Mostrando postagens com marcador Literatura espanhola. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Literatura espanhola. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Literatura e ensino de língua estrangeira (com plano de aula anexo).

  • Público alvo – alunos de língua espanhola em escolas convencionais, ou institutos de ensino de idioma espanhol. (alunos entre 1º e o 3º anos do ensino médio).
  • Objetivo – aguçar o engajamento do aluno na leitura de obras literárias tanto na língua alvo quanto na língua mãe. 
  • Ter referências sobre obras literárias para a prática da leitura de língua estrangeira. Após este workshop, a aluno deverá dominar os seguintes tópicos. 
  • Uso do discurso direto e indireto.
  • Usar de forma espontânea estruturas linguísticas pertinentes ao debate de temas contraditórios. Ser capaz de defender seu ponto de vista de forma coerente.
  • Ter conhecimentos formais sobre o gênero conto. 
  • Ter conhecimentos formais sobre o gênero Ficção Cientifica.
  • Ter conhecimentos formais sobre sociedades distópicas.



O ensino de língua estrangeira está quase totalmente pautado dentro das estreitas fronteiras da linguística e sobretudo da linguística aplicada. Sendo assim, visto que a linguística é geralmente considerada como uma antítese da literatura, muito pouco se utiliza de textos literários dentro do processo de ensino-aprendizagem de uma segunda língua. No entanto, ao considerarmos a literatura como uma forma legítima e inesgotável de produção de linguagem, creio ser pertinente questionar esse afastamento entre literatura e linguística no que diz respeito ao ensino-aprendizagem de um novo idioma. Usar produções literárias como ferramenta de aprendizagem de uma língua estrangeira apresenta algumas controvérsias e podemos elencar, de pronto, alguns fatores adversos comumente apresentados por estudiosos. José Luis Oscar elenca três deles: 


1- A literatura é uma linguagem “especial”, que não é transferível para o uso prático da língua. Ou seja, não falamos com sonetos, nem pensamos com solilóquios teatrais. 

2- Ler textos literários exige estratégias de leitura que nem todo aluno está em condição de desenvolver. 

3- Pedir para um aluno que faça uma redação sobre seu país ou que leia um romance é um tipo antigo de tarefa, cujos resultados são poucos estimuladores e precários. (OSCAR,2003, p.17).

São três argumentos fortes e que fazem muito sentido no âmbito de uma aula tradicional onde professores não têm a obrigação de motivar ou encaminhar ninguém pelo mundo dos estudos literários. Acreditamos, no entanto, que há um problema ainda maior em relação ao uso de textos literários em uma aula de língua. 

Isto se torna um risco, caso o aluno veja estes textos como simples recortes linguísticos usados como andaimes para se construir uma ponte par a aquisição de um novo idioma, deixando os estudos literários em um segundo plano. Não pretendo, com essas objeções afastar por completo os estudos literários das aulas de língua, mas pelo contrário, chamar a atenção dos professores sobre sua responsabilidade no processo e na elaboração de suas atividades. Está nas mãos dos professores e instrutores de idiomas, que pretendam adicionar textos literários em suas aulas de língua, deixar claro aos alunos que a literatura possui valor em si mesma. Ou seja, não precisa de um motivo pedagógico ou uma razão metodológica para existir. 

Sendo assim, sua função social não se restringe apenas a aquisição de uma nova língua, mas continua seu trabalho cognitivo muito além da sala de aula. Dessa forma, a aquisição linguística se torna um efeito colateral dos estudos literários, mas não conseguiremos tal façanha com práticas conservadoras de leitura e escrita, mas sim colocando os alunos em contato com o contexto expresso na obra ficcional. Cada aluno deve se sentir apto a questionar as visões de mundo apresentadas pelo texto, assim como contrastar com sua própria vivência e modelos de mundo. Cada um dos estudantes deve ter o ímpeto de sugerir alternativas aos problemas elencados pelo enredo e ser cativado a produzir sua própria versão dos fatos e eventualmente ser preparado para produzir sua própria obra. 

Para exemplificar a aplicabilidade desses conceitos, criamos um cronograma de ações que poderiam ser usadas em um eventual estudo literário em uma aula de língua estrangeira. Para tal, escolhemos o conto “El Mundo Transparente” do escritor espanhol Francisco García Pavón. 

Por que a escolha de um conto, e não um romance ou uma obra mais complexa? Acreditamos que a complexidade extrema de uma obra literária e o tempo limitado são elementos que prejudicam o engajamento do aluno e dificulta a construção de uma atmosfera de motivação necessária para aplicabilidade dessas atividades. Mas também defendemos que os estudos literários sejam eles em uma aula de língua, ou em uma aula de literatura deve contemplar a leitura de outros gêneros discursivos na íntegra, mas para isso julgamos necessário um inicio suave que servirá de introdução para futuras aulas do mesmo estilo.


Proposta de aula - Workshop 

Nossa aula terá o formato de um workshop, ou oficina. Ou seja, será uma aula diferente das aulas convencionais de língua onde nosso principal objetivo é a comunicação imediata no idioma alvo. Isso por si só já implica em um maior engajamento do aluno que sai da rotina de aulas técnicas e repetitivas para uma intervenção diferente onde eles terão mais autonomia. 

Dividiremos as atividades em três etapas, 

1- Atividades pré-leitura – onde prepararemos os alunos para as questões temáticas da obra, com atividades mais lúdicas ou “gamificadas,” com intuito apenas de introduzir os temas chaves da obra. 

2- Atividades de leitura – onde os alunos farão a leitura da obra de forma individual e tomarão nota do que julgarem necessário para uma melhor compreensão do texto. Anotando todas as palavras e sentenças que não conseguirem compreender com completude. 

3- Atividades pós-leitura – nesse momento, munidos de suas anotações e do máximo de informações sobre a compreensão ou não dos alunos criaremos atividades “avaliar” a capacidade de compreensão e posteriormente de interpretação do texto.


El mundo Transparente 

Atividades pré-leitura 

1- Warmup. 

1- Durante esta atividade que deve ser de curta duração. Podemos explorar o conhecimento prévio dos alunos sobre o tema que iremos trabalhar. Através de um “quiz” – perguntas de conhecimento sobre algum tema específico – podemos dividir a sala em dois grupos. Desenhar um jogo da velha no quadro, cada grupo terá a oportunidade de responder uma pergunta sobre obras literárias e cinematográficas que tratam do tema distopia. Para preparar essas perguntas o professor deve ter de antemão informações que podem ser colhidas no decorrer das aulas, como o tipo de livro eles leem – se é que leem, que tipo de filmes ou séries eles assistem, ou seja, qual o tipo de entretenimento mais comum entre eles que podem ser ajustado ao tema distopia. As perguntas deverão ter três opções de onde eles devem apontar a que consideram correta, caso eles acertem a alternativa ele terá que escolher um dos quadrados do jogo da velha, se eles errarem a resposta o outro grupo tem o direito de escolher um quadrado do jogo da velha, vence que fechar a primeira sequência de três quadrados na vertical horizontal ou transversal. 

2- Fazer uma breve explicação do que seria uma sociedade distópica e seu contraste com a utopia. Para esse momento acreditamos que seja relevante perguntar aos alunos sobre o que esperam para as futuras gerações e se nosso mundo se aproximara mais de uma sociedade utópica ou pelo contrário distópica, seria uma conversa informal que servirá também para engaja-los no tema.


3- Apresentar aos alunos uma série de palavras chaves e dar exemplos contextualizados retirados do texto. Praticar com os alunos, para permitir uma maior fluidez na leitura do conto.


Atividades de leitura. 

1- Daremos um texto para cada aluno ler individualmente e em silêncio, tomando nota do que julgar necessário para elucidar sua compreensão. 

2- Caso julgue necessário e dispor de tempo o professor proporá que os alunos leiam em voz alta alguns trechos específicos como prática oral e de compreensão. 

Atividade pós-leitura 

1- Após a leitura do conto, devemos fazer um breve bate-papo com os alunos colhendo suas impressões sobre o texto. 

2- Dividir os alunos em 2 grupos – dependendo do número de alunos. Cada um dos grupos deverá discutir entre eles para tentar entender o paradoxo proposto pela história. 

3- Depois de discutirem por algum momento devemos novamente colher novos depoimentos sobre como eles entenderam o texto. 

4- Em seguida devemos ressaltar uma dicotomia evidenciada pelo texto e estabelecer que o grupo A, defenderá um dos lados e o grupo B será a oposição.


5- Intervenção linguística. Retirar do texto estruturas chaves que facilitam a compreensão do enredo. Por exemplo:









Pró-T.V.I 

✓ Verdad es que las primeras reacciones colectivas ante al fenómeno del ojo universal fueron realmente graciosas y me atrevería a calificar de benefactoras para os usos y costumbres sociales. 

✓ Resulta ocioso decir que los ladrones y criminales profesionales desaparecieron casi totalmente. 

✓ Las cárceles se transformaron en sitios confortables y humanos donde no maltrataba a los reclusos. 

✓ Los internados, reformatorios campos de trabajo y el mismo ejército, eran ejemplo de civilidad, corrección y buenas costumbres. Por cierto, que como es natural, la vida política y administrativa del mundo mejoró enormemente con aquella transparencia.


Contra- T.V.I. 

✓ La mentalidad de la gente cambió en pocos meses de manera inconcebible 

✓ Jamás se ha producido una metamorfosis, a lo largo de la historia, de la psicología colectiva, tan radical y dramática 

✓ Pero los hombres más sensibles primero, y luego absolutamente todos, entraron en una situación de angustia inenarrable 

✓ El hombre perdió en absoluto toda su autonomía y capacidad de iniciativa. 

✓ hubo personas, las más sensibles, que incapaces de vivir en aquel estado de constante tensión, perdieron el seso total o parcialmente. 

✓ Quedaba demostrado una vez más que la perfección pública ha de conseguirse respetando la libertad individual.

Dicotomia proposta pelo conto “El Mundo Transparente” Quais são as necessidades reais do ser humano? 
Grupo A – Liberdade total do indivíduo. 
Grupo B – Um governo rígido e que tenha autoridade total sobre todos.


6.1 – Debate -  Acreditamos que a melhor forma de encerrar essa atividade é pedindo para que os próprios alunos produzam seus próprios conteúdos linguísticos para expressar suas opiniões sobre o texto. A nossa primeira proposição é a preparação de um debate entre os dois grupos já preestabelecidos e pedir que que cada grupo eleja um porta voz que deverá ler um discurso na aula seguinte com argumentos utilizados durante o debate. Cada grupo discutirá e apresentará 10 argumentos defendendo seu lado no debate. A função do grupo é responder o seguinte questionamento.


Quais são as necessidades reais para o ser humano viver em sociedade?

Grupo A
Liberdade total do indivíduo.

Grupo B
Um governo rígido e que tenha autoridade total sobre todos.

6.2- Discurso final - Outra produção por parte dos alunos será a produção coletiva de um discurso, seguindo todas as estratégias linguísticas, como introdução, desenvolvimento, conclusão, clareza e coesão. Deixa claro aos alunos que serão esses os elementos para avaliação. O grupo deverá eleger um porta-voz para fazer o discurso defendendo seu ponto de vista. Observe que não será necessariamente a opinião do grupo, mas a opinião imposta a eles por meio de sorteio no início da atividade. 

6.3 – Diálogo – Atuação. Como forma de ainda utilizar o texto para mais produções linguísticas. Sugerimos que em uma aula posterior o professor possa trabalhar com os alunos o uso do discurso direto. Aproveitamos que o conto é todo em discurso indireto, onde um narrador descreve todos os acontecimentos, podemos pedir aos alunos que façam um exercício de imaginação e criem personagens que seriam introduzidos na história de “El mundo transparente”. A intenção dessa atividade é criar diálogos entre essas personagens criadas pelos alunos, em primeira pessoa. O intuito é linguístico, por isso devemos ajudar os alunos a criar os diálogos na língua alvo. Como se trata de diálogos, essa atividade poderia ser feita em duplas ou trios.

Exemplo: Imagine como seria um professor que fosse pego usando discursos ideológicos em sala de aula, o que causaria a repulsa por parte dos pais que por sua vez, exigiriam a expulsão desse profissional da escola. Como esse professor fora visto por todos defendendo entre seus alunos uma ideia não aceita socialmente, ele não conseguiria emprego em nenhuma outra escola e por não ter mais condições de sustentar sua esposa e filhos pequenos, é abandonado por estes e passa a ser um andarilho pelas ruas de um mundo transparente. Após a criação dos diálogos entre os personagens imaginados pelos alunos estes poderiam praticá-los de forma oral até que atinja uma reprodução satisfatória para que possam a posteriori produzir um vídeo atuando como estes personagens.

Conclusão: Todas as atividades elencadas aqui são plenamente realizáveis e facilmente adaptáveis para qualquer particularidade de suas turmas. Creio que como uma aula inicial para introduzir um texto literário em uma aula de língua este conto de Francisco Pavón parece ser muito eficaz. Para dar continuidade nesse processo, poderemos apresentar aos alunos uma outra obra, desta vez elevando a complexidade da leitura.

No entanto, creio que o tema distopia pode continuar sendo aplicado, para isso temos alguns clássicos da literatura mundial que podem servir a esse intuito, como, “Admirável mundo novo” de Huxley e “1984” de Orwell. Para ajudar no processo de engajamento o professor conta com uma serie de ferramentas ilustrativas como filmes e series que exploram esse tema ao extremo e são muito populares entre os adolescentes.

Fontes: 
  • COSSON, Rildo. Letramento literário: teoria e prática. São Paulo: Editora Contexto, 2009. 
  • MOTA, F. LITERATURA E(M) ENSINO DE LÍNGUA ESTRANGEIRA. Fólio – Revista de Letras, Vitória da Conquista, v.2, n.1, p. 101-111, jan/jun. 2010. Acesso em: 20 de novembro de 2018.
  • OSCAR, J.L. Funciones de la literatura en la enseñanza de segundas lenguas. Articulo de Fondo. Boletín de Asele. 2003.
André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.




domingo, 14 de outubro de 2018

"Vencereis mas não convencereis" - O dia Que Unamuno enfrentou a ditadura de Franco.

Unamuno (ao centro de barba) deixando a Universidade de Salamanca sob manifestação de partidários de Franco, após embate com General franquista em 12 de outubro de 1936.


Diz a lenda que em 12 de outubro de 1936 o filósofo e escritor espanhol Miguel de Unamuno enquanto reitor da Universidade de Salamanca presidia um ato comemorativo no salão desta universidade e ouvia calado os discursos fervorosos de seus colegas lançando ataques raivosos contra a população do País Basco e da Catalunha. 



Francisco Maldonado
de Guevara

Dentre eles Francisco Maldonado de Guevara, que os chamou de "anti-Espanha e de tumores no sadio corpo da nação" e asseverando que "o fascismo redentor da Espanha saberá como exterminá-los, cortando na própria carne, como um decidido cirurgião, livre de falsos sentimentalismos". 



Ao concluir, elogiou o papel do Exército, que segundo ele, havia se empenhado em "uma nova e verdadeira cruzada nacional" e afirmando que catalães e bascos "exploradores do homem e do nome da Espanha estão vivendo até agora, em meio a este mundo necessitado e miserável do pós-guerra, em um paraíso de fiscalidade e de altos salários, às custas do povo espanhol".




José Millán Astray, the founder and first commander of the Spanish ...
José Millán Astray

Do meio do público ouve-se o lema dos falangistas "Viva la Muerte" o general José Millán-Astray, militar responsável pela criação da chamada "Legião espanhola," responde com os gritos que usualmente se usava para insuflar o povo que apoiava a acensão de Franco. "España..." e o povo dizia "Una..."

Os estudantes e todos presentes aplaudiram e em uníssono respondiam aos chamados do general.

Unamuno, que já havia apoiado os outrora rebeldes franquistas, então ao tomar a palavra profere o seguinte discurso:




"Estais esperando que vos fale. Conhecei-me bem e sabeis que sou incapaz de permanecer em silêncio. As vezes, permanecer calado equivale a mentir porque o silêncio pode ser interpretado como aquiescência. Quero fazer alguns comentários ao discurso - se posso chamá-lo assim - do professor Maldonado, que se encontra entre nós. Falou-se aqui da guerra internacional em defesa da civilização cristã; eu mesmo já fiz isso em outras oportunidades. Mas não, a nossa é tão somente uma guerra incivil. Vencer não é convencer, e há, sobretudo, que convencer. O ódio - que não deixa lugar à compaixão - não pode convencer. Um dos oradores aqui presentes é catalão, nascido em Barcelona e está aqui para ensinar a doutrina cristã, que vós não quereis conhecer. Eu mesmo nasci em Bilbao e passei a minha vida ensinando a língua espanhola, a qual desconheceis [...] Deixarei de lado a ofensa pessoal que se deduz da repentina explosão contra bascos e catalães, chamando-os de anti-Espanha até porque com a mesma razão poderiam eles dizer o mesmo."

Depois, Unamuno desfere sua raiva diretamente ao general que o acompanhava na mesa;

"Bem agora ouvi um grito necrófilo e sem sentido: ‘Viva a morte!’ E eu, que passei a vida criando paradoxos, devo dizer-lhes, com autoridade de especialista, que este paradoxo estranhíssimo me é repulsivo. O general Millán Astray é um aleijado [havia perdido um braço e era cego de um olho]. Vamos dizê-lo sem rodeios. É um aleijado de guerra. Cervantes também era."

“Infelizmente há aleijados demais na Espanha hoje em dia. E logo haverá mais ainda se Deus não vier em nosso auxílio. Dói-me pensar que o general Millán Astray deva ditar o padrão da psicologia de massas. Um aleijado sem a grandeza de Cervantes tende a buscar consolo calamitoso provocando mutilação à sua volta. O general Millán Astray gostaria de recriar a Espanha, uma criação negativa à sua própria imagem e semelhança; por essa razão, deseja ver a Espanha aleijada, como sem querer deixou claro”

Segundo alguns cronistas o general gritou a plenos pulmões “Muera la inteligência! Viva la muerte!” e houve uma reação instantânea dos falangistas que sacaram suas armas e apontaram para Unamuno, que não se intimidou e ainda proferiu 

“Este é o templo do intelecto e sou eu o sumo sacerdote. É o senhor que profana este recinto sagrado. O senhor vencerá, porque tem força bruta mais que suficiente. Mas não convencerá. Pois para convencer precisará do que lhe falta: a razão e o direito em sua luta. Considero inútil exortar o senhor a pensar na Espanha”.

Miguel de Unamuno foi salvo pela esposa de Francisco Franco que estava presente e o retirou do meio da multidão. Segundo consta, Franco disse que ele deveria ser fuzilado, mas não o fez devido ao prestigio e reconhecimento internacional atribuídos ao filósofo e  que deveria ser prudente devido à comoção mundial causada pela morte de Garcia Lorca. 

No entanto, seis semanas após esse discurso de afronta contra o franquismo, Unamuno morre em uma depressão profunda e com o rótulo de traidor da pátria. Somente a histórica de forma implacável foi capaz de redimi-lo e colocá-lo hoje no panteão dos intelectuais que realmente foram capazes de defender o respeito mútuo entre os povos e a incoerência das ditaduras.

O que é fato e o que é mito nesse episódio?

Se foi exatamente este o discurso proferido por Unamuno e por Millán-Astray, nunca saberemos, pois, apesar de este ato ter sido transmitido por rádio para todo país, Unamuno não contava com um microfone, tampouco o general Millan, ou seja, o que falaram não foi registrado. É muito mais provável que essas palavras, já canônicas na mitologia recente da história espanhola, foram escritas muito posteriormente por pessoas que não estavam presentes e com um viés bem mais literário do que histórico, mas o fato é que certamente houve um embate sério entre Unamuno e o general Millan naquele 12 de outubro e que isso foi a causa de sua destituição do cargo de reitor pelo General Franco naquele mesmo mês.

As palavras exatas proferidas naque dia inequivocamente se perderam, mas o que ficou claro é que Unamuno, que outrora chegou a defender o novo regime (fascista) que se instava na Espanha, usou o palanque da Universidade da qual era o governante legítimo para deixar claro e público sua discordância em relação a ditadura e seu arrependimento em tê-los defendido um dia. A força narrativa criada por esse episódio fez toda uma geração de antifascistas espanhóis se engajarem em sua luta pela democracia.



Fontes: 


André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Análisis del poema III de “Cantares Gallegos” de Rosalía de Castro (En Español)





Imagem-Stanley Creation

Esta es una pequeña y simple amuestra de análisis de un poema de la grande autora gallega Rosalía de Castro. no es la intención de este post hacer un análisis profundizada del poema. Esto es solamente una previa de lo que se puede hacer a priori para entender un poema. Unos consejos de como entender la expressión del poeta.

- III -

   Lugar máis hermoso                      
non houbo na terra                
que aquel que eu miraba,                  
que aquel que me dera.                     

   Lugar máis hermoso                      
no mundo n'hachara              
que aquel de Galicia,             
¡Galicia encantada!               

   Galicia frorida,                   
cal ela ningunha,                   
de froles cuberta,                   
cuberta de espumas,              

   de espumas que o mare                  
con perlas gomita,                 
de froles que nacen               
ó pé das fontiñas.                  

   De valles tan fondos,                     
tan verdes, tan frescos,                      
que as penas se calman                     
nomáis que con velos;                       

   que os ánxeles neles                       
dormidos se quedan,             
xa en forma de pombas,                    
xa en forma de niebras.         

La temática
El poema es una demonstración de valorisación del local. Exaltando su tierra en su propia lengua, la autora parece establecer una identidad. Una identidad patriótica. En esa parte del poema “Cantares Gallegos” hay una preocupación en mostrar lo que hay de más hermoso en Galicia.


“  Lugar máis hermoso                      
non houbo na terra                
que aquel que eu miraba,                  
que aquel que me dera. 

La autora empieza como con un tono nostálgico, exaltando su tierra como si fuera el lugar más hermoso de todos. Como un himno en homenaje a la autonomía de su tierra en detrimento de todas las otras. Analizando los aspectos históricos de la literatura gallega, notamos que la autora, que ya había escrito en castellano, sentía la necesidad de mostrar su amor por la tierra donde nació. Asume por lo tanto la identidad gallega y con ese poema la autora se la hecho la responsable por el renacimiento de la literatura gallega que por siglos no tenía un representante.

El romanticismo
Los elementos de apreciación de la naturaleza de una forma casi sagrada, son algo muy recurrente en el movimiento romántico y Rosalía de Castro utiliza estos elementos en casi todo el poema, además, la propia exaltación de su patria de origen es una cuestión cara para los románticos del siglo XX. En Brasil por ejemplo tenemos algunos escritores del inicio del romanticismo brasileño que utilizaban ostensivamente la patria como materia-prima principal de sus obras. En el poema “Cancção do Exílio” del poeta Gonçalves Dias – uno de los principales nombres de esto movimiento –  podemos ver cierta semejanza con la obra de Rosalía de Castro.
Notamos que el poema muestra de forma casi sagrada la naturaleza gallega:

   Galicia frorida,                   
cal ela ningunha,                   
de froles cuberta,                   
cuberta de espumas,   

   de espumas que o mare                  
con perlas gomita,                 
de froles que nacen               
ó pé das fontiñas.

Las flores es un símbolo de belleza universal. Una belleza natural y como las flores pueden ser específicas de ciertos lugares, las flores gallegas son peculiares. El mar también es un elemento importante para los gallegos y es algo recurrente en los poemas de Rosalía Castro.


Sonoridad, ritmo y rimas

En la primera estrofa notamos una rima más precisa y consonante, pero no es lo que ocurre en todo el poema. Las rimas parecen estar más relacionadas con las silabas tónicas que ocurren todas las segundas y penúltimas silabas poéticas.

   Lu/gar/ mais/ her/mo/so                 
Non/ hou/bo/ na/ ter/ra                      
Que a/quel/ que/ eu/ mi/ra/ba,                       
que a/quel /que/ me/ de/ra.                

   Lu/gar/ máis/ her/mo/so                 
No/ mun/do/ n'ha/cha/ra                    
Que a/quel/ de/ Ga/li/cia,                  
¡Ga/li/cia/ en/can/ta/da!

Podemos notar que a pesar de un cierto equilibrio entre las vocales, hay una predominancia de vocales abiertas en esas dos estrofas lo que indica cierto compromiso de clareza y descripción. Noté un sentimiento de pertenencia y un poco de nostalgia. Las consonantes nasales predominan lo que muestra una cierta fluidez, pero hay la ocurrencia de vocales explosivas que sirven para marcar el ritmo, principalmente en las divisiones silábicas.
Parece haber una regularidad de esos elementos durante todo el poema. El ritmo también parece muy preciso y regular, pero en la quinta estrofa hay una ruptura rítmica que hace la exaltación de los adjetivos más intensa. Vemos también la ocurrencia de la consonante explosiva “T” que sirve justamente para quebrar el ritmo y dar más intensidad a la marcación silábica

De/ va/lles/ tan/ fon/dos,                  
Tan/ ver/des/, tan/ fres/cos,               
que as/ pe/nas/ se/ cal/man                
no/mais/ que/ com/ ve/los;

Em la última estrofa hay otra ruptura que se presenta como un cierre rítmico para el poema.

que os/ án/xe/les/ ne/les                    
dor/mi/dos/ se/ que/dan,                   
xa em/ for/ma/ de/ pom/bas,             
xa/ em/ for/ma/ de/ nie/bras.  

Esta estructura rítmica regular con las variaciones en las dos estrofas finales da una musicalidad al poema, lo que nos hace imaginarlo como una canción.

Consideraciones finales.

Ese poema es una exaltación a la tierra de su autora y sirve como una forma de crear una identidad literaria gallega. Notamos que hay una cierta sacralización de la tierra, como si fuera el propio paraíso en la tierra. Por eso es un poema en total consonancia con el romanticismo de su época, pues la naturaleza es una sagrada composición de la patria de la autora. Creo que es Rosalía de Castro sintió la necesidad de crear un símbolo de identidad para sí misma lo que se convirtió en una obra inaugural para la literatura moderna gallega.


André Stanley alcunha de André Luiz Ribeiro é professor e escritor; autor do livro “O Cadáver” (Editora Multifoco – 2013); É membro efetivo da Asso. Dos Historiadores e pesquisadores dos Sertões do Jacuhy desde 2004. Atua hoje como professor e pesquisador de História Cultural. Também leciona língua inglesa, idioma que domina desde a adolescência, Administra e escreve para os blogs: Blog do André Stanley (blogdoandrestanley.blogspot.com) – Sobre História, política, arte, religião, humor e assuntos diversos e Stanley Personal Teacher (stanleypersonalteacher.blogspot.com) onde da dicas de Inglês e posta exercícios para todos os níveis.


Postagens Populares