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quinta-feira, 29 de março de 2018

História: 7 Músicas de Heavy Metal que podem ser usadas em uma aula de História.




O site “Loudwire” especializado em Heavy Metal publicou em 2013, uma matéria onde selecionou 10 músicas de Heavy Metal que são uma verdadeira aula de História. Como professor de História, achei-me no dever de eleger minha lista de músicas de Metal que podem ser usadas em uma aula de História e acrescentar umas dicas de como usar as músicas em uma boa aula, onde pelo menos aqueles seus alunos cabeludos que vão todo dia à escola de preto, irão adorar. 

O simples fato de se trabalhar com uma música de Heavy Metal já pode causar um certo furor, pois saímos da rotina e mostramos que estamos interessados em conhecer o mundo de nossos alunos. Vamos às músicas. 

Ok, bem-vindos ao nosso curso de História. Durante esse curso nós vamos cobrir tópicos históricos abrangendo desde a ascensão do império Alexandrino até eventos mais recentes, como a queda do muro de Berlim. No entanto, esta aula será dada de uma forma diferente do padrão do curso de História convencional. 

Esqueçam seus livros didáticos de História por enquanto, pois nessas aulas usaremos como ferramenta pedagógica 7 músicas de Heavy Metal que abordam os temas de nosso interesse, e para aqueles que não curtem Metal, eu tenho um bônus ao final do curso. Vamos as 7 músicas de Metal que nos ajudarão a entender um pouco mais sobre a história da humanidade, incluindo uma pequena inserção da participação do nosso país no maior conflito bélico da História, a Segunda Guerra Mundial

Só um esclarecimento, as músicas não estão em ordem de preferência, mas em ordem cronológica em relação aos eventos que elas descrevem.


1- Alexander the Great - Iron Maiden 

O IRON MAIDEN é uma banda que sempre apostou muito em letras sobre história, afinal o vocalista, BRUCE DICKINSON, além de ser piloto, doutor em música e palestrante de empreendedorismo, é também historiador. Mas creio que nunca foram tão descritivos e detalhista quanto em “Alexander the Great” (Alexandre O Grande). Enquanto a maioria das músicas do Maiden, envolvendo História, oferecem uma reflexão, esta canção especificamente é mais uma breve história de um dos maiores conquistadores da história do mundo. A música oferece insights sobre a vida de Alexandre, filho de Felipe da Macedônia, e detalha uma série de eventos cronológicos. Os locais das batalhas mais importantes e de seus oponentes já são o bastante para qualquer um tirar um “10” em um teste de História. A banda até mesmo menciona a influência que o conquistador teve ao espalhar o Helenismo mundo afora o que pavimentou o caminho para o cristianismo. Considere “Alexander the Great” como um guia para sua aula de história da Grécia. 


Ouça “Alexander the Great” do IRON MAIDEN no Youtube: 
https://www.youtube.com/watch?v=1oTEQf1d9Iw







2- Crusader – Saxon 

Essa canção dos britânicos do SAXON que assim como o IRON MAIDEN são remanescentes da NWOBHM (New Wave of British Heavy Metal), é uma visão a partir dos cavaleiros cristãos que se engajavam para lutar na terra santa, para recuperar Jerusalém tomada pelos Muçulmanos. Esses movimentos militares conhecidos como “cruzadas” se estenderam do século XI ao XIII. Os cavaleiros cristãos chamados de “cruzados” partiam de seus reinos europeus para lutar no oriente em nome de Cristo. É uma canção de caráter militar, inclusive no andamento ritmado, que poderia ser considerada uma marcha de chamada aos verdadeiros cavaleiros de Cristo para a guerra. Óbvio que como bons britânicos descendentes de saxões, a visão do SAXON é monocromática e se baseia na campanha cristã de libertação da Terra Santa. Dizem em um momento da música “Warlords of England, Knights of the Realm spilling their blood in the sand” (Senhores da Guerra da Inglaterra, Cavaleiros do Reino que derramam o sangue deles (inimigos muçulmanos) na areia). Ou seja, uma excelente introdução ao pensamento do cristão europeu médio do século XIII. Como não temos nenhuma banda de Metal alegadamente muçulmana, creio que não teremos uma música para contrapor essa visão de mundo, portanto, cabe ao bom professor de História dar sua contribuição às origens desse conflito. Mãos a obra. 

Ouça "Crusader" do SAXON no Youtube:
https://www.youtube.com/watch?v=JPbSjmToWXY





3- Declaration Day – Iced Earth 

Em uma lista que fala sobre músicas de Heavy Metal baseadas em História, creio que seria impossível não citar nenhuma música do ICED EARTH. Esta banda americana tem vários exemplos de letras com temas históricos. O líder da banda, o guitarrista JON SCHAFFER é um fanático por História, principalmente quando se trata da Guerra Civil Americana. Em 2007 o ICED EARTH lançou o álbum “The Glorious Burden”, que se trata de um trabalho conceitual que explora vários momentos da história dos EUA. A música que extraímos desse álbum é “Declaration Day” que é como uma ode aos americanos que lutaram pela independência em relação ao Império Britânico. O povo americano, que guiado pelo seu ideal de liberdade lutou até a morte para viver em uma nação livre da dominação colonial. É uma típica letra que enfatiza as virtudes dos que lutaram e poderia ser facilmente o hino da independência americana caso, não fosse uma música de Heavy Metal. 

Uma música desse tipo pode servir à uma aula de História como um recurso crítico e reflexivo para provocar no aluno o sentimento de patriotismo e depois é importante que esse sentimento seja confrontado com o sentimento de revolta dos séculos posteriores a independência, algo que podemos trabalhar na próxima canção desta lista. 

Ouça "Declaration day" do ICED EARTH no Youtube:
https://www.youtube.com/watch?v=RVOEoo1oXBs




4- Creek Mary's Blood – Nightwish 

Os finlandeses do NIGHTWISH, criaram uma bela narrativa sobre a colonização da América do Norte pelos europeus. Pelo ponto de vista de um indígena, a letra explica como os povos nativos foram dizimados pela invasão do homem branco. Sua cultura, sua religião e suas terras se transformaram em “uma trilha de lágrimas” como o refrão da música diz. Para dar mais fiabilidade à narrativa essa música foi gravada com a participação de JOHN TWO-HAWKS, um cantor e ativista da causa indígena. Two Hawks participou tocando um instrumento nativo das tribos norte-americanas e é o responsável por recitar o poema que é a parte final da canção na sua língua nativa (há controvérsias sobre a origem indígena de Two Hawks). A música se desenvolve de uma forma nostálgica traçando as lembranças que o protagonista tem de uma terra paradisíaca, antes da chegada dos europeus. Aqui podemos explorar a musicalidade e a linguagem das tribos indígenas americanas. Uma boa oportunidade de estudar de forma crítica a dominação do índio, pelo homem branco naquele país. 

Não há como precisar o número de indígenas que viviam no território americano antes do aparecimento dos europeus, mas há estimativas baseada em estudos etnográficos que afirmam que no início do século XIX, havia mais de 25 milhões de indígenas nos territórios norte-americanos, principalmente no oeste dos EUA, e mais de 2 mil línguas distintas. Após o genocídio indígena levado a cabo pelo governo no decorrer deste século restaram 2 milhões de indígenas espalhados por algumas reservas. 

A música de forma melancólica expõe a aniquilação irreversível dessas várias culturas ao longo do século XIX. A música se finda como um recado de um povo que agora só resta a memória. “Our spirit was here long before you, long before us and long will it be after your pride brings you to your end" (Nosso espírito estava aqui, muito antes de você chegar, e muito antes de nós, e aqui estará depois que seu orgulho trazer o seu fim).

Ouça "Creek Mary's Blood" do NIGHTWISH no Youtube:
https://www.youtube.com/watch?v=FB6nCwoVCYw







5- One – Metallica 

Esse clássico do METALLICA conta a trágica história de um soldado que foi gravemente ferido durante uma batalha. Depois de ter seu corpo praticamente destruído por um morteiro, ou uma mina terrestre, o soldado ainda vive em um leito de hospital. Sem poder usufruir de nenhum de seus sentidos físicos só lhe resta o sofrimento e a reflexão desse sofrimento. Como a letra não menciona qual conflito vitimou esse soldado, que fala em primeira pessoa sobre sua vontade de morrer, é um tema que poderia ser usado para falar explicitamente de todos os combates ocorridos durante o século XIX e XX, onde muitos soldados foram mutilados e tiveram que viver uma vida vegetativa por conta disso. Foi nessa época que foram usadas as primeiras armas de destruição em massa, como foguetes de longo alcance, o lança chamas e o gás mostarda, que deixou muitos homens com sequelas terríveis. No entanto, sabemos que “One” foi inspirada no romance Johnny Got His Gun (Johnny vai à Guerra) de Dalton Trumbo, que se passa durante a Primeira Guerra Mundial. É uma boa descrição do sofrimento exacerbado que muitos homens, em sua maioria, jovens que ainda não haviam constituído família. Muitas vezes, esses jovens soldados chegavam a desesperadora situação de terem ferimentos tão graves que a morte parecia sempre como uma salvação e esse aspecto a música do METALLICA consegue transmitir dentro de uma atmosfera melancólica e trágica, tornando desesperadora a narração do protagonista. 

Ouça "one" do METALLICA no Youtube:
https://www.youtube.com/watch?v=WM8bTdBs-cw






6- Smoking Snakes – Sabaton 

Os suecos do SABATON se orgulham de escrever sobre história militar. São fascinados por temas relacionados a Segunda Guerra Mundial e prestam um serviço grandioso ao estudo da História do Brasil no século XX. O SABATON se refere a participação brasileira na Segunda Grande Guerra na música “Smoking Snakes” (Cobras fumantes) do álbum HEROES de 2014. A letra desta música é uma exaltação a 3 soldados brasileiros que enfrentaram no dia 14 de abril de 1945 durante o ataque a cidade de Montese na Itália, uma das situações mais adversas dos pracinhas brasileiros. 

Creio que nenhuma banda de Metal antes, mesmo bandas brasileiras, se preocupou em homenagear um episódio heroico, desses soldados que saíram do Brasil desacreditados e despreparados para enfrentar um dos maiores exércitos do mundo na Europa. O título da canção é uma alusão à um ditado que se popularizou no Brasil durante a Guerra, pois os mais pessimistas, diziam que “é mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil entrar na guerra.” O fato é que o Brasil foi obrigado a entrar na guerra e o brasão oficial da FEB (Força Expedicionária Brasileira) era uma cobra fumando, justamente uma provocação a crença popular de que o Brasil jamais entraria naquela guerra. 

Ouça "Smoking Snakes" do SABATON







7- Wind of Change – Scorpions 

Esse hit da banda alemã SCORPIONS é talvez uma das mais conhecidas baladas dessa banda, que é especialista em fazer esse tipo de canção. Fala a respeito da queda do muro de Berlim que foi um momento tão emotivo para aqueles que o presenciaram. “Wind of Change” (vento da mudança) descreve o sentimento a respeito do muro que dividiu Berlim ocidental da Berlim Oriental e o que isso significa para o futuro. A queda do muro viu a Alemanha unificada pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Isso significou muito para aqueles que viviam na Berlim Oriental, por causa da grande disparidade de qualidade de vida que eles enfrentavam comparando com seus conterrâneos do lado ocidental. O muro de Berlim era uma lembrança melancólica da guerra que agora os cidadãos poderiam deixar para trás. Em um trecho da música é dito “Let your balalaika sing what my guitar wants to say” (Deixe sua balalaica cantar o que minha guitarra quer dizer). Uma forma genial de dizer para a cultura fechada da Alemanha Oriental simbolizada pela balalaica – instrumento popular da Rússia, que à época controlava esse país – se abrir ao som do ocidente, simbolizado pela guitarra – instrumento símbolo do Rock N’ Roll, música libertária que dominou o mundo. 


Ouça “Wind of Change” do SCORPIONS no Youtube: 






Estes são apenas 7 exemplos escolhidos arbitrariamente levando em conta meu próprio gosto musical, mas é nítido que um número infinito de músicas de Heavy Metal refere-se a temas históricos que tiveram importância para a humanidade. Cabe ao professor estar em sintonia com sua sala para notar a necessidade de usar ou não uma dessas canções em suas aulas de História. Mas por outro lado, muitas outras canções de estilos diversos foram escritas inspiradas em eventos históricos. O segredo é construir um ambiente propício para que os alunos se interessem pela matéria e essas músicas são uma alternativa para chamar a atenção dos alunos e de alguma forma entrar em seus mundos tão particulares. 

É inegável o maior interesse dos músicos e fãs de Heavy Metal por temas históricos, por isso sempre quando ver um headbanger, saiba que pode ter dele o seu melhor se cativá-lo corretamente. No entanto, podemos pensar em músicas alternativas para temas semelhantes. 


Bonus

A famosa banda U2 que tem um estilo mais popular e aceitável entre a juventude tem dois exemplos de músicas que podem ser trabalhados em sala de aula: “Sunday Bloody Sunday” que descreve o massacre de manifestantes irlandeses que protestavam contra a dominação britânica, evento que até hoje gera muita reflexão. Pride (In the name of Love) fala de forma subjetiva do assassinato do grande líder americano Martin Luther king Jr, que lutou bravamente pelos direitos da população negra dos EUA e foi assassinado por isso. 

Ouça "Pride (In the name of love) do U2 no Youtube:
https://www.youtube.com/watch?v=LHcP4MWABGY






Mãos à obra caros professores de História, vamos fazer nossos alunos curtirem nossas aulas... 

Qual música de Metal você gostaria de usar em uma aula de História?

Fonte: 
10 Metal Songs That Make a Great History Lesson
Leia a matéria em inglês do site Loudwire escrita por Joe DiVita, que inspirou esse artigo.




    André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Banda Sueca de Heavy Metal lança música em homenagem à soldados brasileiros da FEB (Força Expedicionária Brasileira)





Brasão da FEB






A banda de Heavy Metal sueca Sabaton lançou seu mais recente álbum esse mês (16 de Maio de 2014). Heroes é o sétimo álbum dessa banda que foi formada em 1999. Os caras fazem um Power Metal muito poderoso e melódico. Todas as musicas se parecem com hinos. Mas para nós brasileiros, a terceira faixa do álbum tem um significado especial. A música chamada “Smoking Snakes” – cobras fumantes em português – é uma homenagem a FEB – Força Expedicionária Brasileira – que lutou na Itália contra as forças nazistas. O titulo da musica faz referencia ao fato de os pracinhas brasileiros usarem em seu brasão uma cobra fumando que por sua vez foi usada pelo fato de que a população duvidava da entrada do Brasil na guerra dizendo que: "era mais fácil uma cobra fumar um cachimbo do que o Brasil entrar nessa guerra". 



Note a bandeira do Brasil em uma das capas do álbum "Heroes"

O vocalista Joakim Brodén é um aficionado pelo tema “Segunda Guerra Mundial” e todas as letras que escreve está relacionado às grandes batalhas desse conflito. Esse novo álbum foca mais nos heróis individuais que lutaram nessa guerra, por isso foi intitulado “Heroes” – heróis.

A música em questão possui até uma parte do refrão em português com a frase “Cobras Fumantes eterna é sua vitória” que sendo cantada com o coral soa como latim.

Sua letra é uma exaltação a 3 soldados brasileiros que enfrentaram no dia 14 de Abril de 1945 durante o ataque a cidade de Montese na Itália uma das situações mais adversas dos pracinhas brasileiros. O pelotão, ao qual faziam parte 
ARLINDO LÚCIO DA SILVA, GERALDO RODRIGUES DE SOUZA e GERALDO BAÊTA DA CRUZ, foi detido por violenta barragem de morteiros inimigos, enquanto uma metralhadora alemã hostilizava violentamente o seu flanco esquerdo, obrigando os atacantes a se manterem colados ao solo. Não tendo mais possibilidades de sair do local, os três soldados brasileiros ficaram desgarrados de sua tropa. Mas segundo consta não temeram! Imediatamente, o Soldado ARLINDO, atirador de fuzil automático, localiza a resistência inimiga e num gesto de grande bravura, levanta-se, localiza a resistência inimiga e sobre ela despeja seis carregadores da sua arma, obrigando-a a calar-se. Geraldo e Baêta não pararam de atirar. Eram três pracinhas contra uma tropa de grande número. Tropa essa que pensava estar enfrentando uma outra de efetivo igual ou superior ao seu. Atiraram até a munição acabar. ARLINDO é ferido mortalmente por um franco atirador inimigo, enquanto GERALDO é atingido por um cruel estilhaço e BAÊTA recebe um tiro certeiro.

A musica termina de forma muito enfática exaltando o heroísmos dos pracinhas brasileiros: "Nós nos lembramos da não rendição dos heróis do século"(tradução livre)



Confira no link um vídeo feito com a música legendado em portuguê - só avisando que as legendas não são minhas e não me responsabiliso pela baixa qualidade.
https://www.youtube.com/watch?v=nG46qvWgO0s#t=90




André Stanley é professor e escritor; autor do livro “O Cadáver”; presidiu o Centro acadêmico do curso de História no UNIFEG em 2007, é membro efetivo da Ass. Dos Historiadores e pesquisadores dos Sertões do Jacuhy desde 2004. Atua hoje como professor e pesquisador de História. Também leciona língua inglesa idioma que domina desde a adolescência..

domingo, 13 de outubro de 2013

10 músicas de Heavy Metal que podem ser usadas em uma aula de História.

Bruce-Dickinson -  Queen Mary University of London - official publicity photo


O site “Loudwire” especializado em Heavy Metal publicou em 2013, uma matéria onde selecionou 10 músicas de Heavy Metal que são uma verdadeira aula de História. Como professor de História achei-me no dever e tomei a liberdade de traduzir o artigo de Joe DiVita e acrescentar umas dicas de como usar as músicas em uma boa aula de História, onde pelo menos aqueles seus alunos cabeludos que vão todo dia a escola com roupa preta irão adorar. O simples fato de se trabalhar com uma música de Metal já pode causar um certo furor, pois sai da rotina e mostra que você está interessado em conhecer o mundo deles. Vamos às músicas.

Ok, bem vindo ao curso de história de Heavy Metal. Durante esse curso nós vamos cobrir tópicos históricos abrangendo desde o antigo Egito até os recentes eventos que ocorreram no mundo. No entanto, esta aula será dada de uma forma diferente do padrão do curso de História.

Você não terá que se preocupar em comprar livros caros, já que as lições serão ensinadas através de músicas de Heavy Metal. Inúmeros artistas buscam inspiração de eventos do passado e oferecem uma reflexão sobre o que aconteceu. Nós discutiremos ambos os aspectos nessa aula, então leia para participar. Cada lição será ensinada através de uma canção, então pegue seus cadernos e comecem a tomar notas enquanto discutimos essas 10 músicas de Heavy Metal que são cada uma delas uma grande lição de história.


1- The Essential Salts' –Nile

A banda Nile (Nilo- rio do Egito) que é fanática pela história do antigo Egito escreveu varias canções sobre uma das mais fascinantes culturas de toda a história. The essencial Salts (Os sais essenciais) descreve o ritual de reanimação por meio do cozimento de partes do corpo e dos ossos até que a água se evapora restando apenas uma substância branca.

Ali está o sal do sujeito da reanimação que então se tornará carne enquanto as palavras são ditas. A música continua descrevendo o que acontece depois e descreve o que acontece se os sais estiverem contaminados. O sujeito reanimado experimentará alucinações e deverá ser morto imediatamente. O necromante que está a cargo do processo de reanimar o sujeito de forma imprópria deve também ser morto por estrangulamento com uma corda. Os corpos deles são então queimados e suas cinzas lançadas no Nilo. Aposto que você não aprendeu isso em sua aula de Egito Antigo na escola? Essa música parece até mesmo um tutorial de como os egípcios faziam com seus mortos e o passo-a-passo do ritual.







2- Alexander the Great - Iron Maiden


O Iron Maiden escreveu muito sobre história, mas nunca da mesma maneira que em “Alexander the Great” (Alexandre O Grande). Enquanto a maioria das músicas do Maiden envolvendo história oferecem uma reflexão, está canção especificamente é mais uma breve história de um dos maiores conquistadores da história do mundo. A música oferece insights sobre a vida de Alexandre, filho de Felipe da Macedônia, e detalha uma série de eventos cronológicos. Os locais das batalhas mais importantes e de seus oponentes já são o bastante para qualquer um tirar um “10” em um teste de história. A banda até mesmo menciona a influencia que o conquistador teve ao espalhar o Helenismo mundo afora o que pavimentou o caminho para o cristianismo. Considere “Alexander the Great” como um guia para sua aula de história da Grécia.




3- Indians – Anthrax

Os mestres do Trash Metal nova-iorquino lançaram o grandioso “Among the Living” em 1987, que continha uma música sobre uma vergonhosa marca dos colonizadores da America do Norte. “Indians” (Índios) destaca as ações deploráveis tomadas contra as tribos nativas americanas e o que nós aprendemos com nosso passado. O Anthrax escreveu sobre alguns dos horrores enfrentados pelos nativos americanos justapostas com noções de paz e um desejo por um mundo sem preconceito. Conscientes de que nós nunca podemos voltar e reviver aquilo que aconteceu no passado, o Anthrax mostra que a melhor forma de honrar aqueles que morreram é aprender com os nossos erros para que não façamos novamente.





4- Hold at All Costs – Iced Earth

O líder do Iced Earth Jon Schaffer é um entusiasta da história americana e possui até mesmo sua loja de raridades históricas que é chamada de “Spirit of 76” (espírito de 76). “The glorious burden” é o primeiro álbum do Iced Earth com Tim “ripper” Owen nos vocais e é um álbum predominantemente sobre a história dos USA e temas patrióticos. ”Hold at all costs” (Agüente a todo custo) é o segundo dia da Batalha de Gettysburg durante a Guerra Civil Americana. Os flancos direito e esquerdo do exército da União foram atacados por ondas de investidas inimigas. Sem munição, não havia outra opção de retaliação que não fosse enfrentar a próxima onda de ataques com baionetas nos rifles. Em uma grande virada, a União segurou os confederados na mais mortal batalha da guerra. 




5- Stalingrad – Hail of Bullets

A banda de Death Metal alemã "Hail of Bullets" se auto intitulam “World War II Metal” (Segunda Guerra Mundial Metal) o apelido combina perfeitamente com o tema, já que a banda aborda temas especificamente sobre a Segunda Guerra Mundial. A batalha de Stalingrado é uma das mais notórias da guerra. Hail the Bullets não pega leve aqui, eles detalham uma série de eventos que se desenrolam durante a batalha com a brutalidade vívida dos mortos espalhados com um fundo absolutamente Death Meltal. Os vocais inelegíveis de Martin van Drunen faz com que a música se torne uma pequena lição sobre a batalha. Da próxima vez que estiver em uma aula de história discutindo sobre a Segunda Guerra Mundial, ofereça-se para tocar na sala de aula um Death Metal para ajudá-los a passar de ano.





6- Primo Victoria – Sabaton

Os suecos do Sabaton se orgulham de escrever sobre história militar. “Primo Victoria” é a primeira música que abre o primeiro álbum da banda com o mesmo nome. A música é sobre o Dia-D e ostenta uma batida com tempo de marcha para invocar o sentimento de guerra. A letra fala sobre a mentalidade dos soldados nas praias da Normandia, sabendo do risco de não voltarem vivos para casa. O sentimento de irmandade do exército está em foco aqui, descrevendo que morrer é egoísmo porque morreram antes do objetivo final que é destruir os nazistas. A operação é um esforço de equipe, isso é tudo o que importa. Sabaton presta um tremendo serviço ao abrir o álbum colocando o ouvinte para entrar na pele de um soldado na guerra.




7- Manhattan Project – Rush

O Rush é geralmente considerada uma banda de Rock progressivo, mas eles já fizeram sons muito parecidos com Heavy Metal, assim se encaixam nesta lista. De qualquer forma, o Rush escreveu letras que fazem as pessoas pensar. Eles mostram suas reflexões históricas a respeito do projeto que batizaram a música em questão. Manhattan Project é o nome do projeto que desenvolveu a bomba atômica. A letra é predominantemente vaga, mas com informa o ouvinte suficientemente sobre o projeto e as subsequentes conseqüências. O Rush expressa o arrependimento sentido por aqueles que comandaram o lançamento da bomba atômica no Japão, e no ultimo verso, da o nome do piloto e o mês do evento. Você pode agradecer o rush quando você pega aquela pergunta de risco.




8- Angel of Death –Slayer

A obra prima do SlayerReign in Blood” apresenta a impecável “Angel of Death” (Anjo da morte). A música escrita por Jeff Hanneman descreve os inúmeros horrores que ocorreram no campo de concentração de Auschwitz. O título foi tirado do apelido do médico Dr. Josef Mengele, que atuou em Auschwitz. Ele é odiado pelos atos de horrores que a música descreve muito bem. Seus experimentos monstruosos com prisioneiros judeus são pouco detalhados aqui, mas é mais que o suficiente para embrulhar seu estomago. As aulas de história geralmente descrevem um pouco dos detalhes sobre os terríveis atos praticados no holocausto, mas “Angel of Death” não deixa a desejar na descrição desse odioso evento.





9- War Pigs – Black Sabbath

Está clássica musica do Black Sabbath foi originalmente intitulada “Walpurigis” e era nitidamente satânica, falando sobre o sabbath das bruxas. O título não era inteiramente pertinente a isso, então foi pedido à banda para mudar a letra. O resultado foi uma música que passou pelo teste do tempo e se tornou uma musica de protesto contra a guerra da Vietnã. “War Pigs”(porcos de guerra) funciona como uma cápsula do tempo e é um dos vários protestos contra a Guerra do Vietnã. A música põe em pauta a mentalidade dos políticos e as pessoas que eles enviam para morrer no campo de batalha. A música termina descrevendo o fim da guerra e aqueles que pediram desesperadamente por ela repetindo seus erros, mas agora é muito tarde e Satã caçoa deles no inferno. 





10- Wind of Change – Scorpions

Ok, esta é uma balada, sim, mas é de uma banda de Heavy Metal então ela conta. O hit da banda alemã Scorpions fala a respeito da queda do muro de Berlin que foi um momento tão emotivo para aqueles que o presenciaram que só poderia ser capitado através de uma balada. “Wind of Change”(vento da mudança) descreve o sentimento a respeito do muro que dividiu Berlin ocidental da Berlim Oriental e o que isso significa para o futuro. A queda do muro viu a Alemanha unificada pela primeira vez desde o fim da segunda guerra mundial. Isso significou muito para aqueles que viviam na Berlin Oriental, por causa da grande disparidade de qualidade de vida que eles enfrentavam comparando com seus conterrâneos do lado ocidental. O muro de Berlim era uma lembrança melancólica da guerra que agora os cidadãos poderiam deixar para trás.






Esses são apenas 10 exemplos escolhidos arbitrariamente pelo autor do artigo (Joe DiVita), mas é nítido que um número infinito de músicas de Heavy Metal se referem a temas Históricos que tiveram importância para a História da humanidade. Cabe ao professor estar em sintonia com sua sala para notar a necessidade de usar ou não uma dessas canções em suas aulas de História. Mas por outro lado, muitas outras canções de estilos diversos foram escritas inspiradas em eventos históricos. O segredo é construir um ambiente propício para que os alunos se interessem pela matéria e essas músicas são uma alternativa para chamar a atenção dos alunos e de alguma forma entrar em seus mundos tão particulares.

É inegável o maior interesse dos músicos e fans de Heavy Metal por temas históricos, por isso sempre quando ver um metaleiro saiba que pode ter dele o melhor se cativar-lo corretamente. No entanto podemos pensar em músicas alternativas para temas semelhantes.

A famosa banda U2 que tem um estilo mais popular e aceitável entre a juventude tem dois exemplos de músicas que podem ser trabalhados em sala de aula: “Sunday Bloody Sunday” que descreve o massacre de manifestantes irlandeses que protestavam contra a dominação britânica, evento que até hoje gera muita reflexão. Pride( In the name of Love) fala de forma subjetiva do assassinato do grande líder americano Martin Luther king Jr, que lutou bravamente pelos direitos da população negra dos EUA e foi assassinado por isso.

Mãos a obra caros professores de História, vamos fazer nossos alunos curtirem nossas aulas...





André Stanley alcunha de André Luiz Ribeiro é professor e escritor; autor do livro “O Cadáver” (Editora Multifoco – 2013); É membro efetivo da Asso. Dos Historiadores e pesquisadores dos Sertões do Jacuhy desde 2004. Atua hoje como professor e pesquisador de História Cultural. Também leciona língua inglesa, idioma que domina desde a adolescência, Administra e escreve para os blogs: Blog do André Stanley (blogdoandrestanley.blogspot.com) – Sobre História, política, arte, religião, humor e assuntos diversos e Stanley Personal Teacher (stanleypersonalteacher.blogspot.com) onde da dicas de Inglês e posta exercícios para todos os níveis.

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