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domingo, 19 de janeiro de 2014

Adolf Hitler viveu e morreu no Mato Grosso, afirma historiadora em seu livro.

Marcos Lopes/HiperNotícias




Elvis Presley não morreu. Paul McCartney por sua vez, quando ainda era um dos Beatles morreu em um acidente de carro. Essas são duas bem famosas teorias conspiratórias do mundo das celebridades. Agora quando falamos de personagens históricos que contribuíram de alguma forma para o mundo de hoje ser o que é, elas ocorrem como enxurrada. A mais nova no entanto, vem do município mato-grossense de Nossa Senhora do Livramento. Uma historiadora da região afirma ter evidencias sobre o verdadeiro paradeiro do ditador Nazista Adolf Hitler. Ele morreu velho e teve como companheira uma mulher de pele escura. Bizarro como qualquer outra especulação sobre esses poderosos vultos históricos, mas vale a pena ler por puro entretenimento e aprender como não se faz história. A reportagem é de MAX AGUIAR para o site Hiper Notícias.



Enquanto escrevia e pesquisava sobre outros assuntos, a historiadora Simone Dias descobriu algo que pode colocar Mato Grosso como a derradeira passagem do nazista Adolf Hitler. De acordo com o livro publicado por ela, o município de Nossa Senhora do Livramento pode ter sido a cidade em que o ditador alemão morreu. 

“É de verdade um livro onde os leitores têm a chance de pesquisar a história da fase final da vida de um homem que é conhecido mundialmente. Pesquisei, demorei dois anos pra acreditar na história e agora entrei de cabeça. Eu acredito e sei que o homem em questão é o Hitler enterrado em Livramento”, disse a historiadora. 

Simone Dias é moradora da região da Mata Fria, em Chapada dos Guimarães, local conhecido como Casa do Mel, onde há mais de 20 anos é um dos pontos mais visitados da Rodovia Emanuel Pinheiro. O mel vendido lá vem da cidade de Poconé, cidade distante 100km de Cuiabá, onde no meio do caminho se passa por Livramento, local onde a historiadora conhece bem.

Tudo começou em 2007, quando a caminho de Poconé, alguém que a historiadora não diz o nome, soprou em seu ouvido que na década de 80 um alemão velho morou na cidade e que ele seria o militar político Adolf Hitler. “Fiquei dois anos pra acreditar na história, mas comecei a conectar as peças que eu tinha em mãos e comecei as buscas”, revelou. 

Chegando a Livramento, Simone descobriu que Hitler supostamente era chamado de Adolf Leipzig, sobrenome que lembrava o nome da cidade de Sebastian Bach, músico que Hitler era muito fã. “Minhas dúvidas começavam a se desfazer e eu então decidi entrar de cabeça e comecei a pedir informação na cidade. Lá é pequeno, quem conhece Livramento sabe que todos sabem da vida de todos. Então descobri onde o ‘alemão velho’ morava e com ele vivia”. 

Crendo que o suposto alemão seria Hitler, Simone descobriu que ele trabalhava de agricultor e em um certo dia, pelo idos de 1986, se acidentou e quebrou a perna em uma queda do trator. “Ele precisou de ajuda médica e veio para Cuiabá, onde foi atendido na Santa Casa. Lá ele se deparou com uma irmã de caridade que era polonesa, que ao perceber a presença de Hitler naquele lugar, gritou que ele jamais ia ser atendido ali, porque se tratava de um matador odiado pelo mundo. O acompanhante do alemão pediu pra a irmã se calar e que ele estava ali como paciente e eles tinham ordem do Papa para que ele fosse atendido”, afirma historiadora em um trecho do livro.



Na publicação aparece a imagem dos documentos que ela buscou nos arquivos da Santa Casa que comprova o atendimento ao Adolfo Leipzig. Segundo Simone, naquele dia, ele passou por uma cirurgia e teve que colocar um espiral na perna.

Mas o que Hitler estaria fazendo em Mato Grosso, quando alguns relatos dizem que ele morreu após ser exilado para a Argentina? A historiadora responde. “Ele veio a Mato Grosso porque ficou sabendo, através de um mapa dado pelo papa Pio, que ele iria encontrar ouro. Ele conseguiu encontrar a tal mina, mas não desvendou o enigma para entrar e voltou sem êxito para Livramento, onde ficou com uma mulher morena até o fim dos anos 80 quando morreu e lá mesmo foi enterrado."

Depois de vir a Cuiabá colher algumas informações, a historiadora voltou à Nossa Senhora do Livramento e decidiu perguntar para o coveiro da cidade sobre informações do túmulo onde Hitler, até então alemão velho, estaria enterrado. 

“Cidade pequena o coveiro sabe de tudo (risos). Dei um dinheiro pro rapaz e ele ligou pro pai dele que era o antigo coveiro de Livramento e fomos ao Cemitério junto com um médico legista da UFMT que me ajudou. Quando encontramos o túmulo, eu fui direto aos pedaços dos ossos e encontrei o espiral na perna operado que ele tinha acidentado em 1986. Trouxe tudo comigo, roupa, pedaços de ossos que estão sendo estudados e um pedaço de renda, que é uma tradição dos alemães ao ser enterrado”, disse a historiadora que tem todos os objetos, inclusive uma arma que foi utilizada pelo alemão velho antes de seu falecimento.

Outros detalhes da presença de Hitler no Brasil, com passagens pelo Paraná, Rio Grande do Sul e Nobres, estão disponíveis no livro. Em sua dedicatória a historiadora usa os dizeres: “Uma história para se pesquisar”. Mas engana-se quem acredita que todo o esforço da historiadora é para conquistar fama ou fortuna.

"Se eu conseguir comprovar através de exames com os ossos, que eu tenho guardado, que o tal alemão velho era mesmo o Hitler, com certeza nosso estado será lembrado mundialmente como o local que morreu o chefe dos nazistas. Uma pessoa sem rumo que simplesmente desapareceu. Não quero nada além do reconhecimento do nosso estado”, revela Simone Dias. 

Simone Dias já começou a escrever a segunda edição, e nem por um punhado de moedas, como ela mesmo diz, não revela o fator primórdio do livro. “Por enquanto o que posso adiantar é que nesse livro vou relatar o resultado do exame do DNA. Eu vou à Alemanha, onde já contatei pessoas que irão me ajudar com isso. A segunda parte será mais encantadora que a primeira, onde afirmo 99% que o alemão velho que passou por Livramento é Adolf Hitler”, finalizou a historiadora. Ela viaja no mês de março à Europa onde deve entregar os ossos para estudo. 


Fonte:
 Hiper Notícias 
Visite o website:
 http://www.hipernoticias.com.br


terça-feira, 5 de novembro de 2013

A nova safra de escritores Guaxupeanos




A minha querida Guaxupé cidade do interior de Minas Gerais, está passando por uma grande efervescência literária nesse final de ano. Não bastasse o lançamento do livro “O Cadáver” por esse que vos escreve, outras duas obras estão a caminho. Serão lançadas nessa próxima sexta-feira (08/11/2013) as obras “O Sexto Reino” do jovem escritor guaxupeano J.A.R. Ferraz, e também o livro de crônicas “Santo Algures” de Rodrigo Taveira que apesar de não ser natural de Guaxupé reside nessa cidade há 4 anos. 


A pacata cidade de Guaxupé sempre foi reduto de autores de diversas áreas do conhecimento tendo em seu panteão, literatos reconhecidos nacionalmente e até internacionalmente como Elias José e Nege Além, mas há muitos outros que as vezes passam despercebido pelo público: Veja lista de autores guaxupeanos compilada pelo também autor Moacyr Costa Ferreira.




Que essa jovem força que aflora na literatura de Guaxupé nesse inicio de século não seja apenas um “fogo de palha” como dizemos aqui em Minas. Que nós, jovens e inexperientes autores não nos dispersemos pela falta de apoio da grande mídia e consideremos o papel social de nossa arte. Que Guaxupé que sempre foi conhecida por sua força na agricultura, principalmente pelo café, possa ser também conhecida como um reduto de autores e pessoas que se interessam por literatura. Um pequeno nicho cultural, que seja, mas um lugar onde a expressão cultural possa ter relevância para seu povo.

André Stanley


André Stanley alcunha de André Luiz Ribeiro é professor e escritor; autor do livro “O Cadáver” (Editora Multifoco – 2013); presidiu o Centro acadêmico do curso de História no UNIFEG em 2007, é membro efetivo da Ass. Dos Historiadores e pesquisadores dos Sertões do Jacuhy desde 2004. Atua hoje como professor e pesquisador de História Cultural. Também leciona língua inglesa, idioma que domina desde a adolescência.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Conversa entre escritores: J.A.R. Ferraz Entrevista André Stanley



Fui entrevistado pelo escritor J.A.R Ferraz, por conta do lançamento do meu livro "O Cadáver"
Leia a entrevista na integra e conheça o blog dele onde ele posta noticias sobre suas obras publicadas incluindo escritos para você baixar gratuitamente.


Título Original: Entrevista com André Stanley, autor de O Cadáver,
Por J.A.R. Ferraz


Estive conversando com um dos mais novos escritores de Guaxupé, André Stanley. Em uma pequena entrevista com o autor de O Cadáver, ele contou sobre sua obra recém-lançada:

J.A.R.Ferraz: Primeiramente, gostaria que fizesse uma breve apresentação para os leitores.

André Stanley: Meu nome é André Luiz Ribeiro, mais conhecido como André Stanley entre os amigos. Sou formado em História. Atuo como pesquisador free lancer de história cultural. Também dou aulas de Inglês, idioma do qual sempre fui um grande estudioso. Também tento ser músico nas horas vagas. Na minha adolescência fui baixista, guitarrista e vocalista de algumas bandas de Rock N’ Roll e de Heavy Metal. Mas nunca fui um músico muito dedicado, sempre arrumava outra coisa para me dedicar o que acabava me atrapalhando.

J.A.R.Ferraz: Chamou-me muito a atenção no seu livro à maneira como você descreve a historia. Como conseguiu inspiração para escrevê-la?

A.S: Uma vez eu vi uma foto de um cadáver sendo autopsiado, o que me deixou muito impressionado. Eu me impressiono demais com essas coisas. Eu não poderia presenciar um acidente, creio que também necessitaria de socorro em uma ocasião assim. (risos). Mas isso ficou em algum canto do meu cérebro ate que um dia eu li uma resenha de um conto do Garcia Marques onde ele descrevia o aparecimento de um corpo em uma praia num pequeno vilarejo. Quando li essa descrição a ideia veio automaticamente na minha mente. Um cadáver desconhecido é sempre fonte de muito mistério e muitas memória vêm a tona. Comecei escrever imediatamente.

J.A.R.Ferraz: Quais escritores o inspiram?

A.S: Eu leio muito, mas por incrível que pareça leio muitos livros acadêmicos da minha área de atuação (história e educação) o que às vezes me impede de ler romances ou ficções, mas sempre faço uma força para ler alguns romances. Os escritores que mais me cativaram são escritores estrangeiros, tenho uma certa dificuldade com a literatura brasileira apesar de achar que temos uma das mais ricas literatura do planeta. Mas Franz Kafca é para mim um escritor por excelência ele criou o romance moderno sem sentido e sem fim. Li muito Shakespeare, acho que posso considerar Shakespeare uma inspiração na forma com escrevo. Descobri Saramago recentemente e achei fantástico. Gosto de Vladimir Nabokov que escreveu, para mim, uma das grandes obras do século XX “Lolita” - tenho uma queda por romances subversivos. No mais leio alguns romances históricos que acho interessante, sou um grande defensor do romance histórico, acho que os historiadores que geralmente são críticos ferrenhos dessas obras são uns chatos que pensam possuir monopólio da verdade. Vejo muita qualidade em Dan Brown, por exemplo, e é claro ainda mais em Umberto Ecco. Leio muita filosofia e psicologia que obviamente influencia mesmo que inconscientemente minha escrita. Acho que os autores que mais li até hoje foram, William Shakespeare, Franz Kafka e Friedrich Nietzsche.

J.A.R.Ferraz:Muitos escritores complementam seus livros com alguns acontecimentos de suas vidas que serviram de inspiração. Você passou isso para sua historia?

A.S: Sim, acho impossível escrever sem levarem consideração acontecimentos vivenciados por nós mesmos. Todo livro é uma de alguma forma uma autobiografia do autor. No meu livro eu não coloquei nomes nem datas propositalmente para não soar muito pessoal. E também para dar mais liberdade ao leitor de imaginar por si próprio Mas fica implícito que o interior que descrevo no livro se trata do interior que eu conheço e no qual fui criado.

J.A.R.Ferraz: Admiro escritores que usam a forma de escrever “palavras difíceis”. Ser professor te ajudou a aperfeiçoar sua escrita?

A.S: Na verdade o fato de ser professor não me ajudou muito, pois quando eu escrevi o livro em questão, eu atuava como professor particular de inglês e fazia estagio dando aulas de história. O que ajuda uma pessoa a ganhar vocabulário e por isso mais opções de construções textuais são as suas leituras. Ler é o segredo para ter um bom vocabulário e um bom conhecimento. Não acredito que uma formação acadêmica seja essencial para uma pessoa se tornar um bom escritor, isso apenas ajuda. O essencial na minha opinião é ver como os grande fizeram no passado e com isso criar o seu próprio repertório. Mas uma coisa é inegável, quanto mais inserido você estiver no mundo acadêmico mais fácil será para você desenvolver seu lado técnico que nesse mundo globalizado conta muito.

J.A.R.Ferraz: E em algumas partes do seu livro, é citado muito sobre historia, que no caso é sua formação acadêmica. Isto também ajudou?

A.S: Quando você domina um assunto você automaticamente se sente mais seguro para utilizá-lo em uma obra literária, o fato de eu estar estudando história na é poça em que escrevi pode sim ter me dado alguns insights, porém totalmente de forma implícita, não quis fazer uma análise histórica. Estava desde o inicio pensando em escrever um romance.

J.A.R.Ferraz: Sabemos que nos dias de hoje, escritores brasileiros costumam ter pouco reconhecimento se não tiver um empurrão da mídia, e todos sabemos o quanto é difícil ter uma obra publicada devido aos vários obstáculos. Qual a sua dica para quem esta começando agora?

A.S: O Brasil é um país que lê muito pouco, apesar de ter melhorado, as estatísticas são muito desfavoráveis para o mercado editorial. Mas estamos falando de uma arte milenar, que de forma alguma deveria ser feita pensando no dinheiro. É difícil hoje em dia competir com os grandes escritores, mas se você tem uma obra e a deixa na gaveta está perdendo uma oportunidade de ser visto e de colocar sua cara a tapa. Creio que o que é bem feito deve ser mostrado. O que é belo deve ser mostrado – sem nenhuma analogia com revista de nu feminino (risos). Recentemente o escritor brasileiro que mais vende livros no mundo inteiro se recusou a ir a feira literária de Frankfurt alegando justamente que o Brasil passa por uma efervescente cena literária com promissores escritores surgindo e o ministério da cultura não colocou nenhuma dessas novas promessas na lista de convidados. Achei um ato grandioso de Paulo Coelho, mas vivemos no Brasil e enquanto a leitura foi vista culturalmente como uma atividade inferior e como perda de tempo, não consigo vislumbrar um mundo muito favorável a quem escreve. Óbvio que existem exceções, alguém da indústria editorial pode te descobrir por acaso e te transformar em uma celebridade, mas ai seria como jogar na loteria. Sintetizando eu diria que a tecnologia está aí e devemos usá-la sempre a nosso favor, se tem uma obra engavetada e espera pelo momento certo para enviar para as grandes editoras, você pode se decepcionar, pois creio que não vão dar a mínima para você, só investirão em alguém que garantir um retorno certo pelo investimento deles, agora se você encontra uma boa editora independente e lança sua obra por si mesmo,mostrará que não depende do mercado editorial para mostrar seu talento. Isso sim eu considero heroico e digno de meu respeito.

J.A.R.Ferraz: E para finalizar, O Cadáver teve uma ótima aceitação pelos leitores. Tem mais algum livro vindo por ai?

A.S: Eu me considero um escritor 24 horas por dia, pois não é somente o ato de escrever que o torna escritor. Um escritor quando não está escrevendo está lendo, pensando e vivendo para adquirir elementos que depois serão materializados em uma folha de papel, que por sua vez depois será desmaterializados pelos leitores de acordo com sua própria bagagem. Tenho muitas idéias e creio que em no máximo dentro de um ano já terei decodificado essas idéias e transformado-as em um novo romance. Acho que o lançamento de O Cadáver me tirou um pouco o foco, era como se eu necessitasse urgentemente de me livrar desse cadáver para começar algo novo, (risos) acho que em breve sentirei aquela necessidade de me recolher em meu sombrio escritório com minha garrafa de vinho tinto e começar a colocar tudo no papel. É um processo natural da minha mente, não tenho muito controle sobre isso.



J.A.R.Ferraz:
José Augusto Ribeiro Ferraz (J.A.R.Ferraz), natural de Guaxupé-MG. Escritor da trilogia O Sexto Reino - E o Vale dos Dragões, A Draconita do Caos, E o Império do Druida - e também do primeiro volume de O Cemitério da Colina de publicação online. Trabalha em mais outras duas obras: Fazenda Bálsamo (terror) e Sonhos de Vida e Morte (Drama). Em 2005, aos dezoito anos, começou a escrever a trilogia “O Sexto Reino”, quando ainda era estudante na escola Dr. Benedito Leite Ribeiro, onde recebia o incentivo do escritor Elias José. Durante esses anos a historia passou por varias mudanças e em 2013 finalizou o primeiro volume. Sempre gostou de criar pequenas historias e poemas, mas foi depois de conhecer as obras de J. R. R. Tolkien que deu inicio ao seu livro. Começou a trabalhar aos 15 anos de idade com vendas, passando por calçados até produtos agropecuários. Chegou a cursar a faculdade de Comunicação Social, porém, não foi até o fim. Atualmente continua exercendo a profissão de vendedor.

domingo, 1 de setembro de 2013

Jornal "O Globo" publica mea-culpa e assume erro ao apoiar golpe militar de 1964.




O Jornal "O Globo" que por molitos anos foi sempre usado pela esquerda brasileiro como um baluarte, quando querem responsabilizar a imprensa por ser conivente é apoia abertamente a intervenção dos militares de 1964, publica hoje um "mea-culpa", ao assumir que realmente apoiou o golpe - na época propagado por eles como revolução. Leia o texto na integra. 

Diante de qualquer reportagem ou editorial que lhes desagrade, é frequente que aqueles que se sintam contrariados lembrem que O GLOBO apoiou editorialmente o golpe militar de 1964.

A lembrança é sempre um incômodo para o jornal, mas não há como refutá-la. É História. O GLOBO, de fato, à época, concordou com a intervenção dos militares, ao lado de outros grandes jornais, como "O Estado de S.Paulo", "Folha de S. Paulo", "Jornal do Brasil" e o "Correio da Manhã", para citar apenas alguns. Fez o mesmo parcela importante da população, um apoio expresso em manifestações e passeatas organizadas em Rio, São Paulo e outras capitais.

Naqueles instantes, justificavam a intervenção dos militares pelo temor de um outro golpe, a ser desfechado pelo presidente João Goulart, com amplo apoio de sindicatos - Jango era criticado por tentar instalar uma "república sindical" - e de alguns segmentos das Forças Armadas.

Na noite de 31 de março de 1964, por sinal, O GLOBO foi invadido por fuzileiros navais comandados pelo almirante Cândido Aragão, do "dispositivo militar" de Jango, como se dizia na época. O jornal não pôde circular no dia 1º. Sairia no dia seguinte, 2 de abril, quinta-feira, com o editorial impedido de ser impresso pelo almirante, "A decisão da Pátria". Na primeira página, um novo editorial: " Ressurge a Democracia". (fac-símiles da primeira página e da página 3, da edição de 2 de abril de 1964, na galeria de páginas).

A divisão ideológica do mundo na Guerra Fria, entre Leste e Oeste, comunistas e capitalistas, se reproduzia, em maior ou menor medida, em cada país. No Brasil, ela era aguçada e aprofundada pela radicalização de João Goulart, iniciada tão logo conseguiu, em janeiro de 1963, por meio de plebiscito, revogar o parlamentarismo, a saída negociada para que ele, vice, pudesse assumir na renúncia do presidente Jânio Quadros. Obteve, então, os poderes plenos do presidencialismo. Transferir parcela substancial do poder do Executivo ao Congresso havia sido condição exigida pelos militares para a posse de Jango, um dos herdeiros do trabalhismo varguista. Naquele tempo, votava-se no vice-presidente separadamente. Daí o resultado de uma combinação ideológica contraditória e fonte permanente de tensões: o presidente da UDN e o vice do PTB. A renúncia de Jânio acendeu o rastilho da crise institucional.

A situação política da época se radicalizou, principalmente quando Jango e os militares mais próximos a ele ameaçavam atropelar Congresso e Justiça para fazer reformas de "base" "na lei ou na marra". Os quartéis ficaram intoxicados com a luta política, à esquerda e à direita. Veio, então, o movimento dos sargentos, liderado por marinheiros - Cabo Ancelmo à frente -, a hierarquia militar começou a ser quebrada e o oficialato reagiu.

Naquele contexto, o golpe, chamado de "Revolução", termo adotado pelo GLOBO durante muito tempo, era visto pelo jornal como a única alternativa para manter no Brasil uma democracia. Os militares prometiam uma intervenção passageira, cirúrgica. Na justificativa das Forças Armadas para a sua intervenção, ultrapassado o perigo de um golpe à esquerda, o poder voltaria aos civis. Tanto que, como prometido, foram mantidas, num primeiro momento, as eleições presidenciais de 1966.
O desenrolar da "revolução" é conhecido. Não houve as eleições. Os militares ficaram no poder 21 anos, até saírem em 1985, com a posse de José Sarney, vice do presidente Tancredo Neves, eleito ainda pelo voto indireto, falecido antes de receber a faixa.
No ano em que o movimento dos militares completou duas décadas, em 1984, Roberto Marinho publicou editorial assinado na primeira página. Trata-se de um documento revelador. Nele, ressaltava a atitude de Geisel, em 13 de outubro de 1978, que extinguiu todos os atos institucionais, o principal deles o AI-5, restabeleceu o habeas corpus e a independência da magistratura e revogou o Decreto-Lei 477, base das intervenções do regime no meio universitário. Destacava também os avanços econômicos obtidos naqueles vinte anos, mas, ao justificar sua adesão aos militares em 1964, deixava clara a sua crença de que a intervenção fora imprescindível para a manutenção da democracia e, depois, para conter a irrupção da guerrilha urbana. E, ainda, revelava que a relação de apoio editorial ao regime, embora duradoura, não fora todo o tempo tranquila. Nas palavras dele: "Temos permanecido fiéis aos seus objetivos [da revolução], embora conflitando em várias oportunidades com aqueles que pretenderam assumir a autoria do processo revolucionário, esquecendo-se de que os acontecimentos se iniciaram, como reconheceu o marechal Costa e Silva, 'por exigência inelutável do povo brasileiro'. Sem povo, não haveria revolução, mas apenas um 'pronunciamento' ou 'golpe', com o qual não estaríamos solidários" (fac-símile da primeira página de 7 de outubro de 1984, na galeria de páginas).
Não eram palavras vazias. Em todas as encruzilhadas institucionais por que passou o país no período em que esteve à frente do jornal, Roberto Marinho sempre esteve ao lado da legalidade. Cobrou de Getúlio uma constituinte que institucionalizasse a Revolução de 30, foi contra o Estado Novo, apoiou com vigor a Constituição de 1946 e defendeu a posse de Juscelino Kubistchek em 1955, quando esta fora questionada por setores civis e militares.
Durante a ditadura de 1964, sempre se posicionou com firmeza contra a perseguição a jornalistas de esquerda: como é notório, fez questão de abrigar muitos deles na redação do GLOBO. São muitos e conhecidos os depoimentos que dão conta de que ele fazia questão de acompanhar funcionários de O GLOBO chamados a depor: acompanhava-os pessoalmente para evitar que desaparecessem. Instado algumas vezes a dar a lista dos "comunistas" que trabalhavam no jornal, sempre se negou, de maneira desafiadora. Ficou famosa a sua frase ao general Juracy Magalhães, ministro da Justiça do presidente Castello Branco: "Cuide de seus comunistas, que eu cuido dos meus". Nos vinte anos durante os quais a ditadura perdurou, O GLOBO, nos períodos agudos de crise, mesmo sem retirar o apoio aos militares, sempre cobrou deles o restabelecimento, no menor prazo possível, da normalidade democrática.
Contextos históricos são necessários na análise do posicionamento de pessoas e instituições, mais ainda em rupturas institucionais. A História não é apenas uma descrição de fatos, que se sucedem uns aos outros. Ela é o mais poderoso instrumento de que o homem dispõe para seguir com segurança rumo ao futuro: aprende-se com os erros cometidos e se enriquece ao reconhecê-los
Os homens e as instituições que viveram 1964 são, há muito, História, e devem ser entendidos nessa perspectiva. O GLOBO não tem dúvidas de que o apoio a 1964 pareceu aos que dirigiam o jornal e viveram aquele momento a atitude certa, visando ao bem do país. À luz da História, contudo, não há por que não reconhecer, hoje, explicitamente, que o apoio foi um erro, assim como equivocadas foram outras decisões editoriais do período que decorreram desse desacerto original. A democracia é um valor absoluto. E, quando em risco, ela só pode ser salva por si mesma.



Publicado com o título original de: "Apoio ao golpe de 64 foi um erro" POR: O GLOBO


Essa publicação ocorre justamente depois que o pais todo saiu as ruas para reivindicar direitos corriqueiros como, uma melhora no transporte publico, já que esse vinha sofrendo aumentos, sem que uma melhora na qualidade fosse notada. A organização Globo foi talvez a instituição mais criticada e foi alvo de protestos em varias localidade do pais, fazendo até mesmo que repórteres tivessem que esconder o logo da emissora de tv para que não fossem alvo dos manifestantes. Isso indica eque os protestos tiveram sim um profundo significado par aa história desse país.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Esqueletos do Asfalto M.C.: Presidente Dilma da uma fugidinha de Moto para curtir Basília de uma outra perspectiva

Presidente Dilma da uma fugidinha de Moto para curtir Basília de uma outra perspectiva...:
Ilustração de Jean Galvão

VALDO CRUZ
DE BRASÍLIA
ANDRÉIA SADI
DO PAINEL, EM BRASÍLIA

"Coloquei o capacete e saí andando de moto pelas ruas de Brasília." A revelação, com ares de felicidade, foi feita de forma absolutamente casual pela presidente Dilma Rousseff a um incrédulo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA).

"Eu também não acreditei na hora, mas, quando encontramos o Amaro no elevador, passei a acreditar", disse o ministro, ao perceber a reação dos repórteres à história. A conversa, segundo Lobão, ocorreu durante um encontro na semana passada.

Lobão se referia ao chefe da Segurança Presidencial, general Marcos Antônio Amaro, com quem ele e Dilma esbarraram ao final da conversa. Dilma foi logo se gabando: "Nem ele ficou sabendo", disse, confiante de que sua escapada havia sido sigilosa.

O general surpreendeu a presidente. "Fiquei sabendo, sim, mandei acompanhar a senhora", foi logo dizendo o chefe da segurança de Dilma, informando que havia orientado uma equipe a segui-la à distância para não acabar com o sentimento de que estava fazendo uma aventura às escondidas.


Como se queixam alguns ex-presidentes, no Brasil o governante acaba desaprendendo a abrir portas com a própria mão.

Ao relatar sua experiência, cuja data não foi revelada, Dilma contou ao ministro sua sensação de andar de moto pela capital: "Senti melhor os ares de Brasília".


Foi um elogio poético, dado que a cidade passa pelo seu tradicional período de seca, quando a umidade do ar chega a níveis saarianos.

É incerto se Dilma estava na garupa de alguém ou se arriscou-se a pilotar. Segundo o Palácio do Planalto, que não comentou a estripulia, a presidente não tem carteira de habilitação nem sabe dirigir motocicletas.

Ainda surpreso pela revelação, Lobão cobrou da presidente os riscos de segurança envolvidos no hobby: "A senhora não tem de se preocupar só com você e a Paula [filha da presidente], tem de se preocupar também com 200 milhões de brasileiros".

Dilma sorriu, agradeceu a preocupação do ministro, mas disse: "A vida é cheia de riscos. Tudo que se faz na vida importa riscos".

Ao ouvir da Folha o relato de Lobão, um ministro próximo de Dilma mostrou-se descrente. "A presidente, andando de moto? Não acredito", disse. Mas há precedente na relação da mandatária com as máquinas.

O secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, Carlos Gabas, é um apaixonado por motos. Dono de uma Harley-Davidson, marca mítica norte-americana, ele conta que Dilma não só pediu para subir no modelo como posou para fotografia.

A fuga não é inédita. Como lembrou Lobão, o general João Batista Figueiredo (1918-1999) costumava deixar os seguranças loucos ao escapar para voltinhas de motocicleta durante sua Presidência (1979-1985).

"Foi uma aventura da presidente. Ela merece. O cargo limita muito as opções de lazer dela. Não dá para frequentar normalmente teatro, cinema, restaurantes", disse.



Publicado originalmente com o título: "Dilma driblou seguranças e saiu de moto pelas ruas de Brasília, diz ministro" em Folha de São Paulo.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

O que você precisa saber sobre o conservadorismo religioso do brasileiro analisando o “Porta dos Fundos”





O novo vídeo do grupo de humor “Porta dos Fundos” intitulado “Oh meu Deus”, como não poderia ser diferente acabou gerando um pouco de polêmica. Digo isso porque estamos falando do Brasil, um país onde a democracia ainda engatinha e os conservadores religiosos aproveitam das mais inusitadas maneiras de aparecer na mídia. Obvio que o personagem da vez, e outra vez não poderia deixar de ser o parlamentar evangélico mais badalado do Brasil, o próprio Marcos Feliciano em pessoa conclamou seus seguidores do Tweeter para uma comoção nacional para retirar o vídeo do ar. A trupe do “Portas do Fundo” por suas vez não deixará de ganhar os louro por essa polemica, pois acho que o objetivo desse tipo de humor é justamente causar desconforto a quem lhe servir, e por isso estão tendo o reconhecimento que merecem na nova cena do humor na internet. Mas como o colunista da “Folha” Tony Goes escreveu hoje em sua coluna “(Feliciano) poderá dizer que, mais uma vez, os crentes foram vítimas deperseguição. Aliás, já está no lucro. Seu objetivo maior foi alcançado: voltaràs manchetes, que freqüentou semana passada graças à gozação que sofreu numavião.”

Feliciano quer estar na mídia como o grande mártir do século XXI. Uma imagem que está bem enraizada no mundo cristão. Os cristãos sempre necessitaram da presença de um mártir como o próprio Cristo supostamente o foi em sua época. O cristianismo foi o criador dessa noção de que há beneficio no sofrimento. Quem sofre vai para o céu, “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e meu fardo é leve." (Mateus).

Essa imagem do homem que sofre perseguição por conta de sua fé já foi muito explorada na história e vem ainda sendo muito útil para a dominação em massa. Portanto Marcos Feliciano é uma cria de seu meio. Mas não pense que faz isso por pura fé, seu oportunismo é malévolo. Notemos que suas falácias são friamente e detalhadamente calculadas por profissionais da área.Não vamos nos iludir com a aparente ingenuidade desse homem. 

                            


Mas voltando ao vídeo[assista-o acima], que merece sim uma visão mais crítica por parte do espectador, relata com maestria e um sarcasmo muito justificável a alienação coletiva que muitos símbolos religiosos causam nas pessoas que não questionam nada e simplesmente aceitam passivamente toda influencia externa. Já vi casos onde foi dito que a imagem de Cristo ou da Ave Maria aparecem nos mais exótico lugares, dedes pão com presunto até na mancha do vidro de uma casa, por que não na vagina de uma mulher – como foi retratado no vídeo? Por que um pão com presunto é mais sagrado que uma genitália? Mas isso não vem ao caso. O problema é que a liberdade de expressão deve ser respeitada em todos os sentidos. Por que vocês cristãos conservadores apregoam que esse vídeo fere sua fé – que deveria ser inabalável? Afinal a critica muito bem identificável no vídeo se direciona àqueles fanáticos que acreditam em tudo e querem cultuar tudo que pareça ter barba bigode cabelos longos e as vezes até uma aureola. Fique olhado fixamente para o anus de um cachorro por alguns minutos e verá isso se assim quiser.

Portanto é valida a critica feita pelo pessoal do Porta do Fundo. E aqueles que acham ofensivo, eu tenho uma sugestão muito interessante, anotem! "Não assistam o vídeo e não o indiquem a ninguém, e caso venham a pronunciar contra o vídeo sintam-se bem vindos.”
O problema é vocês quererem censurar um grupo de profissionais tachando-os de hereges em um pais laico, onde ser “herege” deveria ser uma condição corriqueira e não uma exceção.
Pois se o Brasil se gaba de estar vivendo em plena democracia, apontando da falta de liberdade, por exemplo, do povo americano que possui uma democracia muito mais velha que a nossa, olhem para o tamanho da trave que há no seus olhos – parafraseando o própria Cristo, afinal eu sou livre para fazer isso já que faz mais de dois mil anos que ele faleceu, portanto suas frases já são de domino público* - Nos EUA e Canada há muito mais subversão e criticas religiosas do que aqui nesse país abençoado por Deus. Como seria possível um comediante como Bill Maher se apresentar aqui no Brasil?

No meio do show metade da platéia teria deixado o evento vomitando ou orando pela alma do pobre comediante atormentado. Ou para ser um pouco mais incisivo, quem aqui poderia imaginar um show do George Carllin sendo apresentado por essas terras? São apenas dois exemplos que deixam claro o quanto o país do funk das poposudas e do carnaval das mulatas de tapa sexo ainda está passando por um alto grau de conservadorismo religioso que sempre foi a causa das maiores imbecilidades da história da humanidade, como por exemplo proibição do uso de preservativos.




André Stanley 

André Stanley é professor e escritor; autor do livro “O Cadáver”; presidiu o Centro acadêmico do curso de História no UNIFEG em 2007, é membro efetivo da Ass. Dos Historiadores e pesquisadores dos Sertões do Jacuhy desde 2004. Atua hoje como professor e pesquisador de História. Também leciona língua inglesa idioma que domina desde a adolescência..

domingo, 4 de agosto de 2013

Coveiro de São Paulo publica sua terceira obra literária.

Titulo original para a Folha:

Coveiro do cemitério da Consolação já prepara terceiro livro sobre criaturas atormentadas


Por: Natália ALBERTONI

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA




Francisco Pinto de Campos Neto, 54, o Tico, sepulta cadáveres de dia e concebe personagens ao anoitecer.
De segunda a sexta, das 9h às 16h, é coveiro no cemitério da Consolação, no centro. As horas livres são gastas na produção do seu terceiro livro, que tem o remorso como mote.
Tico já publicou duas coletâneas de contos: "Elas etc." e "As Núpcias do Escorpião", cheias de histórias de criaturas atormentadas --como a menina abusada pela tia e o paraplégico apaixonado por um travesti.
Em 1980, Tico passou em letras na USP, mas não terminou a faculdade. Trabalhou como revisor na área e, inquieto, fez de tudo um pouco: assistente de caminhão, porteiro de boate gay, pintor de parede...
A vida foi ficando difícil, e ele acabou indo morar na rua. Tinha 34 anos quando foi internado pela primeira vez, numa instituição particular, por conselho do irmão mais velho --Tico tinha virado um copo de álcool Zulu. "Passava dias bebendo e cheirando pó."
Foi confinado 20 vezes por causa do vício, em clínicas privadas e públicas. Está sóbrio há dez anos --por força de vontade, não à força pelas intervenções médicas, acredita.
No ano passado, o homem que desde menino sonhava em viver de literatura viu um cartaz da prefeitura: concurso para sepultador. Conseguiu dinheiro emprestado e se inscreveu.
Também em 2012, foi acolhido por Robson Padial, 48 --é dele o Sarau do Binho, projeto itinerante que reúne artistas da periferia paulistana.
Tico conheceu ali a Agência Popular de Fomento à Cultura Solano Trindade, que financiou uma tiragem de 500 exemplares de "As Núpcias" (restam apenas cem cópias).
Livro e resultado do concurso saíram quase ao mesmo tempo. "Encontrei um cantinho para morar e consegui pagar o primeiro aluguel com a venda dos livros", afirma.



CONHECIMENTO DE CAUSA
Das dez histórias d'"As Núpcias", quatro se passam em manicômios. A temática rendeu a Tico, em maio, o 5º Prêmio Carrano de Luta Antimanicomial e Direitos Humanos.
A obra trata de abuso de medicamentos, punição e abandono. Nenhum personagem é real, mas o autor escreve com conhecimento de causa.
"O que fazem lá é uma lobotomia química. Me emocionei muito com 'Bicho de Sete Cabeças' [filme de 2001 com Rodrigo Santoro]. Daquilo mostrado, só não vivi o choque elétrico."
Para ele, é necessário batalhar pela luta antimanicomial, mas também ter cuidado com a atual "psiquiatrização" dos sentimentos.
"Você sai de qualquer posto de saúde com [medicação] tarja preta. O Binho costuma falar que qualquer farmácia é uma biqueira [ponto de venda de drogas]. E deve estar dando lucro, porque fica aberta 24 horas."
O coveiro-escritor acha que "os remédios trazem uma felicidade de plástico que interessa à indústria farmacêutica. Com a cabeça cheia de Rivotril, o cara não questiona nada".
Até a onda de protestos no país não seria a mesma, diz. "Imagina se esses manifestantes tomassem Lexotan... Eles estariam dando risada."
Francivaldo Gomes, 45, administrador do cemitério, não sabia que tinha um artista entre os funcionários. "Temos 30 personagens famosos enterrados. Para um lugar que tem tradição em cultura, é ótimo ter um sepultador-escritor."
'SEM FRESCURICE'
"É um livro sem embromação nenhuma. Não é sofisticado, fantasioso... Vai direto ao ponto. Uma obra que interessa a quem realmente gosta de ler, quer saber algo sobre o cotidiano, sobre a cidade. Fiquei realmente preso a tudo que se refere a São Paulo, principalmente ao centro, que o autor descreve muito bem, sem "frescurice". É um título que merece muito respeito dos leitores. Eu daria nota 8,5 para o escritor. E olha que sou muito rigoroso com notas. Para chegar a 10 tem que ser Edgar Allan Poe." José Mojica Marins, o Zé do Caixão
Para comprar o livro, escreva para poetasderua@hotmail.com.



Artigo publicado por Natália Albertoni para: Folha de São Paulo

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