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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Por que eu sou culpado pela poluição?






Um dia, enquanto tomava banho, o simples escorrer da espuma do xampu pelo meu corpo em direção ao ralo do banheiro, me fez refletir de forma tão profunda que espantei-me com o resultado. Pensava comigo na quantidade de toxinas e perigosos elementos que poderiam conter naquele frasco de xampu que quase diariamente eu deixava escorrer um pouco pelo ralo. Além disso, havia também o condicionador, o sabonete, a pasta de dente, o creme de barbear dentre outros. Quantos produtos nocivos eu despejava ali mensalmente? Além de mim, meus vizinhos, minha cidade, o estado, o país.

Toneladas de produtos tóxicos são despejados diariamente na rede de esgoto, que comumente, conduz todo esse veneno à algum rio. Esse sim, com toda vida que há nele, será neste primeiro momento o grande prejudicado desse envenenamento diário. Além disso, diariamente são despejados nestes mesmos rios, nossos dejetos humanos – aliás, esta é a principal função da rede de esgoto.

Somos poluidores, entretanto, não posso me culpar por isso, se somos influenciados a consumir produtos químicos, como cosméticos e medicamentos, por uma rede manipuladora de marketing, que vive de nos encher de toxinas, com o objetivo de melhorarmos nossa aparência, nosso cheiro e até nossa disposição. Ou seja, essas grandes corporações lucram com a nossa demente ilusão de nos tornarmos “sobre-humanos”. 

Criam padrões de beleza tão bizarros e inúteis, e depois nos dizem o que devemos usar para nos inserirmos nesses padrões, e não dão a mínima para sujeira que essa brincadeirinha de criar seres “perfeitamente belos”, deixa para trás. No banho em questão, pude notar que a sujeira é enorme e, talvez nem a notemos agora que temos uma certa reserva – muito pouca – de água potável neste país, porém chegará o dia que isso irá mudar.

Faz-se necessário que eu assuma minha culpa nesse jogo sujo, para continuar essa reflexão. Sou culpado sim! Por me deixar influenciar por uma enorme corporação que, faz ótimas propagandas de televisão. Sou culpado por não optar – apesar de ter livre arbítrio para tal – por usar produtos naturais, ou pelo menos que seja menos danosos às águas.

Agora você que me lê, deve estar se perguntando: “Mesmo que você pare de usar xampu e passe a lavar seu cabelo com babosa, isso não será capaz de mudar absolutamente nada.” Este questionamento, mesmo sem perceber, nos leva a responder uma pergunta que vem sendo feita desde que o homem tomou consciência de que vivia em sociedade; por que, depois de tantos séculos de civilização, tantas conquistas sociais e tecnológicas, - democracia, república, direitos humanos – o homem ainda encontra dificuldades em viver como uma sociedade?

Por que a distribuição de renda sempre foi um problema mesmo nos países mais desenvolvido? – óbvio que nada se compara ao Brasil nesse quesito. Por que a fome maltrata tantas pessoas ao redor do mundo? Por que a violência explode a cada beco das grandes metrópoles? Para que tantas guerras?

As respostas todos sabemos. Um aspecto já foi levantado nesse texto. Poluímos os rios e não nos sentimos culpados por isso, pois nosso vizinho também polui. 

Filosofando um pouco mais, chegaremos à uma conclusão inacreditavelmente mais dinâmica ainda. Parece óbvio que por uma questão cultural e alienatória, somos induzidos a nos comportar como robôs, programados para fazer o que nos mandam. E o sistema nos faz pensar que tudo o que fazemos – e de alguma forma possa acarretar em lucro para alguma multinacional milionária ou bilionária – é correto. 

Como por exemplo, a indústria de cigarros que é causadora de um grande número de mortes ao redor do mundo e é tolerada pelo Estado, como se se tratasse de uma fábrica de brinquedos. Se aceitarmos que a falha de todo esse jogo brutal, esta nas esferas superiores – Estado/Nação – perdemos a sensibilidade, e deixamos escapar uma reflexão muito válida. Somos viciados em governo, e o que sempre nos governou nunca passou de uma instituição fantasma. Depositamos toda nossa fé e esperança ao longo da “evolução social” em algo ilusório. 

A democracia, nada mais é que uma forma adquirida para que possamos mudar a textura, ou a fisionomia de um sistema de governo. No entanto, a essência parece ser a mesma de séculos atrás – exploração de uns pelos outros por meio de alienação. É como um homem fraco que resolve usar roupas especiais que o faz parecer mais forte, sem que tenha se tornado realmente forte. Será apenas uma outra maneira de se vestir, mas sua fraqueza permanece lá. Da mesma forma é o governo, é o Estado, esse não vê motivos para que a população que governa mude de atitude, se sua aparência – popularidade- caminha bem. Afinal se qualquer governo tentar direcionar a atitude de seu povo, sem que não esteja colaborando com os interesses das grandes multinacionais, ele fracassará. Portanto, mesmo o governante com as melhores intenções, seria incapaz de direcionar a conduta da população que governa para fins que fossem benéficos a todos. Por isso , em minha leiga opinião, provinda do governo nunca haverá uma solução para todos estes problemas. Este é sustentado pelas mesmas corporações que poluem os rios.

Não quero com isso exaltar o socialismo, ou o eco ativismo, pois até mesmo isto acaba sendo mais alguns rótulos ilusórios cuja essência parece ter se evadido para sempre. Um dia creio que a responsabilidade de mudar alguma coisa nesse mundo seja retirada das mão dos governantes e sobretudo, das grande empresas multinacionais, pois cada membro social deve assumir esse compromisso que é seu por natureza.



André Stanley alcunha de André Luiz Ribeiro é professor e escritor; autor do livro “O Cadáver” (Editora Multifoco – 2013); É membro efetivo da Asso. Dos Historiadores e pesquisadores dos Sertões do Jacuhy desde 2004. Atua hoje como professor e pesquisador de História Cultural. Também leciona língua inglesa, idioma que domina desde a adolescência, Administra e escreve para os blogs: Blog do André Stanley (blogdoandrestanley.blogspot.com) – Sobre História, política, arte, religião, humor e assuntos diversos e Stanley Personal Teacher (stanleypersonalteacher.blogspot.com) onde da dicas de Inglês e posta exercícios para todos os níveis.

domingo, 9 de junho de 2013

As magníficas garrafas tijolo da Heineken.



Hoje em dia as cervejarias brigam para produzir a garrafa mais moderna, a mais transada ou simplesmente a mais diferente. Tudo por motivos mercadológicos. Mas Na década de 60, Alfred Heineken - CEO da cervejaria Heineken, naquele momento – teve a grande ideia de criar uma garrafa que fosse reutilizada na construção civil. Segundo dizem, Freddy, como era conhecido, ficou chocado com a pobreza das casas dos habitantes de Curaçao, antiga colônia holandesa no Caribe. E também chamou sua atenção a quantidade de garrafas de vidro jogadas nas praias da ilha.
Ele contratou o renomado arquiteto holandês John Habraken para projetar uma garrafa que fosse parecida com um tijolo. Com um design totalmente renovado, Habraken desenhou as garrafas com o fundo recuado para que o gargalo de outra garrafa pudesse ser encaixado nela.
As garrafas poderiam ser empilhadas como tijolos, e com ajuda de argamassa poderia construir uma casa tranquilamente.
Foram necessários três anos até o lançamento da garrafa em 1963, chamada Wobo, abreviação para World Bottle, ou ‘garrafa mundial’, em inglês.



No mesmo ano, foram produzidas cerca de 100 mil garrafas.O que seria suficiente para construir 10 casas pequenas). A idéia, porém, não vingou, mas as fotos da experiência estão expostas na fábrica da Heineken na Holanda. Freddy, morreu em 2002, e hoje é reverenciado como um visionário a muito a frente de seu tempo pelos defensores do meio ambiente.


Acho que seria muito legal ter garrafas que se transformam em matéria prima para construir uma casa. Isso ajudaria, por exemplo, o acumulo de lixo urbano.  E conheço pessoas que tomam tanto Heineken que poderiam construir uma mansão.



“Imagino que a WOBO estava à frente do seu tempo… nós criamos a expectativa da responsabilidade social corporativa com o tempo, e como consumidores, faremos o necessário para ajudar”


                                                          John Habraken



André Stanley alcunha de André Luiz Ribeiro é professor e escritor; autor do livro “O Cadáver” (Editora Multifoco – 2013); É membro efetivo da Asso. Dos Historiadores e pesquisadores dos Sertões do Jacuhy desde 2004. Atua hoje como professor e pesquisador de História Cultural. Também leciona língua inglesa, idioma que domina desde a adolescência, Administra e escreve para os blogs: Blog do André Stanley (blogdoandrestanley.blogspot.com) – Sobre História, política, arte, religião, humor e assuntos diversos e Stanley Personal Teacher (stanleypersonalteacher.blogspot.com) onde da dicas de Inglês e posta exercícios para todos os níveis.

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