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sábado, 13 de dezembro de 2014

Metalhead – Filme Islandês retrata as desavenças psicológicas de uma fã de Heavy Metal.







Título: Málmhaus(Original)
Ano produção: 2013
Dirigido por: 
Estreia: 11 de outubro de 2013( Islândia) 
Duração: 97 minutos
Classificação:  14 - Não recomendado para menores de 14 anos
Gênero: Drama 
País de Origem: Islândia

Sei que não é o que se espera de um filme chamado Metalhead*, onde na capa tem a foto de uma mulher com uma maquiagem estilizada de Black Metal, mas este filme se trata de um drama familiar vivido por uma pequena família proprietária de uma fazenda de gado leiteiro no interior da Islândia. A protagonista é Hera, uma jovem que depois que perdeu seu irmão mais velho em um acidente com um trator, busca superar suas agruras ouvindo e compondo músicas de Heavy Metal. Estilo musical que seu irmão era fã. Hera passa a ter um comportamento agressivo e fugidio o que a faz entrar em choque com seus pais e com a pequena comunidade rural onde vive.

O filme retrata as varias esquisitices que Hera usa para tentar esquecer o trauma do passado. Mostra uma jovem mulher que não consegue acalentar sua dor e devido a sua característica misantropa não consegue estabelecer um vínculo social com seus conterrâneos e mesmo seus pais se tornam estranhos vivendo debaixo do mesmo teto, ou seja, uma Metalhead* por excelência, sem amigos e com apenas uma forma de se expressar, a música pesada. O diretor Ragnar Bragason foi muito feliz ao criar essa personagem que engloba em si as angustias que essa subcultura enfrenta para se sentir viva e parte de uma sociedade que a eles parece impossível de viver.

O drama se passa nos idos dos anos 90 onde bandas como JudasPriest, Megadeth, Metallica e Iron Maiden já possuíam uma legião de fãs ao redor do mundo e é com essa trilha sonora que Hera lida com suas mais profundas dores. E o contraste de seu comportamento arredio com a sociedade conservadora em que vive, pode ser vista como uma micro representação social de como esse estilo musical sobreviveu a anos de repressão por parte dos mais conservadores, e ainda conseguiu se extremar gerando até mesmo uma onda de vandalismos extremos praticado na Noruega por parte de grupos de fãs de Black Metal, até então a vertente mais extrema do Metal. Esse fato não deixa de influenciar Hera que passa a se comportar de forma ainda mais radical depois que assiste pela TV uma reportagem sobre igrejas que foram incendiadas na Noruega. Até estiliza uma maquiagem da mesma maneira que os músicos de bandas como Mayhem e companhia limitada usavam.

Metalhead* é um filme às vezes sombrio por demonstrar as profundezas mais inóspitas da nossa mente, e às vezes cômico quando lida com o comportamento exótico da protagonista, mas é sobretudo um filme sobre a perda e a devastação que isso pode causar na vida de uma pessoa e naqueles que vivem a seu redor. É um filme repleto de simbologias que permeiam o mundo do Heavy Metal e da psicologia de uma forma geral.

Mostra de forma singela os devaneios de uma sub cultura que só sobrevive ainda hoje porque ainda há adolescentes e jovens necessitando da ajuda de guitarras distorcidas e vocais guturais para conseguirem continuar vivendo, como diria a famosa frase sempre atribuída a Ozzy Osborne: "Enquanto houverem garotos chateados, o Heavy Metal continuará existindo."



Assista o Trailer:






*Metalhead - Um dos muitos nomes utilizado mundo afora para rotular o fã de Heavy Metal em geral.Leia matéria publicada nesse blog sobre terminologias usadas para se referir ao fã de Heavy Metal. Click Here

Pesquisa:
IMDB
Whiplash


Assista on line: Aqui

André Stanley alcunha de André Luiz Ribeiro é professor e escritor; autor do livro “O Cadáver” (Editora Multifoco – 2013); É membro efetivo da Asso. Dos Historiadores e pesquisadores dos Sertões do Jacuhy desde 2004. Atua hoje como professor e pesquisador de História Cultural. Também leciona língua inglesa, idioma que domina desde a adolescência, Administra e escreve para os blogs: Blog do André Stanley (blogdoandrestanley.blogspot.com) Sobre História, política, arte, religião, humor e assuntos diversos e Stanley Personal Teacher (stanleypersonalteacher.blogspot.com) onde da dicas de Inglês e posta atividades para todos os níveis.

quarta-feira, 5 de março de 2014

(Documentário) "Dream Deceivers" - O dia em que o Judas Priest foi a julgamento.

*Dream Deceivers: A história por trás do julgamento de James Vance contra Judas Priest.








Em 1992 um documentário produzido pelo canal de TV pública dos EUA, KNPB, e dirigido por David Van Taylor, contava a história envolvendo os bastidores do julgamento levado a cabo pelos familiares de James Vance contra a banda de Heavy Metal britânica JUDAS PRIEST. A história já bem conhecida teve seu estopim no dia 23 de dezembro de 1985 e foi manchete mundial.

James Vance de 20 anos e seu amigo Raymond Belknap de 18 anos, depois de horas bebendo e fumando maconha – segundo a imprensa local – estavam alegadamente ouvindo Judas Priests no playground de uma igreja da cidade de Sparks, onde moravam. Estavam de posse de uma arma calibre 12 – popular escopeta. Os dois garotos fizeram um pacto de morte e ambos atiraram contra suas próprias cabeças.

Raymond Belknap morreu na hora. Pedaços de seu cérebro se espalharam por vários metros. James Vance sobreviveu ao tiro, porem teve que passar por várias cirurgias de reconstrução facial que devido ao grande estrago perpetuado pelo disparo não foram capazes de tirar de Vance uma séria deformação em seu rosto.

A família de Vance decidiu processar a banda JUDAS PRIEST alegando que a música que os dois garotos – que eram fãs assumidos da banda – ouviam, continha uma mensagem subliminar que levou os dois jovens a praticar a trágica ação.

O documentário – que está em inglês – mostra entrevistas com os pais de James Vance e com o próprio Vance, que foi internado em um hospital psiquiátrico com sintomas de depressão e que três anos após a tentativa de tirar sua vida estourando seus miolos, enfim cometeu suicídio nessa instituição.

O documentário mostra também as primeiras imagens feitas pela polícia dos dois garotos estirados no chão do playground e o áudio da polícia recebendo a denúncia do ocorrido.

Mas talvez, o grande trunfo do filme é mostrar o julgamento da banda. Os integrantes do Judas Priest se apresentaram à corte da cidade de Reno, onde ocorreu o julgamento, vestidos de ternos e foram questionados sobre a possível mensagem subliminar contida na música “Better by you better than me” (É melhor para você e melhor para mim – tradução livre) do clássico álbum da banda “
Stained Class”.

Os advogados de Vance alegaram que a música continha uma mensagem “satânica subliminar” com um simples dizer “Do it” (faça). A música em questão não é de autoria do JUDAS PRIEST mas uma regravação de outra banda inglesa, “SPOOKY TOOTH.” A música foi reproduzida durante o julgamento para provar que havia uma mensagem subliminar, e o vocalista ROB HALFORD teve que cantar a música a capela diante do juiz.

Devemos levar em conta que o julgamento ocorreu em um período onde a presidência dos EUA era ocupada por Ronald Reagan, um dos mais conservadores presidentes americanos, onde a direita cristã extremista dos EUA executava uma cruzada contra a influência da música pesada na juventude americana. Por isso a alegação de uma mensagem satânica que hoje parece ridícula tinha uma certa aceitação como ainda há entre os fundamentalistas cristãos.

Várias vezes o filme mostra o grande apoio recebido pela banda em frente ao palácio de justiça de Reno, com fãs segurando cartazes apoiando o grupo Britânico e gritando mensagens de apoio. Muitos fás aproveitaram a ocasião para pedir autógrafos e tirar fotos com a banda. 

O documentário de cerca de uma hora de duração tem trilha sonora do próprio JUDAS PRIEST e é um documento histórico de um dos eventos mais trágicos envolvendo uma banda de Heavy Metal.



*O nome do documentário é um trocadilho com o título de uma música do Judas chamada Dreamer Deciever (Enganador sonhador), do disco “
Sad Wings of Destiny,” Dream Deceivers significa algo como: enganadores de sonhos.

Assista o documentário Dream Deceivers na íntegra.


IMDB:


Assista o documentário na integra em inglês:








Caso não consiga abrir o vídeo tente esse link: https://www.youtube.com/watch?v=G6x9RKvWYmk



André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.


segunda-feira, 29 de julho de 2013

Heavy Metal: Ser headbanger é ser neurótico?

Imagem: Metaleiro Neurótico - André Stanley



Esse artigo foi originalmente publicado alguns anos atras no blog "Crisalidá de Aço", mas acho que o tema é legal para gerar discussões 

“Enquanto houverem garotos chateados, continuará a existir o Heavy Metal.” Assim profetizava Ozzy Osborne, o avô do Metal nos idos dos anos 80s. Buscava definir em uma frase toda a essência do Heavy Metal e creio não haver aforismo mais sábio que este.

Em 1984, época em que este estilo ganhava o mundo, um caso de suicídio chocou a opinião pública, quando os pais do dito suicida resolveram processar OZZY OSBORNE por induzir através de sua música o rapaz a tirar sua própria vida. Um ano depois o JUDAS PRIEST também enfrentou os tribunais por conta de dois fãs da banda que atiraram em suas próprias cabeças. O próprio Ozzy já havia estado antes em situação semelhante quando uma enfermeira teria se matado ao ouvir a música “Paranoid” do BLACK SABBATH. Outros casos como esses ocorreram posteriormente envolvendo bandas como, AC/DC e PINK FLOYD em mais de uma ocasião.

Culpar um estilo musical por fazer apologia ao suicídio parece uma solução interessante, sobretudo, para quem detesta tal música. Mas será que as famílias destes suicidas não querem mesmo é se redimirem da própria culpa?
A discussão seria mais proveitosa se analisássemos o perfil do fã de Metal. O popular “metaleiro” – como o próprio Ozzy nos alertou acima – é um sujeito chateado com a vida, alguém que precisa se libertar de alguma forma de algum tipo de prisão psicológica que o oprime. Neste sentido, a música pesada se torna uma espécie de válvula de escape e, sobretudo, uma forma de manifestação social, o headbanger quer ser ouvido e sua música é a única forma que encontra para que a sociedade o ouça.

Não acredito que o headbanger seja um suicida em potencial, como muitos especialistas da área de psicologia vêm cogitando. Afinal – e essa é uma constatação pessoal – de todas as pessoas do meu círculo de amizades que tentou ou consumou o ato suicida, nenhum deles era headbanger.
No entanto, há artigos científicos que afirmam que o fã de Metal “têm uma tendência significativamente mais alta" a ter comportamentos depressivos e é sabido que o fã de Heavy Metal, muitas vezes, se encontra oprimido demais dentro de uma sociedade essencialmente conservadora, hipócrita e fundamentalista, que valoriza cada vez mais, padrões irreais de beleza e do que é socialmente correto ou aceitável.

O fã de Metal é na verdade, uma pessoa que se sente incapaz de viver no mundo real desolador e tão diferente daquele que almeja, onde peculiaridades comportamentais são tidas como evasão social, e não como um ato de criatividade.

Muitos, quando ficam mais velhos caem na real e veem que o tão sonhado mundo épico estampados nas capas dos álbuns das bandas que gostam é apenas uma “utopia”, uma idealização subjetiva de um mundo onde somente ele é o protagonista. Talvez até um “mundo paralelo” criado para dar mais significado a sua vida.

Mas as vezes, algo errado acontece - muito raramente é verdade - ao enfrentarem esse choque de realidade, sua mente já fortemente abalada pela frustração e, muitas vezes, pela falta de apoio familiar e social acaba fazendo com que esses indivíduos se atirem nas garras da depressão e vez ou outra tenham pensamentos suicidas.

Creio que a questão que deve ser discutida é, será que o Heavy Metal é um estilo – não só musical, mas também um estilo de vida – que atrai pessoas neuróticas e por isso temos casos como estes citados acima? Ou esse estilo se presta como um fator terapêutico que ajuda essas pessoas neuróticas a ter uma vida mais segura – mesmo que de forma idealista – e até mesmo a fugir de qualquer pensamento suicida?

Não é meu papel esgotar esse debate, até mesmo porque, apesar de ser fã de Heavy Metal há algumas décadas, não sou especialista na área da psicologia, mas qualquer discussão dessa importância cabe a qualquer um envolvido na cena. Afinal a depressão se tornou uma questão de saúde pública e deve ser tradada com cuidado, e em qualquer tribo urbana da modernidade esse problema estará presente, e no Heavy Metal não é diferente.

O que cabe a nós como seres humanos, é buscar entender esses casos e dar suporte a quem assim precisar, seja essa pessoa headbanger ou não.

Fontes:




Sites importantes para saber mais sobre o tema:

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