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domingo, 15 de novembro de 2015

Por que a maioria dos “metaleiros” aprendem inglês sem se esforçar?




Muitas pessoas aprendem inglês sem ir à escola. Isso porque pessoas assim possuem um interesse pela língua que ultrapassa as barreiras da necessidade profissional. Um fã de Heavy Metal, por exemplo, busca entender o que está ouvindo, o que seu cantor favorito diz na letra das suas musicas. Esse cara não precisa fazer muito esforço para aprender inglês. Quando adolescentes gostam de Heavy Melal, suas vidas se resumem a isso. 

O Heavy Metal pode ser dividido em três etapas. A primeira ocorre na adolescência, é a fase mais radical do processo, onde o adolescente se torna um fã do estilo e não aceita nada que possa ser diferente daquilo, é tipo um “nazismo” musical. É inaceitável ouvir algo que não seja considerado Heavy Metal. É a fase onde o individuo possui uma grande necessidade de mostrar seu engajamento, usando roupas pretas, cabelos longos e fazendo tipo de mauzão. 

Depois desse período temos a fase adulta, onde a pessoa começa a encarar a sociedade em que vive, e começa a ter insights que o obriga a considerar a necessidade de se integrar ao meio, pois a banda que ele havia montado na adolescência nunca saiu da garagem e novas responsabilidades começam a surgir. Nessa fase a pessoa se toca que é necessário trabalhar para se sustentar e é preciso encontrar alguém que queira dividir uma vida e se livrar da solidão. Isso tudo implica em concessões. Nem todas as garotas interessantes ouvem Heavy Metal. 

A terceira fase é aquela onde você se desvencilha totalmente do seu estilo de vida “metaleiro” e apesar de ainda ouvir Heavy Metal, você parece uma pessoa normal quando anda pelas ruas. É claro que eu generalizei, há pessoas que nunca saem da primeira fase. Continuam isolados e refratários a qualquer coisa que não seja da cena, e todas as bandas novas que surgem são horríveis. Começam a repetir mantras do tipo. “Ninguém mais faz um som como o Black Sabbath hoje em dia.” “É tudo porcaria o que se chama de Metal hoje.” Eu diria que esse é o principal sintoma de que você esta ficando velho. 




Se você teve uma adolescência assim e não se tornou um músico famoso de Heavy Metal, você chegará à terceira fase do processo com algumas vantagens sobre os outros que estão lutando feito um louco para aprender inglês porque seu trabalho exige uma segunda língua. Apesar de nunca ter sido um exemplo de aluno, você domina o inglês sem nunca ter frequentado um curso. No entanto, tendo professores ilustres como Ozzy Osborne, Bruce Dickinson, Robert Plant, Jon Bon Jovi, James Hetfield e outros do panteão de vocalistas do Heavy Metal. 


Essa vantagem não é pouca coisa. Hoje em dia a maior dificuldade na hora de aprender uma língua estrangeira, é a falta de engajamento por parte do aluno. As razões profissionais são muito fortes para alguém ajuntar motivos para aprender inglês, no entanto, muitos alunos de inglês se queixam da chatice que é aprender um idioma. “Se não fosse pelo trabalho eu não faria esse curso.” Dizem muitos deles. 

O ex adolescente “metaleiro” na maior parte das vezes viu a aprendizagem do inglês como algo divertido e necessário pois, todo mundo nessa fase quer montar uma banda e ficar famoso como o Metallica. Essa motivação é muito grande para uma pessoa. É quase um compromisso religioso.


Lógico que há outros motivos que fazem uma pessoa se engajar na hora de aprender um idioma. Há aqueles que são apaixonados por filmes e têm o sonho de entender tudo sem precisar de legendas. Há aqueles que por motivos profissionais começam a estudar inglês e de repente se vêem apaixonados pela língua. Há aqueles que, por um mistério da natureza simplesmente amam o inglês e não têm dificuldades em aprender. 


Portando fica aqui a dica para quem quer aprender inglês. Procure um engajamento maior, um compromisso maior com o idioma. Como encontrar esse engajamento? Isso fica por conta de cada um. Cada indivíduo sabe do que gosta e porque gosta. Com o advento da sociedade global ficou muito fácil encontrar motivos concretos para aprender inglês. Dentro de pouco tempo quem não souber se expressar em inglês será considerado um tremendo de um analfabeto. E também para os professores de inglês que se queixam da falta de interesse de seus alunos. Tente deixar claro para eles que não têm muitas opções. Seu sucesso profissional depende disso. E use sempre que possível algo pelo qual eles se interessam. Isso é importantíssimo para manter a motivação sempre em dia. Agora, se esse aluno mesmo com todo seu esforço próprio e energia desprendido pelo seu professor não aprende, infelizmente fica difícil. A velha máxima pedagogia diz, que “não adianta ensinar quem não está disposto a aprender.”


André Stanley alcunha de André Luiz Ribeiro é professor e escritor; autor do livro “O Cadáver” (Editora Multifoco – 2013); É membro efetivo da Asso. Dos Historiadores e pesquisadores dos Sertões do Jacuhy desde 2004. Atua hoje como professor e pesquisador de História Cultural. Também leciona língua inglesa, idioma que domina desde a adolescência, Administra e escreve para os blogs: Blog do André Stanley (blogdoandrestanley.blogspot.com) – Sobre História, política, arte, religião, humor e assuntos diversos e Stanley Personal Teacher (stanleypersonalteacher.blogspot.com) onde da dicas de Inglês e posta exercícios para todos os níveis.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Heavy Metal: Ser headbanger é ser neurótico?

Imagem: Metaleiro Neurótico - André Stanley



Esse artigo foi originalmente publicado alguns anos atras no blog "Crisalidá de Aço", mas acho que o tema é legal para gerar discussões 

“Enquanto houverem garotos chateados, continuará a existir o Heavy Metal.” Assim profetizava Ozzy Osborne, o avô do Metal nos idos dos anos 80s. Buscava definir em uma frase toda a essência do Heavy Metal e creio não haver aforismo mais sábio que este.

Em 1984, época em que este estilo ganhava o mundo, um caso de suicídio chocou a opinião pública, quando os pais do dito suicida resolveram processar OZZY OSBORNE por induzir através de sua música o rapaz a tirar sua própria vida. Um ano depois o JUDAS PRIEST também enfrentou os tribunais por conta de dois fãs da banda que atiraram em suas próprias cabeças. O próprio Ozzy já havia estado antes em situação semelhante quando uma enfermeira teria se matado ao ouvir a música “Paranoid” do BLACK SABBATH. Outros casos como esses ocorreram posteriormente envolvendo bandas como, AC/DC e PINK FLOYD em mais de uma ocasião.

Culpar um estilo musical por fazer apologia ao suicídio parece uma solução interessante, sobretudo, para quem detesta tal música. Mas será que as famílias destes suicidas não querem mesmo é se redimirem da própria culpa?
A discussão seria mais proveitosa se analisássemos o perfil do fã de Metal. O popular “metaleiro” – como o próprio Ozzy nos alertou acima – é um sujeito chateado com a vida, alguém que precisa se libertar de alguma forma de algum tipo de prisão psicológica que o oprime. Neste sentido, a música pesada se torna uma espécie de válvula de escape e, sobretudo, uma forma de manifestação social, o headbanger quer ser ouvido e sua música é a única forma que encontra para que a sociedade o ouça.

Não acredito que o headbanger seja um suicida em potencial, como muitos especialistas da área de psicologia vêm cogitando. Afinal – e essa é uma constatação pessoal – de todas as pessoas do meu círculo de amizades que tentou ou consumou o ato suicida, nenhum deles era headbanger.
No entanto, há artigos científicos que afirmam que o fã de Metal “têm uma tendência significativamente mais alta" a ter comportamentos depressivos e é sabido que o fã de Heavy Metal, muitas vezes, se encontra oprimido demais dentro de uma sociedade essencialmente conservadora, hipócrita e fundamentalista, que valoriza cada vez mais, padrões irreais de beleza e do que é socialmente correto ou aceitável.

O fã de Metal é na verdade, uma pessoa que se sente incapaz de viver no mundo real desolador e tão diferente daquele que almeja, onde peculiaridades comportamentais são tidas como evasão social, e não como um ato de criatividade.

Muitos, quando ficam mais velhos caem na real e veem que o tão sonhado mundo épico estampados nas capas dos álbuns das bandas que gostam é apenas uma “utopia”, uma idealização subjetiva de um mundo onde somente ele é o protagonista. Talvez até um “mundo paralelo” criado para dar mais significado a sua vida.

Mas as vezes, algo errado acontece - muito raramente é verdade - ao enfrentarem esse choque de realidade, sua mente já fortemente abalada pela frustração e, muitas vezes, pela falta de apoio familiar e social acaba fazendo com que esses indivíduos se atirem nas garras da depressão e vez ou outra tenham pensamentos suicidas.

Creio que a questão que deve ser discutida é, será que o Heavy Metal é um estilo – não só musical, mas também um estilo de vida – que atrai pessoas neuróticas e por isso temos casos como estes citados acima? Ou esse estilo se presta como um fator terapêutico que ajuda essas pessoas neuróticas a ter uma vida mais segura – mesmo que de forma idealista – e até mesmo a fugir de qualquer pensamento suicida?

Não é meu papel esgotar esse debate, até mesmo porque, apesar de ser fã de Heavy Metal há algumas décadas, não sou especialista na área da psicologia, mas qualquer discussão dessa importância cabe a qualquer um envolvido na cena. Afinal a depressão se tornou uma questão de saúde pública e deve ser tradada com cuidado, e em qualquer tribo urbana da modernidade esse problema estará presente, e no Heavy Metal não é diferente.

O que cabe a nós como seres humanos, é buscar entender esses casos e dar suporte a quem assim precisar, seja essa pessoa headbanger ou não.

Fontes:




Sites importantes para saber mais sobre o tema:

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