civil Americana. Em 2007 o ICED EARTH lançou o álbum “The Glorious Burden”, que se trata de um trabalho conceitual que explora vários momentos da história dos EUA. A música que extraímos desse álbum é “Declaration Day” que é como uma ode aos americanos que lutaram pela independência em relação ao Império Britânico. O povo americano, que guiado pelo seu ideal de liberdade lutou até a morte para viver em uma nação livre da dominação colonial. É uma típica letra que enfatiza as virtudes dos que lutaram e poderia ser facilmente o hino da independência americana caso, não fosse uma música de Heavy Metal. 

Uma música desse tipo pode servir à uma aula de História como um recurso crítico e reflexivo para provocar no aluno o sentimento de patriotismo e depois é importante que esse sentimento seja confrontado com o sentimento de revolta dos séculos posteriores a independência, algo que podemos trabalhar na próxima canção desta lista. 

Ouça "Declaration day" do ICED EARTH no Youtube:
https://www.youtube.com/watch?v=RVOEoo1oXBs




4- Creek Mary's Blood – Nightwish 

Os finlandeses do NIGHTWISH, criaram uma bela narrativa sobre a colonização da América do Norte pelos europeus. Pelo ponto de vista de um indígena, a letra explica como os povos nativos foram dizimados pela invasão do homem branco. Sua cultura, sua religião e suas terras se transformaram em “uma trilha de lágrimas” como o refrão da música diz. Para dar mais fiabilidade à narrativa essa música foi gravada com a participação de JOHN TWO-HAWKS, um cantor e ativista da causa indígena. Two Hawks participou tocando um instrumento nativo das tribos norte-americanas e é o responsável por recitar o poema que é a parte final da canção na sua língua nativa (há controvérsias sobre a origem indígena de Two Hawks). A música se desenvolve de uma forma nostálgica traçando as lembranças que o protagonista tem de uma terra paradisíaca, antes da chegada dos europeus. Aqui podemos explorar a musicalidade e a linguagem das tribos indígenas americanas. Uma boa oportunidade de estudar de forma crítica a dominação do índio, pelo homem branco naquele país. 

Não há como precisar o número de indígenas que viviam no território americano antes do aparecimento dos europeus, mas há estimativas baseada em estudos etnográficos que afirmam que no início do século XIX, havia mais de 25 milhões de indígenas nos territórios norte-americanos, principalmente no oeste dos EUA, e mais de 2 mil línguas distintas. Após o genocídio indígena levado a cabo pelo governo no decorrer deste século restaram 2 milhões de indígenas espalhados por algumas reservas. 

A música de forma melancólica expõe a aniquilação irreversível dessas várias culturas ao longo do século XIX. A música se finda como um recado de um povo que agora só resta a memória. “Our spirit was here long before you, long before us and long will it be after your pride brings you to your end" (Nosso espírito estava aqui, muito antes de você chegar, e muito antes de nós, e aqui estará depois que seu orgulho trazer o seu fim).

Ouça "Creek Mary's Blood" do NIGHTWISH no Youtube:
https://www.youtube.com/watch?v=FB6nCwoVCYw







5- One – Metallica 

Esse clássico do METALLICA conta a trágica história de um soldado que foi gravemente ferido durante uma batalha. Depois de ter seu corpo praticamente destruído por um morteiro, ou uma mina terrestre, o soldado ainda vive em um leito de hospital. Sem poder usufruir de nenhum de seus sentidos físicos só lhe resta o sofrimento e a reflexão desse sofrimento. Como a letra não menciona qual conflito vitimou esse soldado, que fala em primeira pessoa sobre sua vontade de morrer, é um tema que poderia ser usado para falar explicitamente de todos os combates ocorridos durante o século XIX e XX, onde muitos soldados foram mutilados e tiveram que viver uma vida vegetativa por conta disso. Foi nessa época que foram usadas as primeiras armas de destruição em massa, como foguetes de longo alcance, o lança chamas e o gás mostarda, que deixou muitos homens com sequelas terríveis. No entanto, sabemos que “One” foi inspirada no romance Johnny Got His Gun (Johnny vai à Guerra) de Dalton Trumbo, que se passa durante a Primeira Guerra Mundial. É uma boa descrição do sofrimento exacerbado que muitos homens, em sua maioria, jovens que ainda não haviam constituído família. Muitas vezes, esses jovens soldados chegavam a desesperadora situação de terem ferimentos tão graves que a morte parecia sempre como uma salvação e esse aspecto a música do METALLICA consegue transmitir dentro de uma atmosfera melancólica e trágica, tornando desesperadora a narração do protagonista. 

Ouça "one" do METALLICA no Youtube:
https://www.youtube.com/watch?v=WM8bTdBs-cw






6- Smoking Snakes – Sabaton 

Os suecos do SABATON se orgulham de escrever sobre história militar. São fascinados por temas relacionados a Segunda Guerra Mundial e prestam um serviço grandioso ao estudo da História do Brasil no século XX. O SABATON se refere a participação brasileira na Segunda Grande Guerra na música “Smoking Snakes” (Cobras fumantes) do álbum HEROES de 2014. A letra desta música é uma exaltação a 3 soldados brasileiros que enfrentaram no dia 14 de abril de 1945 durante o ataque a cidade de Montese na Itália, uma das situações mais adversas dos pracinhas brasileiros. 

Creio que nenhuma banda de Metal antes, mesmo bandas brasileiras, se preocupou em homenagear um episódio heroico, desses soldados que saíram do Brasil desacreditados e despreparados para enfrentar um dos maiores exércitos do mundo na Europa. O título da canção é uma alusão à um ditado que se popularizou no Brasil durante a Guerra, pois os mais pessimistas, diziam que “é mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil entrar na guerra.” O fato é que o Brasil foi obrigado a entrar na guerra e o brasão oficial da FEB (Força Expedicionária Brasileira) era uma cobra fumando, justamente uma provocação a crença popular de que o Brasil jamais entraria naquela guerra. 

Ouça "Smoking Snakes" do SABATON







7- Wind of Change – Scorpions 

Esse hit da banda alemã SCORPIONS é talvez uma das mais conhecidas baladas dessa banda, que é especialista em fazer esse tipo de canção. Fala a respeito da queda do muro de Berlim que foi um momento tão emotivo para aqueles que o presenciaram. “Wind of Change” (vento da mudança) descreve o sentimento a respeito do muro que dividiu Berlim ocidental da Berlim Oriental e o que isso significa para o futuro. A queda do muro viu a Alemanha unificada pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Isso significou muito para aqueles que viviam na Berlim Oriental, por causa da grande disparidade de qualidade de vida que eles enfrentavam comparando com seus conterrâneos do lado ocidental. O muro de Berlim era uma lembrança melancólica da guerra que agora os cidadãos poderiam deixar para trás. Em um trecho da música é dito “Let your balalaika sing what my guitar wants to say” (Deixe sua balalaica cantar o que minha guitarra quer dizer). Uma forma genial de dizer para a cultura fechada da Alemanha Oriental simbolizada pela balalaica – instrumento popular da Rússia, que à época controlava esse país – se abrir ao som do ocidente, simbolizado pela guitarra – instrumento símbolo do Rock N’ Roll, música libertária que dominou o mundo. 


Ouça “Wind of Change” do SCORPIONS no Youtube: 






Estes são apenas 7 exemplos escolhidos arbitrariamente levando em conta meu próprio gosto musical, mas é nítido que um número infinito de músicas de Heavy Metal refere-se a temas históricos que tiveram importância para a humanidade. Cabe ao professor estar em sintonia com sua sala para notar a necessidade de usar ou não uma dessas canções em suas aulas de História. Mas por outro lado, muitas outras canções de estilos diversos foram escritas inspiradas em eventos históricos. O segredo é construir um ambiente propício para que os alunos se interessem pela matéria e essas músicas são uma alternativa para chamar a atenção dos alunos e de alguma forma entrar em seus mundos tão particulares. 

É inegável o maior interesse dos músicos e fãs de Heavy Metal por temas históricos, por isso sempre quando ver um headbanger, saiba que pode ter dele o seu melhor se cativá-lo corretamente. No entanto, podemos pensar em músicas alternativas para temas semelhantes. 


Bonus

A famosa banda U2 que tem um estilo mais popular e aceitável entre a juventude tem dois exemplos de músicas que podem ser trabalhados em sala de aula: “Sunday Bloody Sunday” que descreve o massacre de manifestantes irlandeses que protestavam contra a dominação britânica, evento que até hoje gera muita reflexão. Pride (In the name of Love) fala de forma subjetiva do assassinato do grande líder americano Martin Luther king Jr, que lutou bravamente pelos direitos da população negra dos EUA e foi assassinado por isso. 

Ouça "Pride (In the name of love) do U2 no Youtube:
https://www.youtube.com/watch?v=LHcP4MWABGY






Mãos à obra caros professores de História, vamos fazer nossos alunos curtirem nossas aulas... 

Qual música de Metal você gostaria de usar em uma aula de História?

Fonte: 
10 Metal Songs That Make a Great History Lesson
Leia a matéria em inglês do site Loudwire escrita por Joe DiVita, que inspirou esse artigo.




    André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

sexta-feira, 9 de março de 2018

Mulheres no Metal: A revolução feminina no Metal.

Imagem- Stanley Creation



Hoje em dia parece até comum ver uma banda de Heavy metal com vocal feminino, na verdade, de uma certa forma já até virou moda. Por outro lado, acho que demorou muito para que a as mulheres adentrassem à cena.

Para os detratores –  velhos e atuais – dos vocais femininos no Heavy Metal, as mulheres nunca passaram de simples adornos de palco. Veja as bandas clássicas dos anos 80, um Blackie Lawless fazendo uma performance bizarra com uma mulher nua no palco, os caras do KISS tirando uma casquinha de umas boazudas durante o show, sem contar as letras de algumas músicas dessas bandas que deixariam alguns fanqueiros com inveja.
Creio que o movimento chamado de “Glam Rock” que tinha como representantes mais ilustres, o MOTLEY CRUE e o próprio KISS, ilustra bem a utilização das mulheres como forma de atiçar os hormônios da garotada nos anos 80s. No entanto, mesmo nessa época já podíamos ouvir uma voz feminina ou outra que berrava em meio a enxurrada de trogloditas cabeludos.

DORO PESH, por exemplo, capitaneava a banda alemã WARLOCK nos idos dos anos 80s, nessa época pode-se dizer que era um grande feito, no entanto, a voz da vovó Dorothee (Este é o nome verdadeiro dela) mesmo quando desfrutava de sua juventude, nunca soou suave e doce como se espera geralmente da voz de uma mulher, mas sim como a de um brutamonte afeminado. Alguns poderiam até não identificar se Doro era uma mulher tentando ser um homem ou um homem que parecia uma mulher. – Eu mesmo me recordo de quando peguei um disco do WARLOCK em minhas mãos – em minha juventude – e ao olhar apara a foto da banda, nem mesmo me atentei para o fato de que a vocalista era uma mulher, pois todos os integrantes se vestiam como tal.

Aliás, como curiosidade, todos os caras do “Glam Rock” tinham uma postura e um comportamento afeminado. Às vezes, pareciam drag queens drogadas demais para notarem que usavam uma lingerie rasgada por cima de uma calça de látex.
Durante toda década de 1980, outras vozes femininas pululavam aqui e ali, JOAN JET, se sobressaia como guitarrista e líder do THE RUNNUWAYS, até que com o fim da banda seguiu sua carreira também como cantora. A outra guitarrista desta banda, LITA FORD, também decidiu continuar em carreira solo e, gravou um álbum de Hard Rock de relativo sucesso. Na Inglaterra, a banda feminina GIRLSCHOOL vinha ganhando reconhecimento com a ajuda do pessoal do MOTORHEAD.

Mas foi somente no final dos anos 90s, grosso modo, que as mulheres começaram a se mostrar como mulheres de verdade, muitas vezes, usando sua voz suave e serena em um estilo que apregoava o peso e a agressividade. Para os críticos desta nova leva de mulheres cantoras, eu só tenho a dizer que, elas demoraram, mas chegaram. E chegaram, não para tirar o peso e a agressividade do Metal, mas para enriquecer e dar mais contraste a este estilo que sempre se pautou pela quebra de barreiras.
Um dos maiores críticos das mulheres rockeiras certamente é Paul Stanley, aquele afeminado guitarrista e vocalista do KISS, que certa vez disse. “Nunca pensei que alguém que não tenha saco pudesse fazer Rock n’Roll.” Não sabemos se o Sr. Stanley está se rendendo ao boom das mulheres no Rock de uma forma irônica, ou está fazendo uma dura crítica a esse fenômeno.

Se considerarmos o espaço que as mulheres têm hoje dentro da cena, e o fato de o número de mulheres atuando como protagonistas em suas bandas, escrevendo e criando coisas novas, é notório que elas chegaram para conquistar seu lugar de direito dentro da cena e dar um basta no machismo crônico que sempre dominou esse estilo.



    André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Heavy Metal: Ser headbanger é ser neurótico?

Imagem: Metaleiro Neurótico - André Stanley



Esse artigo foi originalmente publicado alguns anos atras no blog "Crisalidá de Aço", mas acho que o tema é legal para gerar discussões 

“Enquanto houverem garotos chateados, continuará a existir o Heavy Metal.” Assim profetizava Ozzy Osborne, o avô do Metal nos idos dos anos 80s. Buscava definir em uma frase toda a essência do Heavy Metal e creio não haver aforismo mais sábio que este.

Em 1984, época em que este estilo ganhava o mundo, um caso de suicídio chocou a opinião pública, quando os pais do dito suicida resolveram processar OZZY OSBORNE por induzir através de sua música o rapaz a tirar sua própria vida. Um ano depois o JUDAS PRIEST também enfrentou os tribunais por conta de dois fãs da banda que atiraram em suas próprias cabeças. O próprio Ozzy já havia estado antes em situação semelhante quando uma enfermeira teria se matado ao ouvir a música “Paranoid” do BLACK SABBATH. Outros casos como esses ocorreram posteriormente envolvendo bandas como, AC/DC e PINK FLOYD em mais de uma ocasião.

Culpar um estilo musical por fazer apologia ao suicídio parece uma solução interessante, sobretudo, para quem detesta tal música. Mas será que as famílias destes suicidas não querem mesmo é se redimirem da própria culpa?
A discussão seria mais proveitosa se analisássemos o perfil do fã de Metal. O popular “metaleiro” – como o próprio Ozzy nos alertou acima – é um sujeito chateado com a vida, alguém que precisa se libertar de alguma forma de algum tipo de prisão psicológica que o oprime. Neste sentido, a música pesada se torna uma espécie de válvula de escape e, sobretudo, uma forma de manifestação social, o headbanger quer ser ouvido e sua música é a única forma que encontra para que a sociedade o ouça.

Não acredito que o headbanger seja um suicida em potencial, como muitos especialistas da área de psicologia vêm cogitando. Afinal – e essa é uma constatação pessoal – de todas as pessoas do meu círculo de amizades que tentou ou consumou o ato suicida, nenhum deles era headbanger.
No entanto, há artigos científicos que afirmam que o fã de Metal “têm uma tendência significativamente mais alta" a ter comportamentos depressivos e é sabido que o fã de Heavy Metal, muitas vezes, se encontra oprimido demais dentro de uma sociedade essencialmente conservadora, hipócrita e fundamentalista, que valoriza cada vez mais, padrões irreais de beleza e do que é socialmente correto ou aceitável.

O fã de Metal é na verdade, uma pessoa que se sente incapaz de viver no mundo real desolador e tão diferente daquele que almeja, onde peculiaridades comportamentais são tidas como evasão social, e não como um ato de criatividade.

Muitos, quando ficam mais velhos caem na real e veem que o tão sonhado mundo épico estampados nas capas dos álbuns das bandas que gostam é apenas uma “utopia”, uma idealização subjetiva de um mundo onde somente ele é o protagonista. Talvez até um “mundo paralelo” criado para dar mais significado a sua vida.

Mas as vezes, algo errado acontece - muito raramente é verdade - ao enfrentarem esse choque de realidade, sua mente já fortemente abalada pela frustração e, muitas vezes, pela falta de apoio familiar e social acaba fazendo com que esses indivíduos se atirem nas garras da depressão e vez ou outra tenham pensamentos suicidas.

Creio que a questão que deve ser discutida é, será que o Heavy Metal é um estilo – não só musical, mas também um estilo de vida – que atrai pessoas neuróticas e por isso temos casos como estes citados acima? Ou esse estilo se presta como um fator terapêutico que ajuda essas pessoas neuróticas a ter uma vida mais segura – mesmo que de forma idealista – e até mesmo a fugir de qualquer pensamento suicida?

Não é meu papel esgotar esse debate, até mesmo porque, apesar de ser fã de Heavy Metal há algumas décadas, não sou especialista na área da psicologia, mas qualquer discussão dessa importância cabe a qualquer um envolvido na cena. Afinal a depressão se tornou uma questão de saúde pública e deve ser tradada com cuidado, e em qualquer tribo urbana da modernidade esse problema estará presente, e no Heavy Metal não é diferente.

O que cabe a nós como seres humanos, é buscar entender esses casos e dar suporte a quem assim precisar, seja essa pessoa headbanger ou não.

Fontes:




Sites importantes para saber mais sobre o tema:

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